{"id":455,"date":"2013-01-18T14:22:43","date_gmt":"2013-01-18T14:22:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=455"},"modified":"2013-01-18T14:22:43","modified_gmt":"2013-01-18T14:22:43","slug":"bancos-como-servos-da-economia-real-congresso-bancario-europeu-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/bancos-como-servos-da-economia-real-congresso-bancario-europeu-2012\/","title":{"rendered":"Bancos como &quot;servos da economia real&quot;: Congresso Banc\u00e1rio Europeu 2012"},"content":{"rendered":"<p>Foi, de fato, um estado de esp\u00edrito diferente o que caracterizou o 22\u00b0 Congresso Banc\u00e1rio Europeu, realizado em Frankfurt, no final de novembro passado. Tendo como t\u00edtulo \u00abRepensando as Finan\u00e7as\u00bb, e contando com palestrantes como os presidentes do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, do Commerzbank, Martin Blessing, e do Deutsche Bank, J\u00fcrgen Fitschen, o congresso foi permeado por uma inclina\u00e7\u00e3o que pode ser percebida nas diferentes palestras, a de que uma certa \u00absobriedade\u00bb est\u00e1 se consolidado na comunidade financeira e banc\u00e1ria &#8211; pelo menos, na Europa. Claramente, os dias de glamour e ostenta\u00e7\u00e3o terminaram. A nova linha tra\u00e7ada em Frankfurt \u00e9 a de que o setor banc\u00e1rio deve ser mais rigorosamente regulado, al\u00e9m de se afirmar o princ\u00edpio de que os banqueiros e financistas devem se concentrar nos seus neg\u00f3cios principais, tornando-se unicamente \u00abservos da economia real\u00bb.<\/p>\n<p>Esta linha de pensamento foi defendida, em especial, pelo ministro da Fazenda alem\u00e3o, Wolfgang Sch\u00e4uble, e encontrou eco no discurso proferido por Martin Blessing, do Commerzbank. Este destacou que as li\u00e7\u00f5es da crise de 2008 ainda n\u00e3o foram aprendidas e que, dada a grande \u00abalavancagem\u00bb que ocorreu, uma maior regula\u00e7\u00e3o no setor financeiro torna-se um imperativo.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, a comunidade financeira de Frankfurt convidou para falar um fil\u00f3sofo, o ex-ministro da Cultura Julian Nida-R\u00fcmelin, al\u00e9m do checo Tom\u00e1\u0161 Sedl\u00e1?ek, professor de Economia e Filosofia. Segundo uma pesquisa feita entre os 250 participantes, representando os setores banc\u00e1rio e industrial, 72% apoiaram a afirmativa de que a chave para a mudan\u00e7a necess\u00e1ria \u00e9 uma profunda \u00abmudan\u00e7a cultural\u00bb. Outras ideias frequentemente ressaltadas foram a \u00abregula\u00e7\u00e3o\u00bb, com a proposta de se criar uma \u00abAg\u00eancia Supervisora Europeia\u00bb, e a necessidade de se medir as dimens\u00f5es do \u00absistema banc\u00e1rio sombra\u00bb e do \u00abmercado de balc\u00e3o\u00bb (OTC). Como afirmou a eurodeputada Sharon Bowles, do Comit\u00ea Financeiro do Parlamento Europeu, \u00abningu\u00e9m sabe o que realmente est\u00e1 ocorrendo\u00bb nas opera\u00e7\u00f5es financeiras dentro do bloco.<\/p>\n<p>Por isso, uma grande aten\u00e7\u00e3o foi dada \u00e0 quest\u00e3o da supervis\u00e3o banc\u00e1ria e ao futuro papel que o BCE est\u00e1 em vias de exercer, com a nova ag\u00eancia de supervis\u00e3o para o sistema banc\u00e1rio europeu. Os aspectos essenciais foram delineados na exposi\u00e7\u00e3o de Draghi, que enfatizou que a ag\u00eancia dever\u00e1 operar como um sistema descentralizado e possuir um conselho fiscal forte:<\/p>\n<blockquote><p>O conselho fiscal ser\u00e1, ele pr\u00f3prio, constitu\u00eddo