{"id":501,"date":"2013-03-08T15:22:48","date_gmt":"2013-03-08T15:22:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=501"},"modified":"2013-03-08T15:22:48","modified_gmt":"2013-03-08T15:22:48","slug":"os-fatores-x-de-davos-malthusianismo-eugenia-ambientalismo-e-ets","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/os-fatores-x-de-davos-malthusianismo-eugenia-ambientalismo-e-ets\/","title":{"rendered":"Os &quot;fatores-X&quot; de Davos: malthusianismo, eugenia, ambientalismo e ETs"},"content":{"rendered":"<p>Na 43\u00aa. reuni\u00e3o anual do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (WEF), o conhecido F\u00f3rum de Davos, no final de janeiro, foi apresentada a oitava edi\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/reports.weforum.org\/global-risks-2013\/\">\u00abRelat\u00f3rio dos Riscos Globais\u00bb<\/a>, que aponta os principais riscos de import\u00e2ncia sist\u00eamica esperados para os pr\u00f3ximos anos. Como ocorre com todas as discuss\u00f5es em Davos, o documento proporciona um oportuno\u00a0insight\u00a0do enfoque com o qual as elites globalizadas veem os assuntos mundiais, com \u00eanfase na crise sist\u00eamica e seus desdobramentos, al\u00e9m de servir como um importante fator de forma\u00e7\u00e3o do \u00abpensamento de grupo\u00bb que orienta aqueles altos c\u00edrculos internacionais. Na edi\u00e7\u00e3o de 2013, n\u00e3o surpreende que os dois principais riscos sist\u00eamicos esperados para a pr\u00f3xima d\u00e9cada sejam uma grande quebra do sistema financeiro internacional e o fracasso da adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas alegadamente induzidas pelas atividades humanas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio \u00e9 produzido pela chamada Rede de Resposta aos Riscos (Risk Response Network), iniciativa do WEF, em colabora\u00e7\u00e3o com a consultora Marsh &amp; McLennan, as seguradoras Swiss Reinsurance Company e Zurich Insurance Group, o Centro Wharton de Gerenciamento de Riscos da Universidade da Pensilv\u00e2nia, a Universidade de Oxford e a Universidade Nacional de Cingapura.<\/p>\n<p>Que a amea\u00e7a de uma grande quebra financeira &#8211; perspectiva que n\u00e3o poucos observadores consideram iminente &#8211; ocupe o primeiro lugar na listagem dos riscos apontados no relat\u00f3rio, n\u00e3o surpreende, apesar de os autores n\u00e3o se atreverem a apontar qualquer sa\u00edda efetiva para o impasse. Apenas fazem perguntas: \u00abIr\u00e1 a maci\u00e7a facilita\u00e7\u00e3o quantitativa empreendida pelos principais bancos centrais, para conter a defla\u00e7\u00e3o, levar, inevitavelmente, a uma desestabilizadora hiperinfla\u00e7\u00e3o? Ir\u00e3o as reformas econ\u00f4micas estruturais proporcionar os necess\u00e1rios ganhos nos empregos, a longo prazo?\u00bb<\/p>\n<p>Por outro lado, a inclus\u00e3o na lista, com alta prioridade, de um pseudoproblema como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00abantropog\u00eanicas\u00bb, cuja falta de base cient\u00edfica \u00e9 cada vez mais evidente, refor\u00e7a a combina\u00e7\u00e3o de desorienta\u00e7\u00e3o com a inten\u00e7\u00e3o de preservar a estrutura de interesses estabelecidos em torno da \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da matriz energ\u00e9tica mundial, que envolve valores na casa das centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares. O mesmo racioc\u00ednio se aplica \u00e0 crise financeira, cujas causas s\u00e3o mais que conhecidas, mas, naqueles altos c\u00edrculos, h\u00e1 pouco interesse em enfrent\u00e1-las de forma realista e efetiva, em fun\u00e7\u00e3o dos interesses estabelecidos com a estrutura prevalecente.