{"id":407,"date":"2012-03-30T19:39:42","date_gmt":"2012-03-30T19:39:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=407"},"modified":"2012-03-30T19:39:42","modified_gmt":"2012-03-30T19:39:42","slug":"ocde-embarca-no-trem-da-economia-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/ocde-embarca-no-trem-da-economia-verde\/","title":{"rendered":"OCDE embarca no trem da \u00abeconomia verde\u00bb"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Entre as grandes institui\u00e7\u00f5es multilaterais, a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) era uma das poucas que ainda n\u00e3o havia embarcado plenamente no comboio do ambientalismo, elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de diretriz fundamental de organiza\u00e7\u00e3o das sociedades e economias. Agora, n\u00e3o mais. Na semana passada, a entidade que representa as economias mais industrializadas do mundo se uniu em grande estilo ao comboio da \u00abeconomia verde\u00bb, com a divulga\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio alarmista sobre as perspectivas ambientais do planeta em meados do s\u00e9culo, caso n\u00e3o sejam tomadas medidas preventivas imediatas &#8211; evidentemente, baseadas em \u00absolu\u00e7\u00f5es de mercado\u00bb.<\/p>\n<p>Embora tenha passado algo despercebido, em meio aos preparativos para a confer\u00eancia Rio+20, o relat\u00f3rio, divulgado em 15 de mar\u00e7o e intitulado <a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/document\/11\/0,3746,en_2649_37465_49036555_1_1_1_37465,00.html\">\u00abPanorama ambiental at\u00e9 2050: as consequ\u00eancias da ina\u00e7\u00e3o\u00bb<\/a>, foi anunciado com as habituais manchetes bomb\u00e1sticas, como a do s\u00edtio G1: \u00abMundo entra em colapso se ritmo de crescimento continuar, afirma OCDE.\u00bb Ou o da revista Business Week: \u00abOCDE prev\u00ea panorama &#8216;horr\u00edvel&#8217; para ambiente global em 2050.\u00bb<\/p>\n<p>Com efeito, o <a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/document\/34\/0,3746,en_21571361_44315115_49897570_1_1_1_1,00.html\">boletim de imprensa<\/a> da OCDE transmite um tom de alarme e urg\u00eancia:<\/p>\n<blockquote><p>Embora os pa\u00edses lutem contra os desafios imediatos das finan\u00e7as p\u00fablicas esgar\u00e7adas e o desemprego elevado, eles n\u00e3o devem negligenciar o longo prazo. A\u00e7\u00f5es imediatas precisam ser efetuadas, para se evitarem danos irrevers\u00edveis ao meio ambiente.<\/p>\n<p>\u00abFontes de crescimento mais verdes podem ajudar, hoje, os governos a enfrentar esses desafios prementes. O esverdeamento da agricultura, do abastecimento de \u00e1gua e energia e das ind\u00fastrias ser\u00e1 cr\u00edtico, por volta de 2050, para que se possam atender \u00e0s necessidades de mais de 9 bilh\u00f5es de pessoas\u00bb, disse o secret\u00e1rio-geral da OCDE, Angel Gurr\u00eda.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para os autores do documento, o \u00abesverdeamento\u00bb da economia est\u00e1 diretamente vinculado &#8211; como n\u00e3o poderia deixar de ser &#8211; \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono provenientes do uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Fazendo eco de progn\u00f3sticos divulgados anteriormente por outras ag\u00eancias, eles afirmam que, em 2050, a demanda energ\u00e9tica mundial ser\u00e1 80% superior \u00e0 atual, com as economias emergentes respondendo pela maior parte do crescimento. Admitindo que 85% dessa demanda seria suprida por petr\u00f3leo, g\u00e1s natural e carv\u00e3o mineral (\u00edndice superior aos atuais 82%), eles afirmam que isto poderia acarretar \u00abum aumento de 50% nas emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa e uma piora na polui\u00e7\u00e3o do ar\u00bb.