{"id":420,"date":"2012-11-16T15:08:30","date_gmt":"2012-11-16T15:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=420"},"modified":"2012-11-16T15:08:30","modified_gmt":"2012-11-16T15:08:30","slug":"o-homem-que-salvou-literalmente-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/o-homem-que-salvou-literalmente-o-mundo\/","title":{"rendered":"O homem que salvou (literalmente) o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Em filmes de fic\u00e7\u00e3o hollywoodianos, n\u00e3o s\u00e3o incomuns tramas em que um \u00fanico indiv\u00edduo salva todo um povo, um pa\u00eds ou at\u00e9 mesmo o planeta inteiro. Na Crise dos M\u00edsseis de Cuba, indiscutivelmente, o destino do mundo esteve nas m\u00e3os de muito poucos: sem d\u00favida, do presidente John F. Kennedy e do premier Nikita Krushchov; mas foi apenas quatro d\u00e9cadas depois que se soube que, na ocasi\u00e3o, um \u00fanico oficial naval sovi\u00e9tico havia impedido o lan\u00e7amento de um torpedo nuclear contra belonaves estadunidenses &#8211; e o inevit\u00e1vel tiroteio nuclear que se seguiria.<\/p>\n<p>O homem que, literalmente, salvou o mundo de um apocalipse at\u00f4mico, foi o comandante Vasili Alexandrovich Arkhipov, que liderava uma flotilha de quatro submarinos enviada a Cuba. Embora fosse o comandante da flotilha, Arkhipov era o segundo em comando no submarino\u00a0<em>B-59<\/em>, cujo capit\u00e3o era Valentin G. Savitsky. Na tarde de 27 de outubro de 1962, o dia mais cr\u00edtico da crise, uma for\u00e7a-tarefa estadunidense constitu\u00edda pelo porta-avi\u00f5es <em>USS Randolph<\/em>\u00a0e onze destr\u00f3ieres localizou o\u00a0<em>B-59<\/em>\u00a0e come\u00e7ou a lan\u00e7ar contra ele cargas de profundidade de exerc\u00edcio, em uma tentativa de faz\u00ea-lo emergir. Sem comunica\u00e7\u00f5es com Moscou e submerso h\u00e1 v\u00e1rios dias, com o ar se esgotando a bordo, Savitsky considerou que a guerra havia estourado e ordenou que o torpedo nuclear fosse armado e preparado para o disparo.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, as normas sovi\u00e9ticas permitiam o emprego dos torpedos nucleares, sem necessidade de ordens espec\u00edficas de Moscou, desde que houvesse unanimidade entre o comandante, o imediato e o comiss\u00e1rio pol\u00edtico de bordo. No\u00a0<em>B-59<\/em>, tanto Savitsky como o comiss\u00e1rio Ivan S. Maslenikov eram favor\u00e1veis ao disparo, mas Arkhipov imp\u00f4s a sua autoridade, acalmou Savitsky e optaram por levar a nave \u00e0 superf\u00edcie e aguardar novas ordens de Moscou.<\/p>\n<p>Um dos fatores que contribu\u00edram para que a posi\u00e7\u00e3o de Arkhipov prevalecesse foi o elevado respeito de que ele j\u00e1 gozava na Marinha sovi\u00e9tica, por ter sido imediato do malfadado submarino nuclear\u00a0<em>K-19<\/em>, que, em julho de 1961, experimentou um letal vazamento de radia\u00e7\u00e3o no seu reator. No epis\u00f3dio, retratado no filme estadunidense\u00a0<em>K-19<\/em>\u00a0(2002), Arkhipov n\u00e3o apenas contribuiu para impedir um motim da tripula\u00e7\u00e3o, como se exp\u00f4s a altas doses de radia\u00e7\u00e3o, ao ajudar a reparar o reator, com efeitos bastante prejudiciais para a sua sa\u00fade.<\/p>\n<p>Como concordam todos os historiadores e estrategistas que revisaram os acontecimentos de 1962, a detona\u00e7\u00e3o do artefato teria pulverizado a for\u00e7a estadunidense, mas, indubitavelmente, teria deixado Kennedy sem outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a de ordenar uma retalia\u00e7\u00e3o nuclear contra a URSS, em uma escalada de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a crise, Arkhipov prosseguiu em sua carreira na Marinha sovi\u00e9tica, tendo atingido o posto de vice-almirante. Ele morreu em 1998, de um c\u00e2ncer no f\u00edgado, provavelmente, deflagrado pela radia\u00e7\u00e3o contra\u00edda no\u00a0<em>K-19<\/em>. O drama do\u00a0<em>B-59<\/em>\u00a0s\u00f3 se tornou conhecido fora de seu pa\u00eds em 2002, em um semin\u00e1rio sobre os 40 anos da Crise dos M\u00edsseis, em Cuba, promovido pelo Arquivo de Seguran\u00e7a Nacional (ASN), a Universidade Brown e o governo cubano. No evento, o diretor do ASN, Thomas Blanton, afirmou: \u00abA li\u00e7\u00e3o disso tudo \u00e9 que um cara chamado Vasili Arkhipov salvou o mundo (<em>The Boston Globe<\/em>, 13\/10\/2002).\u00bb<\/p>\n<p>No cinquenten\u00e1rio da crise, Arkhipov foi homenageado por seus antigos advers\u00e1rios, com um document\u00e1rio dramatizado realizado pela rede de televis\u00e3o p\u00fablica PBS, justamente intitulado \u00abO homem que salvou o mundo\u00bb, que\u00a0<a href=\"http:\/\/video.pbs.org\/video\/2295274962\">pode ser visto no s\u00edtio da rede<\/a>\u00a0(para facilitar, uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pbs.org\/wnet\/secrets\/transcripts\/the-who-saved-the-world-program-transcript\/907\/\">transcri\u00e7\u00e3o do roteiro<\/a>\u00a0tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel). Assisti-lo \u00e9 n\u00e3o apenas um precioso exerc\u00edcio de Hist\u00f3ria, como tamb\u00e9m uma homenagem ao her\u00f3i quase an\u00f4nimo que evitou o impens\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em filmes de fic\u00e7\u00e3o hollywoodianos, n\u00e3o s\u00e3o incomuns tramas em que um \u00fanico indiv\u00edduo salva todo um povo, um pa\u00eds ou at\u00e9 mesmo o planeta inteiro. Na Crise dos M\u00edsseis de Cuba, indiscutivelmente, o destino do mundo esteve nas m\u00e3os de muito poucos: sem d\u00favida, do presidente John F. 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