{"id":444,"date":"2012-12-14T13:47:02","date_gmt":"2012-12-14T13:47:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=444"},"modified":"2012-12-14T13:47:02","modified_gmt":"2012-12-14T13:47:02","slug":"a-guerra-das-dividas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-guerra-das-dividas\/","title":{"rendered":"A &quot;guerra das d\u00edvidas&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Na medida em que a crise econ\u00f4mico-financeira global se aprofunda, aumenta a percep\u00e7\u00e3o de que, em algum momento, os pressupostos b\u00e1sicos do sistema financeiro existente, cuja disfuncionalidade est\u00e1 escancarada para quem quiser ver, ter\u00e3o que ser revistos a s\u00e9rio, a despeito das press\u00f5es dos interesses estabelecidos na defesa dos seus \u00abprivil\u00e9gios\u00bb acumulados ao longo de d\u00e9cadas, e at\u00e9 s\u00e9culos. Entre eles, destacam-se os pilares centrais das finan\u00e7as globais &#8211; o controle da emiss\u00e3o de moeda e cr\u00e9dito por bancos centrais sob controle ou forte influ\u00eancia do cartel banc\u00e1rio e financeiro internacional e o financiamento dos governos nacionais pelo endividamento junto a este aparato financeiro. At\u00e9 h\u00e1 pouco restritas a debates entre os cr\u00edticos do sistema, principalmente, na blogosfera, as discuss\u00f5es sobre alternativas reais a ele j\u00e1 come\u00e7am a ganhar foros institucionais. Um exemplo \u00e9 a recente proposta de pesquisadores do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), para a ado\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o atualizada do chamado Plano de Chicago, da d\u00e9cada de 1930, proposto para podar os excessos da banca privada, separando as fun\u00e7\u00f5es de emiss\u00e3o de moeda e cr\u00e9dito, com a exig\u00eancia de que os bancos retivessem como reserva 100% dos seus dep\u00f3sitos.<\/p>\n<p>De fato, mais e mais comentaristas, muitos deles profundos conhecedores das entranhas e do funcionamento do sistema, vinculam abertamente a magnitude e as manifesta\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas da crise \u00e0 avassaladora hegemonia da financeiriza\u00e7\u00e3o da economia mundial, nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Em um dram\u00e1tico artigo divulgado pela ag\u00eancia Inter Press Service (\u00abApocalipse da d\u00edvida e a sociedade oca\u00bb, 4\/12\/2012), o historiador Steve Fraser, da Universidade Columbia de Nova York, descreve os avan\u00e7os paralelos da financeiriza\u00e7\u00e3o e da desindustrializa\u00e7\u00e3o nos EUA:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) O \u00abapocalipse da d\u00edvida\u00bb \u00e9, meramente, a \u00faltima presta\u00e7\u00e3o de uma tr\u00e1gica hist\u00f3ria de 40 anos da espolia\u00e7\u00e3o do povo trabalhador estadunidense. Pensem nele como a arqueologia do decl\u00ednio ou uma hist\u00f3ria de dois mundos. Enquanto uma longa gera\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de austeridade esvaziava o interior do pa\u00eds, os matem\u00e1ticos, operadores e magos financeiros de Wall Street engoliam cada vez mais os recursos da na\u00e7\u00e3o. Foi outra Grande Migra\u00e7\u00e3o &#8211; s\u00f3 que, em vez de pessoas, trilh\u00f5es de d\u00f3lares foram sugados da Am\u00e9rica industrial e transformados em \u00abinstrumentos financeiros\u00bb e novas e ex\u00f3ticas formas de riqueza. Aqui, se os estadunidenses de macac\u00e3o foram as v\u00edtimas peculiares, ent\u00e3o, a alta finan\u00e7a foi o que os consumiu. Agora, ela promete consumir o restante de n\u00f3s.