{"id":63,"date":"2011-08-26T17:17:52","date_gmt":"2011-08-26T17:17:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=63"},"modified":"2011-08-26T17:17:52","modified_gmt":"2011-08-26T17:17:52","slug":"as-dez-maiores-economias-e-a-energia-nuclear-reflexoes-para-o-futuro-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/as-dez-maiores-economias-e-a-energia-nuclear-reflexoes-para-o-futuro-do-brasil\/","title":{"rendered":"As dez maiores economias e a energia nuclear: reflex\u00f5es para o futuro do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 a oitava maior economia mundial, quando se usa o crit\u00e9rio de paridade de poder de compra (PPC), e a s\u00e9tima economia quando se considera o crit\u00e9rio do c\u00e2mbio nominal. Ambas as apura\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Fundo Monet\u00e1rio Internacional para o ano de 2010. O primeiro crit\u00e9rio representa melhor o valor da produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses e independe das pol\u00edticas cambiais nacionais e de suas oscila\u00e7\u00f5es bruscas por problemas conjunturais. De qualquer forma, o Brasil est\u00e1, para ambos os crit\u00e9rios, entre as oito maiores economias mundiais.<\/p>\n<p>Na Tabela 1, est\u00e3o indicadas as dez maiores economias pelos crit\u00e9rios de PPC e de c\u00e2mbio nominal. A tabela tamb\u00e9m inclui o Canad\u00e1, que \u00e9 apenas o 14\u00b0 na lista por paridade do poder de compra, mas \u00e9 o 9\u00ba PIB nominal. Esta tabela tamb\u00e9m apresenta o PIB PPC per capita.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"tabela 1\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-11.jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"580\" \/><\/a><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-11.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>A metodologia de paridade de poder de compra busca indicar o PIB a pre\u00e7os equivalentes nos EUA. Por essa raz\u00e3o, os valores para esse pa\u00eds s\u00e3o id\u00eanticos nas duas listas. Entre os dez maiores, as posi\u00e7\u00f5es relativas variam muito para os dois crit\u00e9rios, sendo a maior varia\u00e7\u00e3o a da \u00cdndia, que passa de d\u00e9cimo para o quarto quando se considera a PPC.<\/p>\n<p>Na composi\u00e7\u00e3o da lista das dez maiores economias do mundo, a R\u00fassia substitui o Canad\u00e1 quando se passa do c\u00e2mbio nominal para a PPC. A posi\u00e7\u00e3o do Brasil varia muito pouco, sendo o s\u00e9timo na lista do PIB ao c\u00e2mbio nominal e oitavo, praticamente empatado no s\u00e9timo lugar com o Reino Unido, pela paridade de poder<\/p>\n<p>A Figura 1 ilustra a posi\u00e7\u00e3o dos maiores pa\u00edses em PIB, medido em PPC e valor nominal. Os onze pa\u00edses representados ocupam as dez primeiras posi\u00e7\u00f5es no ranking mundial do PIB nominal ou em paridade de poder de compra.<\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<dl id=\"attachment_66\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fig-1-leonam.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"fig 1 leonam\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fig-1-leonam.gif\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"276\" \/><\/a><\/dt>\n<dd>Fig. 1 &#8211; As dez maiores economias mundiais em 2010 (PIB em PPC).<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p>Quando se usa o crit\u00e9rio da renda per capita, a lista incluiria em seu topo uma quantidade de pequenos pa\u00edses ricos. Dentre os maiores PIB, os EUA ficam em 9\u00b0 lugar, o Canad\u00e1 em 12\u00b0 e a Alemanha em 19\u00b0. As demais maiores economias se encontram abaixo do 20\u00ba lugar.<\/p>\n<p>O Brasil, que recentemente ultrapassou a limiar da m\u00e9dia mundial de PIB PPC per capita, est\u00e1 em 72\u00b0 lugar. Note-se que a China est\u00e1 em 94\u00b0 e a \u00cdndia em 129\u00b0. Apesar do baixo valor da renda per capita desses pa\u00edses, isso n\u00e3o reduz seu peso espec\u00edfico no com\u00e9rcio internacional e at\u00e9 mesmo o refor\u00e7a pelo potencial de mercado existente, numa vis\u00e3o de mais longo prazo.<\/p>\n<p>Assim, o Brasil j\u00e1 ocupa hoje posi\u00e7\u00e3o dentre os \u00abdez mais\u00bb da economia mundial, sendo ainda o quinto pa\u00eds em termos de extens\u00e3o territorial e em popula\u00e7\u00e3o, conforme a Tabela 2.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"tabela 2\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-2.