{"id":3791,"date":"2014-05-16T13:41:40","date_gmt":"2014-05-16T13:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=1192"},"modified":"2014-05-16T13:41:40","modified_gmt":"2014-05-16T13:41:40","slug":"ucrania-jogando-roleta-russa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/ucrania-jogando-roleta-russa\/","title":{"rendered":"Ucr\u00e2nia: jogando roleta russa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Ucrania-Jugando-a-la-ruleta-rusa-33.bmp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1193 aligncenter\" title=\"Ucrania Jugando a la ruleta rusa 3\" src=\"http:\/\/www.msia.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Ucrania-Jugando-a-la-ruleta-rusa-33.bmp\" alt=\"\" width=\"527\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Ucrania-Jugando-a-la-ruleta-rusa-33.bmp 527w, https:\/\/msiainforma.org\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Ucrania-Jugando-a-la-ruleta-rusa-33-300x213.bmp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 527px) 100vw, 527px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em Teoria dos Jogos, a express\u00e3o \u00abjogo das galinhas\u00bb (game of chicken, em ingl\u00eas) \u00e9 empregada para qualificar uma situa\u00e7\u00e3o em que dois contendores em disputa preferem n\u00e3o ceder um ao outro, para n\u00e3o parecerem covardes, e o resultado acaba sendo desastroso para ambos. Diante da escalada na situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia Oriental, a quest\u00e3o \u00e9: quando a \u00abroleta russa\u00bb &#8211; uma nova forma de \u00abjogo das galinhas\u00bb &#8211; que est\u00e1 sendo disputada pelos EUA e a Federa\u00e7\u00e3o Russa atingir\u00e1 um ponto em que os esfor\u00e7os diplom\u00e1ticos ser\u00e3o in\u00f3cuos e o uso da for\u00e7a acabar\u00e1 sendo o desfecho?<br \/>\nClaramente, as primeiras v\u00edtimas deste \u00abjogo das galinhas\u00bb ser\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es da Ucr\u00e2nia Oriental, seguidas pelos pa\u00edses europeus vizinhos, que sofrer\u00e3o os efeitos das san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia, bem mais que os pr\u00f3prios EUA.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o crucial \u00e9: ser\u00e1 que todas as li\u00e7\u00f5es do tr\u00e1gico s\u00e9culo XX foram esquecidas e, como disse o papa Jo\u00e3o Paulo II, em seu c\u00e9lebre discurso nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00abter\u00e3o sido em v\u00e3o todas as l\u00e1grimas que foram derramadas no sangrento s\u00e9culo XX?\u00bb.<\/p>\n<p>Nesse contexto, vale recordar uma amplamente divulgada entrevista televisiva concedida ao vivo pelo presidente russo Vladimir Putin, em 17 de abril, \u00e0s v\u00e9speras da reuni\u00e3o em Genebra, entre representantes ucranianos, russos, estadunidenses e da Uni\u00e3o Europeia (UE), para uma tentativa de al\u00edvio das tens\u00f5es. Uma das perguntas coube ao influente especialista alem\u00e3o em assuntos russos, Alexander Rahr, membro do conselho diretor do F\u00f3rum de Discuss\u00f5es de Valdai, que se reuniu na v\u00e9spera, que fez as seguintes considera\u00e7\u00f5es: \u00abV\u00e1rios membros do clube, inclusive os nossos colegas alem\u00e3es, manifestaram as suas preocupa\u00e7\u00f5es sobre o tipo de Europa em que vivemos, al\u00e9m da tarefa compartilhada de estabilizar a Ucr\u00e2nia, que est\u00e1 se desmantelando neste momento em que falamos. Afinal, \u00e9 um pa\u00eds de 45 milh\u00f5es de pessoas e nossa preocupa\u00e7\u00e3o em comum.