{"id":387,"date":"2012-03-09T20:29:04","date_gmt":"2012-03-09T20:29:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=387"},"modified":"2012-03-09T20:29:04","modified_gmt":"2012-03-09T20:29:04","slug":"para-quem-aprecia-potenciais-emergencias-globais-serias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/para-quem-aprecia-potenciais-emergencias-globais-serias\/","title":{"rendered":"Para quem aprecia potenciais emerg\u00eancias globais (s\u00e9rias)"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Duas not\u00edcias que receberam escassa divulga\u00e7\u00e3o na m\u00eddia mundial denotam os efeitos da equivocada percep\u00e7\u00e3o que tem orientado a sele\u00e7\u00e3o dos temas dignos de serem tratados como potenciais emerg\u00eancias globais, cujo enfrentamento efetivo exige ativos esfor\u00e7os cooperativos em escala internacional. O contraste n\u00e3o poderia ser maior, por exemplo, entre a politiza\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos clim\u00e1ticos e os vastos recursos humanos e financeiros que t\u00eam sido desperdi\u00e7ados para \u00abcombater\u00bb a imagin\u00e1ria amea\u00e7a do aquecimento global antropog\u00eanico, e a escassa aten\u00e7\u00e3o concedida a amea\u00e7as bem mais s\u00e9rias e com potencial para provocar impactos de magnitude compar\u00e1vel aos de filmes-cat\u00e1strofe hollywoodianos.<\/p>\n<p>Na semana passada, a Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (NASA) anunciou que, no dia 15 de fevereiro de 2013, o aster\u00f3ide 2012 DA14 dever\u00e1 passar pela Terra, a uma dist\u00e2ncia estimada em 27 mil quil\u00f4metros. A dist\u00e2ncia, quase insignificante em termos astron\u00f4micos, \u00e9 inferior \u00e0 altura das \u00f3rbitas dos sat\u00e9lites geoestacion\u00e1rios dos sistemas de comunica\u00e7\u00f5es, o que, considerando-se a possibilidade de fatores como pequenas imprecis\u00f5es de c\u00e1lculo ou perturba\u00e7\u00f5es m\u00ednimas na trajet\u00f3ria do b\u00f3lido, poderia implicar em uma probabilidade n\u00e3o desprez\u00edvel da sua captura pela gravidade da Terra e um eventual choque com o planeta.<\/p>\n<p>O aster\u00f3ide, descoberto em fevereiro por astr\u00f4nomos espanh\u00f3is, tem um di\u00e2metro estimado em torno de 45-60 metros e, caso se choque com a Terra, poder\u00e1 acarretar um impacto de magnitude semelhante ao do corpo celeste que caiu sobre a Tunguska, uma remota regi\u00e3o da Sib\u00e9ria, em junho de 1908. O impacto da explos\u00e3o, considerado equivalente ao de uma bomba de hidrog\u00eanio de 10-15 megatons, devastou uma \u00e1rea de 2.200 quil\u00f4metros quadrados de floresta, embora sem causar v\u00edtimas humanas, por se tratar de uma regi\u00e3o desabitada. Por\u00e9m, se o objeto tivesse ca\u00eddo 4 horas e 47 minutos depois, teria obliterado a ent\u00e3o capital russa, S\u00e3o Petersburgo.<\/p>\n<p>Inicialmente, apenas a m\u00eddia russa deu destaque ao an\u00fancio da NASA. O s\u00edtio Russia Today (5\/03\/2012) ouviu o especialista da ag\u00eancia, Dr. David Dunham, que confirmou a possibilidade de um choque com a Terra, mas que as probabilidades precisar\u00e3o ser melhor avaliadas: \u00abO campo gravitacional da Terra ir\u00e1 alterar significativamente a trajet\u00f3ria do aster\u00f3ide. Ser\u00e3o necess\u00e1rios c\u00e1lculos mais detalhados adicionais, para se estimar a amea\u00e7a de colis\u00e3o. O aster\u00f3ide pode se romper em d\u00fazias de peda\u00e7os menores ou grandes partes podem se destacar dele e queimar na atmosfera. O tipo de aster\u00f3ide e sua estrutura mineral podem ser determinados por an\u00e1lise espectral. Isto ajudar\u00e1 a prever o seu comportamento na atmosfera e o que deveria ser feito para evitar a amea\u00e7a potencial.