{"id":522,"date":"2012-08-03T22:14:21","date_gmt":"2012-08-03T22:14:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=522"},"modified":"2012-08-03T22:14:21","modified_gmt":"2012-08-03T22:14:21","slug":"urge-um-movimento-sos-saneamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/urge-um-movimento-sos-saneamento\/","title":{"rendered":"Urge um movimento \u00abSOS saneamento\u00bb"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Apesar de n\u00e3o contar sequer com uma fra\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia e da publicidade atribu\u00edda a pseudoproblemas como o aquecimento global, os impactos socioecon\u00f4micos e ambientais das defici\u00eancias de saneamento no Brasil justificam que o assunto seja discutido e rediscutido \u00e0 exaust\u00e3o. Por isso, \u00e9 bastante oportuno o novo artigo do presidente do Instituto Trata Brasil (ITB), \u00c9dison Carlos, no jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0de 15 de julho, intitulado \u00abOs sem saneamento\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">Ademais da sua oportunidade, as manifesta\u00e7\u00f5es de \u00c9dison Carlos ganham relev\u00e2ncia adicional pelo fato de ele n\u00e3o ser sanitarista, mas oriundo da ind\u00fastria qu\u00edmica (\u00e9 qu\u00edmico industrial por forma\u00e7\u00e3o), com vasta experi\u00eancia em efluentes provenientes das ind\u00fastrias do setor. Por isso, \u00e9 particularmente salutar ler a sua avalia\u00e7\u00e3o de que, \u00abpor aqui, a prova mais concreta de que temos que voltar nossos olhos para nosso universo de pa\u00eds s\u00f3cio e ambientalmente atrasado s\u00e3o os mais novos indicadores sobre o avan\u00e7o do saneamento b\u00e1sico no Brasil, publicados pelo Minist\u00e9rio das Cidades\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo ele,<\/p>\n<blockquote><p>numa r\u00e1pida interpreta\u00e7\u00e3o de como anda o pa\u00eds no que h\u00e1 de mais b\u00e1sicom em atendimento ao cidad\u00e3o, ou seja, no acesso \u00e0 \u00e1gua tratada, coleta e tratamento de esgotos, vemos que 2 em cada 10 brasileiros ainda n\u00e3o recebem \u00e1gua pot\u00e1vel. Na Regi\u00e3o Norte, s\u00e3o 4 pessoas em cada 10, e no Nordeste, 3 em 10, ou seja, uma distor\u00e7\u00e3o enorme quando comparado ao Sudeste, onde mais de 90% das pessoas possuem o servi\u00e7o.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">E prossegue:<\/p>\n<blockquote><p>Apesar dos n\u00fameros de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel serem alarmantes, o que dizer dos \u00edndices dram\u00e1ticos do atendimento em coleta dos esgotos? \u00c9 absurdo e incr\u00edvel, mas pelos n\u00fameros divulgados para 2010, no Brasil, 54% da popula\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o s\u00e3o atendidos por coleta de esgoto. De 2009 para 2010, mesmo com uma maior cobertura da imprensa e debates com autoridades, conseguimos progredir apenas a inexpressiva cifra de 1,7 ponto percentual. (&#8230;)<\/p>\n<p>Esta chaga do Brasil \u00e9 social, mas derivada de uma gigante polui\u00e7\u00e3o ambiental. Do pouco esgoto que se coleta no pa\u00eds, os dados divulgados mostram que somente 38% s\u00e3o tratados, ou seja, a continuar neste ritmo a grande maioria dos esgotos do pa\u00eds continuar\u00e1 sendo jogada na natureza da forma que saem dos nossos banheiros. S\u00e3o bilh\u00f5es de litros jogados in natura por dia sem tratamento, nos rios, bacias hidrogr\u00e1ficas, lagoas e aqu\u00edferos brasileiros.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Evidentemente, por sua origem e posi\u00e7\u00e3o, o presidente do ITB \u00e9 cuidadoso nas cr\u00edticas a essa brutal distor\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o dos verdadeiros problemas ambientais que afligem o Pa\u00eds, tanto das autoridades como da sociedade de um modo geral, com a consequente desorienta\u00e7\u00e3o da agenda pol\u00edtica para o seu enfrentamento. Por isso, n\u00e3o faz qualquer compara\u00e7\u00e3o com a desproporcional aten\u00e7\u00e3o conferida a problemas inexistentes, como a suposta influ\u00eancia humana no clima global, ou ao sensacionalismo com que \u00e9 tratada a quest\u00e3o do desmatamento. Ainda assim, ele n\u00e3o deixa a contund\u00eancia de lado, quando afirma:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 poss\u00edvel dizer que o Brasil continuar\u00e1 a ser comparado, nos indicadores sociais e IDH &#8211; \u00cdndice de Desenvolvimento Humano -, muito mais com pa\u00edses africanos e asi\u00e1ticos do que com os pa\u00edses desenvolvidos. H\u00e1 crescimento destes servi\u00e7os? Sem d\u00favida que h\u00e1. O governo federal tem feito um esfor\u00e7o pela melhoria do saneamento, principalmente, colocando recursos significativos atrav\u00e9s do PAC, mas empresas e cidades n\u00e3o t\u00eam conseguido usar estes recursos em sua plenitude.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Segundo ele, em 2010, os investimentos totais em saneamento chegou perto de R$ 9 bilh\u00f5es, R$ 1,1 bilh\u00e3o a mais que no ano anterior. Por\u00e9m, afirma, este valor est\u00e1 longe dos R$ 15-17 bilh\u00f5es que precisariam ser aplicados para se cumprir a meta do Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico, de estender o abastecimento de \u00e1gua e o tratamento de esgotos a toda a popula\u00e7\u00e3o at\u00e9 2030.<\/p>\n<p align=\"left\">O par\u00e1grafo final do artigo \u00e9 um libelo impl\u00edcito contra o descaso com o tema: \u00abAvan\u00e7os est\u00e3o ocorrendo, mas insuficientes para a velocidade que o Brasil precisa em saneamento b\u00e1sico. Ainda existem mais de 2.800 cidades que sequer enviam suas informa\u00e7\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o dos esgotos, o que mostra o despreparo e falta de transpar\u00eancia de muitas autoridades.\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">A cruzada pessoal do presidente do ITB \u00e9 um mais que bem vindo refor\u00e7o para a forma\u00e7\u00e3o de uma massa cr\u00edtica de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o problema, a qual possa redundar em iniciativas concretas para solucion\u00e1-lo de vez e apagar essa vergonhosa mancha na trajet\u00f3ria do Brasil para adentrar o s\u00e9culo XXI como uma na\u00e7\u00e3o verdadeiramente civilizada.<\/p>\n<p align=\"left\">Indiscutivelmente, a tarefa seria facilitada se, em lugar de se preocupar com problemas ilus\u00f3rios e em obstaculizar desnecessariamente projetos de infraestrutura vitais para o desenvolvimento socioecon\u00f4mico, os nossos valorosos ambientalistas se juntassem ao restante da popula\u00e7\u00e3o para, por exemplo, organizar um movimento \u00abSOS Saneamento\u00bb. O meio ambiente &#8211; e a maioria da sociedade &#8211; agradeceriam penhorados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de n\u00e3o contar sequer com uma fra\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia e da publicidade atribu\u00edda a pseudoproblemas como o aquecimento global, os impactos socioecon\u00f4micos e ambientais das defici\u00eancias de saneamento no Brasil justificam que o assunto seja discutido e rediscutido \u00e0 exaust\u00e3o. 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