\u00bb Sua pergunta a Putin foi: \u00abQue futuro o senhor vislumbra para a Europa, em cinco ou, digamos, dez anos? Viveremos em uma Europa comum, do Atl\u00e2ntico ao Pac\u00edfico? Ou em duas Europas diferentes? Eu me recordo do que o senhor disse no Clube Valdai, em setembro \u00faltimo, sobre a R\u00fassia ser um tipo diferente de Europa, cujos valores diferem daqueles do Ocidente p\u00f3s-modernista (ver Resenha Estrat\u00e9gica, 25\/09\/2013 e 2\/10\/2013). Ser\u00e1 que podemos conciliar estas duas vis\u00f5es? O que a Alemanha pode fazer para ajudar a construir uma Europa comum?\u00bb.<\/p>\n<p>Em sua resposta, Putin ressaltou que n\u00e3o via qualquer contradi\u00e7\u00e3o sobre o que dissera no F\u00f3rum de Valdai:<\/p>\n<blockquote><p>Os valores da R\u00fassia n\u00e3o diferem dramaticamente dos valores europeus. N\u00f3s pertencemos \u00e0 mesma civiliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s somos diferentes e temos algumas caracter\u00edsticas que nos s\u00e3o \u00fanicas, mas temos os mesmos valores arraigados. Eu acredito que devemos, certamente, lutar para criar uma grande Europa, de Lisboa a Vladivostok. (&#8230;) Se formos bem sucedidos nesta tarefa, seremos capazes de conseguir o nosso leg\u00edtimo lugar no mundo do futuro. Mas, se escolhermos um caminho diferente, se dividirmos a Europa, os valores e os povos europeus, se promovermos o separatismo, no sentido mais amplo do termo, isto nos tornar\u00e1 a todos atores insignificantes e med\u00edocres, que n\u00e3o ter\u00e3o qualquer influ\u00eancia sobre o seu pr\u00f3prio desenvolvimento, para n\u00e3o falar do desenvolvimento global.<\/p><\/blockquote>\n<p>No mesmo contexto, ele reiterou que a R\u00fassia est\u00e1 inclinada a recompor a \u00abconfian\u00e7a\u00bb com os EUA, mas, lamentavelmente, Washington tem esmerado no emprego dos \u00abdois pesos e duas medidas\u00bb, como demonstraram os casos de Kosovo e da L\u00edbia.<\/p>\n<p><strong>Por que interesses a Europa est\u00e1 lutando?<\/strong><\/p>\n<p>Em uma recente discuss\u00e3o que esta autora teve com um influente analista de assuntos russos, este observou que o que vemos na Ucr\u00e2nia \u00e9 apenas o resultado de uma din\u00e2mica que vem se desdobrando h\u00e1 algum tempo, como tem sido ressaltado por muitos especialistas alem\u00e3es e russos: ele a chama uma crescente \u00abbrecha de comunica\u00e7\u00f5es\u00bb entre a R\u00fassia e o Ocidente, marcada por desconfian\u00e7as e desentendimentos. Desde h\u00e1 tempos, a R\u00fassia vem se sentido irritada e perturbada por certas tentativas ocidentais de lhe \u00abimpor\u00bb um estilo de vida e valores ocidentais. Ele comparou a situa\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m que vai \u00e0 cozinha e diz ao chefe onde deve colocar o sal, onde colocar as mesas e cadeiras, at\u00e9 que o chefe se empertiga: \u00abO que significa tudo isto?\u00bb.<\/p>\n<p>Segundo o analista, a presente crise ucraniana n\u00e3o tem muito a ver com o pa\u00eds; em realidade, ela tem a R\u00fassia como alvo. Os EUA, que n\u00e3o t\u00eam quaisquer interesses reais a defender ali, est\u00e3o fazendo tudo o que podem para promover uma escalada na situa\u00e7\u00e3o, a qual poder\u00e1 resultar em uma profunda divis\u00e3o na Europa.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo, em termos geopol\u00edticos? A R\u00fassia n\u00e3o tinha outra escolha, a n\u00e3o ser agir como fez na Crimeia &#8211; assegurando o geopoliticamente sens\u00edvel porto de Sebastopol, t\u00e3o importante para a Marinha russa como o porto s\u00edrio de Tartus.