<\/p>\n<p>E o que dizer dos \u00abfatores-X\u00bb, inclu\u00eddos no relat\u00f3rio &#8211; \u00abpreocupa\u00e7\u00f5es emergentes com poss\u00edvel import\u00e2ncia futura e consequ\u00eancias desconhecidas\u00bb? O exerc\u00edcio prospectivo, elaborado em colabora\u00e7\u00e3o com a revista\u00a0<em>Nature<\/em>, uma das mais importantes publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do mundo, sugere que os leitores \u00abvejam al\u00e9m das nossas preocupa\u00e7\u00f5es de alto risco do momento, para considerar um conjunto de cinco fatores-X e refletir sobre o que os pa\u00edses ou empresas deveriam estar fazendo para se antecipar a eles\u00bb.<\/p>\n<p>Os \u00abfatores-X\u00bb, que os autores consideram ter potencial \u00abdecisivo\u00bb (<em>game-changers<\/em>, no original), s\u00e3o: 1) mudan\u00e7as clim\u00e1ticas descontroladas; 2) intensifica\u00e7\u00e3o cognitiva significativa; 3) desenvolvimento sem controle da geoengenharia; 4) os custos de se viver mais; e 5) descoberta de vida alien\u00edgena. Diz o texto:<\/p>\n<blockquote><p>Os fatores-X s\u00e3o assuntos s\u00e9rios, baseados nas mais recentes descobertas cient\u00edficas, embora algo distantes dos que s\u00e3o, geralmente, vistos como preocupa\u00e7\u00f5es mais imediatas, como os Estados falidos, eventos meteorol\u00f3gicos extremos, fome, instabilidade macroecon\u00f4mica ou conflitos armados. Eles capturam tanto assuntos que s\u00e3o amplamente conhecidos, como outros vagamente conhecidos, os quais poder\u00e3o ser nascedouros para futuros riscos (ou oportunidades) potenciais.<\/p><\/blockquote>\n<p>A sele\u00e7\u00e3o, que inclui itens que parecem ter sa\u00eddo de algumas das p\u00e1ginas mais especulativas da blogosfera, \u00e9 bastante did\u00e1tica, tanto como indicadora da \u00abmentalidade Davos\u00bb &#8211; leia-se olig\u00e1rquica -, como tamb\u00e9m de iniciativas que v\u00eam sendo trabalhadas e desenvolvidas nas funda\u00e7\u00f5es,\u00a0<em>think-tanks<\/em>\u00a0e programas de pesquisas acad\u00eamicos financiados e controlados por aqueles altos c\u00edrculos globais. Nela, pode-se perceber o fio condutor da ideologia exclusivista e misantr\u00f3pica caracter\u00edstica de tais grupos olig\u00e1rquicos, alheia a qualquer considera\u00e7\u00e3o pelo Bem Comum e pela humanidade em geral, exceto como um \u00abmercado\u00bb a ser dominado e um \u00abrebanho\u00bb a ser mantido sob controle, para n\u00e3o colocar em risco os seus privil\u00e9gios autoatribu\u00eddos. Na ess\u00eancia, encontra-se o velho malthusianismo, que insiste em sobreviver sob as roupagens da eugenia (esta, sob o disfarce de certas linhas da engenharia gen\u00e9tica) e do ambientalismo, com sua falaciosa ideia central de que os recursos naturais da Terra s\u00e3o insuficientes para assegurar o bem-estar e o progresso a uma popula\u00e7\u00e3o superior a um ou dois bilh\u00f5es de pessoas (lembrando que a atual passa dos sete bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Passemos os olhos em alguns argumentos oferecidos pelos autores do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p><em>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas descontroladas<\/em><\/p>\n<p>A quest\u00e3o chave \u00e9: \u00abA amea\u00e7a das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 bem conhecida. Mas, ser\u00e1 que j\u00e1 passamos do ponto sem retorno? E se j\u00e1 tivermos deflagrado uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia descontrolada, que esteja no processo de levar rapidamente a atmosfera da Terra para um estado inospitaleiro?