{"id":538,"date":"2013-03-28T18:56:32","date_gmt":"2013-03-28T18:56:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=538"},"modified":"2013-03-28T18:56:32","modified_gmt":"2013-03-28T18:56:32","slug":"mitos-e-realidade-sobre-a-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/mitos-e-realidade-sobre-a-petrobras\/","title":{"rendered":"Mitos e realidade sobre a Petrobras"},"content":{"rendered":"<p>A convite do F\u00f3rum de Guadalajara, Fernando Siqueira, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros da Petrobras (AEPET) e vice-presidente do Conselho Deliberativo da Funda\u00e7\u00e3o Petrobras de Seguridade (PETROS), fez uma visita ao M\u00e9xico, entre os dias 12 e 16 de mar\u00e7o. Em uma s\u00e9rie de confer\u00eancias realizadas em Guadalajara e na Cidade do M\u00e9xico, com destaque para a realizada na sede do Senado da Rep\u00fablica do M\u00e9xico, a 15 de mar\u00e7o, Siqueira analisou os mitos que v\u00eam sendo propagados sobre a Petrobras, veiculados de forma semelhante aos que prop\u00f5em uma reforma energ\u00e9tica ao M\u00e9xico, por meio da ado\u00e7\u00e3o de medidas que se mostraram negativas para o Brasil. Ao mesmo tempo, lan\u00e7am-se contra as duas empresas campanhas de desprest\u00edgio para ocultar-lhes as respectivas conquistas em pesquisa, explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Em suas exposi\u00e7\u00f5es, Siqueira disse que h\u00e1 quatro mitos principais sobre o suposto \u00eaxito na privatiza\u00e7\u00e3o parcial da Petrobras. A seguir, passamos-lhe a palavra:<\/p>\n<p>1) \u00abA abertura do setor petrol\u00edfero foi boa para o Brasil\u00bb;<\/p>\n<p>Falso: a Lei 9478\/97, proposta pelo ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), foi muito ruim para a Petrobras e p\u00e9ssima para o Brasil.<\/p>\n<p>M\u00e1 para a Petrobras, porque vendeu 36% de suas a\u00e7\u00f5es na Bolsa de Nova York e, por isso, teve que submeter-se \u00e0 lei norte-americana \u00abSarbannes Oxley\u00bb &#8211; uma lei muito severa, promulgada depois de uma s\u00e9rie de fal\u00eancias de companhias estadunidenses importantes (como a Enron e a Worldcom). A lei visa evitar novas quebras de tal modo que, sob ela, a Petrobras perdeu a sua autonomia para formular o seu or\u00e7amento, e estabelecer o seu pr\u00f3prio planejamento, al\u00e9m de ser privada de sua liberdade para escolher os melhores investimentos. De acordo com tal lei, o presidente da empresa \u00e9 obrigado a apresentar contas a cada m\u00eas, al\u00e9m de se submeter a investiga\u00e7\u00f5es de acionistas estrangeiros sediados em Nova York &#8211; muitos deles associados a companhias competidoras da Petrobras.<\/p>\n<p>P\u00e9ssima para o Brasil porque, sob o artigo 26 da lei do ex-presidente Fernando Henrique, passou a ser de propriedade de companhias estrangeiras todo o petr\u00f3leo que produzam, obrigando-se apenas a pagar um imposto de 10% sobre o valor de venda de sua produ\u00e7\u00e3o. Se o sucessor de Fernando Henrique, Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, n\u00e3o tivesse mudado tal legisla\u00e7\u00e3o, as companhias estrangeiras teriam aumentado enormemente a sua participa\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o a partir do descobrimento do pr\u00e9-sal, at\u00e9 converter-se em donas de todo o petr\u00f3leo do Brasil. De fato, essa foi a inten\u00e7\u00e3o do ex-presidente Fernando Henrique: desnacionalizar a Petrobras e o petr\u00f3leo brasileiro. Tentou, inclusive, mudar o nome da empresa para Petrobrax, s\u00f3 para facilitar a pronuncia de seu nome para os futuros donos anglo-sax\u00f5es. Todavia, ele teve que desistir de tal ideia absurda, ante a forte rea\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>2) \u00abCom a Lei de FHC, a participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no PIB cresceu de 3% para 12%\u00bb.<\/p>\n<p>Falso: A causa desse crescimento nominal foi a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo: naquela \u00e9poca, o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo era de 10 d\u00f3lares, enquanto que nos dias de hoje alcan\u00e7ou o patamar de 115 d\u00f3lares por barril. Nada disso teve qualquer rela\u00e7\u00e3o com a produtividade real da empresa.<\/p>\n<p>3) \u00abA abertura do setor petrol\u00edfero permitiu o descobrimento das enormes reservas do pr\u00e9-sal em \u00e1guas profundas\u00bb.