predominantemente pelos maiores representantes das autoridades supervisoras nacionais, de modo que o m\u00e9todo de trabalho e as tomadas de decis\u00f5es sejam coletivos, com base em uma abordagem refinada, e ser\u00e3o diretamente beneficiados pelas capacidades e experi\u00eancias dos supervisores nacionais. Eles ser\u00e3o os atores principais no contexto, n\u00e3o agentes passivos sujeitos a uma autoridade central, e poder\u00e3o contribuir com o conhecimento sobre os mercados banc\u00e1rios nacionais, regionais e locais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Draghi clamou, enfaticamente, por uma maior integra\u00e7\u00e3o europeia, que esteja associada a uma maior capacidade de inova\u00e7\u00e3o industrial e uma coopera\u00e7\u00e3o mais ampla com os pa\u00edses emergentes. Com o BCE sendo o primeiro supervisor em um conselho de supervisores nacionais europeus, ele enfatizou que este n\u00e3o pode resultar em um choque de interesses com o BCE, j\u00e1 que a maior responsabilidade deste banco \u00e9 manter-se independente e monitorar a estabilidade monet\u00e1ria dos pa\u00edses da zona do euro.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>B\u00f4nus para investimentos em projetos de longo prazo<\/strong><\/p>\n<p>Igualmente interessante foi a interven\u00e7\u00e3o do presidente do Banco Europeu de Investimentos (EIB, na sigla inglesa) e ex-secret\u00e1rio de Estado do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Alemanha, Werner Hoyer. O EIB \u00e9 um banco cujos acionistas s\u00e3o membros da UE, que destina o seu enorme volume de ativos ao financiamento de projetos de desenvolvimento no bloco. Em 23 de novembro \u00faltimo, Hoyer e o presidente do banco russo Sberbank, Herman Gref, assinaram um importante tratado de coopera\u00e7\u00e3o relativo a projetos de desenvolvimento na Europa Central, Leste Europeu, R\u00fassia e Turquia.<\/p>\n<p>Durante os debates, esta autora perguntou a Hoyer se ele considera interessante o \u00abprojeto do uso de b\u00f4nus como meios de financiamento de futuros corredores de infraestrutura transeurasi\u00e1ticos\u00bb, proposta que poderia representar uma resposta produtiva se para lidar com a crise financeira econ\u00f4mica e financeira global. Ele respondeu que acha a proposta \u00abbrilhante\u00bb, mas ressalvou que a concess\u00e3o de cr\u00e9ditos para tais projetos ainda se encontra em uma \u00abfase de testes\u00bb. Hoyer ressaltou, ainda, a import\u00e2ncia da capacidade de inova\u00e7\u00e3o industrial, bem como a educa\u00e7\u00e3o ampliada em ambiente industrial, como a base para cerca de 62.000 patentes europeias. Na sequ\u00eancia, tamb\u00e9m destacou a emerg\u00eancia de pa\u00edses como a China, \u00cdndia e Brasil, que tem alterado o panorama da economia internacional.<\/p>\n<p>Em tom muito similar, Sch\u00e4uble falou sobre \u00abA miss\u00e3o da Europa &#8211; uma Europa unida\u00bb. Em termos de li\u00e7\u00f5es da crise de 2008-2009, que ainda precisam ser aprendidas, ele destacou que a \u00abalavancagem\u00bb deve ser trazida para um patamar razo\u00e1vel, juntamente com a introdu\u00e7\u00e3o dos acordos de Basileia III (padr\u00e3o mundial para a regula\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o de capitais financeiros) para todos os bancos. Ademais, s\u00e3o necess\u00e1rios uma supervis\u00e3o do sistema banc\u00e1rio europeu sob o controle do BCE, um guarda-chuva de seguran\u00e7a europeu, medidas jur\u00eddicas adicionais contra aqueles dirigentes que t\u00eam se abusado dos benef\u00edcios do \u00abultrajante sistema de b\u00f4nus\u00bb, al\u00e9m da ado\u00e7\u00e3o de um \u00abimposto para transa\u00e7\u00f5es financeiras\u00bb.