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia &#8211; \u00e0 parte a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, tr\u00e1gica e atormentada -, sendo um pa\u00eds que nunca foi uma na\u00e7\u00e3o verdadeira, encontra-se em um po\u00e7o sem fundo, em termos econ\u00f4micos. O volume de dinheiro colocado pela UE na Gr\u00e9cia \u00e9 \u00abfichinha\u00bb, comparado ao que a Ucr\u00e2nia necessita, em termos de assist\u00eancia financeira &#8211; no m\u00ednimo, 100 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>No tocante \u00e0s poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es para o imbr\u00f3glio, o especialista afirmou que a melhor sa\u00edda seria a ado\u00e7\u00e3o de um \u00abmodelo federal\u00bb para a Ucr\u00e2nia, mas, a esta altura, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o vol\u00e1til que, at\u00e9 o final de maio (quando haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es), ningu\u00e9m pode prever se ainda haver\u00e1 uma Ucr\u00e2nia. E a Europa n\u00e3o deveria ficar hist\u00e9rica e brincar com fogo, disse. A verdadeira quest\u00e3o a ser enfrentada \u00e9 saber que interesses reais da Europa est\u00e3o em jogo e o que deve ser feito para preserv\u00e1-los.<\/p>\n<p>Tanto do lado russo como do europeu, ser\u00e1 preciso haver muito mais empatia &#8211; um esfor\u00e7o claro para o entendimento rec\u00edproco das culturas e hist\u00f3rias de ambos. Deve haver uma abertura para o entendimento das especificidades espirituais e religiosas orientais e um esfor\u00e7o para se comparar os valores ocidentais e orientais. Enquanto o Ocidente enfatiza o \u00abindividualismo\u00bb e a \u00abliberdade\u00bb &#8211; ambos os lados compartilham o valor da \u00abfraternidade\u00bb -, o apre\u00e7o pelo compartilhamento e a justi\u00e7a, o que une a R\u00fassia e a Europa Ocidental \u00e9 o fato de pertencerem \u00e0 mesma matriz civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O que tamb\u00e9m unifica os dois lados \u00e9 o mesmo sofrimento das respectivas popula\u00e7\u00f5es, em termos de crimes de guerra e persegui\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os. Muitos esfor\u00e7os t\u00eam sido feitos para se confrontar esta hist\u00f3ria passada, mas o que \u00e9 mais necess\u00e1rio, em particular, na R\u00fassia, \u00e9 um engajamento em um \u00abesfor\u00e7o de reconcilia\u00e7\u00e3o\u00bb, semelhante ao feito pela Alemanha ap\u00f3s a II Guerra Mundial, para reabilitar as v\u00edtimas, especialmente, os crist\u00e3os perseguidos por St\u00e1lin e Krushchov.<\/p>\n<p>No que tange ao futuro da R\u00fassia, o analista afirmou que, a despeito do fato de Putin ter o apoio de mais de 80% da popula\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds deve enfrentar alguns problemas dom\u00e9sticos urgentes, principalmente, na \u00e1rea econ\u00f4mica, como uma produ\u00e7\u00e3o e uma capacidade de inova\u00e7\u00e3o declinantes. Moscou n\u00e3o \u00e9 mais uma \u00abcidade de boom\u00bb e, embora apenas uma minoria de jovens esteja mirando o exterior, poder\u00e1 haver mudan\u00e7as dram\u00e1ticas, caso a situa\u00e7\u00e3o piore.<br \/>\n<!-- C\u00f3digo do Google para tag de remarketing --><br \/>\n<!--------------------------------------------------\nAs tags de remarketing n\u00e3o podem ser associadas a informa\u00e7\u00f5es pessoais de identifica\u00e7\u00e3o nem inseridas em p\u00e1ginas relacionadas a categorias de confidencialidade. 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