{"id":469,"date":"2012-06-08T19:46:12","date_gmt":"2012-06-08T19:46:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=469"},"modified":"2012-06-08T19:46:12","modified_gmt":"2012-06-08T19:46:12","slug":"rio20-e-saneamento-insustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/rio20-e-saneamento-insustentavel\/","title":{"rendered":"Rio+20 e saneamento insustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>A agenda ambiental dos pa\u00edses em desenvolvimento, sobretudo o Brasil, deveria conceder prioridade a problemas fundamentais, como garantir os servi\u00e7os m\u00ednimos de saneamento a toda a popula\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a contundente mensagem de \u00c9dison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil de Interesse P\u00fablico (OSCIP) dedicada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o da necessidade de expans\u00e3o dos servi\u00e7os de saneamento b\u00e1sico no Pa\u00eds. Em artigo publicado no jornal <em>O Globo<\/em> de 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, o especialista alerta que o Pa\u00eds tem problemas ambientais muito mais urgentes do que debater supostas urg\u00eancias ambientais alardeadas pelo mundo.<\/p>\n<p align=\"left\">No texto, Carlos critica a falta de foco na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20), a ser realizada entre os pr\u00f3ximos dias 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. Segundo o especialista, \u00e9 louv\u00e1vel que haja uma oportunidade para debater grandes temas ambientais em \u00e2mbaito internacional, como clima, energia e outros. Por\u00e9m, ele destacou a pobreza como o \u00abmais importante de todos os impactos ambientais\u00bb. Para ele, \u00e9 necess\u00e1rio chamar a aten\u00e7\u00e3o dos envolvidos nas negocia\u00e7\u00f5es para as graves lacunas que persistem e contribuem para o fosso que separa os pa\u00edses desenvolvidos dos subdesenvolvidos.<\/p>\n<p align=\"left\">Todavia, a falta de saneamento b\u00e1sico, que \u00e9 um dos principais problemas ambientais brasileiros, continua sendo subvalorizado nos debates. Segundo \u00c9dson Carlos, os \u00edndices brasileiros s\u00e3o \u00abvergonhosos\u00bb: um quinto da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o recebe \u00e1gua tratada; 55% dos brasileiros n\u00e3o t\u00eam suas casas conectadas a uma rede coletora de esgoto e, do esgoto coletado, uma fra\u00e7\u00e3o \u00ednfima \u00e9 tratada. Al\u00e9m disso, estima-se que 40% da \u00e1gua tratada \u00e9 desperdi\u00e7ada em todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"left\">O especialista questionou: como pode uma das maiores economias do planeta continuar permitindo que as suas crian\u00e7as convivam com \u00abdiarr\u00e9ia, c\u00f3lera, hepatite, verminoses e tantas outras doen\u00e7as da \u00e1gua polu\u00edda?\u00bb. Segundo pesquisa realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, em 2009, sob solicita\u00e7\u00e3o do Instituto Trata Brasil, quase 70 mil crian\u00e7as at\u00e9 5 anos foram internadas por diarr\u00e9ia e cerca de 200 mil trabalhadores tiveram que se afastar do trabalho por conta deste problema.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00c9dison Carlos observou que a solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do saneamento b\u00e1sico n\u00e3o \u00e9 simples, e que seriam necess\u00e1rios investimentos da ordem de R$ 70 bilh\u00f5es, apenas para melhorar, ampliar e proteger os sistemas condutores de \u00e1gua &#8211; al\u00e9m de coletar e tratar os esgotos jogados indiscriminadamente nos mesmos locais de onde se retira a \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o. Ainda que tenha havido avan\u00e7os no setor nos \u00faltimos anos, a verdade \u00e9 que os recursos do PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) est\u00e3o longe do montante necess\u00e1rio para reverter este d\u00e9ficit.<\/p>\n<p align=\"left\">Todavia, o presidente do Instituto Trata Brasil considera que levar saneamento b\u00e1sico a toda a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um luxo, mas o m\u00ednimo, uma obriga\u00e7\u00e3o em qualquer lugar do mundo. E o problema ganha contornos ainda mais dram\u00e1ticos quando se observa que, segundo o Atlas da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas, publicado em 2011, 55% dos 5.565 munic\u00edpios do Pa\u00eds podem sofrer desabastecimento de \u00e1gua nos pr\u00f3ximos quatro anos, e que 84% das cidades necessitam de investimentos para adequar os seus sistemas de capta\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p align=\"left\">O especialista conclui ser fundamental que a \u00abRio+20 olhe para o micro\u00bb, para o b\u00e1sico, antes de querer debater riscos hipot\u00e9ticos ao meio ambiente, a despeito da sua popularidade. Ele destaca o absurdo de, em pleno s\u00e9culo XXI, cerca de 2 bilh\u00f5es de pessoas em todo o mundo n\u00e3o t\u00eam acesso a redes de saneamento das mais b\u00e1sicas, sendo obrigadas a conviver com doen\u00e7as da Idade M\u00e9dia &#8211; para complicar, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) estima que o n\u00famero pode crescer para 3 bilh\u00f5es de pessoas at\u00e9 2015. Al\u00e9m disso, qualificou a falta de servi\u00e7os como \u00e1gua tratada, coleta e tratamento de esgotos nada menos do que uma \u00abafronta \u00e0 dignidade humana\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00c9 extremamente louv\u00e1vel que um especialista venha a p\u00fablico colocar, de forma t\u00e3o contundente, uma das reais e mais graves emerg\u00eancias ambientais da atualidade, no Brasil e no mundo. Esperamos que, nesses dias de celebra\u00e7\u00e3o da natureza, no \u00e2mbito da realiza\u00e7\u00e3o da Rio+20, esta percep\u00e7\u00e3o se amplie e consolide-se na opini\u00e3o p\u00fablica, ajudando a reorientar as preocupa\u00e7\u00f5es da cidadania engajada e a agenda pol\u00edtica das autoridades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agenda ambiental dos pa\u00edses em desenvolvimento, sobretudo o Brasil, deveria conceder prioridade a problemas fundamentais, como garantir os servi\u00e7os m\u00ednimos de saneamento a toda a popula\u00e7\u00e3o. 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