<\/p>\n<p>Em dado momento, o ministro falou sobre uma \u00abanimada discuss\u00e3o\u00bb que teve durante o encontro do G-20 no M\u00e9xico (no final de outubro de 2012) com seu colega indiano, P. Chidambaram, que, em poucas palavras, ilustrou o que est\u00e1 em jogo, em termos do destino de toda a humanidade. A quest\u00e3o real, como o ministro indiano colocou, \u00e9 como faremos para alimentar bilh\u00f5es de pessoas e dar a elas uma educa\u00e7\u00e3o e postos de trabalho decentes. Sch\u00e4uble destacou, ainda, o coment\u00e1rio de Chidambaram sobre a recente oferta p\u00fablica inicial de a\u00e7\u00f5es do Facebook, que n\u00e3o emprega mais do que mil pessoas. Em compara\u00e7\u00e3o, a \u00cdndia tem que criar mensalmente cerca de um milh\u00e3o de novos postos de trabalho, e isto em um quadro onde h\u00e1 uma crescente necessidade de se criarem tecnologias e ind\u00fastrias modernas.<\/p>\n<p>O exemplo dado ilustrou, ainda que indiretamente, os desafios atuais que se colocam diante da comunidade banc\u00e1ria reunida em Frankfurt, de modo a mostrar que o que realmente importa \u00e9 a economia real, e que \u00e9 necess\u00e1rio criar bons postos de trabalho e garantir uma educa\u00e7\u00e3o adequada. Sch\u00e4uble concluiu, ressaltando, contundentemente, que o setor banc\u00e1rio n\u00e3o tem outra fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja a de \u00abservir\u00bb &#8211; ele \u00e9 um servo do Estado e da ind\u00fastria, e n\u00e3o existe apenas para atender os seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>Esta autora perguntou a Sch\u00e4uble sobre o que ele pensa a respeito da atual situa\u00e7\u00e3o da Europa, observando que h\u00e1 um grande ceticismo fora do bloco europeu. Ele respondeu de uma forma emocional raras vezes vista, referindo-se ao fato de que ele, com 70 anos de idade, pode se lembrar perfeitamente da situa\u00e7\u00e3o do continente no p\u00f3s-guerra imediato, quando a Europa estava em ru\u00ednas. Ele falou ainda sobre os extraordin\u00e1rios esfor\u00e7os dos \u00abpais fundadores\u00bb da Europa contempor\u00e2nea, que conduziram uma aproxima\u00e7\u00e3o dos povos europeus em um \u00e2mbito continental, em meio a um projeto econ\u00f4mico cooperativo e pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Sch\u00e4uble qualificou a UE como um experimento hist\u00f3rico \u00fanico, que ainda n\u00e3o terminou &#8211; afinal, disse, \u00abningu\u00e9m no mundo conseguiu reunir 27 membros\u00bb. Ao mesmo tempo, destacou que, em termos de porcentagem do PIB e da popula\u00e7\u00e3o mundial, a Europa representa 10% de todo o planeta. Todavia, a despeito de todo o ceticismo com rela\u00e7\u00e3o ao euro e \u00e0 UE, o bloco \u00abest\u00e1 se tornando uma grande uni\u00e3o econ\u00f4mica\u00bb. Ele finalizou, afirmando que 25% das reservas monet\u00e1rias no mundo est\u00e3o em euros e que, na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1sia, cada vez mais pessoas est\u00e3o interessadas em aprender mais sobre o projeto europeu de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi, de fato, um estado de esp\u00edrito diferente o que caracterizou o 22\u00b0 Congresso Banc\u00e1rio Europeu, realizado em Frankfurt, no final de novembro passado. 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