{"id":404,"date":"2012-11-16T15:56:47","date_gmt":"2012-11-16T15:56:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=404"},"modified":"2012-11-16T15:56:47","modified_gmt":"2012-11-16T15:56:47","slug":"foro-de-guadalajara-e-preciso-uma-nova-abordagem-que-valorize-a-dignidade-do-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/foro-de-guadalajara-e-preciso-uma-nova-abordagem-que-valorize-a-dignidade-do-homem\/","title":{"rendered":"Foro de Guadalajara: \u00c9 preciso uma nova abordagem que valorize a dignidade do homem"},"content":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo deste artigo \u00e9 constitu\u00eddo pelas brev\u00edssimas palavras de um dos participantes do Foro de Guadalajara pela Uni\u00e3o dos Estados Nacionais, a Justi\u00e7a Social e o Bem Comum, que refletem o resultado dos dois dias de intenso trabalho, no evento realizado na cidade mexicana, em 18-19 de outubro \u00faltimos, para discutir o tema geral \u00abA crise mundial al\u00e9m do \u00e2mbito econ\u00f4mico financeiro; a globaliza\u00e7\u00e3o e as amea\u00e7as \u00e0 dignidade do trabalho humano\u00bb. Na oportunidade, mais de 200 pessoas, incluindo mexicanos, brasileiros e europeus, de v\u00e1rias \u00e1reas, se reuniram para debater os desafios que a Humanidade est\u00e1 enfrentando na atualidade, com discuss\u00f5es empolgadas sobre as formas de supera\u00e7\u00e3o da crise global atual. Um tema central recorrente nas interven\u00e7\u00f5es foi a ideia de que nenhuma solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 encontrada para resolver a atual crise econ\u00f4mica e financeira, bem como para por fim \u00e0 profunda crise espiritual, se uma nova id\u00e9ia de dignidade humana, justi\u00e7a social e bem comum n\u00e3o se tornar o novo guia moral da Humanidade.<\/p>\n<p>Como ressaltaram v\u00e1rios expositores, o que o mundo precisa \u00e9 de uma nova mudan\u00e7a de paradigma, uma ruptura, uma nova renascen\u00e7a espiritual, combinando uma ressurrei\u00e7\u00e3o das melhores ideias da civiliza\u00e7\u00e3o europeia. Houve um forte consenso de que \u00e9 chegada a hora para a forma\u00e7\u00e3o de movimentos sociais ao redor do globo, al\u00e9m do estabelecimento de novas formas de coopera\u00e7\u00e3o entre os Estados nacionais. Outros palestrantes clamaram pela concretiza\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, com base em grandes projetos de infraestrutura, e tendo em conta as ra\u00edzes culturais comuns das na\u00e7\u00f5es do continente. Igualmente, foi dada uma aten\u00e7\u00e3o renovada ao modo como se manifesta a crise cultural mundial e aos novos par\u00e2metros que deveriam orientar a ci\u00eancia e a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cultural da juventude.<\/p>\n<p>O evento, realizado na C\u00e2mara Comercial de Guadalajara, foi patrocinado pela Federa\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria de Trabalhadores e Camponeses do Estado de Jalisco (CROC), a Capax Dei Editora e o Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa). A abertura dos trabalhos foi feita pelo presidente da CROC, Dr. Antonio \u00c1lvarez, e pelo prefeito de Guadalajara, Ramiro Hern\u00e1ndez Garc\u00eda, e contou com a presen\u00e7a de autoridades estaduais, entre elas, um representante do governador do estado.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, o presidente da CROC destacou a profunda mudan\u00e7a de paradigma, com a qual o M\u00e9xico se confronta, implicando em um r\u00e1pido crescimento da viol\u00eancia e da delinq\u00fc\u00eancia, e ressaltou que uma vis\u00e3o mais fundamental se faz necess\u00e1ria, a qual torna necess\u00e1rio que o crescimento econ\u00f4mico se d\u00ea com base em obras p\u00fablicas e no desenvolvimento da economia real.<\/p>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o, o prefeito municipal afirmou: \u00abSem d\u00favida, a globaliza\u00e7\u00e3o nos tem oferecido desafios que n\u00e3o t\u00ednhamos, em condi\u00e7\u00f5es anteriores. A globaliza\u00e7\u00e3o abriu as portas, rompeu paradigmas e imp\u00f4s as novas condi\u00e7\u00f5es, deflagrou uma corrida, a corrida pelo crescimento; mas, tamb\u00e9m, gerou uma s\u00e9rie de contradi\u00e7\u00f5es, que, hoje, estamos vendo manifestar-se de maneiras diferentes, no mundo inteiro. A globaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, nos levou \u00e0 polariza\u00e7\u00e3o em muitos sentidos, come\u00e7ando pelo social e o ambiental.