{"id":504,"date":"2012-08-03T21:58:02","date_gmt":"2012-08-03T21:58:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=504"},"modified":"2012-08-03T21:58:02","modified_gmt":"2012-08-03T21:58:02","slug":"colombia-ongs-a-caca-de-rebelioes-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/colombia-ongs-a-caca-de-rebelioes-indigenas\/","title":{"rendered":"Col\u00f4mbia: ONGs \u00e0 ca\u00e7a de rebeli\u00f5es ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"<p>Na vizinha Col\u00f4mbia, um confronto vem se alastrando h\u00e1 mais de um ano, envolvendo comunidades ind\u00edgenas e for\u00e7as militares empenhadas em opera\u00e7\u00f5es contra o grupo narcoterrorista For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC), no departamento (estado) de Cauca, no Sudoeste do pa\u00eds. No in\u00edcio de julho, o conflito resultou em v\u00e1rios embates violentos, quando uma ensandecida massa de ind\u00edgenas, camponeses e ativistas invadiu uma base militar e expulsou do local cerca de uma centena de militares que ali se encontravam. A crise tem a marca registrada dos pescadores de \u00e1guas turvas que movimentam o aparato de ONGs indigenistas, ambientalistas e de \u00abdireitos humanos\u00bb, para favorecer a sua agenda intervencionista contr\u00e1ria ao desenvolvimento e a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Um dos objetivos desse aparato internacional \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de enclaves ou territ\u00f3rios ind\u00edgenas fora do arcabou\u00e7o dos Estados nacionais, que, quase invariavelmente, envolve comunidades ind\u00edgenas assentadas em territ\u00f3rios dotados de vastos recursos naturais ou regi\u00f5es com posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica singular, que vivem em condi\u00e7\u00f5es de pen\u00faria e exasperadas por promessas nunca cumpridas de justi\u00e7a social e avan\u00e7os econ\u00f4micos, acabando por constituir o caldo de cultura de que se nutre tal agenda intervencionista.<\/p>\n<p>A todas as luzes, o aparato indigenista vem intensificando freneticamente as suas bem financiadas atividades no subcontinente, no af\u00e3 de promover rebeli\u00f5es ind\u00edgenas descontroladas, como se v\u00ea em Cauca, departamento quase lindeiro ao Oceano Pac\u00edfico e \u00e1rea de sa\u00edda para as plan\u00edcies orientais e via central para os Andes.<\/p>\n<p>A principal demanda dos ind\u00edgenas, representados por organiza\u00e7\u00f5es como o Conselho Regional Ind\u00edgena do Cauca (CRIC), \u00e9 que tanto as For\u00e7as Armadas como as FARC abandonem o territ\u00f3rio, onde vivem cerca de 200 mil ind\u00edgenas, um quarto da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena do pa\u00eds. Em seguida, propoem a realiza\u00e7\u00e3o de uma \u00abconsulta popular pela paz\u00bb, respaldada pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1991, a qual, refletindo a press\u00e3o do aparato indigenista internacional, estabelece que o Estado colombiano deve proteger a sua diversidade \u00e9tnica e cultural &#8211; argumento suficiente para que os proponentes dos planos de \u00abautonomia\u00bb ind\u00edgena radicalizem as suas demandas.<\/p>\n<p>Somente a indiv\u00edduos submetidos aos des\u00edgnios das ONGs internacionais ou coniventes com eles, pode passar pela cabe\u00e7a a mera sugest\u00e3o de colocar no mesmo plano de representatividade as For\u00e7as Armadas de um Estado nacional soberano e um bando criminoso como as FARC.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Rumo aos enclaves<\/strong><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, queiram ou n\u00e3o os ind\u00edgenas, as ONGs que atuam na regi\u00e3o v\u00eaem na crise o in\u00edcio de um processo que pode culminar na cria\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio aut\u00f4nomo. Segundo um conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o dos Conselhos Ind\u00edgenas do Norte do Cauca (ACIN), James Yatafu\u00e9, \u00abo principal objetivo desse processo de resist\u00eancia ind\u00edgena \u00e9 consolidar um territ\u00f3rio aut\u00f4nomo, com governo pr\u00f3prio e implementar uma proposta de paz\u00bb (<em>P\u00e1gina 12<\/em>, 