{"id":623,"date":"2012-11-16T15:28:42","date_gmt":"2012-11-16T15:28:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=623"},"modified":"2012-11-16T15:28:42","modified_gmt":"2012-11-16T15:28:42","slug":"india-constroi-primeiro-reator-de-torio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/india-constroi-primeiro-reator-de-torio\/","title":{"rendered":"\u00cdndia constr\u00f3i primeiro reator de t\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">Uma promissora tecnologia nuclear, at\u00e9 agora negligenciada, encontra-se na plataforma de lan\u00e7amento. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de pesquisas, a \u00cdndia se prepara para iniciar a constru\u00e7\u00e3o do primeiro reator de pot\u00eancia alimentado a t\u00f3rio, cuja constru\u00e7\u00e3o tem previs\u00e3o de come\u00e7o para 2016. O t\u00f3rio \u00e9 um metal mais abundante e menos radioativo do que outros elementos usados como combust\u00edvel nuclear na atualidade, como o ur\u00e2nio e o plut\u00f4nio, de modo que a nova tecnologia de reatores, por ser mais segura e utilizar um combust\u00edvel com maior disponibilidade, pode viabilizar um novo impulso na eletrifica\u00e7\u00e3o do planeta (OilPrice.com, 23\/08\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">De acordo com o diretor da Corpora\u00e7\u00e3o de Energia Nuclear da \u00cdndia, Shri S. A. Bhardwaj, o reator avan\u00e7ado de \u00e1gua pesada (AHWR, na sigla inglesa) alimentado a t\u00f3rio, de 300 megawatts (MW) de pot\u00eancia, ser\u00e1 t\u00e3o seguro que poder\u00e1 ser constru\u00eddo em meio a grandes cidades sem oferecer grandes riscos (<em>Deccan Times<\/em>, 19\/10\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">Em um documento publicado em maio, o Departamento de Energia At\u00f4mica indiano descreveu os tr\u00eas est\u00e1gios de desenvolvimento do programa nuclear do pa\u00eds. O primeiro, atual, se baseia no uso do ur\u00e2nio natural como combust\u00edvel, extra\u00eddo tanto dentro como fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo o relat\u00f3rio, \u00abseguir-se-\u00e1 um segundo est\u00e1gio, constitu\u00eddo por reatores regeneradores r\u00e1pidos. Prop\u00f5e-se a cria\u00e7\u00e3o de uma grande capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia com base em reatores r\u00e1pidos antes de entrar na terceira fase. O pr\u00f3prio t\u00f3rio n\u00e3o pode produzir eletricidade, sendo necess\u00e1rio antes convert\u00ea-lo em ur\u00e2nio-233 em um reator nuclear. Um amplo terceiro est\u00e1gio no programa nuclear ser\u00e1 implementado em sequ\u00eancia\u00bb. Nesse sentido, o governo da \u00cdndia j\u00e1 est\u00e1 investindo no processamento de suas cerca de 10 milh\u00f5es de toneladas de areias monaz\u00edticas, sua principal fonte de t\u00f3rio.<\/p>\n<p align=\"left\">O reator n\u00e3o servir\u00e1 somente para gerar eletricidade, como tamb\u00e9m ser\u00e1 amplamente usado como um local para a realiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias cient\u00edficas de ponta. Conforme o relat\u00f3rio citado, o \u00abprimeiro reator AHWR ser\u00e1 usado para testar novas tecnologias em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a, bem como no sentido de desenvolver o ciclo do t\u00f3rio&#8230; (O novo reator) ser\u00e1 o primeiro passo da \u00cdndia para abra\u00e7ar o t\u00f3rio como a melhor escolha\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">A nova tecnologia de reatores poder\u00e1 possibilitar um enorme boom em termos de gera\u00e7\u00e3o de energia no pa\u00eds asi\u00e1tico, que sofre com uma baixa oferta de eletricidade, mas conta com cerca de 30% das reservas mundiais de t\u00f3rio conhecidas. Ao comentar os avan\u00e7os nas pesquisas com este tipo de reatores, o presidente do Comiss\u00e3o de Energia At\u00f4mica, Srikumar Banerjee, afirmou que o \u00abmundo precisa retomar as pesquisas sobre os m\u00faltiplos empregos do t\u00f3rio e unir for\u00e7as com a \u00cdndia, o \u00fanico pa\u00eds engajado nesse objetivo\u00bb (<em>The Hindu<\/em>, 9\/03\/2012).