{"id":665,"date":"2013-01-18T13:02:38","date_gmt":"2013-01-18T13:02:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=665"},"modified":"2013-01-18T13:02:38","modified_gmt":"2013-01-18T13:02:38","slug":"o-alto-custo-da-submissao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/o-alto-custo-da-submissao-ambiental\/","title":{"rendered":"O alto custo da submiss\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">No final da d\u00e9cada de 1980, o Brasil tinha um dos sistemas de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade mais eficientes do mundo, que oferecia tarifas a custos m\u00f3dicos aos consumidores comerciais e residenciais e tinha um alto n\u00edvel de seguran\u00e7a. Por ser baseado em quase 90% em usinas hidrel\u00e9tricas, detinha a vantagem estrat\u00e9gica de poder \u00abarmazenar energia\u00bb em forma de \u00e1gua, pois os reservat\u00f3rios das usinas tinham reservas para at\u00e9 dois anos seguidos de chuvas insuficientes, o que diminu\u00eda consideravelmente os riscos para o abastecimento. Sem entrar na discuss\u00e3o sobre as mudan\u00e7as estruturais implementadas na d\u00e9cada de 1990, que converteram a eletricidade em <em>commodity<\/em>, as vantagens do sistema desapareceram, com as tarifas decolando para os n\u00edveis mais altos do planeta e a seguran\u00e7a do abastecimento comprometida pela submiss\u00e3o de sucessivos governos aos ditames do movimento ambientalista-indigenista internacional.<\/p>\n<p align=\"left\">H\u00e1 duas d\u00e9cadas, os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas brasileiras detinham reservas que lhes permitiam enfrentar at\u00e9 dois anos seguidos de chuvas insuficientes. Hoje, em grande medida, devido \u00e0s rigorosas restri\u00e7\u00f5es impostas ao tamanho dos reservat\u00f3rios por crit\u00e9rios ambientais, esta capacidade caiu para apenas seis meses e, considerando as usinas que dever\u00e3o ser conclu\u00eddas nos pr\u00f3ximos anos, dever\u00e1 cair para menos de cinco meses, at\u00e9 2015. Tal vulnerabilidade constitui um verdadeiro crime de lesa-p\u00e1tria, que se permitiu ser perpetrado contra o Pa\u00eds, por conta de sucessivas concess\u00f5es e omiss\u00f5es, e do qual toda a sociedade est\u00e1 sujeita \u00e0s suas eventuais consequ\u00eancias.<\/p>\n<p align=\"left\">Outro grave \u00abimpacto ambientalista\u00bb sobre a expans\u00e3o da infraestrutura energ\u00e9tica t\u00eam sido os grandes atrasos impostos aos empreendimentos pelos processos de licenciamento, com frequ\u00eancia, causados deliberadamente por tecnocratas ideologicamente comprometidos com as causas ambientalistas e indigenistas, encastelados, principalmente, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA). Em uma audi\u00eancia na C\u00e2mara dos Deputados, em maio de 2007, o ent\u00e3o ministro interino das Minas e Energia, Nelson Hubner (atual diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica-ANEEL), apresentou os resultados de um levantamento referente a 63 empreendimentos licenciados pelo IBAMA, entre 1997 e 2006. Neles, a concess\u00e3o da Licen\u00e7a Pr\u00e9via (LP), sem a qual o projeto de engenharia n\u00e3o pode ser iniciado, levou em m\u00e9dia seis anos e meio &#8211; contra os 18 meses previstos pelos prazos legais regulamentares.<\/p>\n<p align=\"left\">A campanha contra a usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte se tornou emblem\u00e1tica da investida ambientalista-indigenista contra o Pa\u00eds, cujo objetivo maldisfar\u00e7ado \u00e9 impedi-lo de exercer a sua soberania plena sobre a ordena\u00e7\u00e3o f\u00edsica e econ\u00f4mica do territ\u00f3rio nacional. Originalmente, a usina, que originalmente se chamava Karara\u00f4, era uma das seis que se pretendiam construir na bacia do rio Xingu, de forma a maximizar o aproveitamento m\u00faltiplo do rio. Entretanto, as sucessivas concess\u00f5es ao ambientalismo-indigenismo acabaram por descaracterizar totalmente o projeto, al\u00e9m de atras\u00e1-lo em mais de duas d\u00e9cadas. Entre elas, al\u00e9m do pr\u00f3prio nome da usina, destacou-se a redu\u00e7\u00e3o do seu reservat\u00f3rio a um ter\u00e7o do tamanho original, o que, al\u00e9m de reduzir a pot\u00eancia nominal, de 15 mil MW para 11,2 mil MW, far\u00e1 com que a pot\u00eancia firme fique em torno de 4 mil MW, caindo para apenas cerca de 1.000 MW nos per\u00edodos secos (ironicamente, esse baixo rendimento \u00e9 uma das principais cr\u00edticas feitas pelos opositores \u00abverdes\u00bb do projeto, indiretamente respons\u00e1veis por ele).<\/p>\n<p align=\"left\">Embora o afastamento deliberado do Estado da expans\u00e3o do setor energ\u00e9tico, a partir da d\u00e9cada de 1990, tenha contribu\u00eddo para o atraso na implementa\u00e7\u00e3o do projeto, se pelo menos Belo Monte tivesse sido constru\u00edda com a configura\u00e7\u00e3o e no prazo originalmente previstos, possivelmente, o Pa\u00eds teria sofrido menos os efeitos do \u00abapag\u00e3o\u00bb de 2000-2001 e, agora, estaria bem menos vulner\u00e1vel \u00e0 amea\u00e7a de um novo racionamento.<\/p>\n<p align=\"left\">Outra v\u00edtima da f\u00faria \u00abverde\u00bb foi o programa nuclear, cujo avan\u00e7o foi, tamb\u00e9m, grandemente prejudicado pelas vacila\u00e7\u00f5es governamentais em rela\u00e7\u00e3o ao setor. Como resultado, a conclus\u00e3o das usinas Angra 2 e 3, remanescentes do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, da d\u00e9cada de 1970, foi longamente atrasada. A primeira entrou em opera\u00e7\u00e3o apenas em 2000 e a segunda s\u00f3 dever\u00e1 come\u00e7ar a operar em 2016. Assim como no caso de Belo Monte, se a \u00faltima j\u00e1 estivesse conclu\u00edda, haveria menos riscos para o sistema el\u00e9trico integrado.<\/p>\n<p align=\"left\">Em todos esses casos, a miopia estrat\u00e9gica e a tibieza pol\u00edtica das lideran\u00e7as nacionais se combinaram para agravar um problema que, hoje, representa um s\u00e9rio entrave e um risco para as perspectivas de crescimento da economia, j\u00e1 por si prejudicadas pelos efeitos da crise sist\u00eamica global. A esperan\u00e7a \u00e9 que o choque de realidade da presente amea\u00e7a seja forte o suficiente para catalisar uma imprescind\u00edvel mudan\u00e7a de rumo, que possa afastar definitivamente a influ\u00eancia do fanatismo \u00abverde\u00bb na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final da d\u00e9cada de 1980, o Brasil tinha um dos sistemas de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade mais eficientes do mundo, que oferecia tarifas a custos m\u00f3dicos aos consumidores comerciais e residenciais e tinha um alto n\u00edvel de seguran\u00e7a. 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