{"id":3794,"date":"2014-05-30T17:44:48","date_gmt":"2014-05-30T17:44:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1271"},"modified":"2014-05-30T17:44:48","modified_gmt":"2014-05-30T17:44:48","slug":"otan-se-projeta-no-atlantico-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/otan-se-projeta-no-atlantico-sul\/","title":{"rendered":"OTAN se &quot;projeta&quot; no Atl\u00e2ntico Sul"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Obangame-Express-2014.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1289\" title=\"Obangame-Express-2014\" src=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Obangame-Express-2014.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"578\" srcset=\"https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Obangame-Express-2014.png 1024w, https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Obangame-Express-2014-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desde que come\u00e7ou a se estruturar como uma esp\u00e9cie de \u00abgendarmeria global\u00bb, ap\u00f3s os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN) n\u00e3o faz segredo de suas pretens\u00f5es de projetar-se sobre o Atl\u00e2ntico Sul. Como a antiga pretens\u00e3o dos EUA, que controlam a entidade, de estabelecer uma \u00abOTAS\u00bb com os pa\u00edses que margeiam o oceano meridional, n\u00e3o foi bem recebida na regi\u00e3o, em especial, pela rejei\u00e7\u00e3o do Brasil, Washington e Bruxelas t\u00eam optado por uma estrat\u00e9gia literal de \u00abcomer pelas beiradas\u00bb, envolvendo os pa\u00edses da regi\u00e3o em sucessivas manobras militares, \u00e0s quais o Brasil tamb\u00e9m se juntou este ano.<\/p>\n<p>A partir de 2011, a Marinha dos EUA (US Navy) tem encabe\u00e7ado os exerc\u00edcios multinacionais chamados Obangame Express, reunindo belonaves de pa\u00edses membros da OTAN e africanos, para manobras de patrulhamento do Golfo da Guin\u00e9, \u00e1rea de escoamento do petr\u00f3leo produzido pelos pa\u00edses da regi\u00e3o. Desde ent\u00e3o, o n\u00famero de pa\u00edses participantes subiu de nove para nada menos que 22, inclusive, de marinhas de pa\u00edses bastante distantes, como a Dinamarca e a Turquia. Segundo o jornalista Roberto Lopes, especializado em assuntos militares, o Brasil foi inclu\u00eddo nas manobras em 2013 e, na edi\u00e7\u00e3o deste ano, realizada em abril, enviou para participar delas o navio-patrulha oce\u00e2nico\u00a0<em>P-121 Apa<\/em>, uma das unidades mais modernas da frota brasileira (Defesanet, 25\/04\/2014).<\/p>\n<p>O jornalista recorda que, em 2010, tanto o Pent\u00e1gono como a OTAN pressionaram o governo brasileiro, para apoiar uma iniciativa que permitir\u00eda a extens\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Atl\u00e2ntica ao Atl\u00e2ntico Sul. Na ocasi\u00e3o, o ent\u00e3o ministro da Defesa Nelson Jobim manifestou a oposi\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 pretens\u00e3o, nos termos mais diplomaticamente vigorosos poss\u00edveis, em varias oportunidades, inclusive, em uma palestra no Instituto Nacional de Defesa, em Lisboa, em setembro, dois meses antes da c\u00fapula da pr\u00f3pria OTAN na capital lusitana. No evento, Jobim n\u00e3o apenas deu o recado de que o Brasil considerava como distintas \u00abas quest\u00f5es de seguran\u00e7a das duas metades desse oceano\u00bb, como afirmou, sem meias palavras, que, ap\u00f3s a Guerra Fria, a OTAN havia passado \u00aba servir de instrumento de seu membro exponencial, os EUA, e dos aliados europeus\u00bb (<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, 14\/09\/2010).<\/p>\n<p>Em novembro do mesmo ano, Jobim voltou a se manifestar sobre o tema, na 10\u00aa Confer\u00eancia do Forte de Copacabana, evento anual patrocinado pela Funda\u00e7\u00e3o Konrad Adenauer, do Partido Democrata Crist\u00e3o da Alemanha, para promover um \u00abdi\u00e1logo\u00bb sobre quest\u00f5es de seguran\u00e7a entre a Europa e a Am\u00e9rica do Sul, principalmente, o Brasil. Ali, Jobim respondeu acidamente ao general alem\u00e3o Klaus Naumann, ex-chefe do Estado Maior do Ex\u00e9rcito e ex-diretor do Comit\u00ea Militar da OTAN, que afirmou que a Europa \u00e9 o \u00abparceiro preferencial\u00bb dos EUA para a manuten\u00e7\u00e3o do seu papel dominante no mundo.