<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Uma hist\u00f3ria de supress\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Embora apenas a \u00cdndia e, em menor escala, a R\u00fassia e a China, estejam trabalhando no desenvolvimento da tecnologia de utiliza\u00e7\u00e3o do t\u00f3rio como combust\u00edvel em reatores nucleares, ela n\u00e3o constitui novidade. Na verdade, j\u00e1 vinha sendo desenvolvida desde a d\u00e9cada de 1950, em especial, no Reino Unido e nos EUA, embora n\u00e3o tenha sido levada adiante por raz\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, que configuram mais um triste cap\u00edtulo da agenda de supress\u00e3o tecnol\u00f3gica adotada por certos c\u00edrculos do Establishment anglo-americano, em seu empenho permanente de preservar estruturas econ\u00f4micas e empresariais consolidadas e obstaculizar a emerg\u00eancia de outros p\u00f3los de poder contestat\u00f3rios da sua agenda hegem\u00f4nica.<\/p>\n<p align=\"left\">Na edi\u00e7\u00e3o de 19 de janeiro \u00faltimo, este boletim reproduziu parte do depoimento do o ex-ministro da Ci\u00eancia e Tecnologia Renato Archer (falecido em 1996), sobre um curso que fez, em 1957, no Centro de Pesquisa de Energia At\u00f4mica de Harwell, Inglaterra, quando era deputado federal e comandou a CPI da Quest\u00e3o Nuclear (1956). Na ocasi\u00e3o, Archer, que apoiou intensamente os esfor\u00e7os do almirante \u00c1lvaro Alberto da Mota e Silva, pioneiro do programa nuclear nacional, foi recepcionado pelo diretor cient\u00edfico do centro, John Dunworth, e levado para uma visita \u00e0s instala\u00e7\u00f5es. Segundo suas palavras:<\/p>\n<blockquote><p>Em um determinado momento, chegamos em frente a um galp\u00e3o maior e ele (Dunworth), apontando, disse: \u00ab\u00c9 um reator a t\u00f3rio. Est\u00e1 em fase de teste e em pleno funcionamento. N\u00e3o vamos continuar a desenvolv\u00ea-lo. N\u00e3o nos interessa a tecnologia do t\u00f3rio, pelo menos no momento. \u00c9 um problema que diz respeito a voc\u00eas e \u00e0 \u00cdndia. Mas voc\u00ea n\u00e3o viu nada. Se disser que viu, vou dizer que voc\u00ea \u00e9 um mentiroso e um comunista. Todo mundo vai acreditar em mim, e n\u00e3o em voc\u00ea, n\u00e3o \u00e9 mesmo?\u00bb (\u00c1lvaro Rocha e Jo\u00e3o Carlos Vitor Garcia.\u00a0<em>Renato Archer: Energia at\u00f4mica, soberania e desenvolvimento, depoimento<\/em>. Rio de Janeiro: Contraponto, 2006).<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Nos EUA, na mesma \u00e9poca, o f\u00edsico Alvin Weinberg, diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Oak Ridge, chefiou um grupo de pesquisadores que desenvolveu a tecnologia de reatores MSR (Molten Salt Thorium Reactor). Mesmo sendo altamente promissora, podendo aproveitar 100% da energia liberada com a rea\u00e7\u00e3o nuclear e produzindo energia e \u00e1gua pot\u00e1vel (sendo, por isso, ideal para impulsionar a irriga\u00e7\u00e3o de terras ar\u00e1veis, por meio da dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar), a MSR foi deliberadamente engavetada.<\/p>\n<p align=\"left\">De fato, foi no momento em que os esfor\u00e7os de Weinberg tiveram os primeiros resultados que o f\u00edsico come\u00e7ou a sofrer uma s\u00e9rie de press\u00f5es de congressistas e do diretor da Comiss\u00e3o de Energia At\u00f4mica dos EUA (AEC), Milton Shaw, que acabaram resultando na sua demiss\u00e3o, em 1973. Tal medida, aliada aos cortes de verbas e \u00e0 aus\u00eancia do apoio dos industriais estadunidenses do setor, j\u00e1 comprometidos com a tecnologia dos reatores de ur\u00e2nio enriquecido, fez com que os reatores MSR sa\u00edssem de cena.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma promissora tecnologia nuclear, at\u00e9 agora negligenciada, encontra-se na plataforma de lan\u00e7amento. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de pesquisas, a \u00cdndia se prepara para iniciar a constru\u00e7\u00e3o do primeiro reator de pot\u00eancia alimentado a t\u00f3rio, cuja constru\u00e7\u00e3o tem previs\u00e3o de come\u00e7o para 2016. 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