<\/p><\/blockquote>\n<p>Adiante, em dois par\u00e1grafos particularmente contundentes, Fraser demonstra que a escolha da palavra \u00abapocalipse\u00bb para intitular o texto n\u00e3o foi exagero ret\u00f3rico:<\/p>\n<blockquote><p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria estadunidense, caiu a expectativa de vida das pessoas brancas, homens e mulheres. Em particular, a expectativa de vida das menos educadas caiu cerca de quatro anos, desde 1990&#8230; Inusitadas nos EUA, esses n\u00fameros se aproximam do catastr\u00f3fico decl\u00ednio experimentado pelos homens russos nos anos desesperados que se seguiram ao colapso da URSS&#8230; Quaisquer que seja a combina\u00e7\u00e3o de fatores que produziu estas estat\u00edsticas sociais, ela pode ser a indica\u00e7\u00e3o mais crua de uma sociedade nos estertores da anorexia econ\u00f4mica. (&#8230;)<\/p>\n<p>(&#8230;) Agora, existem mais pessoas distribuindo fichas em cassinos do que trabalhando com tornos mec\u00e2nicos, e quase tr\u00eas vezes mais guardas de seguran\u00e7a do que operadores de m\u00e1quinas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outro insider do sistema e velho conhecido dos leitores deste boletim, o ex-subsecret\u00e1rio do Tesouro Paul Craig Roberts, volta a colocar o dedo na ferida, em sua coluna de 1\u00ba. de dezembro (\u00abA nossa economia e a nossa moeda em colapso\u00bb):<\/p>\n<blockquote><p>A economia dos EUA tem duas doen\u00e7as graves, e nenhuma delas \u00e9 um gasto excessivo com o bem-estar social.<\/p>\n<p>Uma \u00e9 a transfer\u00eancia (<em>offshoring<\/em>) dos empregos da classe m\u00e9dia estadunidense, tanto nas manufaturas como nos servi\u00e7os de engenharia, pesquisa, design e tecnologia de informa\u00e7\u00e3o, postos que, anteriormente, eram preenchidos por graduados das universidades estadunidenses, mas, hoje, s\u00e3o enviados para o exterior ou ocupados por estrangeiros trazidos ao pa\u00eds com vistos tempor\u00e1rios e dois ter\u00e7os dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>A outra doen\u00e7a \u00e9 a desregulamenta\u00e7\u00e3o, especialmente, a desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, que causou a crise financeira em curso e criou bancos muito grandes para quebrar, o que tem impedido o capitalismo de funcionar e fechar corpora\u00e7\u00f5es insolventes.<\/p><\/blockquote>\n<p>Diante do r\u00e1pido crescimento do coro dos cr\u00edticos dos seus \u00abprivil\u00e9gios\u00bb, a alta finan\u00e7a globalizada est\u00e1 consciente de que enfrenta uma amea\u00e7a existencial e, por isso, est\u00e1 engajada em um forte contra-ataque em v\u00e1rias frentes.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 a da propaganda, com a qual conta com o apoio fundamental da chamada grande m\u00eddia, para manter em perfil baixo quaisquer cr\u00edticas mais contundentes oriundas de personalidades p\u00fablicas mais graduadas ou exemplos de desafios concretos \u00e0 hegemonia financeira. N\u00e3o por acaso, quase n\u00e3o se veem reportagens ou artigos de fundo sobre o bem sucedido caso da Isl\u00e2ndia, que se recusou a repassar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o os preju\u00edzos acarretados pelos excessos dos banqueiros privados e est\u00e1 se recuperando da crise de 2007-2008, bem mais rapidamente que a grande maioria dos pa\u00edses maiores, cujos governantes n\u00e3o demonstram a mesma determina\u00e7\u00e3o ou vontade pol\u00edtica para confrontar os banqueiros internacionais.<\/p>\n<p>Outra frente, institucional, tem como objetivo desencorajar novos eventuais desafios e punir os atrevidos que j\u00e1 tenham ousado faz\u00ea-lo. \u00c9 o caso da Argentina, submetida a uma humilha\u00e7\u00e3o sem precedentes na Hist\u00f3ria recente, como retribui\u00e7\u00e3o pela aud\u00e1cia de ter decretado uma morat\u00f3ria de sua d\u00edvida externa e for\u00e7ado uma reestrutura\u00e7\u00e3o dos seus termos, na d\u00e9cada passada. No momento, o pa\u00eds austral se v\u00ea amea\u00e7ado por processos movidos por grupos como o NML Capital, um dos muitos fundos internacionais especializados em especula\u00e7\u00e3o com t\u00edtulos de d\u00edvidas