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"679\" \/><\/a><\/p>\n<p>Seus recursos naturais, for\u00e7a de trabalho e produ\u00e7\u00e3o diversificada de bens e servi\u00e7os permite projetar a ascens\u00e3o futura do Brasil nessa lista, conforme vem sendo feito por alguns estudos econ\u00f4micos internacionais. As proje\u00e7\u00f5es de Goldman Sachs, 2007 colocam o Brasil na quinta posi\u00e7\u00e3o de PIB PPC em 2050, conforme a Figura 2 abaixo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\">\n<dl id=\"attachment_68\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fig-2-leonam.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"fig 2 leonam\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/fig-2-leonam.jpg\" alt=\"\" width=\"501\" height=\"217\" \/><\/a><\/dt>\n<dd>Fig. 2 &#8211; As dez maiores economias mundiais 2010-2050.<\/dd>\n<\/dl>\n<\/div>\n<p>O fato de nossa economia estar entre as dez maiores do mundo ainda n\u00e3o foi incorporado \u00e0 percep\u00e7\u00e3o dos brasileiros frente ao mundo, mas j\u00e1 \u00e9 um fato concreto nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Antigamente t\u00ednhamos aquela inc\u00f4moda sensa\u00e7\u00e3o de que o Presidente do Brasil era quase um intruso nas fotos das c\u00fapulas mundiais. Agora j\u00e1 nos acostumamos a isso e, futuramente, ser\u00e3o os participantes do grupo denominado G-8 que v\u00e3o come\u00e7ar a sentir a falta de significado pr\u00e1tico de suas reuni\u00f5es com a aus\u00eancia de pa\u00edses como China, Brasil e \u00cdndia. \u00c9 prov\u00e1vel que isto j\u00e1 esteja de fato ocorrendo.<\/p>\n<p align=\"center\">Os dez mais e a energia nuclear<\/p>\n<p>O crit\u00e9rio adotado para fixar os membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU que possuem o poder de veto (EUA, R\u00fassia, China, Reino Unido e Fran\u00e7a), n\u00e3o foi o peso relativo dos pa\u00edses na economia, na popula\u00e7\u00e3o ou na superf\u00edcie mundial: foi o fato de serem os \u00abvencedores\u00bb da 2\u00aa Guerra Mundial. Num primeiro momento, somente os EUA possu\u00edam armamento nuclear. Muito rapidamente, por\u00e9m, os demais \u00abvencedores\u00bb acederam \u00e0 posse dessas armas (Guimar\u00e3es, 2010).<\/p>\n<p>Isso se justificava pelo contexto hist\u00f3rico em que esse crit\u00e9rio foi adotado, ou seja, imediato p\u00f3s-guerra e, principalmente, p\u00f3s-Hiroshima e Nagasaki. \u00c0 \u00e9poca e nas d\u00e9cadas que se seguiram, dominadas pela ideologia da \u00abGuerra Fria\u00bb e da \u00abM\u00fatua Destrui\u00e7\u00e3o Garantida\u00bb (Mutual Assured Destruction &#8211; MAD), o fator de peso relativo determinante era, inequivocamente, o poder militar, do qual as armas nucleares constitu\u00edam fator fundamental de assimetria de poder pela for\u00e7a bruta.<\/p>\n<p>Hoje, passados mais de 60 anos do fim da guerra, a posse de armamento nuclear e a persistente sobreviv\u00eancia da ideologia a ela associada parece ser o \u00fanico crit\u00e9rio objetivo para a manuten\u00e7\u00e3o desse status quo.<\/p>\n<p>Felizmente, a posse de armas nucleares e o pr\u00f3prio poder militar vem deixando de ser os determinantes b\u00e1sicos da influ\u00eancia dos pa\u00edses no cen\u00e1rio mundial. Os fatores econ\u00f4micos se tornam cada vez mais determinantes do que a posse de armamentos nucleares para medir o peso pol\u00edtico dos pa\u00edses.<\/p>\n<p>A ascens\u00e3o econ\u00f4mica da Alemanha e Jap\u00e3o e, em menor escala, da It\u00e1lia e demais pa\u00edses europeus destru\u00eddos pela guerra, foram os primeiros sinais dessa mudan\u00e7a, ainda que mitigados pela \u00abnucleariza\u00e7\u00e3o\u00bb da Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha (e posteriormente da China), pela cria\u00e7\u00e3o da OTAN, que passou a permitir o \u00abcompartilhamento\u00bb das armas nucleares entre seus membros, e pela abertura do \u00abguarda-chuva\u00bb de prote\u00e7\u00e3o nuclear americano sobre o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Tabela 3, est\u00e3o indicados os dez maiores pa\u00edses em termos de PIB (em PPC) e sua situa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 posse e o compartilhamento de armas nucleares. \u00c9 assinalada, para o Jap\u00e3o, a exist\u00eancia do \u00abguarda-chuva\u00bb de prote\u00e7\u00e3o nuclear oferecido pelos EUA. Tamb\u00e9m \u00e9 indicado na tabela o n\u00famero de reatores nucleares de pesquisa em opera\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses, que \u00e9 um indicador do n\u00edvel da atividade de desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico na \u00e1rea nuclear e da produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos para usos m\u00e9dicos e industriais.