{"id":445,"date":"2012-05-18T17:45:07","date_gmt":"2012-05-18T17:45:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=445"},"modified":"2012-05-18T17:45:07","modified_gmt":"2012-05-18T17:45:07","slug":"mexico-porretao-ambiental-contra-o-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/mexico-porretao-ambiental-contra-o-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"M\u00e9xico: \u00abporret\u00e3o ambiental\u00bb contra o desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">As lideran\u00e7as pol\u00edticas do M\u00e9xico acabam de comprometer o futuro do pa\u00eds, com a aprova\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o ambiental que embute um grande potencial para impor uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es e sobrecustos desnecess\u00e1rios \u00e0s atividades produtivas e ao ordenamento f\u00edsico do territ\u00f3rio nacional &#8211; tudo isto, em nome de uma agenda ideologicamente motivada e promovida por interesses internacionais, totalmente alheios \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es e necessidades de desenvolvimento e progresso da sociedade mexicana.<\/p>\n<p>De fato, \u00e9 alarmante que, nem o Executivo, nem o Legislativo e, tampouco, grande parte da m\u00eddia e da opini\u00e3o p\u00fablica em geral, se deem conta de que uma s\u00e9rie de iniciativas institucionais na \u00e1rea ambiental t\u00eam sido promovidas e implementadas sob a influ\u00eancia de poderosas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) internacionais, cujas agendas respondem exclusivamente \u00e0s diretrizes e interesses dos seus mentores e patrocinadores, entre os quais se alinham grandes empresas e bancos transnacionais e ag\u00eancias de governos estrangeiros. Entre elas, destacam-se a rec\u00e9m-aprovada Lei Geral de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica e o Programa Nacional de Reservas de \u00c1gua.<\/p>\n<p>As mais not\u00f3rias dessas ONGs s\u00e3o o cap\u00edtulo mexicano do Fundo Mundial para a Natureza (WWF-M\u00e9xico) e o Greenpeace.<\/p>\n<p>Por uma ironia hist\u00f3rica, o verdadeiro car\u00e1ter do ambientalismo internacional e suas inten\u00e7\u00f5es para com o M\u00e9xico n\u00e3o poderiam ter um s\u00edmbolo melhor que o Pr\u00eamio Internacional de Conserva\u00e7\u00e3o Teddy Roosevelt, concedido ao presidente Felipe Calder\u00f3n Hinojosa, por iniciativa da Funda\u00e7\u00e3o do Caucus Conservacionista Internacional do Congresso dos EUA (ICCF), em reconhecimento pela sua \u00ablideran\u00e7a em assuntos ambientais\u00bb.<\/p>\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o do nome do presidente Theodore \u00abTeddy\u00bb Roosevelt (1901-1909) a um trof\u00e9u vinculado ao meio ambiente \u00e9 emblem\u00e1tica das motiva\u00e7\u00f5es neocoloniais dos promotores do ambientalismo internacional. Como se sabe, \u00abTeddy\u00bb Roosevelt \u00e9 cultuado pelos ambientalistas estadunidenses, por ter sido o primeiro chefe de Estado a institucionalizar a conserva\u00e7\u00e3o da natureza nas pol\u00edticas de governo, com a cria\u00e7\u00e3o dos parques nacionais dos EUA. Mas, ao mesmo tempo, foi o presidente estadunidense que consolidou, na pol\u00edtica externa do pa\u00eds, o conceito de que o Hemisf\u00e9rio Ocidental, e a Am\u00e9rica Latina, em particular, seriam \u00e1reas de hegemonia incontest\u00e1vel dos EUA, a ser imposta pela for\u00e7a militar, se necess\u00e1rio &#8211; pol\u00edtica celebrizada como o \u00abporret\u00e3o\u00bb (<em>big stick<\/em>).<\/p>\n<p>Assim, ao aceitar o pr\u00eamio, o presidente Calder\u00f3n recebeu o s\u00edmbolo da imposi\u00e7\u00e3o de um aut\u00eantico \u00abporret\u00e3o ambiental\u00bb na pol\u00edtica interna mexicana, abrindo m\u00e3o do que deveria ser uma orienta\u00e7\u00e3o plenamente soberana, para o estabelecimento de uma pol\u00edtica ambiental racional, n\u00e3o-ideol\u00f3gica e compat\u00edvel com a inadi\u00e1vel retomada do desenvolvimento mexicano.