\u00bb<\/p>\n<p>Entre os participantes brasileiros, estavam o senador paranaense Roberto Requi\u00e3o e o engenheiro e economista Darc Costa.<\/p>\n<p>O n\u00famero de participantes e o interesse despertado pelo semin\u00e1rio constata o fermento existente em torno da imperiosa necessidade de que o M\u00e9xico volte a mirar a Am\u00e9rica Latina, sua aliada natural. Como avaliaram \u00c1ngel Palacios e Ver\u00f3nica Cruz, membros da coordena\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio, \u00abdurante a prepara\u00e7\u00e3o do evento, o interesse cresceu constantemente; entre as organiza\u00e7\u00f5es sociais do pa\u00eds, sindicatos, profissionais, empres\u00e1rios, estudantes, existe uma voca\u00e7\u00e3o para a integra\u00e7\u00e3o com a Am\u00e9rica Central e do Sul, que o tratado de livre com\u00e9rcio com os EUA e o Canad\u00e1 n\u00e3o conseguiu extinguir, tudo nos une. Nos entendemos nos aspectos fundamentais que vinculam o Estado nacional a uma economia voltada para a moral e a uma cultura que enrique\u00e7a as nossas na\u00e7\u00f5es\u00bb.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Os males sociais da \u00abNova Economia\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 claro, no momento atual de crise econ\u00f4mica e financeira internacional, que solu\u00e7\u00f5es \u00abt\u00e9cnicas\u00bb n\u00e3o funcionar\u00e3o, como foi enfatizado pelo coordenador-geral do Foro e presidente do MSIa, Lorenzo Carrasco, na abertura da confer\u00eancia, juntamente com o secret\u00e1rio-geral da se\u00e7\u00e3o estadual das centrais sindicais CROC-FROC, Antonio \u00c1lvarez Esparza.<\/p>\n<p>Nas palavras de Carrasco: \u00abAo enfrentarmos com um sem fim de explica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sobre a crise mundial, que se aprofunda, sem encontrar em tais exegeses um diagn\u00f3stico definitivo sobre suas causas e, consequentemente, suas poss\u00edveis terapias, temos que concluir que a esfera dos especialistas econ\u00f4micos \u00e9 uma torre de Babel em processo de demoli\u00e7\u00e3o&#8230; Com elites que perderam parcialmente o controle e a capacidade de escravizar abertamente as popula\u00e7\u00f5es, sua alternativa \u00e9 a emerg\u00eancia de uma sociedade hobbesiana. O <em>Leviat\u00e3<\/em> de Hobbes \u00e9 o s\u00edmbolo do conceito de poder inspirado no Tras\u00edmaco da\u00a0<em>Rep\u00fablica<\/em>\u00a0de Plat\u00e3o; um Estado onde \u00abpoder \u00e9 justi\u00e7a\u00bb e a lei natural transcendental \u00e9 negada.\u00bb<\/p>\n<p>Por isso, afirmou, \u00aba presente crise \u00e9 mais do que econ\u00f4mico-financeira, sendo o mundo econ\u00f4mico o \u00e2mbito em que se refletem e se materializam as concep\u00e7\u00f5es predominantes sobre o homem e a natureza\u00bb.<\/p>\n<p>Uma importante contribui\u00e7\u00e3o aos trabalhos foi proporcionada pelas interven\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes trabalhistas e empres\u00e1rios mexicanos e brasileiros. No caso mexicano, como enfatizou Antonio \u00c1lvarez Esparza, a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, come\u00e7ou quando se passou a seguir os ditames da \u00abNova Economia\u00bb, tendo como resultado a desindustrializa\u00e7\u00e3o, com o fechamento de mais de 1600 empresas, enquanto o PIB sofria uma redu\u00e7\u00e3o de 40% e milhares de trabalhadores perderam os seus empregos, for\u00e7ando-os a aceitar o aquecido debate sobre a reforma da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. O presidente do CROC tamb\u00e9m clamou por uma mudan\u00e7a fundamental de paradigma, para uma nova l\u00f3gica baseada em conceitos-chave da enc\u00edclica Rerum Novarum e na id\u00e9ia da dignidade humana.