{"id":524,"date":"2012-08-03T22:15:50","date_gmt":"2012-08-03T22:15:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=524"},"modified":"2012-08-03T22:15:50","modified_gmt":"2012-08-03T22:15:50","slug":"o-pac-da-engenharia-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/o-pac-da-engenharia-militar\/","title":{"rendered":"O PAC da engenharia militar"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">A atua\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito no planejamento e constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura no Pa\u00eds tem recebido uma crescente e merecida aten\u00e7\u00e3o por parte do governo federal e, igualmente, pela m\u00eddia. Em 12 de julho, o jornal\u00a0<em>Valor Econ\u00f4mico\u00a0<\/em>publicou uma reportagem sobre a participa\u00e7\u00e3o do Departamento de Engenharia e Constru\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito (DEC), em 34 obras em v\u00e1rios estados, das quais 25 integrantes do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), al\u00e9m da amplia\u00e7\u00e3o do aeroporto de Guarulhos, em S\u00e3o Paulo, a constru\u00e7\u00e3o da pista do aeroporto de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Amarante, Rio Grande do Norte, e a elabora\u00e7\u00e3o, a pedido da Infraero, de projetos de engenharia para a expans\u00e3o dos de Porto Alegre, Vit\u00f3ria e Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p align=\"left\">Em especial, a participa\u00e7\u00e3o da engenharia militar na amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura aeroportu\u00e1ria se insere na proposta de um plano de expans\u00e3o da avia\u00e7\u00e3o regional, que espera a aprova\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff, o qual contempla a libera\u00e7\u00e3o de recursos federais para aumentar o n\u00famero de aeroportos atendidos por voos regulares de companhias a\u00e9reas, das atuais 130 para 200 localidades. Para tanto, al\u00e9m do DEC, o governo pretende convocar o Instituto Militar de Engenharia (IME), para auxiliar os estados e as prefeituras a elaborar os projetos que permitam aos aeroportos regionais receber recursos da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">Um dos motivos que levou o governo a ampliar a utiliza\u00e7\u00e3o da engenharia militar foram os resultados da atua\u00e7\u00e3o do DEC na terraplenagem do futuro Terminal 3 de Guarulhos. A obra, que tinha previs\u00e3o inicial de entrega em dezembro de 2013, dever\u00e1 ser conclu\u00edda em setembro pr\u00f3ximo, 15 meses antes do prazo previsto. Al\u00e9m disso, mesmo com grande parte dos servi\u00e7os sendo executados por tr\u00eas empreiteiras privadas subcontratadas pelo DEC, a obra, que tinha um custo previsto de R$ 417 milh\u00f5es, acabar\u00e1 saindo por cerca de R$ 290 milh\u00f5es, com uma economia da ordem de 25% em rela\u00e7\u00e3o ao or\u00e7amento inicial.<\/p>\n<p align=\"left\">O chefe do DEC, general Joaquim Maia Brand\u00e3o, afirma que o Ex\u00e9rcito est\u00e1 trabalhando no limite da sua capacidade, com um contingente de 15 mil homens. Para assumir novos compromissos, diz ele, ser\u00e1 preciso deslocar militares de outras fun\u00e7\u00f5es, em lugar de aumentar os efetivos.<\/p>\n<p align=\"left\">Em um entusiasmado editorial publicado em 16 de julho, o jornal\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u00a0saudou a atua\u00e7\u00e3o dos militares:<\/p>\n<blockquote><p>No momento em que not\u00edcias sobre superfaturamento e atraso em obras p\u00fablicas se tornam corriqueiras, \u00e9 animador saber que algumas dessas obras est\u00e3o sendo entregues antes do prazo previsto e a custos inferiores aos originalmente or\u00e7ados. N\u00e3o se trata de milagre. \u00c9 apenas o resultado do trabalho competente e s\u00e9rio realizado por uma institui\u00e7\u00e3o cuja miss\u00e3o prec\u00edpua n\u00e3o \u00e9 tocar canteiros de obras, mas que nos \u00faltimos anos tem assumido maiores responsabilidades na elabora\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de projetos de infraestrutura em todo o Pa\u00eds: o Ex\u00e9rcito. (&#8230;)<\/p>\n<p>\u00c9 claro que tocar obras p\u00fablicas n\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o prec\u00edpua das For\u00e7as Armadas, que existem para zelar pela defesa nacional. E o Ex\u00e9rcito, cuja \u00abinterven\u00e7\u00e3o\u00bb no mercado \u00e9 malvista pelas empreiteiras de obras p\u00fablicas, sabe muito bem que essa n\u00e3o \u00e9 sua verdadeira voca\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Mas n\u00e3o resta d\u00favida de que o DEC est\u00e1 atendendo tamb\u00e9m a uma importante e extremamente lament\u00e1vel emerg\u00eancia ao cumprir com compet\u00eancia, seriedade e economia de recursos p\u00fablicos uma tarefa fundamental para o desenvolvimento do Pa\u00eds que a iniciativa privada tem sido frequentemente incapaz de executar com a mesma efici\u00eancia e probidade, devido \u00e0 crescente promiscuidade entre neg\u00f3cios p\u00fablicos e privados. \u00c9 de imaginar que seja dif\u00edcil trabalhar com or\u00e7amentos enxutos quando a regra do jogo \u00e9 pagar propinas que satisfa\u00e7am a crescente voracidade de homens p\u00fablicos t\u00e3o desonestos quanto quem lhes molha a m\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">A atua\u00e7\u00e3o militar na forma\u00e7\u00e3o de engenheiros e na implementa\u00e7\u00e3o direta de infraestrutura f\u00edsica \u00e9 uma antiga tradi\u00e7\u00e3o em pa\u00edses mais avan\u00e7ados, como a Fran\u00e7a e os EUA, e at\u00e9 mesmo no Brasil. Vale recordar que as primeiras escolas de forma\u00e7\u00e3o de engenheiros tiveram origem militar &#8211; a Escola Polit\u00e9cnica, na Fran\u00e7a, a Academia de West Point, nos EUA, e a pr\u00f3pria Escola Polit\u00e9cnica do Rio de Janeiro (origem da atual Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Nos EUA, o Corpo de Engenheiros do Ex\u00e9rcito \u00e9, at\u00e9 hoje, encarregado do planejamento, constru\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o de setores de infraestrutura vitais, como o sistema de hidrovias do pa\u00eds. No Brasil, desde a d\u00e9cada de 1950, a pouco conhecida Comiss\u00e3o de Aeroportos da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica (Comara) tem desempenhado um papel vital na amplia\u00e7\u00e3o da rede de aeroportos na regi\u00e3o, que passaram de apenas 17 (dos quais apenas dois tinham pistas asfaltadas, Bel\u00e9m e Manaus) para quase 200.<\/p>\n<p align=\"left\">Por isso, \u00e9 mais que acertada a decis\u00e3o do governo de recorrer a essa preciosa experi\u00eancia militar, para assegurar que a expans\u00e3o da infraestrutura nacional n\u00e3o sofra ainda mais com os atrasos recorrentes que t\u00eam infernizado o setor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atua\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito no planejamento e constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura no Pa\u00eds tem recebido uma crescente e merecida aten\u00e7\u00e3o por parte do governo federal e, igualmente, pela m\u00eddia. 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