\u00bb<\/p>\n<p>Embora ningu\u00e9m perca o sono por conta da possibilidade de tais trombadas c\u00f3smicas (como muitos t\u00eam perdido por uma alta nos term\u00f4metros inferior a um grau cent\u00edgrado), as suas probabilidades de ocorr\u00eancia deveriam ser suficientes para assegurar um lugar na agenda pol\u00edtica global. Em 1989, o aster\u00f3ide 4581 Asclepius, com cerca de 300 metros de di\u00e2metro, passou a 700 mil quil\u00f4metros da Terra &#8211; exatamente no ponto da \u00f3rbita em que o planeta se encontrava seis horas antes. Em 2004, o 2004 FH, de 30 metros, passou a menos de 43 mil quil\u00f4metros &#8211; mas apenas foi descoberto no mesmo dia.<\/p>\n<p>No entanto, ao contr\u00e1rio das centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares que t\u00eam sido gastos anualmente na busca de \u00absolu\u00e7\u00f5es\u00bb para o aquecimento global, das incont\u00e1veis confer\u00eancias e reuni\u00f5es internacionais e do desperd\u00edcio dos talentos de milhares de cientistas, engenheiros e outros profissionais qualificados, a busca e o mapeamento dos chamados Objetos Pr\u00f3ximos \u00e0 Terra (Near Earth Objects-NEO, em ingl\u00eas) recebem uma aten\u00e7\u00e3o incomparavelmente menor. O or\u00e7amento atual do Programa NEO da NASA \u00e9 de 6 milh\u00f5es de d\u00f3lares anuais, tendo sido prometida uma eleva\u00e7\u00e3o para 20 milh\u00f5es, no or\u00e7amento fiscal de 2012. O Spaceguard Centre, \u00fanica institui\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica dedicada \u00e0 tarefa, \u00e9 uma entidade privada dirigida por um astr\u00f4nomo amador que vive de seu soldo de oficial da reserva do Ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>Um refor\u00e7o consider\u00e1vel ao esquema de vigil\u00e2ncia dos NEOs vir\u00e1 do Grande Telesc\u00f3pio de Levantamento Sin\u00f3ptico (LSST), que dever\u00e1 entrar em funcionamento em 2015. Situado em Cerro Pach\u00f3n, no Norte do Chile, o instrumento permitir\u00e1 fotografar toda a ab\u00f3bada celeste ao seu alcance a cada tr\u00eas dias. Entretanto, para superar as suas limita\u00e7\u00f5es de alcance, a NASA prop\u00f4s, em 2007, a constru\u00e7\u00e3o e coloca\u00e7\u00e3o em \u00f3rbita solar de um telesc\u00f3pio de infravermelho, que poderia detectar as amea\u00e7as \u00e0 Terra e determinar as suas massas com uma precis\u00e3o de at\u00e9 20% &#8211; a um custo de 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares, o que tende a dificultar sobremaneira que o projeto saia do papel (<em>Scientific American Brasil<\/em>, edi\u00e7\u00e3o especial de fevereiro de 2012).<\/p>\n<p>Ademais, al\u00e9m da detec\u00e7\u00e3o antecipada, um sistema de prote\u00e7\u00e3o do planeta necessitaria de uma resposta ativa \u00e0s amea\u00e7as, que proporcionasse meios de atingir o objeto antes da sua aproxima\u00e7\u00e3o final e destru\u00ed-lo ou desvi\u00e1-lo da \u00f3rbita terrestre. Embora tais capacidades n\u00e3o estejam dispon\u00edveis, atualmente, elas poderiam ser adquiridas dentro das pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, se houvesse um programa de coopera\u00e7\u00e3o internacional com esse objetivo.<\/p>\n<p>Em 2007, o Painel Consultivo da Miss\u00e3o para Objetos Pr\u00f3ximos da Terra da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA) apresentou um estudo para uma miss\u00e3o espacial com o objetivo de lan\u00e7ar um proj\u00e9til de 400 kg contra um aster\u00f3ide, para a observa\u00e7\u00e3o dos resultados. O projeto, que custaria 400 milh\u00f5es de d\u00f3lares, foi devidamente engavetado, por falta de recursos (<em>Scientific American Brasil<\/em>, fev. 2012).