<\/p>\n<p>O l\u00edder sindical brasileiro Luiz S\u00e9rgio da Rosa Lopes, vice-presidente da Central Sindical de Profissionais (CSP), fez um apelo por uma nova era de crescimento que garanta uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade para a juventude. Em sua interven\u00e7\u00e3o, ele fez uma refer\u00eancia espec\u00edfica \u00e0 obra do presidente Get\u00falio Vargas, qualificando-o como o pai da na\u00e7\u00e3o brasileira, por ter inaugurado a era industrial no pa\u00eds e ter implementado as primeiras leis trabalhistas e o estado de bem estar social no Brasil. Segundo ele, apesar de o pa\u00eds sul-americano se encontrar atualmente sob ataque do neoliberalismo, o Brasil deve transmitir uma \u00abvis\u00e3o otimista\u00bb para o mundo e engajar a sua popula\u00e7\u00e3o na luta por mais justi\u00e7a social, nas ruas e no Congresso.<\/p>\n<p>O senador e ex-governador do Paran\u00e1, Roberto Requi\u00e3o, aprofundou no seu pronunciamento a ideia de \u00abmudan\u00e7a de paradigma\u00bb. De acordo com o parlamentar, estamos vivendo em um \u00abtempo de crises\u00bb, em que a Humanidade come\u00e7a a se \u00abrebelar e a exigir justi\u00e7a\u00bb. O que se faz necess\u00e1rio \u00e9 um \u00abpartido da crise\u00bb, da mesma forma em que isto foi necess\u00e1rio, na d\u00e9cada de 1930, quando Vargas mudou o Brasil, ao dar in\u00edcio a um vigoroso processo de industrializa\u00e7\u00e3o. Requi\u00e3o enfatizou que a crise n\u00e3o ser\u00e1 resolvida apenas com palavras de ordem e boas inten\u00e7\u00f5es, mas somente por meio de uma verdadeira ruptura. Ao mesmo tempo, fez um chamado por uma maior coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica entre o Brasil e o M\u00e9xico, bem como pela amplia\u00e7\u00e3o da coopera\u00e7\u00e3o do Brasil com outros pa\u00edses do planeta. Para o senador, n\u00e3o haver\u00e1 futuro para a Am\u00e9rica Latina se as na\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o n\u00e3o concretizarem uma efetiva \u00abAm\u00e9rica Latina Unida\u00bb &#8211; da\u00ed a necessidade de que os povos do continente acordem e re\u00fanam a criatividade dos patriotas brasileiros e mexicanos em todas as esferas da vida.<\/p>\n<p align=\"left\">Por sua vez, Anno Hellenbroich, correspondente deste s\u00edtio em Wiesbaden, Alemanha, lan\u00e7ou um olhar sobre a situa\u00e7\u00e3o atual do mundo sob o ponto de vista europeu, destacando que o conceito de \u00abtranscend\u00eancia do homem\u00bb \u00e9 a chave para definir a natureza essencial do homem na sociedade em crise. Assim como a reunifica\u00e7\u00e3o da Alemanha demonstrou, h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas, grandes mudan\u00e7as para o bem tamb\u00e9m necessitam de muito tempo para superar as \u00abdores da mudan\u00e7a\u00bb. Dado o crescente descontentamento com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise europeia, teremos que aceitar uma \u00abEuropa Socr\u00e1tica\u00bb, onde, na medida em que mais respostas sejam apresentadas, surgem mais perguntas. De fato, disse, n\u00e3o existe a decis\u00e3o pol\u00edtica \u00absem alternativas\u00bb.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Reforma financeira global<\/strong><\/p>\n<p>Tal como foi delineado pela economista mexicana Marivilia Carrasco, dirigente do MSIa, a nova ordem financeira requer uma vis\u00e3o diferenciada sobre a \u00abeconomia vis\u00edvel e a que n\u00e3o se pode ver\u00bb, a qual tem levado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma gigantesca \u00abbolha especulativa\u00bb. Ela abordou o tema do credito nacional em contraposi\u00e7\u00e3o ao sistema supranacional, que sustenta a globaliza\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>\u00c0 luz de tais observa\u00e7\u00f5es, o general mexicano Robert Badillo, autor do livro<em>\u00a0Os respons\u00e1veis pelas crises financeiras contempor\u00e2neas e suas origens<\/em> (Capax Dei, 2012) destacou a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de novas \u00abregras \u00e9ticas\u00bb e uma \u00abregulamenta\u00e7\u00e3o dos bancos\u00bb. Ele mostrou que o M\u00e9xico, no atual curso da crise, tem perdido as suas reservas de petr\u00f3leo para os Estados Unidos, e que o pa\u00eds latino-americano t\u00eam sido atacado ideol\u00f3gica, econ\u00f4mica e mesmo militarmente pelo seu vizinho do Norte. Da\u00ed a necessidade de reaver a sua soberania nacional e de criar uma economia que &#8211; tal como Carrasco definiu &#8211; seja baseada em um \u00abconceito de cr\u00e9dito, que seja concebido como um instrumento para criar desenvolvimento econ\u00f4mico e industrial\u00bb, ao mesmo tempo em que os bancos centrais devem passar a agir de maneira soberana. Um exemplo ilustrativo de como isto poderia ser feito foi a decis\u00e3o do ent\u00e3o presidente mexicano Jos\u00e9 L\u00f3pez Portillo, que, em 1982, sob ataque do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), nacionalizou o sistema banc\u00e1rio e recuperou para o Estado a soberania sobre o cr\u00e9dito e a moeda.