{"id":667,"date":"2013-08-17T19:25:12","date_gmt":"2013-08-17T19:25:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=667"},"modified":"2013-08-17T19:25:12","modified_gmt":"2013-08-17T19:25:12","slug":"civilizacao-mundial-passou-do-ponto-diz-o-papa-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/civilizacao-mundial-passou-do-ponto-diz-o-papa-no-rio\/","title":{"rendered":"Civiliza\u00e7\u00e3o mundial passou do ponto, diz o Papa no Rio"},"content":{"rendered":"<p>\u00abA civiliza\u00e7\u00e3o mundial passou do ponto.\u00bb Com esta frase, t\u00e3o coloquial como verdadeira, o Papa Francisco caracterizou o momento paradigm\u00e1tico pelo qual a humanidade atravessa, na primeira viagem internacional do seu pontificado, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Nos seis dias em que permaneceu na cidade, de 23 a 28 de julho, o Pont\u00edfice eletrizou as centenas de milhares de pessoas, provenientes de 175 pa\u00edses, que acompanharam os seus trajetos, entoando o coro,\u00a0<em>\u00abEsta es la juventud del Papa!\u00bb\u00a0<\/em>&#8211; quase sempre proferido em espanhol. A dimens\u00e3o do entusiasmo espalhado pela sua presen\u00e7a pode ser aquilatada na missa final, realizada na praia de Copacabana, que reuniu mais de 3 milh\u00f5es de pessoas, no maior evento j\u00e1 registrado na hist\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<p>Em tal ambiente juvenil e festivo, Francisco n\u00e3o se dirigiu unicamente a esse numeroso contingente; em vez disto, as suas bem ponderadas mensagens foram endere\u00e7adas \u00e0 pr\u00f3pria Igreja e \u00e0 sociedade em seu conjunto. Contra a desoladora imagem sagrada do ser humano caracter\u00edstica da cultura prevalecente, com desdobramentos em um sistema econ\u00f4mico escravizante e um sistema pol\u00edtico descompromissado com o bem comum, que n\u00e3o deixam de impactar a Igreja Cat\u00f3lica, ele afirmou a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de uma \u00abcultura do encontro e do di\u00e1logo\u00bb, com uma ordem de humildade social.<\/p>\n<p>O enorme interesse gerado pelas interven\u00e7\u00f5es do Papa, a maioria delas transmitidas ao vivo pela televis\u00e3o, demonstra que a sociedade est\u00e1 \u00e1vida de refer\u00eancias com credibilidade, que assinalem novos horizontes para a sa\u00edda da crise de valores e socioecon\u00f4mica que avassala o planeta. A resson\u00e2ncia da viagem se torna ainda maior pelo fato de ter-se realizado no \u00abContinente da Esperan\u00e7a\u00bb, que re\u00fane, desde as suas origens, uma voca\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o que lhe confere o seuethos, esta qualidade intr\u00ednseca, capaz de enfrentar grandes obst\u00e1culos para cristalizar a sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>As dificuldades para a consecu\u00e7\u00e3o de tal projeto n\u00e3o residem apenas nas na\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m na pr\u00f3pria Igreja. Por isso, foi bastante significativa a reuni\u00e3o com os representantes da Confer\u00eancia Episcopal Latino-Americana (CELAM), no \u00faltimo dia da visita, cujos temas-chave foram o caminho para a integra\u00e7\u00e3o do continente, uma radiografia clara dos problemas do mundo atual e a renova\u00e7\u00e3o do caminho mission\u00e1rio da Igreja, a \u00abMiss\u00e3o Continental\u00bb, em sua forma transcendente.<\/p>\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o, Francisco enumerou algumas das \u00abtenta\u00e7\u00f5es\u00bb que t\u00eam acometido tanto a Igreja como a pr\u00f3pria sociedade latino-americana: \u00abN\u00e3o se trata de sair \u00e0 ca\u00e7a de dem\u00f4nios, mas simplesmente de lucidez e prud\u00eancia evang\u00e9licas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma Igreja &#8216;tentada&#8217;. Trata-se de conhecer determinadas propostas atuais que podem mimetizar-se em a din\u00e2mica do discipulado mission\u00e1rio e deter, at\u00e9 faz\u00ea-lo fracassar, o processo de convers\u00e3o Pastoral.\u00bb<\/p>\n<p>Em seguida, atentou para os perigos da ideologiza\u00e7\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica, apontando algumas de suas modalidades:<\/p>\n<blockquote><p>a) O reducionismo socializante. \u00c9 a ideologiza\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil de descobrir. Em alguns momentos, foi muito forte. Trata-se de uma pretens\u00e3o interpretativa com base em uma hermen\u00eautica de acordo com as ci\u00eancias sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado at\u00e9 \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o marxista.