{"id":473,"date":"2012-06-22T15:16:53","date_gmt":"2012-06-22T15:16:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=473"},"modified":"2012-06-22T15:16:53","modified_gmt":"2012-06-22T15:16:53","slug":"rio20-luz-no-fim-do-tunel-do-radicalismo-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/rio20-luz-no-fim-do-tunel-do-radicalismo-verde\/","title":{"rendered":"Rio+20: luz no fim do t\u00fanel do radicalismo \u00abverde\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 babel de manifesta\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es da multiplicidade de atores interessados nos resultados da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20), uma constata\u00e7\u00e3o fundamental pode ser destacada: um aparente esgotamento da influ\u00eancia do discurso radical do ambientalismo, que coloca a prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica do meio ambiente como o elemento central de organiza\u00e7\u00e3o das sociedades humanas. Tal fato pode ser constatado, tanto no enfoque geral da reda\u00e7\u00e3o do documento oficial da confer\u00eancia, que privilegia a erradica\u00e7\u00e3o das mazelas humanas sobre as restri\u00e7\u00f5es ambientais, como pelas rea\u00e7\u00f5es fortemente negativas das lideran\u00e7as ambientalistas ao documento e, n\u00e3o menos, pela inusitada visibilidade p\u00fablica que tem sido conferida aos cr\u00edticos dos cen\u00e1rios alarmistas sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, um dos carros-chefe da agenda \u00abverde\u00bb global.<\/p>\n<p>De um modo geral, tem-se a impress\u00e3o de que a incompatibilidade intr\u00ednseca da agenda ambientalista com as aspira\u00e7\u00f5es de desenvolvimento e progresso de cada pa\u00eds, especialmente as economias emergentes e os mais atrasados, bem como com os requisitos para um enfrentamento s\u00e9rio da crise econ\u00f4mico-financeira global, est\u00e1 come\u00e7ando a se fazer percebida de forma mais marcante entre as lideran\u00e7as pol\u00edticas. At\u00e9 agora, como muitos acordos j\u00e1 foram assinados e muitos investimentos j\u00e1 foram feitos em torno das pautas ambientais, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ainda s\u00e3o raras as lideran\u00e7as que se atrevem a contestar publicamente este ou aquele aspecto dessa agenda de \u00e2mbito global, devido ao compreens\u00edvel receio da impopularidade p\u00fablica de tais posi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o obstante, as acirradas disputas travadas em torno da reda\u00e7\u00e3o do documento oficial da confer\u00eancia, intitulado <em>O futuro que queremos<\/em>, e o seu formato final &#8211; superficial e, em \u00faltima an\u00e1lise, inaplic\u00e1vel &#8211; sugerem que, aos poucos, os requisitos socioecon\u00f4micos e pol\u00edticos do mundo real est\u00e3o se impondo \u00e0s concess\u00f5es \u00abpoliticamente corretas\u00bb que t\u00eam sido feitas ao ambientalismo.<\/p>\n<p>De in\u00edcio, um documento pol\u00edtico com 283 artigos, como o texto aprovado, n\u00e3o pode ter qualquer pretens\u00e3o de utilidade pr\u00e1tica para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, principalmente, em escala mundial. Ainda assim, ao estabelecer, de in\u00edcio, a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da fome como \u00abo maior desafio global no mundo\u00bb e \u00abuma exig\u00eancia indispens\u00e1vel para o desenvolvimento sustent\u00e1vel\u00bb, o memorando retoma uma orienta\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 posi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em desenvolvimento na Confer\u00eancia de Estocolmo, em 1972, o primeiro grande evento que introduziu a tem\u00e1tica ambiental nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. Em particular, a diplomacia brasileira retoma, em parte, as posi\u00e7\u00f5es manifestadas naquela \u00e9poca, quando se afirmava, com propriedade, que a pior polui\u00e7\u00e3o era &#8211; e continua sendo &#8211; a da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Uma oportuna manifesta\u00e7\u00e3o em favor dessa reorienta\u00e7\u00e3o foi proporcionada pela subsecret\u00e1ria de Planejamento e Pol\u00edtica Ambiental do Minist\u00e9rio do Planejamento da Argentina, Silvia Revora, em uma entrevista \u00e0 revista <em>Veintitr\u00e9s<\/em> de 20 de junho. Em tom contundente, ela qualificou o conceito de \u00abeconomia verde\u00bb como uma \u00abarmadilha\u00bb das na\u00e7\u00f5es desenvolvidas e rejeitou qualquer proposta de \u00abgovernan\u00e7a global\u00bb para pol\u00edticas ambientais. \u00abO nosso conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel implica na distribui\u00e7\u00e3o de riqueza e inclui todo o espectro de pol\u00edticas sociais, econ\u00f4micas e ambientais definidas por um pa\u00eds. \u00c9 por isso que dizemos &#8216;n\u00e3o&#8217; \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o de uma economia verde, e &#8216;sim&#8217; ao desenvolvimento soberano, no qual n\u00f3s controlamos os nossos recursos com base na nossa realidade\u00bb, disse ela.<\/p>\n<p>Sem citar nomes, a subsecret\u00e1ria advertiu, ainda, que v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es do Hemisf\u00e9rio Norte pretendem obstruir os avan\u00e7os dos pa\u00edses em desenvolvimento, por meio de subterf\u00fagios como a imposi\u00e7\u00e3o de taxas sobre as emiss\u00f5es de carbono ou de certifica\u00e7\u00f5es dos \u00edndices de carbono envolvidos na produ\u00e7\u00e3o de certos bens.