{"id":681,"date":"2013-02-08T17:29:30","date_gmt":"2013-02-08T17:29:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=681"},"modified":"2013-02-08T17:29:30","modified_gmt":"2013-02-08T17:29:30","slug":"sistema-eletrico-advertencias-de-roberto-daraujo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/sistema-eletrico-advertencias-de-roberto-daraujo\/","title":{"rendered":"Sistema el\u00e9trico: advert\u00eancias de Roberto D&#8217;Ara\u00fajo"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Em meio \u00e0s acirradas discuss\u00f5es sobre as vulnerabilidades do sistema el\u00e9trico brasileiro, o engenheiro Roberto Pereira D&#8217;Ara\u00fajo, fundador do Instituto de Desenvolvimento Estrat\u00e9gico do Setor El\u00e9trico (Ilumina) e um dos maiores especialistas brasileiros na \u00e1rea, \u00e9 sempre uma importante voz a ser ouvida. Autor do livro <em>Setor el\u00e9trico brasileiro: uma aventura mercantil<\/em> (Confea, 2009), tem sido um dos mais consistentes cr\u00edticos do modelo de \u00abcomoditiza\u00e7\u00e3o\u00bb da energia adotado no Pa\u00eds a partir da d\u00e9cada de 1990, cujas contradi\u00e7\u00f5es t\u00eam resultado no ac\u00famulo de problemas que amea\u00e7a resultar em novas restri\u00e7\u00f5es de consumo e, in extremis, na eventual necessidade de um novo racionamento de eletricidade. Em um artigo e uma entrevista recentes, ele oferece oportunos esclarecimentos sobre o dilema energ\u00e9tico nacional.<\/p>\n<p align=\"left\">No artigo, intitulado \u00abUma carta de S\u00e3o Pedro\u00bb, publicado no <em>Valor Econ\u00f4mico<\/em> de 25 de janeiro \u00faltimo, o especialista recorre ao ap\u00f3stolo para fazer as perguntas pertinentes sobre o cen\u00e1rio energ\u00e9tico:<\/p>\n<blockquote><p>Ali\u00e1s, andei conversando com um grupo de famosos cuja opini\u00e3o voc\u00eas devem considerar. Os doutores Amp\u00e9re, Hertz, Faraday, Maxwell, Edison e outros opinaram sobre o caso. Todos foram un\u00e2nimes em dizer que ficaram preocupados como voc\u00eas complicaram e encareceram um sistema relativamente simples. Afinal, essa \u00e9 uma tecnologia do in\u00edcio do seu s\u00e9culo passado. (&#8230;)<\/p>\n<p>As chuvas, que voc\u00eas candidamente acham que eu controlo, alimentam os rios e fornecem a energia natural para que as usinas produzam os quilowatts que voc\u00eas necessitam&#8230; Em m\u00e9dia, com suas usinas de 2012, eu geralmente entrego por volta de 500 TWh [terawatts.hora] na soma das quatro regi\u00f5es. Nada mal se comparado ao consumo de 513 TWh de voc\u00eas. Afinal, voc\u00eas t\u00eam outras fontes de energia. Em 2012, ao contr\u00e1rio do que as autoridades do seu governo dizem, por motivos que n\u00e3o posso controlar, s\u00f3 entreguei 436 TWh, 13% abaixo da m\u00e9dia. Pelas rezas que recebo, at\u00e9 parece uma grande desgra\u00e7a, mas valores nesse entorno j\u00e1 ocorreram em mais de 10% dos anos que constam nos seus registros. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Didaticamente, o \u00abSanto Ap\u00f3stolo\u00bb informa que apenas 36% do hist\u00f3rico da energia dos rios ficaram abaixo da m\u00e9dia, o que significa que 64% ficaram acima da m\u00e9dia; e que, a cada cinco anos, um tem \u00e1gua igual ou maior que 20% da m\u00e9dia. \u00abA pergunta que tenho \u00e9: quem est\u00e1 se aproveitando dessas &#8216;d\u00e1divas&#8217;? Como \u00e9 que voc\u00eas democratizam essa energia extra?\u00bb &#8211; questiona. E prossegue:<\/p>\n<blockquote><p>Eu nem deveria me intrometer para assessorar, mas, como sou santo, talvez voc\u00eas estejam sendo perdul\u00e1rios com a \u00e1gua estocada. A gera\u00e7\u00e3o das hidr\u00e1ulicas (pouco mais de 70% das usinas), sempre muito alta, est\u00e1 muito estranha. A maior fonte s\u00e3o as hidr\u00e1ulicas? Claro! Elas s\u00e3o mais baratas, e parte dessa energia \u00e9 da substitui\u00e7\u00e3o pelas t\u00e9rmicas, que ficam como seguro? Mas, como \u00e9 feita essa \u00abtransfer\u00eancia\u00bb? Quem pode \u00abcomprar energia na safra\u00bb? Como a tarifa \u00e9 t\u00e3o alta se quase todos os quilowatts v\u00eam da \u00e1gua? Nem santo entende esse modelo!<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Posteriormente, em entrevista ao <em>Monitor Mercantil<\/em> de 2 de fevereiro, D&#8217;Ara\u00fajo fala mais diretamente sobre os problemas do sistema, ressaltados pela percep\u00e7\u00e3o do baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas. Para ele, o principal risco n\u00e3o \u00e9 a varia\u00e7\u00e3o no regime de chuvas, mas os desequil\u00edbrios resultantes de um modelo pensado primordialmente para atender ao \u00abinteresse do grande capital\u00bb, com menos \u00eanfase no planejamento estrat\u00e9gico do setor:<\/p>\n<blockquote><p>Acho que, fora o que est\u00e1 ocorrendo agora, na minha opini\u00e3o, um problema de modelo de planejamento que n\u00e3o combina com o modelo de opera\u00e7\u00e3o, sinceramente, acho que o Brasil n\u00e3o vai enfrentar problemas de oferta. O problema \u00e9: a que custo? Como ficar\u00e1 o setor com as estatais fragilizadas? Quem vai entrar de parceiro com os privados para viabilizar projetos que, sem a entrada de s\u00f3cios institucionais, n\u00e3o saem?