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"tabela 3\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-3.jpg\" alt=\"\" width=\"623\" height=\"673\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dos dez maiores pa\u00edses, seis possuem armamento nuclear pr\u00f3prio. Alemanha e It\u00e1lia s\u00e3o membros da OTAN, tendo armazenado em seus territ\u00f3rios numerosos artefatos nucleares \u00abcompartilhados\u00bb. As condi\u00e7\u00f5es detalhadas de como se processa esse compartilhamento n\u00e3o s\u00e3o exatamente conhecidas. Sabe-se, no entanto, que, por exemplo, existem na Alemanha avi\u00f5es de combate Tornado da For\u00e7a A\u00e9rea Alem\u00e3 (Luftwaffe) prontos para, sob comando da OTAN, serem armados com artefatos nucleares (Kristensen, 2005). Sabe-se ainda que cabe ao comandante da OTAN, ouvido o comando dos EUA junto \u00e0quela organiza\u00e7\u00e3o, a decis\u00e3o sobre o uso do armamento nuclear compartilhado (GAO, 2011).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Jap\u00e3o tem um acordo com os EUA que garante um \u00abguarda-chuva\u00bb de prote\u00e7\u00e3o nuclear que implica a exist\u00eancia armas nucleares a uma dist\u00e2ncia relativamente curta das potenciais amea\u00e7as. Isto faz crer na presen\u00e7a de armamento nuclear em embarca\u00e7\u00f5es e aeronaves em \u00e1guas territoriais japonesas, sen\u00e3o em seu pr\u00f3prio solo nacional, ainda que controladas pelos americanos. Ao menos no passado, existem ind\u00edcios claros (documentos liberados em conseq\u00fc\u00eancia do Freedom of Information Act &#8211; FOIA dos EUA) de que armas nucleares estiveram nos espa\u00e7os territorial, mar\u00edtimo e a\u00e9reo japon\u00eas (Kristensen, 1999). A contesta\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia desse guarda-chuva de prote\u00e7\u00e3o e a conseq\u00fcente discuss\u00e3o quanto \u00e0 conveni\u00eancia do pa\u00eds ter sua for\u00e7a nuclear pr\u00f3pria para defender-se de eventuais ataques \u00e9 tema recorrente na pol\u00edtica interna do Jap\u00e3o, que recrudesce sempre que ocorrem tens\u00f5es com a China (disputas territoriais por ilhas) e Coreia do Norte (testes nucleares e de m\u00edsseis de longo alcance).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No que concerne ao dom\u00ednio do ciclo nuclear e \u00e0 gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nuclear, apenas a It\u00e1lia n\u00e3o mant\u00e9m atualmente atividades na \u00e1rea em virtude de decis\u00e3o pol\u00edtica tomada (referendum popular em 1987) sob a forte influ\u00eancia emocional do acidente de Tchernobyl (1986), tendo sua \u00faltima usina nuclear sido desligada definitivamente em 1990. No contexto de uma crise pol\u00edtica interna do governo Berlusconi agravada pelo acidente de Fukushima, a retomada das atividades nucleares na It\u00e1lia foi rejeitada por recente referendum popular em junho de 2011.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por lei de 2001, a Alemanha se comprometeu ao desligamento definitivo de todas as suas usinas nucleares at\u00e9 2022. O Governo da chanceler Angela Merkel conseguiu aprovar no Bundestag nova lei que postergou tal decis\u00e3o por 10 anos. Essa mudan\u00e7a deveu-se principalmente \u00e0s dificuldades t\u00e9cnicas que a Alemanha enfrenta para cumprir simultaneamente essa decis\u00e3o pol\u00edtica e as metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, bem como manter uma razo\u00e1vel seguran\u00e7a energ\u00e9tica nacional, minimizando importa\u00e7\u00f5es de eletricidade dos pa\u00edses vizinhos e de combust\u00edveis f\u00f3sseis, em especial g\u00e1s natural da R\u00fassia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, ap\u00f3s o acidente de Fukushima (mar\u00e7o de 2011) e tamb\u00e9m no contexto de uma crise pol\u00edtica interna ligada \u00e0 proximidade de elei\u00e7\u00f5es, esse mesmo governo voltou atr\u00e1s recentemente, mantendo a data limite de 2022. Entretanto, o governo alem\u00e3o n\u00e3o tem