<\/p>\n<p>b) A ideologiza\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica. Trata-se de uma hermen\u00eautica elitista que, em \u00faltima an\u00e1lise, reduz o \u00abencontro com Jesus Cristo\u00bb e seu sucessivo desenvolvimento a uma din\u00e2mica de autoconhecimento. Costuma verificar-se principalmente em cursos de espiritualidade, retiros espirituais, etc. Acaba por resultar numa posi\u00e7\u00e3o imanente auto-referencial. N\u00e3o tem sabor de transcend\u00eancia, nem portanto de missionariedade.<\/p>\n<p>c) A proposta gn\u00f3stica. Muito ligada \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o anterior. Costuma ocorrer em grupos de elites com uma proposta de espiritualidade superior, bastante desencarnada, que acaba por desembocar em posi\u00e7\u00f5es pastorais de\u00a0<em>\u00abquaestiones disputatae\u00bb<\/em>. Foi o primeiro desvio da comunidade primitiva e reaparece, ao longo da hist\u00f3ria da Igreja, em edi\u00e7\u00f5es corrigidas e renovadas. Vulgarmente s\u00e3o denominados \u00abcat\u00f3licos iluminados\u00bb (por serem atualmente herdeiros do Iluminismo).<\/p>\n<p>d) A proposta pelagiana. Aparece fundamentalmente sob a forma de restauracionismo. Perante os males da Igreja, busca-se uma solu\u00e7\u00e3o apenas na disciplina, na restaura\u00e7\u00e3o de condutas e formas superadas que, mesmo culturalmente, n\u00e3o possuem capacidade significativa. Na Am\u00e9rica Latina, costuma verificar-se em pequenos grupos, em algumas novas Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas, em tend\u00eancias para a \u00abseguran\u00e7a\u00bb doutrinal ou disciplinar. Fundamentalmente \u00e9 est\u00e1tica, embora possa prometer uma din\u00e2mica para dentro: regride. Procura \u00abrecuperar\u00bb o passado perdido.<\/p>\n<p>2. O funcionalismo. A sua a\u00e7\u00e3o na Igreja \u00e9 paralisante. Mais do que com a rota, se entusiasma com o \u00abroteiro\u00bb. A concep\u00e7\u00e3o funcionalista n\u00e3o tolera o mist\u00e9rio, aposta na efic\u00e1cia. Reduz a realidade da Igreja \u00e0 estrutura de uma ONG. O que vale \u00e9 o resultado palp\u00e1vel e as estat\u00edsticas. A partir disso, chega-se a todas as modalidades empresariais de Igreja. Constitui uma esp\u00e9cie de \u00abteologia da prosperidade\u00bb no organograma da pastoral.<\/p>\n<p>3. O clericalismo \u00e9 tamb\u00e9m uma tenta\u00e7\u00e3o muito atual na Am\u00e9rica Latina. Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade viciosa: o sacerdote clericaliza e o leigo lhe pede, por favor, que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais c\u00f4modo. O fen\u00f4meno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade adulta e de liberdade crist\u00e3 em boa parte do laicato da Am\u00e9rica Latina: ou n\u00e3o cresce (a maioria), ou se abriga sob coberturas de ideologiza\u00e7\u00f5es como as indicadas, ou ainda em perten\u00e7as parciais e limitadas. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Reabilitar a pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>Em um encontro com lideran\u00e7as da sociedade, no Teatro Municipal, ao qual estes autores tiveram a fortuna de comparecer, o Pont\u00edfice destacou qualidades espec\u00edficas da cultura brasileira, que lhe conferem condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para o cultivo de uma cultura de di\u00e1logo construtivo, tanto no \u00e2mbito da Am\u00e9rica Latina como no mundo em geral. Unidas \u00e0s ra\u00edzes crist\u00e3s, tais qualidades conferem \u00e0 na\u00e7\u00e3o brasileira a capacidade e a responsabilidade para desempenhar um papel protagonista em um novo mundo em constru\u00e7\u00e3o. Suas palavras:<\/p>\n<blockquote><p>Em primeiro lugar, \u00e9 de justi\u00e7a valorizar a originalidade din\u00e2mica que caracteriza a cultura brasileira, com sua extraordin\u00e1ria capacidade para integrar elementos diversos. O sentir comum de um povo, as bases de seu pensamento e de sua criatividade, os princ\u00edpios b\u00e1sicos de sua vida, os crit\u00e9rios de julgamento sobre as prioridades, as normas de atua\u00e7\u00e3o, se fundem e crescem em uma vis\u00e3o integral da pessoa humana.