{"id":3771,"date":"2014-01-28T15:22:06","date_gmt":"2014-01-28T15:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=810"},"modified":"2014-01-28T15:22:06","modified_gmt":"2014-01-28T15:22:06","slug":"francisco-pede-um-novo-horizonte-para-o-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/francisco-pede-um-novo-horizonte-para-o-homem\/","title":{"rendered":"Francisco pede um novo horizonte para o homem"},"content":{"rendered":"<p>A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii Gaudium<\/em>\u00a0(A alegria do Evangelho), publicada no final do ano passado pelo Papa Francisco, \u00e9 um verdadeiro chamado ao engajamento de todo o mundo cat\u00f3lico em uma nova \u00abevangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb. No documento, Francisco identificou os principais desafios enfrentados pelas sociedades contempor\u00e2neas e pediu por um vigoroso engajamento da Igreja Cat\u00f3lica, de modo a moldar o futuro da humanidade. O modo de faz\u00ea-lo \u00e9 pelo di\u00e1logo, a justi\u00e7a social e a inclus\u00e3o dos estratos da sociedade que est\u00e3o sendo \u00abmarginalizados\u00bb e vitimizadas pelo sistema de \u00abexclus\u00e3o econ\u00f4mica\u00bb, \u00e0s vezes tamb\u00e9m chamado \u00abcapitalismo predat\u00f3rio\u00bb.<\/p>\n<p>O documento reflete sobre os diferentes impulsos dados pelo S\u00ednodo dos Bispos ao longo dos \u00faltimos dois anos, em especial, o realizado em outubro de 2012, voltado para o debate sobre a nova evangeliza\u00e7\u00e3o, na qual a Igreja deve estar engajada. No evento, os bispos pediram por mais \u00abmiss\u00f5es\u00bb orientadas pela Igreja, que levem em conta as especificidades culturais e a situa\u00e7\u00e3o das pessoas ao redor do mundo, tal como os s\u00ednodos de bispos da \u00c1sia, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina j\u00e1 haviam pregado antes.<\/p>\n<p>Uma das linhas principais do texto \u00e9 o pedido pela integra\u00e7\u00e3o dos pobres e exclu\u00eddos, com o destaque de que a crise financeira em curso as ruas ra\u00edzes em uma \u00abcrise antropol\u00f3gica\u00bb. Como observou o Pont\u00edfice, os novos fetichismos e as novas formas de capitalismo resultaram em uma situa\u00e7\u00e3o em que a economia n\u00e3o tem uma face e deu as costas ao que deveria ser o seu principal objetivo: o pr\u00f3prio homem.<\/p>\n<p>No terceiro cap\u00edtulo, Francisco pede a \u00abintegra\u00e7\u00e3o dos pobres\u00bb. No par\u00e1grafo 191, ele faz refer\u00eancias espec\u00edficas a um documento publicado pelos bispos brasileiros, em abril de 2002: \u00abN\u00f3s devemos ouvir o choro dos pobres, tal como os bispos brasileiros afirmaram. Precisamos colocar sobre os nossos ombros a cada dia a alegria e a esperan\u00e7a, a tristeza e o medo do povo brasileiro, especialmente a popula\u00e7\u00e3o que vive nos sub\u00farbios marginalizados das cidades e do pa\u00eds &#8211; sem terra, sem moradia, sem p\u00e3o e sem sa\u00fade, pessoas cujos direitos est\u00e3o sendo violados. Quando vemos a sua mis\u00e9ria, ouvimos os seus gritos e vemos o seu sofrimento, ficamos indignados com o fato de que n\u00e3o h\u00e1 alimentos suficientes para eles, e que a fome \u00e9, em realidade, fruto da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o dos bens e da renda (Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil, documento <em>Exig\u00eancias evangelistas e \u00e9ticas da mis\u00e9ria e da fome<\/em>, abril de 2002)\u00bb.