{"id":449,"date":"2012-05-20T22:57:26","date_gmt":"2012-05-20T22:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=449"},"modified":"2012-05-20T22:57:26","modified_gmt":"2012-05-20T22:57:26","slug":"carta-aberta-a-presidenta-dilma-rousseff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/carta-aberta-a-presidenta-dilma-rousseff\/","title":{"rendered":"Carta aberta \u00e0 presidenta Dilma Rousseff"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: hora de se recobrar o bom senso<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\">S\u00e3o Paulo, 14 de maio de 2012<\/p>\n<p>Exma. Sra.<br \/>\nDilma Vana Rousseff<br \/>\nPresidenta da Rep\u00fablica Federativa do Brasil<\/p>\n<p>Excelent\u00edssima Senhora Presidenta:<\/p>\n<p>Em uma recente reuni\u00e3o do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, a senhora afirmou, oportunamente, que a fantasia n\u00e3o tem lugar nas discuss\u00f5es sobre um novo paradigma de crescimento &#8211; do qual a Humanidade necessita, de fato, para proporcionar a extens\u00e3o dos benef\u00edcios do conhecimento a todas as sociedades do planeta. Com igual propriedade, a senhora assinalou, tamb\u00e9m, que o debate sobre o desenvolvimento sustentado precisa ser pautado pelo direito dos povos ao progresso, com o devido fundamento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Assim sendo, permita-nos complementar tais formula\u00e7\u00f5es, observando que as discuss\u00f5es sobre o tema central da agenda ambiental, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, t\u00eam sido pautadas, predominantemente, por motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e acad\u00eamicas restritas. Isto as t\u00eam afastado, n\u00e3o apenas dos princ\u00edpios basilares da pr\u00e1tica cient\u00edfica, como tamb\u00e9m dos interesses maiores das sociedades de todo o mundo, inclusive a brasileira. Por isso, apresentamos-lhe as considera\u00e7\u00f5es a seguir.<\/p>\n<p><strong>1) N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias f\u00edsicas da influ\u00eancia humana no clima global:<\/strong><\/p>\n<p>A despeito de todo o sensacionalismo a respeito, n\u00e3o existe qualquer evid\u00eancia f\u00edsica observada no mundo real, que permita demonstrar que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, ocorridas desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XVIII, sejam an\u00f4malas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ocorridas anteriormente, no passado hist\u00f3rico e geol\u00f3gico \u2013 anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influ\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Todos os progn\u00f3sticos que indicam eleva\u00e7\u00f5es exageradas das temperaturas e dos n\u00edveis do mar, nas d\u00e9cadas vindouras, al\u00e9m de outros efeitos negativos atribu\u00eddos ao lan\u00e7amento de compostos de carbono de origem humana (antropog\u00eanicos) na atmosfera, baseiam-se em proje\u00e7\u00f5es de modelos matem\u00e1ticos, que constituem apenas simplifica\u00e7\u00f5es limitadas do sistema clim\u00e1tico \u2013 e, portanto, n\u00e3o deveriam ser usados para fundamentar pol\u00edticas p\u00fablicas e estrat\u00e9gias de longo alcance e com grandes impactos socioecon\u00f4micos de \u00e2mbito global.<\/p>\n<p>A influ\u00eancia humana no clima restringe-se \u00e0s cidades e seus entornos, em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de calmarias, sendo esses efeitos bastante conhecidos, mas sem influ\u00eancia em escala planet\u00e1ria. Para que a a\u00e7\u00e3o humana no clima global ficasse demonstrada, seria preciso que, nos \u00faltimos dois s\u00e9culos, estivessem ocorrendo n\u00edveis inusitadamente altos de temperaturas e n\u00edveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de varia\u00e7\u00e3o (gradientes) fossem superiores \u00e0s verificadas anteriormente.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) registra que, no per\u00edodo 1850-2000, a temperatura m\u00e9dia global aumentou 0,74<sup>o<\/sup>C, e que, entre 1870 e 2000, os n\u00edveis do mar subiram 0,2 m.