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o do homem e da vida caracter\u00edstica do povo brasileiro recebeu, tamb\u00e9m, a seiva do Evangelho: a f\u00e9 em Jesus Cristo, o amor de Deus e a fraternidade com o pr\u00f3ximo. A riqueza desta seiva pode fecundar um processo cultural fiel \u00e0 identidade brasileira e, por sua vez, um processo construtor de um futuro melhor para todos. Um processo de faz crescer a humaniza\u00e7\u00e3o integral e a cultura do enconro e da rela\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a maneira crist\u00e3 de promover o bem comum, a alegria de viver. E aqui convergem a f\u00e9 e a raz\u00e3o, a dimens\u00e3o religiosa com os diferentes aspectos da cultura humana: a arte, a ci\u00eancia, o trabalho, a literatura&#8230; O cristianismo combina transcend\u00eancia e encarna\u00e7\u00e3o, pela capacidade de revitalizar sempre o pensamento e a vida, diante da amea\u00e7a de frustra\u00e7\u00e3o e desencanto que podem invadir o cora\u00e7\u00e3o e se propagar pelas ruas.<\/p><\/blockquote>\n<p>A mensagem foi clara e dura: os sistemas pol\u00edticos do mundo se tornaram de tal forma desacreditados, que \u00e9 crucial \u00abreabilitar a pol\u00edtica\u00bb, que, na tradi\u00e7\u00e3o de Thomas More, apontou como sendo a forma mais alta de caridade. Prosseguindo, diante de uma plat\u00e9ia emocionada e eletrizada por suas palavras, enfatizou:<\/p>\n<blockquote><p>Um segundo ponto ao que gostaria de referir-me \u00e9 a responsabilidade social. Ela requer um certo tipo de paradigma cultural e, em consequ\u00eancia, de pol\u00edtica. Somos respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es, ajud\u00e1-las a serem capazes na economia e na pol\u00edtica e firmes nos valores \u00e9ticos. O futuro exige, hoje, a tarefa de reabilitar a pol\u00edtica, que \u00e9 uma das formas mais altas de caridade. O futuro nos exige, tamb\u00e9m, uma vis\u00e3o humanista da economia e uma pol\u00edtica que logre uma participa\u00e7\u00e3o cada vez maior e melhor das pessoas, evite o elitismo e erradique a pobreza.<\/p>\n<p>Que n\u00e3o falte a ningu\u00e9m o necess\u00e1rio e que se assegure a todos dignidade, fraternidade e solidariedade; este \u00e9 o caminho proposto. J\u00e1 na \u00e9poca do profeta Am\u00f3s era muito frequente a admoni\u00e7\u00e3o de Deus: \u00abVendem o justo por dinheiro, e o necessitado por um par de sapatos. Suspirando pelo p\u00f3 da terra, sobre a cabe\u00e7a dos pobres, pervertem o caminho dos mansos (Am\u00f3s 2, 6-7).\u00bb Os gritos que pedem justi\u00e7a continuam, ainda hoje.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"center\"><strong>Aos jovens: atrevam-se a nadar contra a corrente<\/strong><\/p>\n<p>Antes, no mesmo dia, em um encontro especial com mais de 30 mil peregrinos argentinos, Francisco lan\u00e7ou aos jovens o desafio de protagonizar mudan\u00e7as efetivas. Na ocasi\u00e3o, afirmou:<\/p>\n<blockquote><p>Gostaria de dizer uma coisa. O que espero como consequ\u00eancia da Jornada da Juventude? Espero agita\u00e7\u00e3o! Que aqui dentro haver\u00e1 agita\u00e7\u00e3o? Vai haver! Que aqui no Rio vai haver agita\u00e7\u00e3o? Vai haver! Mas quero agita\u00e7\u00e3o nas dioceses! Quero que saiam para fora! Quero que a Igreja saia \u00e0s ruas! Quero que nos defendamos de tudo o que seja mundanidade, do que seja instala\u00e7\u00e3o, do que seja comodidade, do que seja clericalismo, do que seja estar encerrados em n\u00f3s mesmos. As par\u00f3quias, os col\u00e9gios, as institui\u00e7\u00f5es, s\u00e3o para sair! Se n\u00e3o saem, se convertem em uma ONG, e a Igreja n\u00e3o pode ser uma ONG.<\/p>\n<p>Olhem, eu penso que, neste momento, esta civiliza\u00e7\u00e3o mundial passou do ponto, passou do ponto! Porque \u00e9 tal o culto que tem sido feito ao deus dinheiro, que estamos presenciando uma filosofia e uma pr\u00e1xis de exclus\u00e3o dos dois p\u00f3los da vida que s\u00e3o as promessas dos povos. E, evidentemente, se poderia pensar que poderia haver uma esp\u00e9cie de eutan\u00e1sia escondida. Quer dizer, n\u00e3o se cuidam dos anci\u00e3os, mas tamb\u00e9m h\u00e1 esta eutan\u00e1sia cultural: n\u00e3o se lhes deixam falar, n\u00e3o se lhes deixam atuar! E a exclus\u00e3o dos jovens: o percentual de jovens sem trabalho, sem emprego, \u00e9 muito alto! E \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem experi\u00eancia da dignidade ganha pelo trabalho. Ou seja, esta civiliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 nos levando a excluir as duas pontas que s\u00e3o o nosso futuro!