<\/p>\n<p>De acordo com o papa, uma economia que \u00absirva ao homem\u00bb deve ser baseada nos princ\u00edpios da \u00abdignidade humana\u00bb, do \u00abbem comum\u00bb, da \u00absubsidiaridade\u00bb e da \u00absolidariedade\u00bb, os quais s\u00e3o v\u00e1lidos para todas as na\u00e7\u00f5es do mundo. O problema, todavia, \u00e9 que muitos l\u00edderes pol\u00edticos apenas falam retoricamente sobre a necessidade de justi\u00e7a social e de dignidade humana. Estas s\u00e3o meras palavras que, em realidade, n\u00e3o significam muito para eles. Para aprofundar os aspectos-chave do que considera uma economia serva do homem, o papa elaborou quatro aspectos, que devem ser considerados como elementos centrais de sua exorta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-filos\u00f3fica:<\/p>\n<p>1) O tempo \u00e9 mais importante do que o espa\u00e7o. Est\u00e1 na no\u00e7\u00e3o de tempo, segundo o Pont\u00edfice, a bipolaridade entre \u00ababund\u00e2ncia\u00bb e \u00abrestri\u00e7\u00e3o\u00bb. O homem vive de momento em momento, mas h\u00e1 um horizonte, uma utopia, que abre para ele uma nova paisagem de tempo. Se vivermos de acordo com esse conceito de tempo, n\u00e3o estaremos sendo motivados pela esperan\u00e7a de encontrar resultados imediatos, mas aprenderemos a suportar e a superar situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis com paci\u00eancia (233). O tempo, ent\u00e3o, transforma o espa\u00e7o em um \u00abprocesso\u00bb constante de desenvolvimento, uma cadeia progressiva. E isto cria uma nova din\u00e2mica na sociedade.<\/p>\n<p>2) A unidade se encontra em uma ordem superior ao conflito. Ao se envolver em conflitos, o homem, frequentemente, perde a perspectiva e se torna um prisioneiro. Apesar de os conflitos serem vistos como uma forma de solucionar diverg\u00eancias de alto n\u00edvel e, com frequ\u00eancia, servirem como base para o nascimento de novas formas de comunidade, isto s\u00f3 ocorre sob a lideran\u00e7a de personalidades que olhem al\u00e9m do \u00e2mbito dos pr\u00f3prios conflitos em si mesmos.<\/p>\n<p>3) \u00abA realidade \u00e9 mais importante que a ideia\u00bb. Ele menciona uma tens\u00e3o bipolar entre a ideia e a realidade. Esta existe, assim como uma coisa, simplesmente, existe, enquanto a ideia \u00e9 apenas elaborada. Portanto, deve haver um constante di\u00e1logo entre ambas, e um esfor\u00e7o por parte dos homens para que as ideias n\u00e3o se \u00abdesprendam\u00bb da realidade. Ele proporciona diversos exemplos, ao falar daqueles que, simplesmente, permanecem no n\u00edvel das palavras, imagens e sofismas; e destacou que a ideia desprendida da realidade se torna \u00abnominalista\u00bb (ou \u00abidealista\u00bb), sem \u00abgerar engajamento pessoal\u00bb.<\/p>\n<p>4) \u00abO todo \u00e9 mais que as suas partes\u00bb. Os povos t\u00eam as suas culturas particulares e devem estar preparados para defend\u00ea-las. Isto significa que, ao reunir toda a humanidade, com o fim de torn\u00e1-la uma comunidade de \u00abbem comum\u00bb, essa comunidade ser\u00e1 determinada pelo seu todo e por suas partes.<\/p>\n<p>A nova forma de evangeliza\u00e7\u00e3o defendida pelo Papa \u00e9 um chamado ao \u00abengajamento pessoal\u00bb apaixonado, pelo di\u00e1logo entre as diferentes religi\u00f5es, o Estado e a sociedade, a f\u00e9 e a Ci\u00eancia, crentes e n\u00e3o-crentes e as diversas camadas da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0Evangelii Gaudium\u00a0(A alegria do Evangelho), publicada no final do ano passado pelo Papa Francisco, \u00e9 um verdadeiro chamado ao engajamento de todo o mundo cat\u00f3lico em uma nova \u00abevangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb. 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