{"id":662,"date":"2013-01-18T13:00:10","date_gmt":"2013-01-18T13:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=662"},"modified":"2013-01-18T13:00:10","modified_gmt":"2013-01-18T13:00:10","slug":"antropologo-denuncia-atuacao-do-indigenismo-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/antropologo-denuncia-atuacao-do-indigenismo-internacional\/","title":{"rendered":"Antrop\u00f3logo denuncia atua\u00e7\u00e3o do indigenismo internacional"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Em uma contundente entrevista \u00e0 <em>Revista Infovias<\/em> de janeiro de 2013 (Ano 3, no. 11), o antrop\u00f3logo Edward M. Luiz, ex-funcion\u00e1rio da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), fez graves acusa\u00e7\u00f5es ao aparato indigenista internacional e sua atua\u00e7\u00e3o no Brasil, cujo objetivo, em suas palavras, \u00e9 frear o processo de desenvolvimento do Pa\u00eds. O antrop\u00f3logo, que participou de oito processos de delimita\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, afirma que alguns grupos ind\u00edgenas est\u00e3o sendo manipulados por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) estrangeiras e jogados contra os projetos de desenvolvimento de interesse do Estado e da sociedade brasileira, processo que, segundo ele, amea\u00e7a travar o desenvolvimento do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Edward M. Luiz \u00e9 mestre e doutorando em Antropologia pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e consultor privado, prestando servi\u00e7os a munic\u00edpios, estados, associa\u00e7\u00f5es e empresas amea\u00e7adas pela demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. Para ele, os ind\u00edgenas n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos ao desenvolvimento:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Os ind\u00edgenas nunca foram contr\u00e1rios ao desenvolvimento. Sempre buscaram acesso \u00e0quilo que julgavam ser tecnologias mais desenvolvidas do que as que possu\u00edam. Sempre desejaram com toda for\u00e7a os novos produtos e avan\u00e7os com os quais se deparavam desde os ter\u00e7ados, machados, at\u00e9 o isqueiro, panelas de alum\u00ednio, chegando ao r\u00e1dio, \u00e0 televis\u00e3o e mais recentemente at\u00e9 ao acesso a internet, que uma boa parte j\u00e1 utiliza. Os ind\u00edgenas deram uma incomensur\u00e1vel contribui\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento nacional desde o descobrimento do Brasil. O Brasil \u00e9 um dos poucos pa\u00edses onde o colono europeu encontrou, pode contar com ajuda nativa no esfor\u00e7o conjunto de coloniza\u00e7\u00e3o. Veja, Portugal era o pa\u00eds europeu com o menor territ\u00f3rio durante o s\u00e9culo XVI e n\u00e3o tinha recursos humanos para encampar esta iniciativa colonizadora sem a for\u00e7a, o apoio, o conhecimento e o empenho ind\u00edgena. Durante cinco s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, com algumas exce\u00e7\u00f5es pontuais aqui e acol\u00e1, os nossos ind\u00edgenas juntamente com outros colonos que migraram para as am\u00e9ricas, foram nossos parceiros nessa empreitada colonizadora. Portanto, o que salta aos olhos deste analista neste in\u00edcio de s\u00e9culo XXI, \u00e9 a forma como alguns grupos ind\u00edgenas est\u00e3o sendo sorrateira e inteligentemente manipulados, sendo jogados contra os projetos de desenvolvimento de interesse do estado e da sociedade brasileira.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em seguida, explica o que est\u00e1 por tr\u00e1s desse conflito:<\/p>\n<blockquote><p>Isso acontece porque sem a bandeira comunista para se opor ao desenvolvimento do capitalismo, restou o ambientalismo e o indigenismo, que ao final so s\u00e9culo XX, uniram-se formando um movimento mis\u00f3geno, absolutamente contr\u00e1rio a qualquer projeto desenvolvimentista. No Brasil esse processo \u00e9 t\u00e3o forte a ponto de seguir freando por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas o processo de desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Foram poucos os projetos de desenvolvimento no Brasil que n\u00e3o esbarraram e estagnaram ante alguma resist\u00eancia, seja de terra ind\u00edgena, unidade de conserva\u00e7\u00e3o, comunidade quilombola ou comunidade tradicional. Certamente essas comunidades tem todo o direito nessas reinvindica\u00e7\u00f5es, estabelecendo acordos com o estado para serem ressarcidas dos danos provocados, e para encontrarem alternativas \u00e0 minorar os efeitos delet\u00e9rios do desenvolvimento. Mas o que