{"id":605,"date":"2012-11-16T15:14:20","date_gmt":"2012-11-16T15:14:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=605"},"modified":"2012-11-16T15:14:20","modified_gmt":"2012-11-16T15:14:20","slug":"sandy-e-a-natureza-estupido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/sandy-e-a-natureza-estupido\/","title":{"rendered":"Sandy: \u00ab\u00c9 a natureza, est\u00fapido!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">A capa da revista\u00a0<em>Bloomberg Business Week<\/em>\u00a0de 1\u00ba. de novembro n\u00e3o deixa aos leitores margem a d\u00favidas, estampando em letras garrafais o t\u00edtulo da mat\u00e9ria principal da edi\u00e7\u00e3o: \u00ab\u00c9 o aquecimento global, est\u00fapido!\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O tema, claro, n\u00e3o poderia ser outro, sen\u00e3o a catastr\u00f3fica passagem do furac\u00e3o (ou supertempestade) Sandy pelo Caribe e a Costa Leste dos EUA, causando mais de 180 mortes, mais de 250 mil desabrigados e preju\u00edzos superiores a 30 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, na Jamaica, Haiti, Rep\u00fablica Dominicana, Cuba, Bahamas, Porto Rico e EUA. E o seman\u00e1rio econ\u00f4mico foi apenas um na barragem midi\u00e1tica que, nas \u00faltimas duas semanas, tem bombardeado leitores, espectadores e internautas, com mais essa alegada \u00abevid\u00eancia\u00bb das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas supostamente induzidas pelas atividades humanas. Em un\u00edssono, uma sequ\u00eancia de manchetes bomb\u00e1sticas passou a disparar a mensagem de que eventos meteorol\u00f3gicos extremos, como Sandy, sejam resultantes das emiss\u00f5es de carbono dos combust\u00edveis f\u00f3sseis que respondem por mais de 80% da energia consumida no planeta. Vejamos uma pequena amostragem delas:<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211;\u00a0<em>The New Yorker<\/em>, 29\/10\/2012: \u00abObservando Sandy, ignorando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211; CNN, 30\/10\/2012: \u00abSandy nos recorda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e outros temas esquecidos na campanha.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211;\u00a0<em>Time<\/em>, 30\/10\/2012: \u00abMudan\u00e7as clim\u00e1ticas e Sandy: por que precisamos preparar-nos para um mundo mais quente.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211;\u00a0<em>The Guardian<\/em>, 31\/10\/2012: \u00abSandy for\u00e7a as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na elei\u00e7\u00e3o dos EUA, a despeito do lobby dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211;\u00a0<em>New York Times<\/em>, 1\/11\/2012: \u00abTer\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas alguma aten\u00e7\u00e3o, agora?\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211; Bloomberg, 2\/11\/2012: \u00abOuvindo o furac\u00e3o Sandy: o aquecimento global est\u00e1 aqui.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">&#8211;\u00a0Discovery News, 7\/11\/2012: \u00abExplicada a liga\u00e7\u00e3o do furac\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em paralelo, autoridades como o governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, tamb\u00e9m se apressaram em atribuir os efeitos supostamente ampliados da passagem de Sandy \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00abTem ocorrido uma s\u00e9rie de eventos meteorol\u00f3gicos extremos&#8230; Eu acho que qualquer um que diga que n\u00e3o h\u00e1 uma mudan\u00e7a dram\u00e1tica nos padr\u00f5es do tempo, est\u00e1 negando a realidade\u00bb, disse ele (AFP, 30\/10\/2012).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Para os ambientalistas, como seria previs\u00edvel, Sandy proporcionou uma oportunidade de ouro para uma tentativa de revers\u00e3o do refluxo da percep\u00e7\u00e3o alarmista entre a popula\u00e7\u00e3o dos EUA e da Europa, constatada em v\u00e1rias enquetes de opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O ex-vice-presidente estadunidense Al Gore, um dos paladinos internacionais do \u00abaquecimentismo\u00bb, n\u00e3o perdeu tempo em se manifestar\u00a0<a href=\"http:\/\/blog.algore.com\/\">em seu blog<\/a>\u00a0(30\/10\/2012):\u00a0\u00abO furac\u00e3o Sandy \u00e9 um perturbador sinal das coisas que vir\u00e3o. Devemos prestar aten\u00e7\u00e3o nesta advert\u00eancia e atuar rapidamente, para resolver a crise clim\u00e1tica. Energia suja provoca um tempo sujo.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O diretor-executivo do Greeenpeace International, Kumi Naidoo, instou o rec\u00e9m-reeleito presidente Barack Obama a agir seriamente para enfrentar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: \u00abSandy foi uma advert\u00eancia das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Agora, Obama deve ocupar o palco e concretizar as promessas de esperan\u00e7a de que o mundo precisa (<em>Daily Telegraph<\/em>, 7\/11\/2012).