<\/p>\n<p>A men\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica sinaliza uma reorienta\u00e7\u00e3o da agenda de politiza\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o clim\u00e1tica em \u00e2mbito internacional, at\u00e9 agora, predominantemente enfocada nas supostas influ\u00eancias do aumento das concentra\u00e7\u00f5es de carbono sobre as temperaturas, o n\u00edvel do mar e outros impactos. Em fun\u00e7\u00e3o do crescente descr\u00e9dito dessa variante do discurso catastrofista e, n\u00e3o menos, de alguns dos seus principais porta-vozes internacionais, o aparato \u00abaquecimentista\u00bb parece estar ampliando o escopo de sua pauta, na tentativa de sustentar esta lucrativa m\u00e1quina de centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>De fato, o documento d\u00e1 um grande destaque \u00e0 polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica urbana, afirmando que ela est\u00e1 a caminho de se tornar \u00aba maior causa ambiental de mortalidade mundial, em 2050, \u00e0 frente da \u00e1gua suja e da falta de saneamento\u00bb.<\/p>\n<p>O mais curioso \u00e9 que as defici\u00eancias de \u00e1gua e saneamento b\u00e1sico, que constituem de longe o maior problema ambiental do planeta, raramente sejam mencionadas em documentos ambientalistas e, agora, a OCDE lhes confere o devido destaque &#8211; mas, apenas para ressaltar a dimens\u00e3o da amea\u00e7a da polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica urbana, atribu\u00edda ao uso crescente de combust\u00edveis f\u00f3sseis! Efetivamente, n\u00e3o se tratam de amadores.<\/p>\n<p>O documento lista uma s\u00e9rie de urgentes desafios, como a perda global de biodiversidade e a crescente demanda de \u00e1gua, todos acompanhados por sombrias proje\u00e7\u00f5es e consequ\u00eancias para a popula\u00e7\u00e3o mundial, principalmente, nas economias emergentes e nos pa\u00edses menos desenvolvidos. Felizmente para a Humanidade, os operosos autores do relat\u00f3rio da OCDE colocam toda a sua presci\u00eancia e vis\u00e3o de longo prazo para oferecer uma alternativa:<\/p>\n<blockquote><p>Para se evitar o sombrio futuro pintado por \u00abPanorama ambiental at\u00e9 2050\u00bb, o relat\u00f3rio recomenda um coquetel [sic] de solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas: usar impostos ambientais e esquemas de com\u00e9rcio de emiss\u00f5es, para tornar a polui\u00e7\u00e3o mais custosa do que as alternativas mais verdes; valorar e precificar os ativos naturais e servi\u00e7os dos ecossistemas, como o ar limpo, \u00e1gua e biodiversidade, atribuindo-lhes o seu verdadeiro valor; remover subs\u00eddios ambientalmente prejudiciais aos combust\u00edveis f\u00f3sseis ou esquemas de irriga\u00e7\u00e3o perdul\u00e1rios; e incentivar as inova\u00e7\u00f5es verdes, encarecendo os modos de produ\u00e7\u00e3o e consumo poluentes e, ao mesmo tempo, proporcionando apoio p\u00fablico \u00e0 pesquisa e desenvolvimento b\u00e1sicos [para as \u00abinova\u00e7\u00f5es verdes\u00bb &#8211; n.e.].<\/p><\/blockquote>\n<p>Como se percebe, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 manter a insana agenda de \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia mundial, sem oferecer alternativas tecnol\u00f3gicas efetivamente mais avan\u00e7adas, mas apenas o batido receitu\u00e1rio das \u00absolu\u00e7\u00f5es de mercado\u00bb, o que asseguraria uma vasta expans\u00e3o do mercado de cr\u00e9ditos de carbono (e, sem d\u00favida, a pr\u00f3xima grande bolha especulativa no caminho da reconstru\u00e7\u00e3o da economia mundial). Ademais, a ado\u00e7\u00e3o em larga escala de semelhante \u00abcoquetel\u00bb implicaria em um poderoso obst\u00e1culo ao desenvolvimento das economias emergentes, em especial, as asi\u00e1ticas &#8211; o que, evidentemente, n\u00e3o incorreria no desagrado dos membros da OCDE, alguns dos quais bastante desconfort\u00e1veis com a transfer\u00eancia do centro de gravidade geoecon\u00f4mico do planeta para a Bacia do Pac\u00edfico. N\u00e3o obstante, \u00e9 dif\u00edcil que se possa \u00abesverdear\u00bb uma economia global que se encontra seriamente amea\u00e7ada de \u00abentrar no vermelho\u00bb, caso n\u00e3o seja revertida a sua tend\u00eancia atual.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre as grandes institui\u00e7\u00f5es multilaterais, a Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) era uma das poucas que ainda n\u00e3o havia embarcado plenamente no comboio do ambientalismo, elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de diretriz fundamental de organiza\u00e7\u00e3o das sociedades e economias. Agora, n\u00e3o mais. 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