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, a ICCF, sediada em Washington, foi criada em 2006, para atuar como bra\u00e7o operacional do Caucus de Conserva\u00e7\u00e3o Internacional do Congresso dos EUA, fundado em 2003. A iniciativa partiu de quatro das principais ONGs ambientalistas internacionais &#8211; Conservation International, The Nature Conservancy, Wildlife Conservation Society e WWF -, que mant\u00eam representantes no conselho assessor da entidade. Em decorr\u00eancia da ativa interfer\u00eancia do WWF-M\u00e9xico na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas ambientais do pa\u00eds, como se v\u00ea no Programa Nacional de Reservas de \u00c1gua, n\u00e3o surpreende, pois, que Calder\u00f3n tenha sido eleito para o pr\u00eamio.<\/p>\n<p align=\"left\">Um fator facilitador dessa pouco sutil interfer\u00eancia externa nos assuntos internos do M\u00e9xico \u00e9 o fato de Calder\u00f3n ser um mandat\u00e1rio fraco e em final de mandato, que, sem d\u00favida, deixar\u00e1 um grande problema para o seu sucessor.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Uma lei inconveniente<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">A prop\u00f3sito da Lei Geral de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, aprovada por esmagadora maioria na C\u00e2mara dos Deputados (280 votos a favor, 10 contra e uma absten\u00e7\u00e3o) e no Senado (78 votos a favor), ela foi saudada pelo WWF-M\u00e9xico como a primeira do g\u00eanero entre os pa\u00edses em desenvolvimento, \u00abcom o que o pa\u00eds se posiciona no seleto grupo de na\u00e7\u00f5es que est\u00e3o dando passos decididos e inovadores contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abCom esta nova lei, o M\u00e9xico se soma ao Reino Unido, para serem os \u00fanicos dois pa\u00edses que, at\u00e9 agora, aprovaram legisla\u00e7\u00f5es ambiciosas e integrais sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8230; O WWF aplaude a lideran\u00e7a global do M\u00e9xico em mat\u00e9ria de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A nova legisla\u00e7\u00e3o coloca o pa\u00eds no rumo de uma economia de baixo carbono e dar\u00e1 uma contribui\u00e7\u00e3o real para enfrentar a crise clim\u00e1tica em \u00e2mbito global\u00bb, diz o boletim de imprensa da ONG, divulgado em 24 de abril \u00faltimo.<\/p>\n<p>De acordo com os termos da Lei, o M\u00e9xico se compromete, entre outros itens, a:<\/p>\n<p>&#8211; reduzir suas emiss\u00f5es de carbono em 50%, at\u00e9 2050, com apoio internacional;<\/p>\n<p>&#8211; gerar 35% de sua energia de fonte \u00ablimpas\u00bb, at\u00e9 2024;<\/p>\n<p>&#8211; tornar economicamente competitiva as energias renov\u00e1veis, at\u00e9 2020;<\/p>\n<p>&#8211; eliminar gradualmente os subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis;<\/p>\n<p>&#8211; criar um fundo de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e um Instituto Nacional de Ecologia e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Todo o escopo da Lei se orienta para a promo\u00e7\u00e3o da chamada \u00abeconomia de baixo carbono\u00bb, eufemismo para a redu\u00e7\u00e3o do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis (petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e carv\u00e3o mineral) na matriz energ\u00e9tica, sob o pretexto de que as emiss\u00f5es de carbono de origem humana estariam influenciando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em escala global.<\/p>\n<p>Embora seja amplamente aceita pela opini\u00e3o p\u00fablica e tenha sido admitida, sem contesta\u00e7\u00f5es, pelos legisladores mexicanos, tal formula\u00e7\u00e3o padece de dois problemas cruciais.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Onde est\u00e3o as evid\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que, a despeito de todo o alarido promovido a respeito, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, n\u00e3o existe qualquer evid\u00eancia f\u00edsica observada no mundo real que permita afirmar-se que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, ocorridas desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XVIII, sejam an\u00f4malas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ocorridas anteriormente, no passado hist\u00f3rico e geol\u00f3gico &#8211; anomalias que, se ocorressem, caracterizariam a influ\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Embora a influ\u00eancia humana no clima das cidades e em suas periferias imediatas seja conhecida desde h\u00e1 muito &#8211; o chamado efeito da \u00abilha de calor\u00bb -, o mesmo n\u00e3o se observa na escala planet\u00e1ria. Para que a a\u00e7\u00e3o humana se manifestasse no clima global, seria preciso que, nos \u00faltimos dois s\u00e9culos, tivessem ocorrido n\u00edveis inusitadamente altos de temperaturas e n\u00edveis do mar e, principalmente, que as suas taxas de varia\u00e7\u00e3o (gradientes) fossem maiores que as verificadas anteriormente.