uma pol\u00edtica de abandono das atividades ligadas ao ciclo do combust\u00edvel nuclear nem de banimento de armas nucleares de seu territ\u00f3rio, atitude essa no m\u00ednimo contradit\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas decis\u00f5es pol\u00edticas, por\u00e9m, n\u00e3o impedem que It\u00e1lia e Alemanha importem significativas parcelas de seu consumo de eletricidade de pa\u00edses geradores de energia nuclear, como Fran\u00e7a, Eslov\u00eania, Hungria e Rep\u00fablica Tcheca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Note-se que tanto a It\u00e1lia como a Alemanha estavam no caminho de desistir da ren\u00fancia \u00e0 gera\u00e7\u00e3o n\u00facleo-el\u00e9trica quando ocorreu o acidente de Fukushima num contexto de crise pol\u00edtica interna, o que fez esses pa\u00edses reafirmarem sua posi\u00e7\u00e3o anterior de abandono das usinas nucleares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Tabela 4, est\u00e3o indicados os dados de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e da participa\u00e7\u00e3o nuclear. A tabela tamb\u00e9m indica as reservas estimadas de ur\u00e2nio dos pa\u00edses (s\u00f3 s\u00e3o indicadas as reservas relevantes do ponto de vista mundial). A posse de reservas de ur\u00e2nio \u00e9, naturalmente, um fator a ser levado em conta nas decis\u00f5es sobre a energia nuclear no Pa\u00eds.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"tabela 4\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/tabela-4.jpg\" alt=\"\" width=\"577\" height=\"695\" \/><\/a><\/p>\n<p>Cabe ressaltar que Brasil, R\u00fassia e EUA s\u00e3o os \u00fanicos pa\u00edses do mundo que possuem grandes reservas de ur\u00e2nio, dom\u00ednio tecnol\u00f3gico de todas as etapas de produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel nuclear e um parque de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nuclear em opera\u00e7\u00e3o. R\u00fassia e EUA, entretanto, possuem capacidade industrial instalada suficiente para garantir auto-sufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel nuclear. O Brasil tem tal capacidade nas etapas de minera\u00e7\u00e3o, beneficiamento e fabrica\u00e7\u00e3o, faltando, por\u00e9m, instala\u00e7\u00f5es industriais como capacidade suficiente para atender as necessidades nacionais nas etapas de convers\u00e3o e de enriquecimento, apesar de possuir unidades piloto com capacidade de produ\u00e7\u00e3o limitada desde o final dos anos 80.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9, dentre as dez maiores economias mundiais, o \u00fanico que n\u00e3o possui, n\u00e3o armazena em seu territ\u00f3rio e nem considera a possibilidade de uso de armas nucleares estrangeiras na sua estrat\u00e9gia de defesa. Juntamente com Nova Zel\u00e2ndia, o Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds do mundo que proscreveu os usos n\u00e3o pac\u00edficos da energia nuclear na sua pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal. O Brasil \u00e9, portanto, signat\u00e1rio do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o Nuclear e do Tratado de Tlatelolco, este \u00faltimo estabelecendo a Am\u00e9rica Latina e Caribe uma zona livre de armas nucleares.<br \/>\nO Acordo Brasil-Argentina, que eliminou uma potencial corrida por armas nucleares na regi\u00e3o e que criou a Ag\u00eancia Brasil Argentina de Contabilidade e Controle de materiais nucleares (ABACC) completa 20 anos em 2011. O Acordo assegurou o clima pol\u00edtico favor\u00e1vel para que o Mercosul fosse posteriormente instalado. Esse bloco econ\u00f4mico serviu de base para o avan\u00e7o da integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Continente Sul-Americano. O espa\u00e7o econ\u00f4mico que assim se abriu \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o continente. O com\u00e9rcio com a Argentina, que era quase desprez\u00edvel, al\u00e7ou nosso vizinho \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de segundo maior parceiro comercial do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao Brasil interessa manter sua posi\u00e7\u00e3o de uso apenas pac\u00edfico da energia nuclear. Isso d\u00e1 ao pa\u00eds um car\u00e1ter \u00fanico junto aos \u00abdez mais\u00bb da economia mundial, que se reflete numa autoridade moral e \u00e9tica que pode ser explorada politicamente em diversas situa\u00e7\u00f5es como, por exemplo, a reforma