\u00bb<\/p>\n<p>Depois de v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es, a maioria repetindo as trivialidades e fal\u00e1cias normalmente apresentadas pelos adeptos da suposta influ\u00eancia humana no clima global (como o alardeado, mas inexistente, \u00abderretimento inusitado de 97% do gelo superficial da Groenl\u00e2ndia, em julho de 2012\u00bb), os autores finalizam com a advert\u00eancia:<\/p>\n<blockquote><p>Embora os debates sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, na \u00faltima d\u00e9cada, tenham se centrado na quest\u00e3o de se a humanidade poderia ou n\u00e3o ser respons\u00e1vel pela altera\u00e7\u00e3o de um sistema t\u00e3o grande como o clima da Terra, podemos estar, rapidamente, movendo-nos para discuss\u00f5es for\u00e7adas sobre a melhor maneira de refor\u00e7ar a resili\u00eancia e a capacidade adaptativa da humanidade para fazer frente \u00e0s mudan\u00e7as, enquanto o piloto autom\u00e1tico do clima da Terra nos arrasta, implacavelmente, rumo a um equil\u00edbrio novo e desconhecido.<\/p><\/blockquote>\n<p>De fato, a resili\u00eancia e a adapta\u00e7\u00e3o t\u00eam constitu\u00eddo a ess\u00eancia das estrat\u00e9gias adotadas pelo <em>Homo sapiens sapiens<\/em> para fazer frente \u00e0s dr\u00e1sticas varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas enfrentadas pela esp\u00e9cie desde o seu surgimento, durante o pen\u00faltimo per\u00edodo glacial. Ou seja, os autores n\u00e3o propoem nada de novo. Assim, quando falam em \u00abdiscuss\u00f5es for\u00e7adas\u00bb, podem estar sugerindo que a hora das discuss\u00f5es passou e \u00e9 hora das \u00absolu\u00e7\u00f5es\u00bb. E, embora n\u00e3o mencionem, est\u00e1 impl\u00edcito que tais \u00absolu\u00e7\u00f5es\u00bb seriam orientadas pela falsa no\u00e7\u00e3o de que as temperaturas tendem a continuar subindo, caso n\u00e3o haja um consenso global para enfrentar as supostas causas do fen\u00f4meno, com a \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da matriz energ\u00e9tica mundial.<\/p>\n<p><em>Intensifica\u00e7\u00e3o cognitiva significativa<\/em><\/p>\n<p>Como tais, os autores qualificam um aumento artificial da capacidade cerebral dos indiv\u00edduos, por meios bioqu\u00edmicos ou cibern\u00e9ticos. Leiamos:<\/p>\n<blockquote><p>Antes terreno da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, as capacidades super-humanas se aproximam rapidamente do horizonte da plausibilidade. Ser\u00e1 eticamente aceit\u00e1vel que o mundo se divida entre [indiv\u00edduos] cognitivamente melhorados e n\u00e3o melhorados? Quais poder\u00e3o ser as implica\u00e7\u00f5es militares?<\/p>\n<p>Os cientistas est\u00e3o trabalhando arduamente para desenvolver rem\u00e9dios e terapias necess\u00e1rios para curar doen\u00e7as mentais como a de Alzheimer e a esquizofrenia. Embora os avan\u00e7os tenham sido lentos, \u00e9 conceb\u00edvel que, num futuro n\u00e3o muito distante, os pesquisadores identifiquem compostos que melhorem os intensificadores farmac\u00eauticos (p.ex., ritalina, modafinil). Apesar de serem prescritos para doen\u00e7as neurol\u00f3gicas significativas, novos compostos efetivos que aparentem intensificar a intelig\u00eancia ou a cogni\u00e7\u00e3o, certamente, ser\u00e3o usados sem prescri\u00e7\u00e3o por pessoas saud\u00e1veis em busca de vantagens no trabalho ou nos estudos.