<\/p>\n<p>O economista e jornalista italiano Paolo Raimondi, correspondente deste s\u00edtio em Roma, falou sobre a necessidade de se \u00abreintroduzir, em \u00e2mbito internacional, a Lei Glass-Steagal\u00bb, que foi promulgada nos EUA em 1933, impondo uma separa\u00e7\u00e3o entre bancos comerciais e bancos de investimento e logrando restringir a especula\u00e7\u00e3o dos bancos de cr\u00e9dito. A reintrodu\u00e7\u00e3o de tal princ\u00edpio de separa\u00e7\u00e3o no sistema banc\u00e1rio pode se tornar o ponto de partida para uma reforma financeira global, de modo a definir novas regras para recolocar as finan\u00e7as na condi\u00e7\u00e3o de exercer a sua mais importante fun\u00e7\u00e3o, a cria\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito e de outros mecanismos para dar suporte ao crescimento econ\u00f4mico e ao real desenvolvimento e moderniza\u00e7\u00e3o das economias.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Retorno \u00e0 escola \u00abpersonalista\u00bb de pensamento<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o haver\u00e1 nenhuma mudan\u00e7a nas estruturas financeiras existentes, nem uma recupera\u00e7\u00e3o da economia mundial, a menos que a Europa, que se encontra confrontada por uma enorme crise, concretize a id\u00e9ia dos \u00abEstados Unidos da Europa\u00bb, uma uni\u00e3o pol\u00edtica baseada em um conjunto de valores. Em um painel dedicado \u00e0 quest\u00e3o, sob o t\u00edtulo \u00abA miss\u00e3o da Europa, em defesa da dignidade humana e da justi\u00e7a social\u00bb, o ex-senador italiano Guido Folloni caracterizou a crise atual como o \u00abfim de uma \u00e9poca\u00bb, em que at\u00e9 mesmo o pensamento \u00abutilitarista\u00bb se encontra amea\u00e7ado. Segundo ele, a crise financeira \u00e9 apenas a ponta do iceberg, que revela uma muito mais profunda crise de pensamento, de valores e de moralidade.<\/p>\n<p>Uma mudan\u00e7a de paradigma requer o retorno \u00e0 escola de pensamento \u00abpersonalista\u00bb. Esta inclui os direitos da pessoa e a aprecia\u00e7\u00e3o das comunidades humanas, com a fam\u00edlia exercendo um papel-chave neste sentido &#8211; de modo que o Estado-na\u00e7\u00e3o tem a sua origem na \u00abpessoa\u00bb, no ser humano. A partir de um ponto de vista crist\u00e3o, a pessoa sublinha o car\u00e1ter \u00fanico e singular de cada indiv\u00edduo para a Humanidade. O escritor romano Severino Bo\u00e9cio (480-524) j\u00e1 elaborava tal id\u00e9ia, ao afirmar que a pessoa \u00e9 uma \u00absubst\u00e2ncia individual e incomunic\u00e1vel da natureza racional\u00bb.<\/p>\n<p>Essa \u00e9, essencialmente, a id\u00e9ia da autotranscend\u00eancia, que pavimenta o caminho para conhecer \u00abo outro\u00bb, como destacou o te\u00f3logo Romano Guardini, ao afirmar que \u00aba pessoa significa os meios em que eu, no meu ser, e com todas as coisas consideradas, n\u00e3o posso ser propriedade de outro ser, desde quando eu perten\u00e7o a mim mesmo\u00bb. Folloni se referiu \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o dos Estados modernos, os quais se focam nos \u00abvalores absolutos da pessoa\u00bb, proclamando os seus direitos e reconhecendo a igualdade entre todos os seres, independentemente da sua origem \u00e9tnica, cor, g\u00eanero, l\u00edngua, religi\u00e3o, opini\u00e3o pol\u00edtica ou de qualquer outro tipo, ainda que relacionada a alguma condi\u00e7\u00e3o social, de riqueza, de origem ou de qualquer outro tipo. Por sua vez, a gera\u00e7\u00e3o de 1968 levou ao poder um \u00abindividualismo radical\u00bb, colocando a Humanidade em uma perspectiva guiada pelo hedonismo, a qual nega o car\u00e1ter \u00abtranscendental da natureza humana\u00bb. Hoje, a crise oferece uma nova oportunidade de mudar tal tend\u00eancia. Para Folloni, a escola europeia de pensamento pode oferecer uma nova defini\u00e7\u00e3o de civiliza\u00e7\u00e3o como base para a geopol\u00edtica de um mundo renovado e aberto.