<\/p>\n<p>Ora, ao longo do Holoceno, a \u00e9poca geol\u00f3gica correspondente aos \u00faltimos 12.000 anos em que a Civiliza\u00e7\u00e3o tem existido, houve diversos per\u00edodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno M\u00e9dio, h\u00e1 6.000-8.000 anos, as temperaturas m\u00e9dias chegaram a ser 2<sup>o<\/sup>C a 3<sup>o<\/sup>C superiores \u00e0s atuais, enquanto os n\u00edveis do mar atingiram at\u00e9 3 metros acima do atual. Igualmente, nos per\u00edodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (s\u00e9c. VI a.C.-V d.C.) e Medieval (s\u00e9c. X-XIII d.C.), as temperaturas foram mais de 1<sup>o<\/sup>C superiores \u00e0s atuais.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s taxas de varia\u00e7\u00e3o desses indicadores, n\u00e3o se observa qualquer acelera\u00e7\u00e3o anormal delas nos \u00faltimos dois s\u00e9culos. Ao contr\u00e1rio, nos \u00faltimos 20.000 anos, desde o in\u00edcio do degelo da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o, houve per\u00edodos em que os gradientes das temperaturas e dos n\u00edveis do mar chegaram a ser uma ordem de grandeza superiores aos verificados desde o s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Entre 12.900 e 11.600 anos atr\u00e1s, no per\u00edodo frio denominado Dryas Recente, as temperaturas ca\u00edram cerca de 8<sup>o<\/sup>C em menos de 50 anos e, ao t\u00e9rmino dele, voltaram a subir na mesma propor\u00e7\u00e3o, em pouco mais de meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00edvel do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atr\u00e1s, o que equivale a uma taxa m\u00e9dia de 1 metro por s\u00e9culo, suficientemente r\u00e1pida para impactar visualmente as gera\u00e7\u00f5es sucessivas das popula\u00e7\u00f5es que habitavam as margens continentais. No per\u00edodo entre 14.650 e 14.300 anos atr\u00e1s, a eleva\u00e7\u00e3o foi ainda mais acelerada, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos \u2013 m\u00e9dia de 4 metros por s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Tais dados representam apenas uma \u00ednfima fra\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de pa\u00edses, devidamente publicados na literatura cient\u00edfica internacional. Desafortunadamente, \u00e9 raro que algum destes estudos ganhe repercuss\u00e3o na m\u00eddia, quase sempre mais inclinada \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de um alarmismo sensacionalista e desorientador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por conseguinte, as varia\u00e7\u00f5es observadas no per\u00edodo da industrializa\u00e7\u00e3o se enquadram, com muita folga, dentro da faixa de oscila\u00e7\u00f5es naturais do clima e, portanto, n\u00e3o podem ser atribu\u00eddas ao uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.<\/p>\n<p><strong> 2) A hip\u00f3tese \u201cantropog\u00eanica\u201d \u00e9 um desservi\u00e7o \u00e0 ci\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p>A boa pr\u00e1tica cient\u00edfica pressup\u00f5e a busca permanente de uma converg\u00eancia entre hip\u00f3teses e evid\u00eancias. Como a hip\u00f3tese do aquecimento global antropog\u00eanico (AGA) n\u00e3o se fundamenta em evid\u00eancias f\u00edsicas observadas, a insist\u00eancia na sua preserva\u00e7\u00e3o representa um grande desservi\u00e7o \u00e0 Ci\u00eancia e \u00e0 sua necess\u00e1ria coloca\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do progresso da Humanidade.<\/p>\n<p>A Hist\u00f3ria registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da Ci\u00eancia a ideologias e outros interesses restritos. Nos pa\u00edses da antiga URSS, as Ci\u00eancias Agr\u00edcolas e Biol\u00f3gicas ainda se ressentem das consequ\u00eancias do atraso de d\u00e9cadas provocado pela sua subordina\u00e7\u00e3o aos ditames e \u00e0 trucul\u00eancia de Trofim D. Lysenko, apoiado pelo ditador Josef St\u00e1lin e seus sucessores imediatos, que rejeitava a Gen\u00e9tica, mesmo diante dos avan\u00e7os obtidos por cientistas de todo o mundo, inclusive na pr\u00f3pria URSS, por consider\u00e1-la uma \u201cci\u00eancia burguesa e antirrevolucion\u00e1ria\u201d. O empenho na imposi\u00e7\u00e3o do AGA, sem as devidas evid\u00eancias, equivale a uma vers\u00e3o atual do \u201clysenko\u00edsmo\u201d, que tem custado caro \u00e0 Humanidade, em recursos humanos, t\u00e9cnicos e econ\u00f4micos desperdi\u00e7ados com um problema inexistente.