<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Na introdu\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, o jornalista Rog\u00e9rio Lessa lembra que, segundo o site Contas Abertas, o Grupo Eletrobr\u00e1s (composto por 19 empresas) deixou de investir 30,9% do or\u00e7amento de R$ 8,5 bilh\u00f5es previstos o ano passado, o menor volume de investimentos da companhia nos \u00faltimos quatro anos.<\/p>\n<p align=\"left\">Quanto ao aumento das tarifas verificado ao longo da \u00faltima d\u00e9cada, D&#8217;Ara\u00fajo foi categ\u00f3rico:<\/p>\n<blockquote><p>A tarifa de energia, que s\u00f3 explodiu sob a gest\u00e3o da ministra [Dilma Rousseff, que ocupou a pasta de Minas e Energia entre 2003 e 2005 &#8211; n.e.], mostra que h\u00e1 erros \u00f3bvios. Nada foi feito, ent\u00e3o, porque o mercado livre, para o qual foi a grande ind\u00fastria, era irrigado com energia quase gratuita das estatais. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Sobre os apag\u00f5es que o Pa\u00eds tem experimentado, ele afirma que o problema maior n\u00e3o \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o do fornecimento em si, mas a grande demora no seu restabelecimento:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) O problema n\u00e3o \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o, mas, sim, o tempo de recomposi\u00e7\u00e3o do suprimento, que tem sido muito longo. Se o defeito \u00e9 originado nas distribuidoras, pode come\u00e7ar com um simples curto e se espalhar por falhas no sistema de prote\u00e7\u00e3o que falha em \u00abilhar\u00bb o defeito. \u00abApaguinhos\u00bb das distribuidoras duram muito tempo em fun\u00e7\u00e3o da filosofia de manuten\u00e7\u00e3o dessas empresas, que insistem em terceirizar esse tipo de servi\u00e7o. Rotatividade e diversidade de empresas fazem com que os profissionais n\u00e3o se especializem nas \u00e1reas a que atendem. Na transmiss\u00e3o, falta a moderniza\u00e7\u00e3o de subesta\u00e7\u00f5es, nas quais est\u00e3o conectadas linhas de propriet\u00e1rios diferentes, o que complica as manobras, nem todas automatizadas.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Sobre os impactos ambientais da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, o especialista afirmou:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o existe fonte energ\u00e9tica inocente no meio ambiente. Algumas atingem alguns aspectos e outras se chocam com outros. Mesmo a decantada e\u00f3lica ocupa extensas \u00e1reas, mata aves migrat\u00f3rias e n\u00e3o s\u00e3o agrad\u00e1veis de se conviver em fun\u00e7\u00e3o do ru\u00eddo. A \u00fanica decis\u00e3o coerente com a agenda ambiental \u00e9 procurar eliminar a inefici\u00eancia do sistema. Perdas da ordem de 20% na distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o inaceit\u00e1veis. Eletrodom\u00e9sticos ineficientes continuam sendo produzidos e s\u00f3 ganham uma letra D. Como s\u00e3o mais baratos, continuam nas tomadas. Adaptadores se multiplicam aos milh\u00f5es para atender a uma mudan\u00e7a de padr\u00e3o feita da noite para o dia sem um estudo de compatibilidade com o que j\u00e1 existe. Fizeram a alegria da ind\u00fastria el\u00e9trica, que ganha bilh\u00f5es com mais essa trapalhada.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">D&#8217;Ara\u00fajo insiste em que a discuss\u00e3o da matriz energ\u00e9tica deveria come\u00e7ar pela pol\u00edtica industrial. Todavia, lamenta, \u00abno atual governo, a ind\u00fastria de <em>commodities<\/em> parece estar no comando\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">Resta saber at\u00e9 quando as lideran\u00e7as nacionais, em especial, no governo federal, continuar\u00e3o ignorando advert\u00eancias como essas, mantendo o Pa\u00eds no caminho da \u00abreprimariza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia nacional &#8211; e afastando-o do pleno desenvolvimento das suas enormes potencialidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0s acirradas discuss\u00f5es sobre as vulnerabilidades do sistema el\u00e9trico brasileiro, o engenheiro Roberto Pereira D&#8217;Ara\u00fajo, fundador do Instituto de Desenvolvimento Estrat\u00e9gico do Setor El\u00e9trico (Ilumina) e um dos maiores especialistas brasileiros na \u00e1rea, \u00e9 sempre uma importante voz a ser ouvida. 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