<\/p>\n<p>A intensifica\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser proporcionada por meios f\u00edsicos ou por drogas&#8230; Isto apresentar\u00e1 problemas \u00e9ticos em muitas \u00e1reas, semelhantes aos do \u00abdoping\u00bb no mundo dos esportes profissionais. Aceitaremos a ideia de que uma significativa intensifica\u00e7\u00e3o cognitiva seja comercializada no mercado aberto? Ou, como no caso dos intensificadores de desempenho nos esportes competitivos, haver\u00e1 um clamor por uma legisla\u00e7\u00e3o que mantenha um campo de disputa mais equitativo?<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o estar\u00e3o enganados os leitores familiarizados com o\u00a0<em>Admir\u00e1vel mundo novo<\/em>, que perceberam alguma semelhan\u00e7a com a distopia de Aldous Huxley, com a sua sociedade de classes estritamente hierarquizadas de acordo com uma r\u00edgida programa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e submetidas ao uso maci\u00e7o de drogas inebriantes, que refor\u00e7avam a acomoda\u00e7\u00e3o das classes inferiores \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7ais da classe superior, os Alfas. N\u00e3o por coincid\u00eancia, Huxley pertencia a uma das fam\u00edlias mais representativas do\u00a0<em>Establishment<\/em>\u00a0brit\u00e2nico, que aportou grandes contribui\u00e7\u00f5es para a consolida\u00e7\u00e3o da ideologia malthusiana entre as elites internacionais.<\/p>\n<p>Ao concluir, afirmam os autores: \u00abTais avan\u00e7os poder\u00e3o ter profundos impactos em 20 a 50 anos, nas normas societ\u00e1rias que afetam a maneira como abordamos temas que incluem a educa\u00e7\u00e3o e o treinamento, a disparidade entre grupos na sociedade, o consenso e a explora\u00e7\u00e3o esclarecidos [sic] e as leis internacionais da guerra.\u00bb<\/p>\n<p><em>Desenvolvimento sem controle da geoengenharia<\/em><\/p>\n<p>A geoengenharia, na concep\u00e7\u00e3o empregada, \u00abest\u00e1 mais comumente associada a um campo cient\u00edfico que ficou conhecido como &#8216;administra\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o solar&#8217; [sic]. A ideia b\u00e1sica \u00e9 que pequenas part\u00edculas podem ser injetadas na estratosfera, a grande altitude, para bloquear parte da energia solar incidente e refleti-la ao espa\u00e7o, em grande medida, como erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas severas t\u00eam feito no passado\u00bb.<\/p>\n<p>Tais t\u00e9cnicas, concebidas como \u00abresposta \u00e0s crescentes preocupa\u00e7\u00f5es com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00bb, t\u00eam como objetivo \u00abmanipular o clima da Terra, com acordos internacionais\u00bb. Para os autores, o problema \u00e9: \u00abE se esta tecnologia for sequestrada por um Estado ou indiv\u00edduo sem controle?\u00bb<\/p>\n<p>Embora pare\u00e7a uma proposta sa\u00edda de um roteiro hollywoodiano, j\u00e1 existe um n\u00famero consider\u00e1vel de projetos do g\u00eanero, inclusive, oriundos de entidades cient\u00edficas como a Real Sociedade brit\u00e2nica. As mais bizarras propoem a instala\u00e7\u00e3o de at\u00e9 milhares de espelhos em \u00f3rbita terrestre, para \u00abrefletir\u00bb a luz solar de volta para o espa\u00e7o. Outras pesquisas t\u00eam abordado o lan\u00e7amento maci\u00e7o de compostos de enxofre na estratosfera (objeto de frequentes especula\u00e7\u00f5es na blogosfera, sob o r\u00f3tulo de <em>\u00abchemtrails\u00bb<\/em>). Um dos estudos citados pelos autores considera que uma pequena frota de avi\u00f5es poderia injetar anualmente um milh\u00e3o de toneladas de di\u00f3xido de enxofre na estratosfera, a um custo entre 1-2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que seria \u00absuficiente para compensar cerca de metade do aquecimento global experimentado at\u00e9 agora\u00bb.