<\/p>\n<p>Ora, ao longo da \u00e9poca geol\u00f3gica conhecida como Holoceno, os \u00faltimos 12 mil anos em que a Civiliza\u00e7\u00e3o humana tem existido, houve diversos per\u00edodos com temperaturas e n\u00edveis do mar mais altos que os atuais. No Holoceno M\u00e9dio, h\u00e1 5.000-6.000 anos, as temperaturas m\u00e9dias chegaram a ser 3-4oC superiores \u00e0s atuais, assim como os n\u00edveis do mar atingiram at\u00e9 3 metros acima do atual.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 taxa de varia\u00e7\u00e3o desses indicadores, n\u00e3o se observa qualquer acelera\u00e7\u00e3o anormal delas nos \u00faltimos dois s\u00e9culos. Ao contr\u00e1rio, nos \u00faltimos 20.000 anos, desde o in\u00edcio do degelo da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o, houve per\u00edodos em que as varia\u00e7\u00f5es de temperaturas e n\u00edveis do mar chegaram a ser at\u00e9 uma ordem de grandeza mais r\u00e1pidas que as verificadas no per\u00edodo industrial da Humanidade. Se n\u00e3o, vejamos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de 2007 do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), refer\u00eancia sobre o assunto, estabelece que o aumento de temperatura m\u00e9dia global observado entre 1850-2000 foi de 0,8oC, e que o n\u00edvel do mar subiu 0,2 m entre 1870-2000. Estes n\u00fameros representam taxas m\u00e9dias aproximadas de, respectivamente, 0,56oC e 0,15 m por s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Entretanto, entre 12.900 e 11.600 anos atr\u00e1s, ocorreu um s\u00fabito per\u00edodo de frio extremo, denominado Dryas Recente, que afetou grande parte do planeta. No in\u00edcio deste per\u00edodo, as temperaturas ca\u00edram cerca de 7-8oC em menos de 50 anos e, ao t\u00e9rmino dele, voltaram a subir na mesma propor\u00e7\u00e3o, em pouco mais de meio s\u00e9culo. Tais varia\u00e7\u00f5es equivalem a uma taxa de cerca de 15oC por s\u00e9culo &#8211; 26 vezes mais r\u00e1pida que a observada desde o s\u00e9culo XIX!<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00edvel do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atr\u00e1s, o que equivale a uma taxa m\u00e9dia de 1 metro por s\u00e9culo, suficiente para impactar visualmente as gera\u00e7\u00f5es sucessivas das popula\u00e7\u00f5es que habitavam as margens continentais.<\/p>\n<p>Em determinado per\u00edodo, essa eleva\u00e7\u00e3o se deu a um ritmo ainda mais acelerado, como demonstra uma equipe internacional de cientistas do Centro Europeu de Pesquisas e Ensino de Geoci\u00eancias Ambientais (CEREGE), em um estudo publicado na revista <em>Nature<\/em> de 28 de mar\u00e7o de 2012. Estudando dados de recifes de corais no oceano Pac\u00edfico Sul, eles constataram que, em um per\u00edodo de apenas 350 anos, entre 14.650 e 14.300 anos atr\u00e1s, os n\u00edveis do mar ao largo do Taiti se elevaram em cerca de 14 metros, fen\u00f4meno considerado pelos autores como \u00abum dos mais not\u00e1veis eventos clim\u00e1ticos dos \u00faltimos 20.000 anos\u00bb. Tal varia\u00e7\u00e3o corresponde a uma taxa de 4 metros por s\u00e9culo &#8211; 28 vezes mais r\u00e1pida que a constatada desde o s\u00e9culo XIX, segundo o relat\u00f3rio do IPCC!