vencidas de devedores duvidosos, apropriadamente, chamados \u00abfundos abutre\u00bb (vulture funds, em ingl\u00eas). Em 2 de outubro, a fragata-escola <em>ARA Libertad<\/em>, da Marinha Argentina, foi apreendida no porto de Tema, em Gana, pelas autoridades locais, agindo a pedido do NML Capital, como garantia do pagamento dos 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares em t\u00edtulos que o fundo tem em seu poder. Como seria de se esperar de uma ex-col\u00f4nia brit\u00e2nica e integrante da Comunidade Brit\u00e2nica de Na\u00e7\u00f5es, o governo gan\u00eas recusou o argumento argentino de que navios de guerra est\u00e3o isentos de tais san\u00e7\u00f5es, obrigando Buenos Aires a recorrer ao Tribunal Mar\u00edtimo Internacional, que s\u00f3 dever\u00e1 se pronunciar em meados de dezembro.<\/p>\n<p>Em paralelo, em 23 de novembro, um juiz federal de Nova York decidiu que a Argentina depositasse em cust\u00f3dia 1,33 bilh\u00e3o de d\u00f3lares, alegadamente devidos aos \u00abfundos abutre\u00bb, at\u00e9 15 de dezembro. Alegando o risco de que as repercuss\u00f5es da medida atingissem o pr\u00f3prio sistema financeiro, o governo argentino recorreu ao Tribunal de Recursos, que a suspendeu, cinco dias depois, dando um novo prazo para a apresenta\u00e7\u00e3o dos argumentos, at\u00e9 o final de fevereiro pr\u00f3ximo (<em>Carta Capital<\/em>, 5\/12\/2012).<\/p>\n<p>A apreens\u00e3o do navio recorda os velhos m\u00e9todos brit\u00e2nicos de cobran\u00e7a, utilizando o poderio da Royal Navy, \u00e0s vezes, com o apoio de outras pot\u00eancias coloniais, como ocorreu com o bloqueio naval imposto \u00e0 Venezuela em 1902, para for\u00e7ar o pa\u00eds a pagar d\u00edvidas em atraso. Desafortunadamente para a Argentina, at\u00e9 mesmo a presente debilidade militar do pa\u00eds, aprofundada pelas equivocadas pol\u00edticas revanchistas do casal Kirchner, limita as op\u00e7\u00f5es de resposta a semelhante ultraje.<\/p>\n<p>Por ironia, a inviabilidade do pagamento das d\u00edvidas contra\u00eddas pelos governos nacionais sob as regras vigentes da \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o\u00bb j\u00e1 come\u00e7a a ser admitida at\u00e9 mesmo por estadistas do calibre da chanceler alem\u00e3 Angela Merkel, considerada a f\u00e9rrea guardi\u00e3 da ortodoxia monet\u00e1ria e fiscal na Uni\u00e3o Europeia (UE). Em entrevista ao jornal <em>Bild am Sonntag<\/em> de 2 de dezembro, Merkel admitiu que os credores da d\u00edvida grega poder\u00e3o ter que encarar a possibilidade de uma redu\u00e7\u00e3o no valor dos seus t\u00edtulos (um \u00abcorte de cabelo\u00bb, no jarg\u00e3o financeiro), embora n\u00e3o antes de que o programa de austeridade em vigor seja cumprido. Outro alto funcion\u00e1rio alem\u00e3o a admitir tal possibilidade foi o igualmente rigoroso ministro da Fazenda Wolfgang Schauble.<\/p>\n<p>Em uma terceira frente, para refor\u00e7ar as pol\u00edticas de business as usual, o secret\u00e1rio do Tesouro Timothy Geithner est\u00e1 propondo nada menos que a elimina\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria do teto de endividamento do governo federal dos EUA, que, atualmente, precisa ser negociado periodicamente com o Congresso. Apesar de ter import\u00e2ncia relativa, j\u00e1 que o Congresso tem aprovado sistematicamente as eleva\u00e7\u00f5es dos limites, a medida daria ao governo estadunidense uma capacidade autom\u00e1tica para contrair novas d\u00edvidas, o que facilitaria, inclusive, novas rodadas de inje\u00e7\u00f5es de liquidez no sistema financeiro, al\u00e9m das tr\u00eas j\u00e1 aprovadas.