<\/p>\n<p>Sempre preocupados com a quest\u00e3o \u00e9tica, os autores fazem a ressalva de que, \u00abprovavelmente, qualquer altera\u00e7\u00e3o nos padr\u00f5es do tempo e do clima ir\u00e1 criar vencedores e perdedores\u00bb e, ademais, haveria brechas para experi\u00eancias n\u00e3o submetidas \u00e0 regulamenta\u00e7\u00e3o internacional, por partes \u00absem controle\u00bb. Entre estas, \u00abum Estado insular amea\u00e7ado pela eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, que decida que n\u00e3o tem nada a perder, ou um indiv\u00edduo bem-intencionado e dotado de fundos, que resolva assumir a responsabilidade pelo problema\u00bb. Como exemplo, citam o caso de um empres\u00e1rio estadunidense que, em 2012, despejou 100 toneladas de sulfato de ferro no Oceano Pac\u00edfico, ao largo da costa do Canad\u00e1, para promover um florescimento artificial do fitopl\u00e2ncton marinho e lucrar no mercado de cr\u00e9ditos de carbono. \u00abObservadores est\u00e3o preocupados com o fato de que isto pode ser um sinal do que est\u00e1 por vir\u00bb, diz o texto.<\/p>\n<p>Independentemente dos aspectos tecnol\u00f3gicos envolvidos, a geoengenharia n\u00e3o passa de uma resposta a um pseudoproblema e a persist\u00eancia de tais esquemas representa uma tentativa de dar uma sobrevida \u00e0 agenda da \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da matriz energ\u00e9tica, cuja sobreviv\u00eancia, esta sim, parece amea\u00e7ada pelas evid\u00eancias cient\u00edficas reais e a crescente desmoraliza\u00e7\u00e3o do catastrofismo clim\u00e1tico.<\/p>\n<p><em>Os custos de se viver mais<\/em><\/p>\n<p>Nesta parte, a inclina\u00e7\u00e3o malthusiana dos autores do relat\u00f3rio fica explicitada. Passemos-lhes a palavra:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00f3s estamos ficando melhores em manter as pessoas vivas por mais tempo [sic]. Estaremos estabelecendo uma futura sociedade que lute com uma massa de idosos artr\u00edticos, demenciados e, acima de tudo, custosos, que necessitem de cuidados e solu\u00e7\u00f5es paliativas de longo prazo? As b\u00ean\u00e7\u00e3os da medicina do s\u00e9culo XX parecem estar explodindo, com a decifra\u00e7\u00e3o do genoma e avan\u00e7os correlatos. Espera-se que estejam a caminho grandes progressos contra doen\u00e7as comuns, como as card\u00edacas, c\u00e2nceres e derrames. Considerem-se os impactos na sociedade, de um crescente n\u00famero de idosos enfermos que sejam protegidos das causas de mortes mais comuns atualmente, mas com uma qualidade de vida sempre em deteriora\u00e7\u00e3o, bem como outras mol\u00e9stias que n\u00e3o matam, mas incapacitam seriamente.<\/p>\n<p>As tend\u00eancias atuais j\u00e1 preparam o terreno para um tal futuro cen\u00e1rio, no Ocidente&#8230; com a popula\u00e7\u00e3o global de demenciados devendo dobrar a cada 20 anos, at\u00e9 superar 115 milh\u00f5es, em 2050&#8230; Os gastos vindouros para os cuidados com essas massas s\u00e3o espantosos, especialmente, nos pa\u00edses de renda alta. (&#8230;)<\/p>\n<p>Existem solu\u00e7\u00f5es que possam evitar a tempestade vindoura [sic]?