<\/p>\n<p>Como, naquele per\u00edodo, os \u00fanicos combust\u00edveis usados pelo homem eram o esterco e a lenha, obviamente, n\u00e3o h\u00e1 como atribuir esses fen\u00f4menos aos nossos antepassados. Ou seja, em termos estritamente cient\u00edficos, diante de tais varia\u00e7\u00f5es, uma ordem de grandeza superiores \u00e0s verificadas ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, n\u00e3o h\u00e1 como se possam atribuir estas \u00faltimas ao uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Tais dados representam apenas uma \u00ednfima fra\u00e7\u00e3o das evid\u00eancias proporcionadas por, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes, por cientistas de dezenas de pa\u00edses, devidamente publicados na literatura cient\u00edfica internacional. Desafortunadamente, \u00e9 raro que algum destes estudos ganhe repercuss\u00e3o na m\u00eddia, sempre mais inclinada pela promo\u00e7\u00e3o de um alarmismo desorientador e inconsequente.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>\u00abDescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb = retrocesso econ\u00f4mico<\/strong><\/p>\n<p>O segundo elemento a ser considerado \u00e9, pois, que a proposta agenda de \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia representa uma pseudo-solu\u00e7\u00e3o para um problema inexistente. N\u00e3o obstante, se for mantida, pela for\u00e7a da in\u00e9rcia obtida pela agenda \u00abaquecimentista\u00bb, ela n\u00e3o ter\u00e1 qualquer efeito sobre o clima, mas produzir\u00e1 impactos potencialmente catastr\u00f3ficos na economia mexicana, pelos obst\u00e1culos t\u00e9cnicos e os altos custos de uma eventual substitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na matriz energ\u00e9tica do pa\u00eds. Os \u00fanicos benefici\u00e1rios seriam os participantes da pletora de atividades envolvendo os intrinsecamente in\u00fateis mercados de carbono, inclusive, especuladores financeiros, que teriam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o \u00abar quente\u00bb necess\u00e1rio para inflar uma nova bolha especulativa (e um novo risco para as j\u00e1 combalidas finan\u00e7as nacionais e globais).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 matriz energ\u00e9tica mexicana, o quadro abaixo proporciona uma avalia\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o percentual de cada fonte.<\/p>\n<p align=\"center\">\n<strong>M\u00e9xico: matriz energ\u00e9tica (seg. AIE, 2009)<\/strong><\/p>\n<table width=\"61%\" border=\"1\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"37%\">\n<div align=\"center\">Energia prim\u00e1ria<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"13%\">%<\/td>\n<td width=\"36%\">\n<div align=\"center\">Gera\u00e7\u00e3o de eletricidade<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"14%\">%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Petr\u00f3leo<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">56,7<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">G\u00e1s natural<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">53,4<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">G\u00e1s natural<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">27,8<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">\u00d3leo<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">16,5<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Biocombust\u00edveis e biomassa<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">4,8<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">Carv\u00e3o e turfa<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">12,3<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Carv\u00e3o e turfa<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">4,4<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">Hidroel\u00e9trica<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">10,3<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Geot\u00e9rmica, solar e e\u00f3lica<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">3,4<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">Nuclear<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">4,1<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Nuclear<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">1,6<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">Geot\u00e9rmica, solar e e\u00f3lica<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">2,5<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Hidroel\u00e9trica<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">1,3<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"36%\">Biocombust\u00edveis<\/td>\n<td width=\"14%\">\n<div