<\/p>\n<p>Ademais, ao conferir ao di\u00f3xido de carbono (CO<sub>2<\/sub>) e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de principais protagonistas da din\u00e2mica clim\u00e1tica, a hip\u00f3tese do AGA simplifica e distorce um processo extremamente complexo, no qual interagem fatores astrof\u00edsicos, atmosf\u00e9ricos, oce\u00e2nicos, geol\u00f3gicos, geomorfol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos, que a Ci\u00eancia apenas come\u00e7a a entender em sua abrang\u00eancia.<\/p>\n<p>Um exemplo dos riscos dessa simplifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade real de que o per\u00edodo at\u00e9 a d\u00e9cada de 2030 experimente um consider\u00e1vel resfriamento, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um per\u00edodo de baixa atividade solar e de uma fase de resfriamento do oceano Pac\u00edfico (Oscila\u00e7\u00e3o Decadal do Pac\u00edfico-ODP), em um cen\u00e1rio semelhante ao verificado entre 1947 e 1976. Vale observar que, naquele intervalo, o Brasil experimentou uma redu\u00e7\u00e3o de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de \u00e1gua e gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, al\u00e9m de um aumento das geadas fortes, que muito contribu\u00edram para erradicar o caf\u00e9 no Paran\u00e1. Se tais condi\u00e7\u00f5es se repetirem, o Pa\u00eds poder\u00e1 ter s\u00e9rios problemas, inclusive, nas \u00e1reas de expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola das regi\u00f5es Centro-Oeste e Norte e na gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica (particularmente, considerando a prolifera\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios \u201ca fio d\u2019\u00e1gua\u201d, impostos pelas restri\u00e7\u00f5es ambientais).<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, o decantado limite de 2<sup>o<\/sup>C para a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas, que, supostamente, n\u00e3o poderia ser superado e tem justificado todas as restri\u00e7\u00f5es propostas para os combust\u00edveis f\u00f3sseis, em \u00e2mbito internacional, tamb\u00e9m n\u00e3o tem qualquer base cient\u00edfica: trata-se de uma cria\u00e7\u00e3o \u201cpol\u00edtica\u201d do f\u00edsico Hans-Joachim Schellnhuber, assessor cient\u00edfico do governo alem\u00e3o, como admitido por ele pr\u00f3prio, em uma entrevista \u00e0 revista <em>Der Spiegel<\/em> (17\/10\/2010).<\/p>\n<p><strong> 3) O alarmismo clim\u00e1tico \u00e9 contraproducente:<\/strong><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as constituem o estado permanente do sistema clim\u00e1tico \u2013 pelo que a express\u00e3o \u201cmudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d chega a ser redundante. Por isso, o alarmismo que tem caracterizado as discuss\u00f5es sobre o tema \u00e9 extremamente prejudicial \u00e0 atitude correta necess\u00e1ria diante dos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos, que deve ser orientada pelo bom senso e pelo conceito de <em>resili\u00eancia<\/em>, em lugar de submeter as sociedades a restri\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e econ\u00f4micas absolutamente desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p>No caso, resili\u00eancia significa a flexibilidade das condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de sobreviv\u00eancia e funcionamento das sociedades, al\u00e9m da capacidade de resposta \u00e0s emerg\u00eancias, permitindo-lhes reduzir a sua vulnerabilidade \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e outros fen\u00f4menos naturais potencialmente perigosos. Tais requisitos incluem, por exemplo, a redund\u00e2ncia de fontes aliment\u00edcias (inclusive a disponibilidade de sementes geneticamente modificadas para todas as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas), capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunica\u00e7\u00f5es e outros fatores.