<\/p>\n<p>Uma medida dessa inflex\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o pode ser avaliada pelas rea\u00e7\u00f5es furiosas do aparato ambientalista, que contava sair do Rio com um documento que estabelecesse metas objetivas e de ado\u00e7\u00e3o impositiva, em especial, quanto \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, de modo a promover a propalada \u00abeconomia de baixo carbono\u00bb.<\/p>\n<p>O diretor-geral do WWF International, Jim Leape, assim definiu o documento final aprovado pelos negociadores: \u00ab\u00c9 pat\u00e9tico. \u00c9 assustador. Se este se tornar o texto final, o ano que se passou [discutindo-o] ter\u00e1 sido uma colossal perda de tempo. Olhando de fora, voc\u00ea tem que rir (<em>The Times<\/em>, 20\/06\/2012).\u00bb<\/p>\n<p>A ONG Friends of the Earth o rotulou, simplesmente, como \u00abum fracasso \u00e9pico\u00bb.<\/p>\n<p>Previsivelmente, a rea\u00e7\u00e3o mais inflamada veio do Greenpeace International, cujo diretor-executivo, Kumi Naidoo, afirmou que o desfecho n\u00e3o deixa outra op\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o a de planejar a\u00e7\u00f5es de desobedi\u00eancia civil: \u00abTemos que nos perguntar o que a hist\u00f3ria nos ensina sobre como as mudan\u00e7as ocorrem, quando a humanidade se viu confrontada com um grande desafio, como os direitos civis, o apartheid ou a escravid\u00e3o. \u00c9 somente quando homens e mulheres decentes dizem basta, chega, e n\u00f3s estamos preparados para colocar em risco as nossas vidas e ir para a pris\u00e3o, se necess\u00e1rio&#8230; Temos que intensificar a desobedi\u00eancia civil (<em>The Guardian<\/em>, 19\/06\/2012).\u00bb<\/p>\n<p>A amea\u00e7a sugere que, no futuro imediato, esse aparato internacional poder\u00e1 apelar para uma escalada de \u00aba\u00e7\u00f5es diretas\u00bb, como as comumente praticadas pelo pr\u00f3prio Greenpeace e outras ONGs que compoem as \u00abtropas de choque\u00bb do movimento ambientalista, mas, tamb\u00e9m, com a\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter \u00abecoterrorista\u00bb, com s\u00e9rios riscos de impactos letais, ao estilo das praticadas pelo terrorista Unabomber e por grupos ultrarradicais como o Earth First!, criado nos EUA, mas atualmente representado em v\u00e1rios pa\u00edses de todos os continentes.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma importante evid\u00eancia do enfraquecimento do discurso ambientalista \u00e9 proporcionada pelas contesta\u00e7\u00f5es crescentes ao cen\u00e1rio \u00abaquecimentista\u00bb prevalecente nas discuss\u00f5es e pol\u00edticas sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o que se verifica pelo destaque midi\u00e1tico que vem sendo dado aos opositores do chamado aquecimento global antropog\u00eanico. A tend\u00eancia, que j\u00e1 se verificava em alguns pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte, parece ter chegado ao Brasil, a julgar pelo destaque que jornais e redes de televis\u00e3o t\u00eam dado ao assunto, nas \u00faltimas semanas.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, atingiu-se um ponto de inflex\u00e3o. A in\u00e9rcia da influ\u00eancia ambientalista ainda \u00e9 forte o suficiente para assegurar que o impulso \u00abverde\u00bb persista por um bom tempo, como se depreende da ado\u00e7\u00e3o e repeti\u00e7\u00e3o generalizada de conceitos mal definidos como a \u00absustentabilidade\u00bb e a \u00abeconomia verde\u00bb, em virtualmente todas as \u00e1reas de atividades humanas, empresariais inclusive. Entretanto, pela primeira vez, em d\u00e9cadas, pode-se perceber um aumento firme de uma percep\u00e7\u00e3o mais s\u00f3bria sobre os exageros do discurso ambientalista tradicional e os problemas da agenda favorecida pelos \u00abverdes\u00bb, sobretudo, os altos custos e a inviabilidade tecnol\u00f3gica de muitas das alternativas propostas, como a \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da base energ\u00e9tica da economia mundial. Assim, a Rio+20 poder\u00e1 acabar sendo uma luz no fim do t\u00fanel para esse obscurantismo, que tantos preju\u00edzos tem causado \u00e0 Humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio \u00e0 babel de manifesta\u00e7\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es da multiplicidade de atores interessados nos resultados da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20), uma constata\u00e7\u00e3o fundamental pode ser destacada: um aparente esgotamento da influ\u00eancia do discurso radical do ambientalismo, que coloca a prote\u00e7\u00e3o f\u00edsica do meio ambiente como o elemento central de organiza\u00e7\u00e3o das &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-473","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/473","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=473"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/473\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=473"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=473"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=473"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}