\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em uma bomb\u00e1stica e amplamente divulgada entrevista \u00e0 jornalista Amy Goodman, do s\u00edtio Democracy Now (30\/10\/2012), o hiperativo ativista Bill McKibben, um dos fundadores da campanha 350.org (cujo objetivo \u00e9 reduzir as concentra\u00e7\u00f5es de di\u00f3xido de carbono atmosf\u00e9rico, dos atuais 392 ppm para 350 ppm), disparou a sandice que, desafortunadamente, ficou nas mentes de um grande n\u00famero de pessoas:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) esta \u00e9 uma tempestade de propor\u00e7\u00f5es realmente hist\u00f3ricas. \u00c9, realmente, algo que nunca hav\u00edamos visto antes&#8230; \u00c9 &#8211; \u00e9 um monstro. \u00c9 &#8211; Frankenstorm [corruptela de \u00abFrankenstein\u00bb e \u00abstorm\u00bb, tempestade em ingl\u00eas &#8211; n.e.], francamente, n\u00e3o \u00e9 um nome de efeito; de v\u00e1rias maneiras, \u00e9 o nome certo para ela&#8230; E tamb\u00e9m \u00e9 realmente importante que todo mundo, at\u00e9 mesmo quem n\u00e3o est\u00e1 no caminho dessa tempestade, reflita sobre o que significa que, no m\u00eas mais quente na hist\u00f3ria dos EUA, quando vimos o m\u00eas mais quente de qualquer m\u00eas da hist\u00f3ria dos EUA, julho, num ano em que vimos, essencialmente, o gelo de ver\u00e3o no \u00c1rtico, simplesmente, desaparecer sob os nossos olhos, o que significa que estejamos vendo, agora, tempestades com essa magnitude sem precedentes. Se j\u00e1 existiu algum sinal de advert\u00eancia, este \u00e9 ele.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o obstante, a despeito dos enormes estragos, o fato \u00e9 que Sandy n\u00e3o representa qualquer anormalidade meteorol\u00f3gica. Para come\u00e7ar, quando aportou no litoral dos EUA, mal se enquadrava na categoria 1 da Escala Saffir-Simpson de intensidade de furac\u00f5es, que tem cinco n\u00edveis; embora tenha atingido a categoria 1 durante a sua passagem pelo Caribe, em territ\u00f3rio estadunidense, a classifica\u00e7\u00e3o mais correta \u00e9 a de tempestade tropical. E, sobre as propor\u00e7\u00f5es corretas de Sandy, recorremos \u00e0s l\u00facidas observa\u00e7\u00f5es do Dr. Roger Pielke Jr., professor de Estudos Ambientais da Universidade do Colorado em Boulder. Em\u00a0<a href=\"http:\/\/rogerpielkejr.blogspot.com.br\/2012\/10\/sandy-and-top-20-normalized-us.html\">seu blog<\/a>, em 30 de outubro, ele informa que Sandy fica em 10\u00ba. lugar quanto aos preju\u00edzos materiais causados por furac\u00f5es e grandes tempestades nos EUA (ap\u00f3s os ocorridos em 1926, 1900, 1915, 2005, 1992, 1944, 1960, 1938 e 1928). O gr\u00e1fico abaixo, que j\u00e1 inclui Sandy, ajuda a colocar os fatos na devida perspectiva.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/furacoes-EUA1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"furacoes EUA\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/furacoes-EUA1.jpg\" alt=\"\" width=\"895\" height=\"521\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Fonte: http:\/\/rogerpielkejr.blogspot.com, 1\/11\/2012.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O gr\u00e1fico seguinte, referente \u00e0 energia acumulada dos ciclones tropicais (ACE, na sigla em ingl\u00eas), no per\u00edodo entre 1972 e outubro de 2012, demonstra que, nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, n\u00e3o ocorreu qualquer intensifica\u00e7\u00e3o das tempestades e furac\u00f5es, nem no Hemisf\u00e9rio Norte, nem no planeta como um todo. Ao contr\u00e1rio, observa-se um pico de energias em meados da d\u00e9cada de 1990, com um pico mais baixo, em meados da d\u00e9cada passada, e um firme decl\u00ednio, desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"LEFT\"><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/energia-furacoes.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-608\" title=\"energia furacoes\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/energia-furacoes.png\" alt=\"\" width=\"895\" height=\"447\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"LEFT\">Fonte: Ryan N. Maue, 31\/10\/2012.