18\/07\/2012). A ACIN, fundada em 1994, \u00e9 uma das maiores associa\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ademais, \u00e9 um fato ostensivo que a narcoguerrilha favorece a rebeli\u00e3o dos ind\u00edgenas contra a presen\u00e7a militar na regi\u00e3o, havendo den\u00fancias consistentes de que as FARC t\u00eam infiltrado as comunidades locais, o que n\u00e3o constitui qualquer novidade para os colombianos. Por isso, a narcoguerrilha se nega a deixar a \u00e1rea. Em uma carta de seu l\u00edder Timole\u00f3n Jim\u00e9nez, publicada no seu s\u00edtio (www.farc-ep.com), o grupo foi expl\u00edcito: \u00abSe o Ex\u00e9rcito, a Pol\u00edcia e for\u00e7as paramilitares sa\u00edrem de Cauca, acabar\u00e1 a guerra contra ind\u00edgenas, camponeses, mineiros e povos em geral, e assim n\u00e3o teremos problemas em sair tamb\u00e9m. O problema de voc\u00eas n\u00e3o pode ser examinado simplesmente \u00e0 luz da presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito ou da guerrilha nas reservas, porque, como diz [o presidente Juan Manuel] Santos, o Ex\u00e9rcito nunca vai sair de suas bases\u00bb (Terra Brasil, 25\/07\/2012).<\/p>\n<p>A din\u00e2mica de desestabiliza\u00e7\u00e3o que se instalou na regi\u00e3o \u00e9 de tal gravidade para a estrat\u00e9gia governamental de combate \u00e0 narcoguerrilha e aos cart\u00e9is de drogas que, em meio \u00e0 refrega em Cauca, o presidente Juan Manuel Santos visitou a regi\u00e3o e foi categ\u00f3rico: \u00abTudo tem um limite. As For\u00e7as P\u00fablicas t\u00eam a ordem perempt\u00f3ria de n\u00e3o ceder um s\u00f3 cent\u00edmetro em Cauca, nem em qualquer outra parte do territ\u00f3rio nacional.\u00bb Por isso, afirmou, a exig\u00eancia ind\u00edgena de retirada do Ex\u00e9rcito \u00e9 \u00abinaceit\u00e1vel\u00bb (<em>P\u00e1gina 12<\/em>, 28\/07\/2012).<\/p>\n<p>Sem surpresa, uma cadeia de ONGs internacionais est\u00e1 empenhada em fomentar uma atmosfera favor\u00e1vel \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o da absurda demanda ind\u00edgena. Al\u00e9m das j\u00e1 mencionadas CRIC e ACIN, tamb\u00e9m atuam em Cauca a Organiza\u00e7\u00e3o Nacional Ind\u00edgena Colombiana (ONIC) e a su\u00ed\u00e7a E-changer.<\/p>\n<p>A primeira foi criada em 1982, com o apoio do CRIC, e recebe recursos financeiros e assist\u00eancia t\u00e9cnica (ou, na peculiar linguagem das ONGS, \u00abalian\u00e7as institucionais\u00bb) da Funda\u00e7\u00e3o Ford (EUA), Canadian Catholic Organization for Development and Peace (Canad\u00e1), Human Right Everywhere (Col\u00f4mbia), Christian Aid (Reino Unido &#8211; importante apoiadora do MST brasileiro), Lawyers Without Borders (EUA) e outras entidades \u00abfilantr\u00f3picas\u00bb promotoras dessa variante peculiar do \u00abglobalismo\u00bb.<\/p>\n<p>A E-changer \u00e9 uma ONG que funciona como um bra\u00e7o operacional do Departamento de Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento do governo su\u00ed\u00e7o, oficialmente, para promover a \u00abcoopera\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria Norte-Sul\u00bb. Como informa o seu s\u00edtio, a organiza\u00e7\u00e3o \u00abtrabalha h\u00e1 50 anos em parcerias de proximidade com organiza\u00e7\u00f5es e comunidades locais na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica\u00bb, com o objetivo de \u00abfortalecer os movimentos sociais e suas redes buscando promover melhores condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas de vida bem como o protagonismo da sociedade civil local\u00bb. Al\u00e9m de apoio financeiro, a ONG envia volunt\u00e1rios para trabalhar com os chamados movimentos sociais, na Bol\u00edvia, Brasil, Col\u00f4mbia, Nicar\u00e1gua, Burkina Faso e Mali. No Brasil, tem apoiado ativamente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na vizinha Col\u00f4mbia, um confronto vem se alastrando h\u00e1 mais de um ano, envolvendo comunidades ind\u00edgenas e for\u00e7as militares empenhadas em opera\u00e7\u00f5es contra o grupo narcoterrorista For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (FARC), no departamento (estado) de Cauca, no Sudoeste do pa\u00eds. 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