se v\u00ea s\u00e3o grupos se opondo de forma veemente e sistem\u00e1tica contra qualquer iniciativa ou obra de desenvolvimento. Eles parecem ser contr\u00e1rios \u00e0 aberturas de estradas, ferrovias, hidrovias ou usina hidrel\u00e9trica, o que gera animosidade crescente entre eles e o restante da sociedade brasileira que quer e precisa do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Este \u00f3bice ao desenvolvimento \u00e9 danoso, pois gera uma esp\u00e9cie de preconceito na sociedade brasileira, que v\u00ea estes grupos como inimigos do desenvolvimento, como um entrave que n\u00e3o os s\u00e3o, nem nunca foram empecilho algum ao desenvolvimento em cinco s\u00e9culos de hist\u00f3ria. Nunca foram. Claro que um ou outro grupo ind\u00edgena tinha alguma resist\u00eancia, pois tinham receios e medo do desconhecido. Viam os novos colonos como invasores desconhecidos. Mas no geral, a grande maioria j\u00e1 tinham tomado a op\u00e7\u00e3o \u00e0 aliar-se ao novo colono branco, desenvolvendo assim, um processo de depend\u00eancia simbi\u00f3tica com ele. O que a elite intelectual n\u00e3o quer reconhecer de jeito nenhum, \u00e9 que os ind\u00edgenas n\u00e3o desapareceram, mas fundiram-se ao colonizador, formando uma na\u00e7\u00e3o mesti\u00e7a. Esta oposi\u00e7\u00e3o entre ind\u00edgenas e desenvolvimento nacional foi forjada e recentemente criada. Cresceu e se fortaleceu com o financiamento internacional desde a d\u00e9cada de 70.<\/p><\/blockquote>\n<p>Questionado sobre os interesses que se encontram por tr\u00e1s dessa manipula\u00e7\u00e3o de minorias \u00e9tnicas, para coloc\u00e1-las contra os projetos de desenvolvimento brasileiros, ele respondeu:<\/p>\n<blockquote><p>Faz alguns anos que me fa\u00e7o esta pergunta. Por que? Creio que ainda preciso me aprofundar em analises e maiores estudos. Isto porque nunca foram feitos estudos de forma sistem\u00e1tica pelas nossas academias. Nossa elite pensante \u00e9 t\u00e3o comprometida que foi preciso pensadores de fora para detectar este fen\u00f4meno no Brasil, entre eles Elaine Dewar, Lorenzo Carrasco e S\u00edlvia Palacios. A primeira \u00e9 canadense e os outros dois s\u00e3o mexicanos. Carrasco me parece ser o mais produtivo e que poder\u00edamos chamar de investigador sobre o assunto. \u00c9 ele quem responde estas perguntas, e eu reconhe\u00e7o que s\u00f3 consegui comprend\u00ea-las depois de contato profundo com as obras dele: M\u00e1fia Verde 1 e 2, Ambientalismo \u00e0 servi\u00e7o do Governo Mundial.<\/p>\n<p>(&#8230;) A principal hip\u00f3tese que Carrasco levanta, \u00e9 que estes fatores somados, tornam o Brasil uma clara amea\u00e7a ao poder das superpot\u00eancias mundiais. Os pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte, sobretudo os pa\u00edses da Europa, se v\u00eaem amea\u00e7ados por um pa\u00eds emergente, \u00e1gil e agressivo em suas pol\u00edticas econ\u00f4micas e desenvolvimentistas. O Brasil \u00e9 atualmente a sexta economia do mundo e tem tudo para chegar at\u00e9 2015 como a quinta maior economia mundial, amea\u00e7ando o ordenamento econ\u00f4mico do hemisf\u00e9rio norte, deixando pot\u00eancias b\u00e9licas e econ\u00f4micas, como Inglaterra e Fran\u00e7a, para tr\u00e1s. Da\u00ed o empenho de estados estrangeiros se utilizarem de ONGs para manipular as minorias \u00e9tnicas e botar freios e barreiras, capazes de impedir este crescimento. As primeiras e mais vers\u00e1teis barreiras s\u00e3o as socioambientais, ou seja, o vetor ind\u00edgena e as sociedades tradicionais e quilombolas, que somadas ao elemento vetor ambiental, que juntos formam um enorme ex\u00e9rcito irregular de ONGs, um aparato indigenista\/ambientalista no pa\u00eds. Este \u00e9 o termo cunhado por Lorenzo Carrasco, que demonstra com dados estat\u00edsticos, que h\u00e1 um verdadeiro batalh\u00e3o de ONGs, institui\u00e7\u00f5es e pesquisadores orientados por uma agenda ideol\u00f3gica, escrita e orquestrada por pot\u00eancias do hemisf\u00e9rio norte &#8211; Estados Unidos, Inglaterra, Canad\u00e1, Noruega, Dinamarca e Alemanha, que pagam a conta e financiam este aparato indigenista e ambientalista que opera vigorosamente no Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p>Entre os financiadores do aparato indigenista, Luiz aponta as ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o internacional de v\u00e1rios governos do Hemisf\u00e9rio Norte:<\/p>\n<blockquote><p>Eu diria, uma parte significativa do movimento indigenista brasileiro, est\u00e1 sim recebendo dinheiro de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, de