{"id":3766,"date":"2013-11-22T13:07:19","date_gmt":"2013-11-22T13:07:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=769"},"modified":"2013-11-22T13:07:19","modified_gmt":"2013-11-22T13:07:19","slug":"a-integracao-da-america-do-sul-com-grandes-projetos-de-infraestrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-integracao-da-america-do-sul-com-grandes-projetos-de-infraestrutura\/","title":{"rendered":"A integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul com grandes projetos de infraestrutura"},"content":{"rendered":"<p><em>N. dos E. &#8211; O presente artigo foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de outubro-dezembro da revista financeira italiana\u00a0<\/em>La Finanza<em>.<\/em><\/p>\n<p>\u00abPara n\u00f3s, latino-americanos, a maior trag\u00e9dia da nossa hist\u00f3ria seria o fracasso da unidade continental e a ruptura do Mercosul.\u00bb<\/p>\n<p>Com estas palavras, o senador brasileiro Roberto Requi\u00e3o, ex-governador do estado do Paran\u00e1, de passagem por Roma \u00e0 frente de um grupo de delegados brasileiros ao F\u00f3rum Di\u00e1logo entre Civiliza\u00e7\u00f5es, em Rodes, Gr\u00e9cia, chegou a evocar o brado de \u00abindepend\u00eancia ou morte\u00bb, que inspirou a revolta dos brasileiros contra o dom\u00ednio colonial portugu\u00eas, atualizando-o para \u00abintegra\u00e7\u00e3o ou morte\u00bb, no sentido de que a soberania e a sobreviv\u00eancia como na\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam poss\u00edveis a longo prazo, se os diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul permanecerem \u00abreclusos\u00bb dentro de suas pr\u00f3prias fronteiras .<\/p>\n<p>Afirmativas indubitavelmente fortes e apaixonadas, bem ao nosso estilo latino, proferidas na Sala das Merc\u00eas da C\u00e2mara dos Deputados, em Roma, por ocasi\u00e3o de um semin\u00e1rio copatrocinado por\u00a0<em>La Finanza<\/em>, no qual tamb\u00e9m foi apresentado o livro\u00a0<em>Am\u00e9rica do Sul: integra\u00e7\u00e3o e infraestrutura<\/em>, coordenado pelo engenheiro Darc Costa, presidente da Federa\u00e7\u00e3o das C\u00e2maras de Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Os outros membros da delega\u00e7\u00e3o brasileira eram o professor Carlos Lessa , um dos mais proeminentes economistas brasileiros, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), e o jornalista e editor Lorenzo Carrasco, infatig\u00e1vel operador cultural e pol\u00edtico da integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e um dos organizadores da sess\u00e3o do F\u00f3rum de Rodes dedicada ao tema \u00abAs vis\u00f5es alternativas do mundo\u00bb.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>As exporta\u00e7\u00f5es do Brasil v\u00e3o, principalmente, para a Am\u00e9rica do Sul e a Europa<\/strong><\/p>\n<p>Em sua interven\u00e7\u00e3o, disse o senador Requi\u00e3o: \u00abEm m\u00e9dia , nos \u00faltimos quatro anos, mais de 30% dos nossos produtos manufaturados foram exportados para os pa\u00edses do Mercosul. Se aos pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul somarmos os da Am\u00e9rica Latina, veremos que 50% dos nossos produtos industriais s\u00e3o exportados para o espa\u00e7o latino-americano. Ou seja, a metade do que a nossa ind\u00fastria produz \u00e9 consumida na Am\u00e9rica Latina. A Uni\u00e3o Europeia, de fato, consome 19,5 % da nossa produ\u00e7\u00e3o industrial; os Estados Unidos, 13,5%; a China, pouco menos que 12%; e o resto do mundo, 14,8%.