&#8230; Meios \u00f3bvios de se mitigar as implica\u00e7\u00f5es de custos incluem a eleva\u00e7\u00e3o das idades de elegibilidade para os programas de apoio aos idosos com recursos p\u00fablicos &#8211; aposentadorias, servi\u00e7os de apoio social ou cuidados de sa\u00fade de custos reduzidos &#8211; e a eleva\u00e7\u00e3o da idade de aposentadoria, exigindo que os adultos mais velhos sejam economicamente produtivos por mais tempo&#8230; Por\u00e9m, a eleva\u00e7\u00e3o das idades de elegibilidade para os servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o \u00e9 uma panac\u00e9ia, em parte, porque os custos financeiros n\u00e3o s\u00e3o o \u00fanico desafio. Os impactos das popula\u00e7\u00f5es idosas ser\u00e3o sentidos em toda a sociedade, desde a mudan\u00e7a das pr\u00e1ticas de planejamento urbano at\u00e9 o impacto de normas sociais sobre os cuidados com os idosos. Mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para se transformarem condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas em condi\u00e7\u00f5es agudas (ou seja, desenvolvendo tratamentos curativos), e se buscarem solu\u00e7\u00f5es que aumentem a capacidade de todos os indiv\u00edduos para administrar condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas e criar riqueza ao mesmo tempo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Sem d\u00favida, alguns dos problemas citados s\u00e3o reais e complexos, e necessitam de solu\u00e7\u00f5es que sejam ao mesmo tempo racionais e humanas. Mas a linguagem utilizada, usando express\u00f5es como \u00abtempestade vindoura\u00bb para qualificar o aumento da popula\u00e7\u00e3o idosa, fica muito perto de sugerir a ado\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia como uma solu\u00e7\u00e3o para o problema do aumento do n\u00famero de idosos afetados por doen\u00e7as incapacitantes. Ademais, se as popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses industrializados &#8211; e muitos em desenvolvimento &#8211; exibem, hoje, taxas de fertilidade feminina bem abaixo dos n\u00edveis de mera reposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o (2,2 filhos por mulher em idade f\u00e9rtil), isto se deve, em boa medida, aos efeitos da bem sucedida estrat\u00e9gia malthusiana deflagrada pelo <em>Establishment<\/em> olig\u00e1rquico, com a promo\u00e7\u00e3o da contracultura (feminismo, inclusive), de maci\u00e7os programas de controle demogr\u00e1fico e, n\u00e3o menos, da \u00abatualiza\u00e7\u00e3o\u00bb do malthusianismo, o ambientalismo e sua agenda de limita\u00e7\u00e3o do crescimento industrial.<\/p>\n<p><em>Descoberta de vida alien\u00edgena<\/em><\/p>\n<p>\u00abDado o ritmo da explora\u00e7\u00e3o espacial, \u00e9 crescentemente conceb\u00edvel que possamos descobrir a exist\u00eancia de vida alien\u00edgena ou outros planetas que possam suportar a vida humana. Quais seriam os efeitos sobre os fluxos de financiamento das atividades cient\u00edficas e a imagem que a humanidade faz de si pr\u00f3pria?\u00bb &#8211; perguntam os autores.<\/p>\n<p>O texto menciona o sucesso da miss\u00e3o Kepler da Ag\u00eancia Nacional de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (NASA) dos EUA, na descoberta de \u00abexoplanetas\u00bb capazes de abrigar formas de vida, afirmando que, \u00abem dez anos, poderemos ter evid\u00eancias, n\u00e3o apenas de que a Terra n\u00e3o \u00e9 \u00fanica, mas tamb\u00e9m que a vida existe em outros lugares do Universo\u00bb.