{"id":440,"date":"2012-05-18T17:41:52","date_gmt":"2012-05-18T17:41:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=440"},"modified":"2012-05-18T17:41:52","modified_gmt":"2012-05-18T17:41:52","slug":"energia-equivocos-estrategicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/energia-equivocos-estrategicos\/","title":{"rendered":"Energia: equ\u00edvocos estrat\u00e9gicos"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O planejamento estrat\u00e9gico do governo brasileiro no setor energ\u00e9tico demonstra, de forma insofism\u00e1vel, que as lideran\u00e7as nacionais respons\u00e1veis pelos processos decis\u00f3rios parecem ter perdido a capacidade de pensar a longo prazo e por si pr\u00f3prias, sem se deixar enredar nos condicionantes externos em voga, como a ideologia e a agenda pol\u00edtica do ambientalismo internacional. Este fato ficou evidenciado nas declara\u00e7\u00f5es de duas autoridades do setor, o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, M\u00e1rcio Zimmerman, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), Maur\u00edcio Tolmasquim, no 9\u00ba. Encontro Nacional de Agentes do Setor El\u00e9trico (Enase), no Rio de Janeiro, em 8 de maio. Na ocasi\u00e3o, ambos expuseram dois graves equ\u00edvocos da agenda energ\u00e9tica do governo federal: o uso preferencial das usinas hidrel\u00e9tricas em constru\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia como \u00abexportadoras de eletricidade\u00bb para fora da regi\u00e3o e o adiamento sine die da constru\u00e7\u00e3o de novas usinas nucleares.<\/p>\n<p>No evento, Tolmasquim revelou que 70% da eletricidade gerada na usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em constru\u00e7\u00e3o no rio Xingu, no Par\u00e1, ser\u00e3o destinados a abastecer a Regi\u00e3o Sudeste, por interm\u00e9dio de duas linhas de transmiss\u00e3o em corrente cont\u00ednua de 800 kV, uma direcionada a Minas Gerais e a outra ao Rio de Janeiro. Com isto, Belo Monte, cujo projeto foi bastante prejudicado pelas press\u00f5es ambientalistas e a vis\u00e3o imediatista, que for\u00e7aram a redu\u00e7\u00e3o do seu reservat\u00f3rio e a n\u00e3o inclus\u00e3o de eclusas para viabilizar a navega\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 a sua import\u00e2ncia regional bastante diminu\u00edda, funcionando, basicamente, como fornecedora de eletricidade para as regi\u00f5es mais desenvolvidas. De resto, a mesma orienta\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo seguida nas usinas do rio Madeira, Jirau e Santo Ant\u00f4nio, e na de Teles Pires, no rio do mesmo nome.<\/p>\n<p>Com esse enfoque \u00abmercantilista-exportador\u00bb, desperdi\u00e7a-se o enorme potencial que tais empreendimentos poderiam desempenhar no desenvolvimento socioecon\u00f4mico na Amaz\u00f4nia, na implementa\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura que viabilizasse um processo sustentado de diversifica\u00e7\u00e3o de atividades econ\u00f4micas, contemplando, em especial, uma industrializa\u00e7\u00e3o seletiva da regi\u00e3o, baseada na agrega\u00e7\u00e3o de valor aos seus vastos recursos naturais. Evidentemente, isto teria que ser acompanhado em paralelo por um s\u00e9rio compromisso dos poderes p\u00fablicos, no sentido de viabilizar as redes de infraestrutura urbana necess\u00e1rias para receber os contingentes populacionais atra\u00eddos pelas novs perspectivas. N\u00e3o obstante, a op\u00e7\u00e3o preferencial pela exporta\u00e7\u00e3o de energia tende a favorecer um enfoque que n\u00e3o se diferencia muito de uma esp\u00e9cie de colonialismo interregional, que tende a limitar as perspectivas de progresso da regi\u00e3o e, ao mesmo tempo, favorece a estrat\u00e9gia ambientalista de mant\u00ea-la como uma \u00abzona de exclus\u00e3o de desenvolvimento\u00bb.<\/p>\n<p>O outro grave equ\u00edvoco estrat\u00e9gico foi revelado por Zimmerman, ao anunciar que, pelo menos at\u00e9 2021, o Pa\u00eds n\u00e3o dever\u00e1 construir qualquer usina nuclear nova, al\u00e9m da conclus\u00e3o de Angra 3. Em suas palavras:<\/p>\n<blockquote><p>No plano de curto prazo, que \u00e9 at\u00e9 2020, n\u00e3o se considerou qualquer usina nuclear, porque n\u00e3o h\u00e1 necessidade. O atendimento ser\u00e1 com hidrel\u00e9tricas. Fontes complementares, como e\u00f3lica, t\u00e9rmica e g\u00e1s natural (sic), tamb\u00e9m atender\u00e3o \u00e0 demanda&#8230; O plano 2021, segundo informa\u00e7\u00f5es que tenho, tamb\u00e9m n\u00e3o vai considerar usinas nucleares. Mas n\u00e3o tem adiamento. No plano 2030, provavelmente, ter\u00e1 espa\u00e7o para de quatro a oito centrais nucleares (<em>O Globo<\/em>, 9\/05\/2012).<\/p><\/blockquote>\n<p>Embora Zimmerman tenha negado qualquer influ\u00eancia do acidente na usina japonesa de Fukushima, em mar\u00e7o de 2011, em tal decis\u00e3o, Tolmasquim a confirmou:<\/p>\n<blockquote><p>Com a quest\u00e3o de Fukushima, um acidente grave, n\u00e3o foi s\u00f3 o Brasil: o mundo todo deu uma parada para analisar, avaliar. Temos uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel, com potencial hidrel\u00e9trico grande; tem o potencial e\u00f3lico, o g\u00e1s, a biomassa. Podemos fazer as coisas com calma.<\/p><\/blockquote>\n<p>Aparentemente, n\u00e3o entrou nas avalia\u00e7\u00f5es o fato de que um hiato dessa magnitude na constru\u00e7\u00e3o de novas usinas ter\u00e1 s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es para a disponibilidade da m\u00e3o-de-obra qualificada para o setor, problema que j\u00e1 ocorreu com a estagna\u00e7\u00e3o de quase duas d\u00e9cadas experimentada pelo programa nuclear &#8211; tempo que levou a constru\u00e7\u00e3o de Angra 2. Com um novo interregno de mais de uma d\u00e9cada, \u00e9 seguro que muitos profissionais deixar\u00e3o a \u00e1rea, por falta de oportunidades, e o problema se verificar\u00e1 quando &#8211; e se &#8211; a expans\u00e3o do programa nuclear voltar a ser considerada.<\/p>\n<p>Da mesma forma, \u00e9 certo que o Pa\u00eds ainda lamentar\u00e1 semelhante miopia estrat\u00e9gica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O planejamento estrat\u00e9gico do governo brasileiro no setor energ\u00e9tico demonstra, de forma insofism\u00e1vel, que as lideran\u00e7as nacionais respons\u00e1veis pelos processos decis\u00f3rios parecem ter perdido a capacidade de pensar a longo prazo e por si pr\u00f3prias, sem se deixar enredar nos condicionantes externos em voga, como a ideologia e a agenda pol\u00edtica do ambientalismo internacional. Este &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[],"class_list":["post-440","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-infraestrutura-e-integracao-regional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}