\u00bb<\/p>\n<p>A partir desses n\u00fameros, podemos observar que emergem duas considera\u00e7\u00f5es: a primeira \u00e9 que a sa\u00edda natural para os produtos industriais brasileiros \u00e9 o subcontinente latino-americano; e a segunda \u00e9 que os Estados Unidos, mais a Europa, s\u00e3o claramente a segunda \u00e1rea geopol\u00edtica mais importante para a grande na\u00e7\u00e3o emergente da Am\u00e9rica do Sul e do Grupo dos BRICS.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo nome desperta o protesto apaixonado do professor Carlos Lessa . \u00abCom o r\u00f3tulo de BRICS\u00bb, diz ele, \u00abs\u00e3o agrupados pa\u00edses com realidades totalmente diferentes, que t\u00eam em comum apenas a grande extens\u00e3o espacial. Por exemplo, o que temos n\u00f3s a ver com um pa\u00eds como a \u00cdndia, onde se falam dezenas de l\u00ednguas diferentes precisam recorrer ao ingl\u00eas, que \u00e9 uma l\u00edngua estrangeira?\u00bb.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Os pontos fortes do Brasil e o mist\u00e9rio do petr\u00f3leo<\/strong><\/p>\n<p>Em seguida, Lessa apresentou algumas caracter\u00edsticas e alguns pontos fortes do Brasil, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise econ\u00f4mica que atingiu o Ocidente. \u00abO nosso banco central est\u00e1 nas m\u00e3os do Estado. E de capital p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 a nossa maior empresa de petr\u00f3leo\u00bb, ressaltou, acrescentando que o Brasil pode estar se revelando como uma das melhores \u00e1reas petrol\u00edferas do planeta.<\/p>\n<p>Esta afirma\u00e7\u00e3o pode parecer excessivamente otimista, mas seria imprudente fazer pouco dela. Algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s, isto foi feito com proeminentes ge\u00f3logos mexicanos que vieram \u00e0 It\u00e1lia para tentar envolver a ENI [Ente Nazionale Idrocarburi, paraestatal petrol\u00edfera italiana &#8211; N. dos E.] nas suas pesquisas, que mostravam a exist\u00eancia de grandes quantidades de petr\u00f3leo no Golfo do M\u00e9xico. Infelizmente, n\u00e3o se acreditou neles e, gra\u00e7as \u00e0s descobertas no M\u00e9xico, de um ano para o outro, o volume de reservas mundiais comprovadas de petr\u00f3leo cresceu de uma vez em alguns bilh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Sobre o tema das reservas de hidrocarbonetos do planeta, al\u00e9m dos dados oficiais , em realidade, as informa\u00e7\u00f5es parecem, no m\u00ednimo, contradit\u00f3rias. Dos temores de um pr\u00f3ximo esgotamento das reservas de petr\u00f3leo, em voga na d\u00e9cada de 1970, passamos aos rumores de que o Sud\u00e3o seria uma segunda Ar\u00e1bia Saudita (mas o pa\u00eds est\u00e1 agora mantido \u00abna geladeira\u00bb e acusado de ser um \u00abEstado p\u00e1ria\u00bb), ou a outras especula\u00e7\u00f5es, segundo as quais todo o Mediterr\u00e2neo Oriental, do Egito \u00e0 Gr\u00e9cia, ocultaria esconder enormes jazidas de petr\u00f3leo e g\u00e1s. A isto n\u00e3o seria alheia a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica observada na \u00e1rea. E recordemos que, nos anos 70, j\u00e1 em meio \u00e0 crise do petr\u00f3leo e \u00e0 histeria midi\u00e1tica sobre o fim pr\u00f3ximo dos recursos petrol\u00edferos, ouvimos o ministro do Com\u00e9rcio Exterior, Rinaldo Ossola, murmurar perplexo: \u00abMas amigos americanos me dizem que a It\u00e1lia flutua sobre um mar de petr\u00f3leo. (&#8230;) \u00bb<\/p>\n<p>Fechando os par\u00eanteses petrol\u00edferos e de volta ao Brasil, como o retrata Carlos Lessa, para enfatizar a sua singularidade: \u00abFalamos o mesmo portugu\u00eas, do extremo norte ao extremo sul do pa\u00eds; somos uma sociedade aberta: n\u00e3o somos, como os EUA , \u00edtalo-americanos, afroamericanos, hisp\u00e2nicos etc., somos apenas brasileiros. O nosso pa\u00eds tem assimilado e &#8216;digerido&#8217; todos os diferentes grupos \u00e9tnicos, em uma mistura unificadora. N\u00f3s somos sul-americanos, n\u00e3o somos BRICS.