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em um artigo publicado no\u00a0<em>Wall Street Journal<\/em>, no dia seguinte, o Dr. Pielke afirma:<\/p>\n<blockquote><p>Embora o fato raramente seja mencionado na m\u00eddia, os EUA se encontram, atualmente, em uma prolongada e intensa \u00abseca\u00bb de furac\u00f5es. O \u00faltimo de categoria 3 ou superior que chegou ao continente foi o Wilma, em 2005. Os mais de sete anos decorridos desde ent\u00e3o representam o mais longo de tais per\u00edodos, em mais de um s\u00e9culo. (&#8230;)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por que os desastres de hoje, mesmo que sejam menos fisicamente poderosos que os anteriores, t\u00eam causado tais custos financeiros elevad\u00edssimos? Uma raz\u00e3o: h\u00e1 mais gente e mais riqueza nas \u00e1reas de risco. Em parte, isto se deve \u00e0s pol\u00edticas de uso do solo e, parte, a incentivos como seguros subsidiados pelo governo, mas, principalmente, ao simples fato de que as pessoas gostam de viver na costa e perto de rios.<br \/>\nAinda assim, com respeito aos desastres, n\u00f3s, realmente, fazemos a nossa pr\u00f3pria sorte. O n\u00famero de fatalidades relativamente baixo causado por Sandy \u00e9 um testemunho da hist\u00f3ria de sucesso do Servi\u00e7o Nacional de Meteorologia dos EUA e dos esfor\u00e7os paralelos dos que enfatizam a prepara\u00e7\u00e3o e as respostas de emerg\u00eancia, nos setores p\u00fablicos e privados. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>Entretanto, o especialista faz uma s\u00e9ria advert\u00eancia, que deveria ser destacada e mantida sempre \u00e0 vista das autoridades, e n\u00e3o apenas nos EUA:<\/p>\n<blockquote><p>Mas a continua\u00e7\u00e3o do sucesso n\u00e3o est\u00e1 garantida. A resposta desordenada e as tr\u00e1gicas consequ\u00eancias associadas ao furac\u00e3o Katrina nos mostram o que pode acontecer quando baixamos a guarda. E h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que estamos preparando o palco para tornar piores os futuros desastres. Por exemplo, um programa de sat\u00e9lites polares crucial para a previs\u00e3o meteorol\u00f3gica tem sido descrito&#8230; como um \u00abprograma disfuncional que se tornou um vexame nacional, devido aos problemas administrativos cr\u00f4nicos\u00bb&#8230; O mau gerenciamento do programa pode significar uma lacuna na cobertura de sat\u00e9lite e uma poss\u00edvel degrada\u00e7\u00e3o das previs\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro perigo: as discuss\u00f5es p\u00fablicas sobre os riscos de desastres dominadas pelo lobby clim\u00e1tico e seus aliados, que exploram cada evento extremo, para propor a\u00e7\u00f5es na pol\u00edtica energ\u00e9tica&#8230; Os humanos n\u00e3o afetam o sistema clim\u00e1tico, e \u00e9 realmente importante atuar na pol\u00edtica energ\u00e9tica &#8211; mas vincular pol\u00edtica energ\u00e9tica e desastres n\u00e3o tem sentido cient\u00edfico ou pol\u00edtico. N\u00e3o h\u00e1 sinais de que mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas pelo homem tenham aumentado a lista de fatalidades dos desastres recentes, como registra at\u00e9 mesmo o mais recente relat\u00f3rio sobre eventos extremos do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC). E, at\u00e9 mesmo usando os pressupostos do IPCC, mudan\u00e7as nas pol\u00edticas energ\u00e9ticas n\u00e3o teriam qualquer impacto discern\u00edvel nos futuros desastres. (&#8230;)<\/p>\n<p>As \u00fanicas estrat\u00e9gias que nos ajudar\u00e3o, efetivamente, a preparar-nos para os futuros desastres s\u00e3o aquelas que t\u00eam sido bem sucedidas no passado: uso estrat\u00e9gico da terra, prote\u00e7\u00e3o estrutural e progn\u00f3sticos, alertas e evacua\u00e7\u00f5es efetivos. Esta \u00e9 a li\u00e7\u00e3o real de Sandy.<\/p><\/blockquote>\n<p>No Brasil, que ainda n\u00e3o disp\u00f5e sequer de um sat\u00e9lite meteorol\u00f3gico pr\u00f3prio, cuja rede de esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas \u00e9 subdimensionada e mal distribu\u00edda pelo territ\u00f3rio nacional, e onde muitos dos registros meteorol\u00f3gicos hist\u00f3ricos sequer foram digitalizados e centralizados, as autoridades governamentais, sempre dispostas a assumir compromissos politicamente corretos sobre medidas para combater o aquecimento global, fariam muito bem em prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s palavras do cientista estadunidense.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A capa da revista\u00a0Bloomberg Business Week\u00a0de 1\u00ba. de novembro n\u00e3o deixa aos leitores margem a d\u00favidas, estampando em letras garrafais o t\u00edtulo da mat\u00e9ria principal da edi\u00e7\u00e3o: \u00ab\u00c9 o aquecimento global, est\u00fapido!\u00bb O tema, claro, n\u00e3o poderia ser outro, sen\u00e3o a catastr\u00f3fica passagem do furac\u00e3o (ou supertempestade) Sandy pelo Caribe e a Costa Leste dos &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-605","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia-e-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/605\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}