align=\"center\">0,8<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p align=\"left\">Como se pode observar, em 2009, os combust\u00edveis f\u00f3sseis respondiam por nada menos que 88,9% da energia prim\u00e1ria consumida no M\u00e9xico, al\u00e9m de 82,2% da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade. Diante desses n\u00fameros, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber as dificuldades de se promover qualquer redu\u00e7\u00e3o significativa das suas propor\u00e7\u00f5es, nos prazos relativamente limitados contemplados pela Lei Geral de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica &#8211; mesmo considerando que isto fosse realmente necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais relevante no caso da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, uma vez que as usinas termel\u00e9tricas, junto com as hidrel\u00e9tricas e nucleares, constituem as \u00fanicas fontes usadas em todo o mundo para a chamada gera\u00e7\u00e3o de base &#8211; o abastecimento cont\u00ednuo, que n\u00e3o pode depender de fontes intermitentes, como a e\u00f3lica ou solar.<\/p>\n<p>Por isso, estas \u00faltimas somente se justificam para abastecimentos pontuais e complementares \u00e0s fontes de base (a chamada gera\u00e7\u00e3o de ponta). E, ainda assim, a sua viabilidade econ\u00f4mica depende de onerosos subs\u00eddios &#8211; os quais t\u00eam sido sistematicamente reduzidos pelos governos da Uni\u00e3o Europeia, que haviam depositado grandes expectativas em tais fontes (inclusive, o Reino Unido, louvado pelo WWF como co-l\u00edder \u00abverde\u00bb global, junto com o M\u00e9xico, e onde se manifesta uma crescente oposi\u00e7\u00e3o popular, empresarial e pol\u00edtica \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica, pela sua inefici\u00eancia e altos custos).<\/p>\n<p>Em poucas palavras: n\u00e3o h\u00e1 como se abastecer de eletricidade sociedades urbanizadas e industrializadas, em grande escala, com energia e\u00f3lica, solar, geot\u00e9rmica e outras modalidades \u00abalternativas\u00bb.<\/p>\n<p>Ironicamente, no final de 2011, o atual governo federal anunciou o cancelamento dos planos para a constru\u00e7\u00e3o de 10 novas usinas nucleares, com a inten\u00e7\u00e3o de substitu\u00ed-las &#8211; por termel\u00e9tricas a g\u00e1s natural!<\/p>\n<p>E, quanto \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de novas hidrel\u00e9tricas, como a de La Parota e outras, ela tem sido obstaculizada por uma insidiosa a\u00e7\u00e3o de pin\u00e7a: de um lado, as limita\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias impostas pela ortodoxia financeira; do outro, a milit\u00e2ncia dos movimentos ambientalista e indigenista internacionais, aliados aos seus representantes locais.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, se as diretrizes da Lei Geral de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica forem, efetivamente, implementadas, longe de liderar o mundo no rumo da constru\u00e7\u00e3o de uma \u00abeconomia verde\u00bb, o M\u00e9xico poder\u00e1, isto sim, oferecer o bizarro exemplo de uma na\u00e7\u00e3o que optou por cometer um virtual retrocesso socioecon\u00f4mico, golpeando-se a si pr\u00f3pria com um \u00abporret\u00e3o verde\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As lideran\u00e7as pol\u00edticas do M\u00e9xico acabam de comprometer o futuro do pa\u00eds, com a aprova\u00e7\u00e3o de uma legisla\u00e7\u00e3o ambiental que embute um grande potencial para impor uma s\u00e9rie de restri\u00e7\u00f5es e sobrecustos desnecess\u00e1rios \u00e0s atividades produtivas e ao ordenamento f\u00edsico do territ\u00f3rio nacional &#8211; tudo isto, em nome de uma agenda ideologicamente motivada e promovida &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-445","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/445","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=445"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/445\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=445"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=445"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=445"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}