<\/p>\n<p>Portanto, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resili\u00eancia da Humanidade, diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas inevit\u00e1veis, \u00e9 a eleva\u00e7\u00e3o geral dos seus n\u00edveis de desenvolvimento e progresso aos patamares permitidos pela Ci\u00eancia e pela Tecnologia modernas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o alarmismo desvia as aten\u00e7\u00f5es das emerg\u00eancias e prioridades reais. Um exemplo \u00e9 a indisponibilidade de sistemas de saneamento b\u00e1sico para mais da metade da popula\u00e7\u00e3o mundial, cujas consequ\u00eancias constituem, de longe, o principal problema ambiental do planeta. Outro \u00e9 a falta de acesso \u00e0 eletricidade, que atinge mais de 1,5 bilh\u00e3o de pessoas, principalmente na \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No Brasil, sem mencionar o d\u00e9ficit de saneamento, grande parte dos recursos que t\u00eam sido alocados a programas vinculados \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, segundo o enfoque da redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono, teria uma destina\u00e7\u00e3o mais \u00fatil \u00e0 sociedade se fosse empregada na corre\u00e7\u00e3o de defici\u00eancias reais, como: a falta de um sat\u00e9lite meteorol\u00f3gico pr\u00f3prio (de que disp\u00f5em pa\u00edses como a China e a \u00cdndia); a amplia\u00e7\u00e3o e melhor distribui\u00e7\u00e3o territorial da rede de esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, inferior aos padr\u00f5es recomendados pela Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, para um territ\u00f3rio com as dimens\u00f5es do brasileiro; o aumento do n\u00famero de radares meteorol\u00f3gicos e a sua interliga\u00e7\u00e3o aos sistemas de defesa civil; a consolida\u00e7\u00e3o de uma base nacional de dados climatol\u00f3gicos, agrupando os dados de todas as esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas do Pa\u00eds, boa parte dos quais sequer foi digitalizada; e numerosas outras.<\/p>\n<p><strong> 4) A \u201cdescarboniza\u00e7\u00e3o\u201d da economia \u00e9 desnecess\u00e1ria e economicamente delet\u00e9ria:<\/strong><\/p>\n<p>Uma vez que as emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de carbono n\u00e3o provocam impactos verific\u00e1veis no clima global, toda a agenda da \u201cdescarboniza\u00e7\u00e3o\u201d da economia, ou \u201ceconomia de baixo carbono\u201d, se torna desnecess\u00e1ria e contraproducente \u2013 sendo, na verdade, uma pseudo-solu\u00e7\u00e3o para um problema inexistente. A insist\u00eancia na sua preserva\u00e7\u00e3o, por for\u00e7a da in\u00e9rcia do status quo, n\u00e3o implicar\u00e1 em qualquer efeito sobre o clima, mas tender\u00e1 a aprofundar os seus numerosos impactos negativos.<\/p>\n<p>O principal deles \u00e9 o encarecimento desnecess\u00e1rio das tarifas de energia e de uma s\u00e9rie de atividades econ\u00f4micas, em raz\u00e3o de: a) os pesados subs\u00eddios concedidos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de fontes energ\u00e9ticas de baixa efici\u00eancia, como a e\u00f3lica e solar &#8211; ademais, inaptas para a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica de base (e j\u00e1 em retra\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o Europeia, que investiu fortemente nelas); b) a imposi\u00e7\u00e3o de cotas e taxas vinculadas \u00e0s emiss\u00f5es de carbono, como fizeram a Uni\u00e3o Europeia, para viabilizar o seu mercado de cr\u00e9ditos de carbono, e a Austr\u00e1lia, sob grande rejei\u00e7\u00e3o popular; c) a imposi\u00e7\u00e3o de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS) a v\u00e1rias atividades.