<\/p>\n<p>Igualmente, em Washington, uma coorte de executivos-chefes de empresas financeiras tem se revezado no Congresso, para fazer lobby para direcionar para os setores de sa\u00fade e previd\u00eancia os cortes or\u00e7ament\u00e1rios que est\u00e3o sendo negociados com o governo federal. Na quinta-feira 29 de novembro, o senador Bernie Sanders, de Vermont, acusou esses superlobistas de promover uma nova \u00abluta de classes\u00bb no pa\u00eds:<\/p>\n<p>Eu acho, literalmente, al\u00e9m da compreens\u00e3o, que tenhamos esses sujeitos de Wall Street, que receberam resgates colossais do povo do nosso pa\u00eds &#8211; das fam\u00edlias trabalhadoras deste pa\u00eds -, por causa da cobi\u00e7a, da inconsequ\u00eancia e de comportamento ilegal de Wall Street, que nos levou a essa recess\u00e3o e, agora, essas mesmas pessoas estejam vindo aqui ao Congresso para dar aulas a n\u00f3s e ao povo estadunidense, sobre como temos que cortar a Seguridade Social, o Medicare e o Medicaid, enquanto eles desfrutam de enormes sal\u00e1rios e benef\u00edcios de aposentadoria (Common Dreams.org, 30\/11\/2012).<\/p>\n<p>Um dos alvos espec\u00edficos de Sanders foi o executive-chefe do Goldman Sachs, Llyod Blankfein, que tem declarado na m\u00eddia que a popula\u00e7\u00e3o estadunidense precisa \u00abreduzir as expectativas\u00bb quanto aos programas de seguridade social e sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>E, para fechar o cerco contra as press\u00f5es reformistas, a oligarquia financeira emplacou mais um representante do banco s\u00edmbolo da \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o\u00bb, o Goldman Sachs, \u00e0 frente de uma institui\u00e7\u00e3o chave do sistema, com a nomea\u00e7\u00e3o do canadense Mark Carney para presidir o Banco da Inglaterra. Carney, que dirigiu o Banco do Canad\u00e1 nos \u00faltimos quatro anos, passou 13 anos no Goldman Sachs, tendo sido um dos mentores da estrat\u00e9gia do banco durante a crise financeira russa, em 1998, quando, ao mesmo tempo em que assessorava o governo russo, a casa apostava contra a capacidade do pa\u00eds para pagar suas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Com a nomea\u00e7\u00e3o de Carney, o GS aumenta a constela\u00e7\u00e3o de ex-executivos seus instalada em altos postos financeiros e pol\u00edticos europeus, que pode ser apreciada na lista seguinte:<\/p>\n<p>&#8211; Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE);<\/p>\n<p>&#8211; Mario Monti, primeiro-ministro da It\u00e1lia;<\/p>\n<p>&#8211; Lucas Papademos, primeiro-ministro da Gr\u00e9cia;<\/p>\n<p>&#8211; Petros Christodoulou, chefe da ag\u00eancia de administra\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega;<\/p>\n<p>&#8211; Antonio Borges, ex-chefe do Departamento da Europa do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI ) (deixou o cargo na semana passada);<\/p>\n<p>&#8211; Peter Sutherland, ex-procurador-geral da Irlanda, teve um papel importante na negocia\u00e7\u00e3o do pacote de resgate ao pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como se percebe, a extens\u00e3o da contraofensiva da alta finan\u00e7a \u00e9 proporcional aos estragos provocados na economia global. Resta ver como reagir\u00e3o os governos nacionais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na medida em que a crise econ\u00f4mico-financeira global se aprofunda, aumenta a percep\u00e7\u00e3o de que, em algum momento, os pressupostos b\u00e1sicos do sistema financeiro existente, cuja disfuncionalidade est\u00e1 escancarada para quem quiser ver, ter\u00e3o que ser revistos a s\u00e9rio, a despeito das press\u00f5es dos interesses estabelecidos na defesa dos seus \u00abprivil\u00e9gios\u00bb acumulados ao longo de &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-444","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=444"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/444\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=444"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=444"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=444"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}