{"id":427,"date":"2012-04-13T15:31:53","date_gmt":"2012-04-13T15:31:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=427"},"modified":"2012-04-13T15:31:53","modified_gmt":"2012-04-13T15:31:53","slug":"eleitores-australianos-rejeitam-taxa-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/eleitores-australianos-rejeitam-taxa-de-carbono\/","title":{"rendered":"Eleitores australianos rejeitam taxa de carbono"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">No \u00faltimo dia 26 de mar\u00e7o, foram realizadas elei\u00e7\u00f5es parlamentares no estado australiano de Queensland, no nordeste do pa\u00eds. O pleito registrou uma das mais contundentes derrotas j\u00e1 sofridas pelo Partido Trabalhista Australiano (ALP, na sigla em ingl\u00eas) em um dos seus principais redutos eleitorais. Analistas avaliam que, dentre os principais fatores causadores do desastre eleitoral, destaca-se a pol\u00eamica aprova\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de um imposto sobre o carbono, pelo governo da primeira-ministra trabalhista Julia Gillard, contrariamente \u00e0 esmagadora maioria da opini\u00e3o p\u00fablica australiana.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo os resultados oficiais, os trabalhistas conseguiram obter apenas sete das 89 cadeiras em disputa no Parlamento estadual, seu pior resultado desde a d\u00e9cada de 1970. Al\u00e9m disso, o Partido Verde n\u00e3o conseguiu eleger nenhum deputado, enquanto o pequeno Partido Australiano dos Katter, fundado por uma lideran\u00e7a pol\u00edtica independente, que tamb\u00e9m se posiciona contrariamente \u00e0s taxas de carbono, conseguiu eleger dois representantes, um feito in\u00e9dito para a agremia\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, o Partido Liberal Australiano (ALP), principal opositor dos trabalhistas, conquistou nada menos que 77 cadeiras (Courriermail.com.au, 26\/03\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">A grande maioria dos analistas atribui a derrota acachapante dos trabalhistas ao imposto do carbono. Segundo a legisla\u00e7\u00e3o, aprovada em 2011, a partir de julho de deste ano, as 500 maiores empresas do pa\u00eds ter\u00e3o que pagar uma taxa fixa de cerca de 23 d\u00f3lares por tonelada de carbono emitido. Tal patamar est\u00e1 muito acima do pre\u00e7o praticado no mercado de carbono europeu (ETS), no qual tem sido a tonelada de carbono tem sido negociada em torno de 7 euros. Al\u00e9m disto, as metas aprovadas pela maioria trabalhista no Parlamento nacional pretendem reduzir as emiss\u00f5es do pa\u00eds em 5%, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 2000, at\u00e9 o ano de 2020, e em 80%, at\u00e9 2050 &#8211; uma fa\u00e7anha e tanto, para um pa\u00eds cuja base energ\u00e9tica depende em 80% de termel\u00e9tricas a carv\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o australiana, por sua vez, considerou o pacote de medidas descabido, e uma amea\u00e7a \u00e0 economia nacional.<\/p>\n<p align=\"left\">Em oposi\u00e7\u00e3o a tal plano delirante, o deputado liberal Tony Abbott assumiu a lideran\u00e7a de uma campanha nacional. Cr\u00edtico da tese do aquecimento global antropog\u00eanico, Abbot conduziu uma intensa campanha para barrar o projeto no Parlamento e, embora a legisla\u00e7\u00e3o tenha sido aprovada, ele saiu politicamente fortalecido do embate pol\u00edtico. Segundo uma pesquisa de opini\u00e3o realizada pela ag\u00eancia noticiosa chinesa Xinhua (18\/07\/2011), imediatamente ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o dos impostos sobre as emiss\u00f5es, 51% dos entrevistados declararam que votariam em candidatos do LPA, enquanto que os trabalhistas, que t\u00eam dominado a pol\u00edtica australiana nos \u00faltimos 39 anos, contavam com apenas 26% das inten\u00e7\u00f5es de voto.<\/p>\n<p align=\"left\">Diante da estrondosa derrota em Queensland, Gillard preferiu negar o \u00f3bvio, desvinculando o resultado do pol\u00eamico plano de corte de emiss\u00f5es. Segundo a premier, a vota\u00e7\u00e3o esteve mais ligada aos problemas do pr\u00f3prio estado (que passou por uma s\u00e9rie de privatiza\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m, contra a vontade da maioria da popula\u00e7\u00e3o, conduzidas pela premier estadual trabalhista Anna Blight).<\/p>\n<p align=\"left\">Entretanto, para os jornalistas Ben Packham e James Massola, a campanha de Abbott contra a taxa\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es foi fundamental na atra\u00e7\u00e3o do eleitorado para o ALP, cortejando os votos da classe trabalhadora, em especial dos homens. O pr\u00f3prio Abbott foi al\u00e9m e afirmou que, mais do que implementar uma legisla\u00e7\u00e3o ambiental draconiana, depois de prometer que n\u00e3o o fariam, os trabalhistas foram derrotados por \u00abn\u00e3o dizerem a verdade (<em>The Australian<\/em>, 26\/03\/2012)\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">A derrocada dos trabalhistas australianos em Queensland \u00e9 mais uma evid\u00eancia do vis\u00edvel esgotamento do discurso ambientalista entre a opini\u00e3o p\u00fablica, em especial, nos pa\u00edses industrializados. Na Austr\u00e1lia, j\u00e1 se cogita que o amplo descontentamento popular com a \u00abagenda verde\u00bb tende a derrubar definitivamente os trabalhistas do governo federal, nas elei\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo ano. Nos outros pa\u00edses, fica o alerta aos pol\u00edticos que veem nas concess\u00f5es ao ambientalismo radical uma fonte de votos &#8211; como pontificava o grande presidente Abraham Lincoln, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel enganar todos por todo o tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 26 de mar\u00e7o, foram realizadas elei\u00e7\u00f5es parlamentares no estado australiano de Queensland, no nordeste do pa\u00eds. O pleito registrou uma das mais contundentes derrotas j\u00e1 sofridas pelo Partido Trabalhista Australiano (ALP, na sigla em ingl\u00eas) em um dos seus principais redutos eleitorais. 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