<\/p>\n<p>Falso: a Petrobras iniciou as pesquisas sobre o Pr\u00e9-Sal desde os anos 1960, a partir da teoria das placas tect\u00f4nicas. Em raz\u00e3o da profundidade do oceano, de mais de 2000 metros, os investimentos eram muito altos e os riscos, elevados. Dessa forma, os esfor\u00e7os da Petrobras tiveram que esperar o avan\u00e7o da tecnologia s\u00edsmica para obter a seguran\u00e7a necess\u00e1ria de que as perfura\u00e7\u00f5es chegariam ao seu objetivo com precis\u00e3o. Somente ap\u00f3s o formid\u00e1vel salto da tecnologia s\u00edsmica \u00e9 que foi poss\u00edvel obter imagens de tr\u00eas e quatro dimens\u00f5es do fundo do oceano, permitindo eliminar as distor\u00e7\u00f5es e dando maior clareza \u00e0s caracter\u00edsticas dos dep\u00f3sitos petrol\u00edferos. No ano de 2006, iniciou-se a perfura\u00e7\u00e3o do primeiro po\u00e7o do pr\u00e9-sal, por meio do que foi descoberta a maior reserva petrol\u00edfera atualmente conhecida em todo o mundo. Este sucesso foi obtido sem a inger\u00eancia de companhias estrangeiras. Mais ainda: esta \u00e1rea do pr\u00e9-sal esteve, ao longo de 13 anos, sob o controle das companhias estrangeiras, que operavam por conta de contratos de risco que o governo Geisel (1974-1979) lhes havia concedido.<br \/>\nPortanto, se n\u00e3o fosse a Petrobr\u00e1s, jamais seriam descobertas as extraordin\u00e1rias reservas do pr\u00e9-sal em \u00e1guas profundas brasileiras.<\/p>\n<p>4) \u00abA abertura permite a introdu\u00e7\u00e3o de novas tecnologias\u00bb<\/p>\n<p>Falso: As companhias petrol\u00edferas contratam empresas independentes, que se encarregam de resolver as tr\u00eas principais dificuldades tecnol\u00f3gicas da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera. N\u00e3o s\u00e3o as companhias petrol\u00edferas as que desenvolvem tecnologia: em geral, elas que adquirem solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de empresas especializadas, que prestam os seus servi\u00e7os a qualquer petrol\u00edfera &#8211; privada ou estatal -, de sorte as perfura\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas por companhias especializadas neste servi\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 importante ainda lembrar que as companhias estatais respondem \u00e0 sociedade, e n\u00e3o incorrem em riscos que comprometam a seguran\u00e7a, pois n\u00e3o operam sob crit\u00e9rios cont\u00e1beis &#8211; e sim sob os de efici\u00eancia e produtividade. A t\u00edtulo de exemplo, \u00e9 pertinente lembrar o acidente do campo de Macondo, no Golfo do M\u00e9xico, no qual a perfuradora Transocean abriu um po\u00e7o para a British Petroleum. Esta \u00faltima, para cortar custos, ordenou que a Transocean n\u00e3o efetuasse a cimenta\u00e7\u00e3o completa. A falta de tal procedimento proporcionou um acidente que causou fissuras na plataforma, e, inclusive, provocou a morte de onze trabalhadores.<\/p>\n<p>A Transocean tamb\u00e9m foi contratada pela Chevron para perfurar o campo de Frade, no Brasil, onde tamb\u00e9m se sucedeu um s\u00e9rio acidente. Sob o mesmo crit\u00e9rio de cortar custos, a Chevron impediu o revestimento necess\u00e1rio para isolar o primeiro n\u00edvel do dep\u00f3sito petrol\u00edfero &#8211; condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para avan\u00e7ar a um segundo n\u00edvel de perfura\u00e7\u00e3o de uma reversa a grande profundidade. Existia o risco de que o segundo n\u00edvel tivesse uma press\u00e3o maior que a do primeiro, o que efetivamente se confirmou, provocando a ruptura do primeiro n\u00edvel &#8211; com um vazamento t\u00e3o grave que at\u00e9 este momento n\u00e3o p\u00f4de ser solucionado. A Transocean teve que aumentar a press\u00e3o do flu\u00eddo de perfura\u00e7\u00e3o, e acabou trespassando a resist\u00eancia mec\u00e2nica do primeiro n\u00edvel do po\u00e7o &#8211; o que resultou no rompimento da conten\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito, provocando um derrame permanente de petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Por outro lado, a mesma Transocean perfurou mais de 25 po\u00e7os contratados pela Petrobras na nova zona do pr\u00e9-sal, sem que tenha havido qualquer acidente. A diferen\u00e7a aqui consiste em que as decis\u00f5es executivas da Petrobras, sendo uma empresa estatal e controlada pela sociedade, n\u00e3o p\u00f5em em risco a seguran\u00e7a com crit\u00e9rios de natureza financista. N\u00e3o busca lucros financeiros f\u00e1ceis, como as petrol\u00edferas privadas, mas se ocupam em cuidar do meio ambiente e do bem-estar da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A convite do F\u00f3rum de Guadalajara, Fernando Siqueira, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Engenheiros da Petrobras (AEPET) e vice-presidente do Conselho Deliberativo da Funda\u00e7\u00e3o Petrobras de Seguridade (PETROS), fez uma visita ao M\u00e9xico, entre os dias 12 e 16 de mar\u00e7o. 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