<\/p>\n<p>Depois de dizer que \u00abn\u00e3o seremos parceiros dos EUA para que eles mantenham o seu papel no mundo\u00bb, o ministro afirmou que, em sua opini\u00e3o, a Europa \u00abn\u00e3o se libertar\u00e1\u00bb de sua dependencia dos EUA e, por isso, tende a reducir o seu perfil geopol\u00edtico. Enquanto isso, o da Am\u00e9rica do Sul tenderia a aumentar, pelo crescimento econ\u00f4mico e pelos seus recursos naturais abundantes (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 4\/11\/2010).<\/p>\n<p>De acordo com Roberto Lopes, nos \u00faltimos quatro anos, a OTAN tem investido em atrair pa\u00edses latino-americanos, como a Col\u00f4mbia e o Chile, para estabelecer com eles os chamados \u00abacordos de coopera\u00e7\u00e3o\u00bb, visando a futuras ades\u00f5es. Este ano, o novo governo do M\u00e9xico tamb\u00e9m se mostrou disposto a estabelecer um v\u00ednculo permanente com a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ele, embora a Marinha do Brasil (MB) venha ampliando as rela\u00e7\u00f5es com for\u00e7as navais africanas &#8211; como Nam\u00edbia, Cabo Verde, S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe e Mo\u00e7ambique -, nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, as proverbiais restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias t\u00eam impedido um aprofundamento desta coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, \u00e9 dif\u00edcil se entender a motiva\u00e7\u00e3o das autoridades navais brasileiras para participar das manobras da OTAN, o que, na pr\u00e1tica, lhes confere um \u00abselo\u00bb de aprova\u00e7\u00e3o t\u00e1cita. Quaisquer ganhos eventuais de adestramento em um ambiente de opera\u00e7\u00f5es multinacionais, que poderiam justific\u00e1-la, talvez, n\u00e3o compensem o \u00f3bice pol\u00edtico da chancela impl\u00edcita de opera\u00e7\u00f5es que contrariam a vis\u00e3o estrat\u00e9gica nacional sobre o oceano meridional. Bem mais relevante seria, entre outras medidas, tratar de ampliar e consolidar a coopera\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses que compartilham o Atl\u00e2ntico Sul, a come\u00e7ar pela vizinha Argentina e a \u00c1frica do Sul e, posteriormente, com outros pa\u00edses com menos recursos econ\u00f4micos e tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Particularmente relevantes para tal prop\u00f3sito seriam projetos de tecnologia avan\u00e7ada, como um sat\u00e9lite de vigil\u00e2ncia para finalidades civis e militares, de que nenhum desses pa\u00edses disp\u00f5e, o qual poderia ser desenvolvido e operado em conjunto pelo Brasil, Argentina e \u00c1frica do Sul, em uma parceria que, eventualmente, poderia ser estendida a outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 tem experi\u00eancias de coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica com os dois pa\u00edses, inclusive, em projetos de maior sofistica\u00e7\u00e3o, como o do m\u00edssil ar-ar A-Darter, desenvolvido pela empresa sul-africana Denel e as brasileiras Avibr\u00e1s, Mectron e Opto Eletr\u00f4nica, com a participa\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB). O m\u00edssil dever\u00e1 entrar em servi\u00e7o em 2016 e equipar\u00e1 as aeronaves de combate da FAB e da For\u00e7a A\u00e9rea Sul-africana (SAAF).<\/p>\n<p>Por sua vez, a Argentina tem um centro de excel\u00eancia tecnol\u00f3gica na empresa Invap, que j\u00e1 desenvolveu v\u00e1rios projetos de sat\u00e9lites artificiais, inclusive, equipados com radares de abertura sint\u00e9tica, ideais para finalidades de monitoramento e vigil\u00e2ncia no Atl\u00e2ntico Sul. Com uma lideran\u00e7a de iniciativa vinda de Bras\u00edlia, possivelmente, se poderia mobilizar a necess\u00e1ria vontade pol\u00edtica em Buenos Aires e Pret\u00f3ria. Al\u00e9m de ampliar consideravelmente as sinergias entre pa\u00edses chave para a seguran\u00e7a do Atl\u00e2ntico Sul, em um cen\u00e1rio \u00abextra-OTAN\u00bb, um projeto do g\u00eanero constituiria uma iniciativa estrat\u00e9gica de grande relev\u00e2ncia, em particular, se a Argentina tiver aceito o seu pedido de inclus\u00e3o no BRICS, que dever\u00e1 ser examinado na pr\u00f3xima c\u00fapula do grupo, em Fortaleza, em julho pr\u00f3ximo.<br \/>\n<!-- C\u00f3digo do Google para tag de remarketing --><br \/>\n<!--------------------------------------------------\nAs tags de remarketing n\u00e3o podem ser associadas a informa\u00e7\u00f5es pessoais de identifica\u00e7\u00e3o nem inseridas em p\u00e1ginas relacionadas a categorias de confidencialidade. 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