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, os jovens t\u00eam que sair, t\u00eam que se fazer valer. Os jovens t\u00eam que sair a lugar pelos valores &#8211; a lutar pelos valores! E os velhos, que abram a boca, os anci\u00e3os abram a boca e nos ensinem, transmitam-nos a sabedoria dos povos! Ao povo argentino, e lhes pe\u00e7o de cora\u00e7\u00e3o aos anci\u00e3os, n\u00e3o claudiquem de ser a reserva cultural do nosso povo, que transmite a justi\u00e7a, que transmite a hist\u00f3ria, que transmite os valores, que transmite a mem\u00f3ria do povo. E voc\u00eas, por favor, n\u00e3o se metam contra os velhos! Deixem-nos falar, escutem-nos e levem adiante o que aprenderem! Mas saibam que, neste momento, voc\u00eas, os jovens e os anci\u00e3os, est\u00e3o condenados ao mesmo destino: exclus\u00e3o! N\u00e3o se deixem excluir! Est\u00e1 claro? \u00c9 por isso que creio que t\u00eam que trabalhar.<\/p>\n<p>Por favor, n\u00e3o fa\u00e7am vitamina da f\u00e9 em Jesus Cristo! Existe vitamina de laranja, de ma\u00e7\u00e3, de banana, mas, por favor, n\u00e3o bebam vitamina de f\u00e9! \u00c9 a f\u00e9 em Jesus. \u00c9 a f\u00e9 no Filho de Deus feito homem, que me amou e morreu por mim. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em sua despedida dos jovens, ao encontrar-se com os volunt\u00e1rios da JMJ, Francisco sintetizou o seu apelo, dizendo: \u00abPe\u00e7o-lhes que sejam revolucion\u00e1rios, pe\u00e7o-lhes que v\u00e3o contra a corrente. Que se rebelem contra essa cultura do provis\u00f3rio, do relativo. Atrevam-se a ir contra a corrente.\u00bb<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A Jornada da Juventude da m\u00eddia<\/strong><\/p>\n<p>Poucos dias ap\u00f3s anunciar a sua ren\u00fancia, em uma reuni\u00e3o com o clero de Roma, em fevereiro \u00faltimo, o ent\u00e3o Papa Bento XVI denunciou que os meios de comunica\u00e7\u00e3o mundiais haviam criado a sua pr\u00f3pria vers\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II, desfigurando o seu conte\u00fado. Guardadas as propor\u00e7\u00f5es, uma tentativa semelhante se manifestou com a JMJ. No encontro no Teatro Municipal, os principais peri\u00f3dicos brasileiros deram grande destaque \u00e0 presen\u00e7a de um grupo de \u00edndios, como se se tratasse de um grande acontecimento. O fato \u00e9 que a sua presen\u00e7a tinha o mesmo valor que a dos demais segmentos da sociedade ali reunidos para um evento em que o destaque era o Papa,conclamando uma elite pol\u00edtica e intelectual a assumir a responsabilidade pelo bem comum.<\/p>\n<p>Outro exemplo foi a entrevista concedida pelo Pont\u00edfice, no voo de volta a Roma, na qual grande parte das perguntas se centrou nos temas preferidos da m\u00eddia controlada pelos grandes poderes mundiais, que n\u00e3o constitu\u00edram temas nominais da Jornada, como o homossexualismo, o casamento homossexual e a ordena\u00e7\u00e3o de mulheres. Com tranq\u00fcilidade, Francisco remeteu os jornalistas ao estabelecido pelo Catecismo da Igreja, fazendo uma ressalva sobre temas do sacramento do matrim\u00f4nio, que est\u00e3o sendo atualmente estudados. No dia seguinte, a imprensa mundial preferiu destacar, maci\u00e7amente, manchetes que asseguravam uma mudan\u00e7a nas posi\u00e7\u00f5es da Igreja, em especial, quanto ao homossexualismo. A verdade \u00e9 que os poderes globais pretendiam definir a import\u00e2ncia do Papa nos temas que, precisamente, refletem o colapso cultural da sociedade. A isto se refere ele, quando diz que a civiliza\u00e7\u00e3o passou do ponto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abA civiliza\u00e7\u00e3o mundial passou do ponto.\u00bb Com esta frase, t\u00e3o coloquial como verdadeira, o Papa Francisco caracterizou o momento paradigm\u00e1tico pelo qual a humanidade atravessa, na primeira viagem internacional do seu pontificado, para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro. 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