ag\u00eancias de coopera\u00e7\u00f5es internacionais dos pa\u00edses do hemisf\u00e9rio norte. Por exemplo; a GTZ, ONG [na verdade, ag\u00eancia governamental &#8211; n.e.] alem\u00e3, foi quem financiou por d\u00e9cadas todas as iniciativas de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas no Brasil. Praticamente todas as demarca\u00e7\u00f5es ocorridas na d\u00e9cada de 90 foram financiadas pela ag\u00eancia alem\u00e3 de coopera\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Em sua vis\u00e3o, h\u00e1 claras evid\u00eancias de que interesses internacionais est\u00e3o engajados em frear o desenvolvimento nacional, manipulando causas aparentemente leg\u00edtimas:<\/p>\n<blockquote><p>As provas e evid\u00eancias que eu coletei at\u00e9 o momento, indicam que sim. H\u00e1 um crescente interesse no controle e dom\u00ednio de recursos naturais nacionais. Tais interesses escusos se escondem por tr\u00e1s de iniciativas e atividades aparentemente leg\u00edtimas, como por exemplo, demarcar terras ind\u00edgenas, cria\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios quilombolas, de comunidades tradicionais e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Reconhecer territ\u00f3rios ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais poderia ser um importante instrumento para assegurar o desenvolvimento desta parcela da popula\u00e7\u00e3o nacional. Contudo est\u00e1 se tornando um instrumento descontrolado de reforma agr\u00e1ria \u00e0s avessas e de cria\u00e7\u00e3o de conflitos sociais que joga os ind\u00edgenas contra a sociedade nacional. O problema \u00e9: a forma de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas atualmente vigente no Brasil, n\u00e3o se preocupa com os custos sociais e econ\u00f4micos das demarca\u00e7\u00f5es, n\u00e3o busca o consenso, e sobretudo, n\u00e3o garante seguran\u00e7a constitucional e jur\u00eddica a ningu\u00e9m.<\/p><\/blockquote>\n<p>Adiante, o antrop\u00f3logo explica os v\u00edcios do processo demarcat\u00f3rio:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) FUNAI e antrop\u00f3logos s\u00e3o partes altamente interessadas na demarca\u00e7\u00e3o e, da\u00ed em diante, \u00e9 s\u00f3 enfiar a demarca\u00e7\u00e3o goela abaixo e torcer para que o povo permane\u00e7a passivo. J\u00e1 disse e repito: nem o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, nem qualquer outro \u00f3rg\u00e3o do Executivo, tem condi\u00e7\u00f5es nem o devido conhecimento para identificar os v\u00edcios de origem, os v\u00edcios internos que acontecem em um processo de demarca\u00e7\u00e3o. Porque isto demanda um conhecimento muito preciso e espec\u00edfico. Em meu entendimento h\u00e1 um monop\u00f3lio perigoso. \u00c9 um monop\u00f3lio que n\u00e3o oferece seguran\u00e7a jur\u00eddica, nem a produtores e nem a entes federados. Na verdade o que h\u00e1 \u00e9 um processo totalmente controlado por um bra\u00e7o do executivo, que \u00e9 a FUNAI, um \u00f3rg\u00e3o pr\u00f3-ind\u00edgena. Me parece \u00f3bvio e urgente a necessidade de uma reformula\u00e7\u00e3o do processo demarcat\u00f3rio, que garanta e assegure os direitos \u00e0 sociedades tradicionais ind\u00edgenas, mas ao mesmo tempo, assegure os direitos da outra parte afetada com total imparcialidade. Seja ela privada ou governamental. (&#8230;)<\/p>\n<p>(&#8230;) Temos um processo demarcat\u00f3rio onde os seis ou sete indiv\u00edduos respons\u00e1veis, n\u00e3o precisam dar qualquer explica\u00e7\u00f5es \u00e0 sociedade brasileira, que desde Raposa Serra do Sol, n\u00e3o aceita mais estas arbitrariedades. As demarca\u00e7\u00f5es s\u00e3o assim irrespons\u00e1veis, porque n\u00e3o h\u00e1 nenhum custo pol\u00edtico e baix\u00edssimo custo financeiro nas indeniza\u00e7\u00f5es advindas do processo demarcat\u00f3rio. As mudan\u00e7as propostas visam corrigir estes defeitos no processo. O Congresso \u00e9 e ser\u00e1 atuante, mas, certamente, encontrar\u00e1 barreiras e dificuldades advindas do aparato indigenista\/ambientalista na vota\u00e7\u00e3o dos projetos de lei que visam solucion\u00e1-los. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.revistainfovias.com.br\/portal\/materias\/ed-11\/234\/_Ent_evista\">texto completo da entrevista<\/a>, cuja leitura recomendamos enfaticamente, pode ser encontrado no s\u00edtio da revista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma contundente entrevista \u00e0 Revista Infovias de janeiro de 2013 (Ano 3, no. 11), o antrop\u00f3logo Edward M. 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