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A mem\u00f3ria cultural coletiva<\/strong><\/p>\n<p>No Foro, esta autora discorreu sobre a ideia da dignidade humana, a qual constitui um leitmotiv nos 2000 anos da hist\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o europeia, a qual, por sua vez, \u00e9 produto das culturas greco-romana e judaico-crist\u00e3. No decorrer da hist\u00f3ria europeia, diversas cat\u00e1strofes ocorridas formaram o que pode ser chamado \u00abuma mem\u00f3ria cultural coletiva europ\u00e9ia\u00bb. Um exemplo \u00e9 a Peste Negra do s\u00e9culo XIV, \u00e0 qual poetas, escritores e pintores da \u00e9poca responderam com o Renascimento, e focalizando a sua aten\u00e7\u00e3o nos papeis singulares do indiv\u00edduo na Hist\u00f3ria e nos seus potenciais criativos \u00fanicos.<\/p>\n<p>Os trinta anos de guerras religiosas, que se estenderam entre 1618 e 1648, foram uma cat\u00e1strofe similar, a qual deixou marcas na mem\u00f3ria cultural coletiva. Poucas d\u00e9cadas depois, o fil\u00f3sofo alem\u00e3o Gottfried W. Leibniz, com base nos seus escritos sobre filosofia e economia, estabeleceu uma nova base para uma renova\u00e7\u00e3o da economia europeia, assim como introduziu, pela primeira vez, uma \u00abperspectiva eurasi\u00e1tica\u00bb para a Europa, a qual inclu\u00eda a R\u00fassia e a China.<br \/>\nImport\u00e2ncia similar tiveram os esfor\u00e7os do per\u00edodo posterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial (1939-1945), incluindo os pais da Constitui\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 de 1949, que, em resposta aos horrores da guerra, colocaram no centro do documento a \u00abdignidade humana\u00bb e os seus direitos inalien\u00e1veis, da mesma forma como tamb\u00e9m se refletiram na Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Esfor\u00e7os an\u00e1logos foram realizados pelos fundadores da Europa moderna: o chanceler alem\u00e3o Konrad Adenauer, o presidente franc\u00eas Charles de Gaulle e o diplomata italiano Alcide de Gasperi, bem como os demais fundadores do Mercado Comum Europeu, com o objetivo principal de realizar uma uni\u00e3o pol\u00edtica da Europa &#8211; desafio que, a despeito da profunda crise que a Europa enfrenta, n\u00e3o est\u00e1 perdido nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Em sua exposi\u00e7\u00e3o, o padre Francisco de Miranda, um franciscano mexicano especializado na obra do evangelizador espanhol Vasco de Quiroga, destacou que o maior presente dado pela Europa, h\u00e1 cinco s\u00e9culos, foi o Novo Mundo. O pr\u00f3prio Vasco de Quiroga, j\u00e1 com idade avan\u00e7ada, se incumbiu de ir ao Novo Mundo, no ano de 1536, onde assumiu o posto de bispo na ent\u00e3o rec\u00e9m-inaugurada diocese de Michoacan, no M\u00e9xico, onde exerceu um papel central na hist\u00f3ria da evangeliza\u00e7\u00e3o do M\u00e9xico. O seu objetivo era construir uma sociedade de acordo com a\u00a0Utopia\u00a0de Thomas More, e um dos aspectos do seu projeto era a cria\u00e7\u00e3o do hospital de Santa F\u00e9, bem como escrever um tratado sobre \u00abintegridade, liberdade e desenvolvimento\u00bb. No seu livro\u00a0Utopia, Quiroga enfocou o tema da dignidade humana, reafirmando que todos os homens s\u00e3o iguais. Al\u00e9m disto, aspirou a obter a liberdade para todos os ind\u00edgenas e escravos, bem como o desenvolvimento integral da pessoa, o estabelecimento de uma verdadeira sociedade crist\u00e3, concebendo a futura Am\u00e9rica Latina como uma \u00abdoa\u00e7\u00e3o de um dos melhores aspectos da Europa\u00bb. Segundo Miranda, por tais motivos, ele \u00e9 considerado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidos para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (UNESCO) como um homem que pertence a toda a Humanidade.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina &#8211; como ficou claro nos trabalhos &#8211; n\u00e3o \u00e9 apenas um dos continentes mais ricos do mundo em termos de recursos naturais e humanos, mas tamb\u00e9m pode ser um ponto de partida para um novo impulso de desenvolvimento de toda a Humanidade. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, um ataque sistem\u00e1tico tem sido conduzido contra os trabalhadores e a ind\u00fastria no M\u00e9xico. Com a entrada em vigor do NAFTA (Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte, firmado pelo M\u00e9xico, EUA e Canad\u00e1), o pa\u00eds latino-americano come\u00e7ou a se tornar progressivamente mais \u00abamericanizado\u00bb, perdendo a soberania sobre os portos, aeroportos e recursos minerais, al\u00e9m de se empobrecer cada vez mais, atingindo a marca de 60% de sua popula\u00e7\u00e3o vivendo sob a linha da pobreza. Esta situa\u00e7\u00e3o foi apresentada no Foro pelo empres\u00e1rio mexicano Manuel Villagomes, que defendeu uma revis\u00e3o do NAFTA, de modo a possibilitar uma melhor coopera\u00e7\u00e3o economia com a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>O renascimento da energia nuclear e um novo paradigma ecol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>No painel dedicado ao tema energ\u00e9tico, o engenheiro qu\u00edmico mexicano C\u00edcero Rafael Basurto, diretor do Sindicato \u00danico da Ind\u00fastria Nuclear (SUTIN), ao lado do engenheiro brasileiro Roberto Cardoso Travassos, Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), do ge\u00f3logo brasileiro e diretor do MSIa Geraldo Lu\u00eds Lino, e do astrobi\u00f3logo mexicano Omar Pensado D\u00edaz, ilustraram de diferentes formas os desafios da expans\u00e3o da oferta de energia e de uma reorienta\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas cient\u00edficas no continente.<\/p>\n<p>Rafael Basurto apresentou um panorama da energia nuclear no M\u00e9xico. Seu colega brasileiro fez o mesmo sobre o programa nuclear de seu pa\u00eds. Segundo Travassos, o mundo se encontra, atualmente, na quarta gera\u00e7\u00e3o de tecnologia de reatores nucleares, na qual se baseia o presente \u00abrenascimento da energia nuclear\u00bb que ocorre em todo o mundo. Ele destacou que o Brasil det\u00e9m uma reserva de ur\u00e2nio com cerca de 300.000 toneladas, n\u00famero que tende a crescer nos pr\u00f3ximos anos, na medida em que somente 30% do territ\u00f3rio brasileiro foram devidamente prospectados em busca de min\u00e9rios radioativos at\u00e9 o momento, mas que j\u00e1 situa o pa\u00eds como um dos maiores detentores de recursos uran\u00edferos no planeta.<\/p>\n<p>Lino e Pensado D\u00edaz discorreram sobre as verdadeiras e falsas emerg\u00eancias mundiais e a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de um \u00abnovo paradigma ecol\u00f3gico\u00bb, agenda que inclui a rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 fraude do aquecimento global antropog\u00eanico na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, bem como a necessidade de se iniciarem pesquisas sobre novas tecnologias energ\u00e9ticas, que abram caminho para uma revolu\u00e7\u00e3o no setor, como as chamadas Rea\u00e7\u00f5es Nucleares de Baixa Energia (antes conhecida como \u00abfus\u00e3o a frio\u00bb) e a explora\u00e7\u00e3o da energia do v\u00e1cuo qu\u00e2ntico. Uma forma diferente de se combater a fome e a pobreza no mundo foi apresentada por Pensado D\u00edaz, que dirige o Instituto de Pesquisas Avan\u00e7adas da Universidade Popular de Vera Cruz, onde desenvolve estudos sobre o conceito de \u00abterraforma\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>terraforming<\/em>, em ingl\u00eas) para a coloniza\u00e7\u00e3o de planetas como Marte, com a cria\u00e7\u00e3o de uma biosfera no planeta vizinho.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Integra\u00e7\u00e3o latino-americana<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o das C\u00e2maras de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria da Am\u00e9rica do Sul, Darc Costa, fez uma descri\u00e7\u00e3o atualizada do seu livro\u00a0<em>Am\u00e9rica do Sul: Integra\u00e7\u00e3o e Infraestrutura<\/em>\u00a0(Capax Dei, 2011), cuja edi\u00e7\u00e3o em espanhol foi lan\u00e7ada no Foro. Ele destacou que, enquanto a Am\u00e9rica Latina representa somente 4% do com\u00e9rcio mundial, a regi\u00e3o tem um poder de compra de mais de 4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares &#8211; superior, portanto, ao do Jap\u00e3o. Al\u00e9m disto, o continente \u00e9 autossuficiente em alimentos e o Brasil sozinho representa 55% do PIB da regi\u00e3o. Portanto, a estrat\u00e9gia de integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina deve ser baseada na considera\u00e7\u00e3o de fatores demogr\u00e1ficos e geogr\u00e1ficos e no desenvolvimento industrial, que provoca importantes transforma\u00e7\u00f5es na for\u00e7a de trabalho e estimula uma maior integra\u00e7\u00e3o dos setores produtivos entre pa\u00edses vizinhos. A integra\u00e7\u00e3o f\u00edsica do continente requer a constru\u00e7\u00e3o de redes de ferrovias funcionais interligando todos os pa\u00edses, bem como de uma malha continental de gasodutos e oleodutos e o desenvolvimento de hidrovias em \u00e1reas como a do rio Orinoco (que se estende da Venezuela \u00e0 Col\u00f4mbia e se conecta com o rio Negro, que percorre grande parte da Amaz\u00f4nia brasileira). Costa fez, tamb\u00e9m, duras cr\u00edticas aos Estados Unidos, por fazer tudo o poss\u00edvel para bloquear a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina, e ao NAFTA, por colocar a economia mexicana em uma crise profunda.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A cultura que cria na\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A necessidade de uma \u00abmudan\u00e7a de paradigma\u00bb tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es culturais, pois envolve a luta contra a mudan\u00e7a de paradigma artificialmente induzida pela a\u00e7\u00e3o das funda\u00e7\u00f5es Rockefeller e Ford, na d\u00e9cada de 1960. Como delineou a jornalista e diretora do MSIa, Silvia Palacios, as duas entidades, que contaram com a ajuda de diversas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs), foram as grandes respons\u00e1veis pela difus\u00e3o em grande escala da contracultura e do \u00absexo, drogas e rock\u00bb, bem como pela introdu\u00e7\u00e3o de programas educacionais baseados em ideologias de g\u00eanero e multiculturalistas e em ideias inspiradas no malthusianismo.<\/p>\n<p>Palacios questionou se a proposta de vida do multiculturalismo \u00e9 uma alternativa para reavivar as nossas na\u00e7\u00f5es, ou se \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o dos setores dominantes para consolidar as estruturas de poder mundial, apoiadas em uma vaga e fr\u00e1gil subjetividade do homem. Segundo ela, o programa da contracultura foi paulatinamente escalando a c\u00fapula de poder, at\u00e9 se converter em a\u00e7\u00f5es governamentais definidas e, ao mesmo tempo, impregnar alguns dos organismos da ONU. \u00abCultura significa cultivar, mas a pergunta \u00e9: o que se cultiva?\u00bb, disse. E concluiu definindo que a cultura est\u00e1 vinculada \u00e0 transcend\u00eancia da Na\u00e7\u00e3o e da P\u00e1tria, subordinada ao respeito dos direitos inalien\u00e1veis do homem &#8211; esta \u00e9 a m\u00e9trica com a qual se deve medir toda manifesta\u00e7\u00e3o cultural boa e verdadeira.<\/p>\n<p>Para a professora do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o da Cidade do M\u00e9xico, Paola Leoni, a \u00fanica forma de mudar tal estado de coisas \u00e9 com o estabelecimento de um novo tipo de educa\u00e7\u00e3o. Em sua exposi\u00e7\u00e3o, ela fez refer\u00eancia ao trabalho do intelectual mexicano Jos\u00e9 Vasconcelos, que previu a cria\u00e7\u00e3o de um novo homem, nascido de todos os grupos \u00e9tnicos, cuja miss\u00e3o \u00e9 harmonizar o mundo. Ao mesmo tempo, \u00e9 necess\u00e1rio combater o sentimento de vazio e a inclina\u00e7\u00e3o de muitos jovens no M\u00e9xico em cometer suic\u00eddio, dada a m\u00e1 situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds e a aus\u00eancia de uma perspectiva de futuro.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A beleza art\u00edstica \u00e9 a chave para a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O Dr. Gildo Magalh\u00e3es, professor de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Anno Hellenbroich falaram sobre os intensos debates que ocorrem nas comunidades cient\u00edfica e musical, em todo o mundo. Magalh\u00e3es observou que a cultura da ci\u00eancia necessita de \u00abum retorno a uma nova metaf\u00edsica\u00bb, tal como demonstrado por Galileu Galilei e Nicolau de Cusa , que estabeleceram que \u00aba natureza est\u00e1 escrita em caracteres matem\u00e1ticos e que Deus trabalha matematicamente\u00bb. Portanto, o Universo n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3rio, mas, de fato, segue uma raz\u00e3o, tal como Gottfried Leibniz demonstrou no seu famoso experimento de refra\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o da luz, que segue o caminho do menor quantum positivo de energia &#8211; da\u00ed a sua famosa frase de que Deus criou o melhor de todos os mundos. Muitos cientistas rejeitam tal abordagem, mas o Universo, efetivamente, segue um caminho racional, tornando-se cada vez mais complexo, e o homem, sendo parte da esfera social, \u00e9 capaz de otimiz\u00e1-lo, enfatizou.