<\/p>\n<p>A segunda not\u00edcia relevante, divulgada na quarta-feira 7 de mar\u00e7o, foi a ocorr\u00eancia de duas violentas explos\u00f5es solares que, nos dois dias seguintes, envolveram a Terra na mais violenta tempestade geomagn\u00e9tica dos \u00faltimos cinco anos. Al\u00e9m de bel\u00edssimos espet\u00e1culos celestes, como auroras boreais, nas regi\u00f5es mais ao Norte, tais fen\u00f4menos costumam afetar &#8211; n\u00e3o raro, seriamente &#8211; o funcionamento de redes de transmiss\u00e3o de eletricidade, transmiss\u00f5es de r\u00e1dio, sat\u00e9lites e sistemas de posicionamento global (GPS). Por precau\u00e7\u00e3o, algumas empresas a\u00e9reas mudaram as rotas dos seus habituais voos pelas regi\u00f5es polares (AFP, 7\/03\/2012).<\/p>\n<p>A tempestade \u00e9 \u00aba mais forte desde dezembro de 2006\u00bb, disse o especialista Joseph Kunches, da Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) estadunidense.<\/p>\n<p>A NASA anunciou que est\u00e1 atenta aos poss\u00edveis impactos do fen\u00f4meno sobre os seis astronautas que se encontram na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional, para que, se necess\u00e1rio, procurem abrigo nas partes mais protegidas do complexo espacial.<\/p>\n<p>Grandes tempestades solares, tamb\u00e9m, n\u00e3o constituem fen\u00f4menos raros. A mais forte j\u00e1 registrada ocorreu em 1859, provocando o surgimento de auroras boreais em latitudes t\u00e3o baixas como o Caribe e afetando seriamente o funcionamento das redes telegr\u00e1ficas durante todo um dia &#8211; \u00e0 \u00e9poca, a \u00fanica forma de utiliza\u00e7\u00e3o generalizada de eletricidade. Cientistas estimam que, se outra igual ocorresse hoje, poderia acarretar grav\u00edssimos problemas para as grandes redes de transmiss\u00e3o interligadas, queimando transformadores prim\u00e1rios e deixando vastas regi\u00f5es sem eletricidade, durante dias, semanas ou at\u00e9 meses.<\/p>\n<p>Em 1989, uma tempestade bem mais fraca provocou um blecaute de 16 horas na prov\u00edncia canadense de Quebec.<\/p>\n<p>Apesar de serem relativamente mais f\u00e1ceis de se detectar que os NEOs, por meio de v\u00e1rios sat\u00e9lites especializados, para se mitigarem ou neutralizarem os potenciais efeitos negativos de grandes tempestades solares (por exemplo, desligar algumas redes el\u00e9tricas principais), seria preciso um sistema de alerta que transmitisse as informa\u00e7\u00f5es captadas pelos sat\u00e9lites e as avalia\u00e7\u00f5es imediatas dos operadores do sistema \u00e0s autoridades de pa\u00edses, regi\u00f5es e at\u00e9 continentes inteiros. Sem falar nos planos de conting\u00eancia necess\u00e1rios para evitar que setores vitais de infraestrutura e servi\u00e7os essenciais, como hospitais, servi\u00e7os de seguran\u00e7a e outros, ficassem sem energia durante a emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>Para tudo isso, seria necess\u00e1rio um n\u00edvel de comprometimento e coopera\u00e7\u00e3o internacional que n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista (outra vez, ao contr\u00e1rio do que ocorre com as quest\u00f5es clim\u00e1ticas).<\/p>\n<p>Desafortunadamente, para que tal quadro mude, talvez, seja preciso confrontar algum desses desastres, fora das telas de cinema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas not\u00edcias que receberam escassa divulga\u00e7\u00e3o na m\u00eddia mundial denotam os efeitos da equivocada percep\u00e7\u00e3o que tem orientado a sele\u00e7\u00e3o dos temas dignos de serem tratados como potenciais emerg\u00eancias globais, cujo enfrentamento efetivo exige ativos esfor\u00e7os cooperativos em escala internacional. 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