<\/p>\n<p>Os principais benefici\u00e1rios de tais medidas t\u00eam sido os fornecedores de equipamentos e servi\u00e7os de CCS e os participantes dos intrinsecamente in\u00fateis mercados de carbono, que n\u00e3o t\u00eam qualquer fundamento econ\u00f4mico real e se sustentam t\u00e3o-somente em uma demanda artificial criada sobre uma necessidade inexistente. Vale acrescentar que tais mercados t\u00eam se prestado a toda sorte de atividades fraudulentas, inclusive no Brasil, onde autoridades federais investigam contratos de carbono ilegais envolvendo tribos ind\u00edgenas, na Amaz\u00f4nia, e a cria\u00e7\u00e3o irregular de \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental para tais finalidades escusas, no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong> 5) \u00c9 preciso uma guinada para o futuro:<\/strong><\/p>\n<p>Pela primeira vez na Hist\u00f3ria, a Humanidade det\u00e9m um acervo de conhecimentos e recursos f\u00edsicos, t\u00e9cnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma popula\u00e7\u00e3o ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar \u2013 de uma forma inteiramente sustent\u00e1vel \u2013 os n\u00edveis gerais de bem-estar usufru\u00eddos pelos pa\u00edses mais avan\u00e7ados, em termos de infraestrutura de \u00e1gua, saneamento, energia, transportes, comunica\u00e7\u00f5es, servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contr\u00e1rios a tal perspectiva, os principais obst\u00e1culos \u00e0 sua concretiza\u00e7\u00e3o, em menos de duas gera\u00e7\u00f5es, s\u00e3o mentais e pol\u00edticos, e n\u00e3o f\u00edsicos e ambientais.<\/p>\n<p>Para tanto, o alarmismo ambientalista, em geral, e clim\u00e1tico, em particular, ter\u00e1 que ser apeado do seu atual pedestal de privil\u00e9gios imerecidos e substitu\u00eddo por uma estrat\u00e9gia que privilegie os princ\u00edpios cient\u00edficos, o bem comum e o bom senso.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia Rio+20 poder\u00e1 ser uma oportuna plataforma para essa necess\u00e1ria reorienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kenitiro Suguio<\/p>\n<p>Ge\u00f3logo, Doutor em Geologia<\/p>\n<p>Professor Em\u00e9rito do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/p>\n<p>Membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luiz Carlos Baldicero Molion<\/p>\n<p>F\u00edsico, Doutor em Meteorologia e P\u00f3s-doutor em Hidrologia de Florestas<\/p>\n<p>Pesquisador S\u00eanior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)<\/p>\n<p>Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fernando de Mello Gomide<\/p>\n<p>F\u00edsico, Professor Titular (aposentado) do Instituto Tecnol\u00f3gico da Aeron\u00e1utica (ITA)<\/p>\n<p>Co-autor do livro <em>Philosophy of Science: Brief History<\/em> (Amazon Books, 2010, com Marcelo Samuel Berman)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Bueno Conti<\/p>\n<p>Ge\u00f3grafo, Doutor em Geografia F\u00edsica e Livre-docente em Climatologia<br \/>\nProfessor Titular do Departamento de Geografia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<br \/>\nAutor do livro <em>Clima e meio ambiente<\/em> (Atual, 2011)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos Parente de Oliveira<\/p>\n<p>F\u00edsico, Doutor em F\u00edsica e P\u00f3s-doutor em F\u00edsica da Atmosfera<\/p>\n<p>Professor Associado (aposentado) da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC)<\/p>\n<p>Professor do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Cear\u00e1 (IFCE)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Francisco Arthur Silva Vecchia<\/p>\n<p>Engenheiro de Produ\u00e7\u00e3o, Mestre em Arquitetura e Doutor em Geografia<\/p>\n<p>Professor Associado do Departamento de Hidr\u00e1ulica e Saneamento da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos\u2013USP<\/p>\n<p>Diretor do Centro de Recursos H\u00eddricos e Ecologia Aplicada (CRHEA)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ricardo