{"id":576,"date":"2013-05-03T20:41:04","date_gmt":"2013-05-03T20:41:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=576"},"modified":"2013-05-03T20:41:04","modified_gmt":"2013-05-03T20:41:04","slug":"a-loucura-da-saida-do-euro-e-da-desvalorizacao-competitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-loucura-da-saida-do-euro-e-da-desvalorizacao-competitiva\/","title":{"rendered":"A loucura da sa\u00edda do euro e da &quot;desvaloriza\u00e7\u00e3o competitiva&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s as recentes explos\u00f5es populares em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, at\u00e9 mesmo as elei\u00e7\u00f5es alem\u00e3s de setembro pr\u00f3ximo poder\u00e3o reservar alguma surpresa desagrad\u00e1vel. De fato, j\u00e1 surgiu no pa\u00eds um novo partido pol\u00edtico que prop\u00f5e o abandono do euro.<\/p>\n<p>De nossa parte, afirmamos que \u00e9 preciso se dizer, de forma clara e com firmeza, que a sa\u00edda do euro n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para os problemas continentais, mas o in\u00edcio de um pesadelo, cujos efeitos poder\u00e3o ser muito piores do que qualquer outro cen\u00e1rio. N\u00e3o somos arautos das maravilhas do Tratado de Maastricht, nem da \u00abperfei\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica\u00bb do euro. Somos conscientes de que muita coisa est\u00e1 errada e que h\u00e1 muito a melhorar. Mas seria uma rematada insanidade explodir o processo pol\u00edtico e econ\u00f4mico da unidade europeia.<\/p>\n<p>Em geral, a proposta de sa\u00edda do euro \u00e9 justificada com a reaquisi\u00e7\u00e3o da soberania monet\u00e1ria nacional e, portanto, a oportunidade de se emitir moeda e novos t\u00edtulos de d\u00edvida e promover desvaloriza\u00e7\u00f5es competitivas. Este \u00e9 o cavalo de batalha dos \u00abeuroc\u00e9ticos\u00bb, com o qual revelam uma ignor\u00e2ncia substancial dos princ\u00edpios b\u00e1sicos da economia.<\/p>\n<p>Eles argumentam que o retorno \u00e0s moedas nacionais permitiria, precisamente, a sua desvaloriza\u00e7\u00e3o, tornando os produtos nacionais mais competitivos nos mercados internacionais. Assim, o aumento das exporta\u00e7\u00f5es se tornaria a for\u00e7a motriz da retomada da produ\u00e7\u00e3o, do emprego e da economia em geral.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 o contr\u00e1rio. O retorno \u00e0s moedas nacionais, em qualquer pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia (UE, incluindo a It\u00e1lia, manteria denominado em euros ou d\u00f3lares o montante da d\u00edvida p\u00fablica e privada, que em grande parte est\u00e1 nas m\u00e3os de estrangeiros. Somente os poupadores nacionais poderiam converter as suas poupan\u00e7as em t\u00edtulos denominados nas novas moedas nacionais, mas os demais t\u00edtulos de d\u00edvida permaneceriam como antes. No entanto, a reconvers\u00e3o total seria equivalente a uma declara\u00e7\u00e3o de inadimpl\u00eancia nacional. Apenas com juros muito mais altos que os atuais seria poss\u00edvel financiar a d\u00edvida existente e aument\u00e1-la. Recorde-se que, ap\u00f3s a crise de 1992 e da desvaloriza\u00e7\u00e3o da lira, os juros dos t\u00edtulos italianos de curto prazo subiram para 17%.<\/p>\n<p>Todas as importa\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar pelo petr\u00f3leo e g\u00e1s, s\u00e3o avaliadas em d\u00f3lares ou euros. Para a It\u00e1lia, portanto, seria o descompasso final das suas finan\u00e7as. Os aumentos nos custos de importa\u00e7\u00e3o e financiamento da d\u00edvida resultariam, inevitavelmente, em uma infla\u00e7\u00e3o galopante, com uma dram\u00e1tica perda de poder de compra.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar como se poderia, assim, expandir a cota de mercado para as suas exporta\u00e7\u00f5es. Nesta l\u00f3gica para se tornar competitivo, \u00e9 preciso levar em conta, uma vez mais, os custos que recaem sobre a for\u00e7a de trabalho. Um novo v\u00f3rtice recessivo implicaria em menos renda, menos consumo, menos produ\u00e7\u00e3o, menos receitas fiscais e menos disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria.<\/p>\n<p>A economia italiana, na esteira da alem\u00e3, n\u00e3o pode competir nos setores relacionados \u00e0s tecnologias mais antigas, enquanto as economias emergentes operam com sal\u00e1rios muito baixos. Em vez disto, deve se concentrar em novas tecnologias e determinar os pre\u00e7os e os mercados com base em sua qualidade e capacidade de inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A sa\u00edda do euro, at\u00e9 mesmo da menor economia, provocaria uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia que levaria, gradualmente, ao colapso da UE, colocando em marcha uma inevit\u00e1vel guerra comercial protecionista. Todos perderiam, at\u00e9 mesmo a Alemanha. Seria uma desestabiliza\u00e7\u00e3o global! Infelizmente, este n\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio imposs\u00edvel. A hist\u00f3ria europeia do s\u00e9culo passado gerou acontecimentos que a grande maioria das pessoas jamais pensaria serem poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Evidentemente, a situa\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o \u00e9 toler\u00e1vel. N\u00e3o se pode permitir que milh\u00f5es de cidad\u00e3os sejam levados a tais n\u00edveis de pobreza e desespero, levando-os a preferir o inferno. Em nossa humilde opini\u00e3o, precisamos de \u00abmais Europa\u00bb. Na It\u00e1lia, o compromisso priorit\u00e1rio do governo em forma\u00e7\u00e3o deve ser mostrar maior determina\u00e7\u00e3o no consenso europeu, para tornar mais eficaz e solid\u00e1ria a agenda pol\u00edtica e econ\u00f4micas da Uni\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s as recentes explos\u00f5es populares em v\u00e1rios pa\u00edses europeus, at\u00e9 mesmo as elei\u00e7\u00f5es alem\u00e3s de setembro pr\u00f3ximo poder\u00e3o reservar alguma surpresa desagrad\u00e1vel. De fato, j\u00e1 surgiu no pa\u00eds um novo partido pol\u00edtico que prop\u00f5e o abandono do euro. 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