<\/p>\n<p>Um debate similar se observa no mundo musical. Sobre esse aspecto da m\u00fasica, Hellenbroich se referiu ao di\u00e1logo sobre a beleza art\u00edstica, mantido pelo Papa Bento XVI, ao reunir um seleto grupo de renomados artistas de todo o mundo, em um evento realizado em 2009. \u00abVoc\u00eas s\u00e3o os &#8216;guardi\u00e3es da beleza&#8217; e os &#8216;arautos da esperan\u00e7a para a Humanidade'\u00bb, afirmou o Pont\u00edfice, na ocasi\u00e3o. Hellenbroich descreveu o atual debate entre os artistas, muitos dos quais se recusam a aceitar a ideia de que a beleza \u00e9 divina e constitui uma express\u00e3o da natureza transcendental do ser humano.<\/p>\n<p>Para ilustrar os desafios na m\u00fasica e na arte, ele escolheu as\u00a0<em>Varia\u00e7\u00f5es Diabelli<\/em>, Opus 120, o \u00faltimo trabalho de Beethoven para o piano, que foram compostas em paralelo com a sua\u00a0Missa Solemnis\u00a0e as \u00faltimas tr\u00eas sonatas para piano. Nas\u00a0<em>Varia\u00e7\u00f5es Diabelli<\/em>, Beethoven &#8211; tal como em um testamento &#8211; demonstrou o princ\u00edpio da obra criativa exemplificada pelas \u00abvaria\u00e7\u00f5es\u00bb de um determinado tema musical, mesmo que banal. A no\u00e7\u00e3o de varia\u00e7\u00e3o implica em que h\u00e1 uma \u00abcrescente multiplicidade na unidade\u00bb (na medida em que h\u00e1 crescentes complexidades no Universo). Para Beethoven, a busca da transcend\u00eancia na musica foi um dos maiores impulsos proporcionados pela sua extraordin\u00e1ria obra. Hellenbroich apresentou quatro varia\u00e7\u00f5es, de modo a transmitir um pouco da centelha de Beethoven para o p\u00fablico presente.<\/p>\n<p>O maestro mexicano Alfredo Mendoza, diretor do instituto Schola Cantorum, enviou uma calorosa sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 confer\u00eancia, ressaltando que, neste momento, temos o dever de ser, mais do que nunca, verdadeiros cidad\u00e3os do mundo, que se preocupam em observar pontos de concord\u00e2ncia universal entre as diversas culturas religiosas e pol\u00edticas dos povos do mundo. Para o m\u00fasico, precisamos engajar-nos em tarefas comuns que exigem a nossa solidariedade, bem como completar as grandes tarefas que temos diante de n\u00f3s, hoje e futuramente, que dar\u00e3o aos nossos filhos, bem como a todas as gera\u00e7\u00f5es futuras, um amanh\u00e3 dignificado, que esteja de acordo com as representa\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Paulo: justi\u00e7a, paz e alegria.<\/p>\n<p>Os trabalhos foram encerrados com uma bela apresenta\u00e7\u00e3o do conjunto Ars Antiqua, que executou pe\u00e7as musicais dos s\u00e9culos XV ao XVIII, em r\u00e9plicas de instrumentos musicais t\u00edpicos da era colonial, de modo a ilustrar a heran\u00e7a da evangeliza\u00e7\u00e3o do Novo Mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo deste artigo \u00e9 constitu\u00eddo pelas brev\u00edssimas palavras de um dos participantes do Foro de Guadalajara pela Uni\u00e3o dos Estados Nacionais, a Justi\u00e7a Social e o Bem Comum, que refletem o resultado dos dois dias de intenso trabalho, no evento realizado na cidade mexicana, em 18-19 de outubro \u00faltimos, para discutir o tema geral &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[44],"tags":[],"class_list":["post-404","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-actividades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=404"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/404\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=404"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=404"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=404"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}