{"id":566,"date":"2012-09-21T14:35:54","date_gmt":"2012-09-21T14:35:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=566"},"modified":"2012-09-21T14:35:54","modified_gmt":"2012-09-21T14:35:54","slug":"kyoto-o-caminho-tambem-leva-a-moscou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/kyoto-o-caminho-tambem-leva-a-moscou\/","title":{"rendered":"Kyoto: o caminho (tamb\u00e9m) leva a Moscou"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O Protocolo de Kyoto, dispositivo internacional criado para regulamentar as emiss\u00f5es de carbono provenientes do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, encerrar\u00e1 a sua exist\u00eancia legal no pr\u00f3ximo dia 31 de dezembro. O governo da Federa\u00e7\u00e3o Russa acaba de confirmar o que j\u00e1 havia anunciado antes, que n\u00e3o renovar\u00e1 a sua participa\u00e7\u00e3o em uma eventual extens\u00e3o do esquema, assim como tamb\u00e9m haviam feito o Canad\u00e1 e o Jap\u00e3o. Sem os tr\u00eas pa\u00edses, que se alinham entre os principais consumidores de combust\u00edveis f\u00f3sseis, qualquer esquema de limita\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es fica prejudicado por princ\u00edpio, ressaltando, ainda mais, a natureza pol\u00edtica e econ\u00f4mica de tais arreglos &#8211; que nada t\u00eam a ver com as inexistentes evid\u00eancias cient\u00edficas da a\u00e7\u00e3o humana no clima global.<\/p>\n<p align=\"left\">Em uma entrevista coletiva, em Moscou, o porta-voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Alexander Lukashevich, justificou: \u00abA Federa\u00e7\u00e3o Russa considera ineficiente a extens\u00e3o do Protocolo de Kyoto em seu estado atual e n\u00e3o pretende assumir obriga\u00e7\u00f5es para reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, como parte da assim chamada segunda rodada de restri\u00e7\u00f5es&#8230; O conte\u00fado das obriga\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas pode ser diferente para os pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento, mas elas devem ser refletidas em um \u00fanico documento. Sem isto, ele ser\u00e1 in\u00fatil (Novosti, 14\/09\/2012).\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">Lukashevich ressaltou que a lista prov\u00e1vel dos participantes do novo esquema englobar\u00e1 apenas 15-17% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa, contra 30% para o Protocolo atual. Por isso, afirmou, o pretendido limite de 2 graus cent\u00edgrados acima dos n\u00edveis pr\u00e9-industriais para o aumento da temperatura m\u00e9dia global &#8211; a meta anunciada das negocia\u00e7\u00f5es &#8211; se torna imposs\u00edvel de ser atingida.<\/p>\n<p align=\"left\">A R\u00fassia sempre demonstrou uma atitude refrat\u00e1ria ao Protocolo de Kyoto, tendo aderido a ele apenas em 2005, o que proporcionou a sua entrada em vigor oficial. Na ocasi\u00e3o, a decis\u00e3o foi tomada por motivos pragm\u00e1ticos, para facilitar as negocia\u00e7\u00f5es referentes ao ingresso do pa\u00eds na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio (OMC). Por ironia, estas demoraram tanto que s\u00f3 foram conclu\u00eddas este ano, quando Moscou anuncia o abandono de Kyoto.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Enquanto isso, ao Sul do equador&#8230;<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Na contram\u00e3o da R\u00fassia, o governo brasileiro se mant\u00e9m aferrado ao esquema clim\u00e1tico global, trabalhando ativamente para viabilizar a segunda fase da agenda de restri\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es, que alguns j\u00e1 chamam \u00abKyoto 2\u00bb. Esta semana, est\u00e3o reunidos em Bras\u00edlia representantes do Brasil, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul (o chamado grupo BASIC), para deliberar sobre uma posi\u00e7\u00e3o comum a ser apresentada na 18\u00aa. Confer\u00eancia das Partes