Augusto Felicio<\/p>\n<p>Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia<\/p>\n<p>Professor do Departamento de Geografia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antonio Jaschke Machado<\/p>\n<p>Meteorologista, Mestre e Doutor em Climatologia<\/p>\n<p>Professor do Departamento de Geografia da Universidade Estadual Paulista \u201cJ\u00falio de Mesquita Filho\u201d (UNESP)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Wagner Alencar Castro<\/p>\n<p>Ge\u00f3logo, Mestre em Sedimentologia e Doutor em Geomorfologia<\/p>\n<p>Professor Adjunto do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/p>\n<p>Chefe do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional\/UFRJ<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Helena Polivanov<\/p>\n<p>Ge\u00f3loga, Mestra em Geologia de Engenharia e Doutora em Geologia de Engenharia e Ambiental<\/p>\n<p>Professora Associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gustavo Macedo de Mello Baptista<\/p>\n<p>Ge\u00f3grafo, Mestre em Tecnologia Ambiental e Recursos H\u00eddricos e Doutor em Geologia<\/p>\n<p>Professor Adjunto do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/p>\n<p>Autor do livro <em>Aquecimento Global: ci\u00eancia ou religi\u00e3o?<\/em> (Hinterl\u00e2ndia, 2009)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Cesar Soares<\/p>\n<p>Ge\u00f3logo, Doutor em Ci\u00eancias Geol\u00f3gicas e Livre-docente em Estratigrafia<\/p>\n<p>Professor Titular da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gildo Magalh\u00e3es dos Santos Filho<\/p>\n<p>Engenheiro eletr\u00f4nico, Doutor em Hist\u00f3ria Social e Livre-docente em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia e Tecnologia<\/p>\n<p>Professor Associado do\u00a0Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco<\/p>\n<p>Ge\u00f3logo, Pesquisador em Geoci\u00eancias (B-s\u00eanior) do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil \u2013 CPRM<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Daniela de Souza On\u00e7a<\/p>\n<p>Ge\u00f3grafa, Mestra e Doutora em Climatologia<\/p>\n<p>Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Marcos Jos\u00e9 de Oliveira<br \/>\nEngenheiro Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental e Climatologia Aplicada<br \/>\nDoutorando em Geoci\u00eancias Aplicadas na Universidade de Bras\u00edlia (UnB)<\/p>\n<p>Geraldo Lu\u00eds Saraiva Lino<\/p>\n<p>Ge\u00f3logo, coeditor do s\u00edtio Alerta em Rede<\/p>\n<p>Autor do livro <em>A fraude do aquecimento global: como um fen\u00f4meno natural foi convertido numa falsa emerg\u00eancia mundial<\/em> (Capax Dei, 2009)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maria Ang\u00e9lica Barreto Ramos<\/p>\n<p>Ge\u00f3loga, Pesquisadora em Geoci\u00eancias (S\u00eanior) do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil \u2013 CPRM<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DilmaRio20.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1022\" alt=\"DilmaRio20\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DilmaRio20.png\" width=\"543\" height=\"305\" srcset=\"https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DilmaRio20.png 543w, https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2012\/05\/DilmaRio20-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 543px) 100vw, 543px\" 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Sra. Dilma Vana Rousseff Presidenta da Rep\u00fablica Federativa do Brasil Excelent\u00edssima Senhora Presidenta: Em uma recente reuni\u00e3o do F\u00f3rum Brasileiro de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, a senhora afirmou, oportunamente, que a fantasia n\u00e3o tem lugar nas discuss\u00f5es sobre um novo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-449","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/449","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=449"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/449\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}