<\/p>\n<p>Para os autores,<\/p>\n<blockquote><p>a longo prazo, as implica\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas da descoberta poderiam ser profundas. Se formas de vida (mesmo fossilizadas) forem descobertas no nosso pr\u00f3prio Sistema Solar, por exemplo, elas nos dir\u00e3o que a origem da vida \u00e9 \u00abf\u00e1cil\u00bb &#8211; que a vida pode emergir em qualquer lugar do Universo, onde possa faz\u00ea-lo. Isto sugerir\u00e1 que a vida \u00e9 t\u00e3o natural e ub\u00edqua no Universo, como s\u00e3o as estrelas e as gal\u00e1xias. A descoberta de at\u00e9 mesmo formas de vida simples alimentaria especula\u00e7\u00f5es sobre a exist\u00eancia de outros seres inteligentes e desafiaria muitos pressupostos que fundamentam a filosofia e a religi\u00e3o humanas.<\/p>\n<p>Por meio de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e campanhas de esclarecimento, o p\u00fablico em geral poder\u00e3o obter maiores n\u00edveis de esclarecimento cient\u00edfico e espacial e resili\u00eancia cognitiva [sic], que o preparariam e evitariam consequ\u00eancias sociais indesej\u00e1veis de uma descoberta e uma mudan\u00e7a de paradigma t\u00e3o profundas, referentes \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da humanidade no Universo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Indiscutivelmente, a descoberta de vida extraterrestre, sob qualquer forma, teria um enorme impacto na humanidade. N\u00e3o obstante, uma vez mais, os autores n\u00e3o ocultam o ran\u00e7o olig\u00e1rquico dos que se consideram no topo da sociedade, com a sugest\u00e3o de \u00abcampanhas de esclarecimento\u00bb para aumentar a \u00abresili\u00eancia cognitiva\u00bb das pessoas comuns. Na verdade, uma educa\u00e7\u00e3o universal adequada aos desafios do s\u00e9culo XXI \u00e9 o que a humanidade necessita implementar, o quanto antes, para ter condi\u00e7\u00f5es de enfrentar toda a gama de desdobramentos da din\u00e2mica civilizat\u00f3ria, de origem terrestre ou, at\u00e9 mesmo, extraterrestre (e n\u00e3o necessariamente oriundos de ETs, como demonstrou o meteoro siberiano). N\u00e3o obstante, n\u00e3o deixa de ser curiosa a inclus\u00e3o dos impactos de um eventual encontro com seres extraterrestres inteligentes na sua listagem dos fatores imponder\u00e1veis &#8211; a menos que esses analistas t\u00e3o prescientes saibam de algo que o restante da humanidade desconhece &#8211; e j\u00e1 estejam se preparando para transformar este conhecimento em \u00aboportunidades de mercado\u00bb.<\/p>\n<p>Todavia, a cima de tudo, a listagem dos \u00abfatores-X\u00bb deixa manifesta a escassez de novas propostas do\u00a0<em>Establishment<\/em> olig\u00e1rquico (nem mesmo a denomina\u00e7\u00e3o, emprestada de Hollywood, \u00e9 original), que retoma velhos conceitos do per\u00edodo inicial da derrocada do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando a promo\u00e7\u00e3o do malthusianismo estava em alta. Afinal, como sugeria Albert Einstein, n\u00e3o se pode resolver um problema a partir da mesma consci\u00eancia que o criou, \u00e9 preciso reaprender a ver o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na 43\u00aa. reuni\u00e3o anual do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (WEF), o conhecido F\u00f3rum de Davos, no final de janeiro, foi apresentada a oitava edi\u00e7\u00e3o do\u00a0\u00abRelat\u00f3rio dos Riscos Globais\u00bb, que aponta os principais riscos de import\u00e2ncia sist\u00eamica esperados para os pr\u00f3ximos anos. 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