das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (COP-18), que ser\u00e1 realizada em Doha, Catar, entre 26 de novembro e 7 de dezembro pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p align=\"left\">Na esteira do protagonismo assumido na confer\u00eancia Rio+20, em junho \u00faltimo, as autoridades brasileiras pretendem manter-se na vanguarda das discuss\u00f5es, atitude manifestada pelo embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, negociador-chefe do Itamaraty para assuntos ambientais e clim\u00e1ticos. \u00abTemos que definir quais ser\u00e3o as metas para os pa\u00edses que participar\u00e3o [de \u00abKyoto 2&#8243;] e alguns pa\u00edses querem metas mais ambiciosas. Isto tem que ser resolvido em Doha\u00bb, disse ele \u00e0 Ag\u00eancia Brasil (19\/09\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">Na avalia\u00e7\u00e3o do diplomata, na aus\u00eancia de uma pauta de metas obrigat\u00f3rias de restri\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es, os compromissos volunt\u00e1rios das na\u00e7\u00f5es que as adotaram pode influenciar os pa\u00edses desenvolvidos a assumir mais compromissos: \u00abQuando voc\u00ea v\u00ea pa\u00edses que est\u00e3o fazendo esfor\u00e7o grande, isso cria press\u00e3o sobre os pa\u00edses desenvolvidos no sentido de que os pa\u00edses que n\u00e3o tiveram responsabilidade maior na gera\u00e7\u00e3o dos problemas do clima est\u00e3o sendo mais ambiciosos. Isso cria ambiente que conduz os pa\u00edses desenvolvidos a pensarem bem.\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">De fato, parece que alguns dos principais pa\u00edses industrializados est\u00e3o pensando bastante bem a respeito. O Jap\u00e3o, o Canad\u00e1 e a R\u00fassia j\u00e1 anunciaram a sa\u00edda do arranjo de \u00abKyoto 2\u00bb. Os EUA nunca aderiram. Com isso, a Uni\u00e3o Europeia (UE) se mant\u00e9m como a principal interessada na manuten\u00e7\u00e3o do esquema, para justificar a continuidade do seu mercado de cr\u00e9ditos de carbono, o Emissions Trading Scheme (ETS), que, em 2011, movimentou transa\u00e7\u00f5es da ordem de 170 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p align=\"left\">J\u00e1 o interesse dos pa\u00edses em desenvolvimento, Brasil inclusive, se prende, em grande parte, \u00e0 inten\u00e7\u00e3o de captar recursos financeiros a baixo custo dos pa\u00edses industrializados interessados no mercado de carbono. Com frequ\u00eancia, os impactos negativos da ado\u00e7\u00e3o da agenda \u00abdescarbonizadora\u00bb n\u00e3o s\u00e3o devidamente contabilizados, o que s\u00f3 come\u00e7a a ocorrer, em especial, na UE, por conta da crise econ\u00f4mico-financeira, que est\u00e1 evidenciando, entre outros itens, os altos custos da substitui\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis pelas chamadas energias \u00abrenov\u00e1veis\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">No caso brasileiro, ademais, o Itamaraty v\u00ea a agenda ambiental e clim\u00e1tica como uma grande oportunidade para o exerc\u00edcio do protagonismo global e, como a agenda da \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb n\u00e3o tem aqui o impacto que tem tido nas economias europeias, a diplomacia nacional ainda acredita que o Pa\u00eds poder\u00e1 usufruir de importantes vantagens com a ado\u00e7\u00e3o de um papel de lideran\u00e7a no processo.<\/p>\n<p align=\"left\">N\u00e3o obstante, como o catastrofismo clim\u00e1tico experimenta um gradativo retrocesso em \u00e2mbito mundial, cedo ou tarde, a Casa de Rio Branco ter\u00e1 que acordar para esta realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Protocolo de Kyoto, dispositivo internacional criado para regulamentar as emiss\u00f5es de carbono provenientes do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis, encerrar\u00e1 a sua exist\u00eancia legal no pr\u00f3ximo dia 31 de dezembro. 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