do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e na arbitragem de crises internacionais. Essa \u00abvantagem competitiva\u00bb \u00e9 muito mais valiosa do que a posse de armas nucleares que, ao final das contas, seriam feitas para nunca serem usadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, os quadros apresentados mostram de forma inequ\u00edvoca a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica do Brasil se manter ativo na explora\u00e7\u00e3o dos usos pac\u00edficos da energia nuclear, expandindo seu dom\u00ednio tecnol\u00f3gico e capacidade industrial instalada nos diversos setores associados, como produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos para medicina e ind\u00fastria, produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel nuclear e gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nuclear.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Plano Nacional de Energia (PNE), que prev\u00ea a conclus\u00e3o de Angra 3 at\u00e9 2015 e a implanta\u00e7\u00e3o de 4.000 MW nucleares adicionais at\u00e9 2030, juntamente com as metas estabelecidas para a autosufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel nuclear, que mant\u00eam nas duas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas uma participa\u00e7\u00e3o do nuclear na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica pr\u00f3xima da atual, tamb\u00e9m \u00e9, por necessidades de diversifica\u00e7\u00e3o da matriz energ\u00e9tica, uma op\u00e7\u00e3o sensata do ponto de vista energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; CIA The World Fact Book, consultado em julho de 2011, em http:\/\/www.cia.gov.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; FMI, citado na Wikipedia (2010), consultado em junho 2011, em http:\/\/en.m.wikipedia.org.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Goldman Sachs, BRICS and Beyond &#8211; study of BRIC and N11 nations, Novembro 2007, dispon\u00edvel em http:\/\/www2.goldmansachs.com\/ideas\/brics\/book\/BRIC-Full.pdf.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Guimar\u00e3es, L. S., \u00abA (contra) amea\u00e7a nuclear\u00bb, in Revista Mar\u00edtima Brasileira, vol. 130, s\u00e9rie 04\/06, maio de 2010.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; GAO (May 2011). Nuclear Weapons &#8211; DOD and NNSA Need to Better Manage Scope of Future Refurbishments and Risks to Maintaining U.S. Commitments to NATO. Washington &#8211; DC &#8211; USA: United States Government Accountability Office, dispon\u00edvel em http:\/\/www.gao.gov\/products\/GAO-11-387.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; IAEA (2010). Nuclear Power Reactors in the World &#8211; Reference Data No. 2. Viena: International Atomic Energy Agency.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Kristensen, H. M. (Julho 1999). Japan Under the Nuclear Umbrella: U.S. Nuclear Weapons and Nuclear War Planning In Japan During the Cold War. The Nautilus Institute for Security and Sustainable Development.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Kristensen, H. M. (Fevereiro 2005). U.S. Nuclear Weapons in Europe: A Review of Post-Cold War Policy, Force Levels, and War Planning, Natural Resources Defense Council, dipon\u00edvel em http:\/\/www.nrdc.org\/nuclear\/euro\/euro.pdf.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; World Nuclear Association (Julho 2011). World Nuclear Power Reactors &amp; Uranium Requirements. Consultado em julho 2011, em http:\/\/www.world-nuclear.org\/info\/reactors.html.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Carlos Augusto Feu Alvim da Silva \u00e9 editor da revista Economia e Energia e&amp;e (http:\/\/ecen.com) e foi o primeiro secret\u00e1rio da Ag\u00eancia Brasil Argentina de Contabilidade e Controle (ABACC), de 1992 a 1993; Leonam dos Santos Guimar\u00e3es \u00e9 assistente do Diretor Presidente da Eletrobr\u00e1s Eletronuclear S.A. e membro do Grupo Permanente de Assessoria em Energia Nuclear do Diretor-Geral da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 a oitava maior economia mundial, quando se usa o crit\u00e9rio de paridade de poder de compra (PPC), e a s\u00e9tima economia quando se considera o crit\u00e9rio do c\u00e2mbio nominal. Ambas as apura\u00e7\u00f5es s\u00e3o do Fundo Monet\u00e1rio Internacional para o ano de 2010. 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