\u00bb<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>As ra\u00edzes latinas da Am\u00e9rica do Sul<\/strong><\/p>\n<p>O prof. Lessa tamb\u00e9m fala, com evidente desenvoltura e envolvimento emocional, sobre as ra\u00edzes latinas da cultura sul-americana, que diferencia a Am\u00e9rica do Sul dos pa\u00edses angl\u00f3fonos do Norte. Uma \u00ablatinidade\u00bb que n\u00e3o \u00e9 uma mem\u00f3ria ret\u00f3rica ou afirma\u00e7\u00e3o abstrata, mas que est\u00e1 incorporada no concreto e se torna um elemento pol\u00edtico vivo e caracterizante, capaz de estabelecer uma ponte natural entre a Am\u00e9rica do Sul e a Europa Latina.<\/p>\n<p>Com ele faz eco Lorenzo Carrasco, que enfatiza outras peculiaridades unificadoras da Am\u00e9rica do Sul: a religi\u00e3o cat\u00f3lica e a aspira\u00e7\u00e3o a um estado de bem-estar social, que vai do M\u00e9xico ao Brasil, da Venezuela \u00e0 Argentina, e se expressa em v\u00e1rios movimentos pol\u00edticos do passado e do presente, e que tem na elei\u00e7\u00e3o do argentino papa Francisco um poderoso impulso, testemunhado por mais de dois milh\u00f5es e meio de pessoas, em sua maioria jovens, que se reuniram para aclam\u00e1-lo no Brasil. Mas ele tamb\u00e9m adverte: se a esperan\u00e7a e o entusiasmo dos jovens latino-americanos n\u00e3o tiverem oportunidades concretas de manifesta\u00e7\u00e3o no plano pol\u00edtico e econ\u00f4mico, perspectiva que apenas a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina pode dar, h\u00e1 o risco de que se transformem em impulsos de protesto .<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>O caminho para a integra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mas como alcan\u00e7ar a integra\u00e7\u00e3o e o consequente desenvolvimento econ\u00f4mico? O caminho tra\u00e7ado por Darc Costa e seus colaboradores \u00e9 o da grande infraestrutura continental.<\/p>\n<p>\u00abTodos n\u00f3s sabemos\u00bb, observa ele, \u00abque h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o direta entre os investimentos em infraestrutura e o desenvolvimento da economia, vari\u00e1veis que se refor\u00e7am mutuamente, uma vez que uma disponibilidade grande e eficiente de infraestrutura est\u00e1 na raiz da produtividade econ\u00f4mica e do bem-estar\u00bb.<\/p>\n<p>E a Am\u00e9rica do Sul, acrescenta, \u00e9 a prova dessa correla\u00e7\u00e3o: nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o baixo n\u00edvel de investimentos em infraestrutura foi acompanhado por taxas de crescimento mais baixas que as do resto do mundo, e os investimentos privados em infraestrutura foram mais voltados para a aquisi\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios j\u00e1 existentes do que para a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura nova.<\/p>\n<p>Um atraso que Costa ilustra com uma imagem noturna do nosso planeta tomada a partir de sat\u00e9lites: o Hemisf\u00e9rio Norte iluminado e o Sul quase completamente escuro. Para recuperar pelo menos parte da diferen\u00e7a, dez ele, a Am\u00e9rica do Sul precisar\u00e1 de investimentos em infraestrutura da ordem de pelo menos 6% do PIB, nos pr\u00f3ximos 30 anos.<\/p>\n<p>O livro fornece uma an\u00e1lise detalhada desses investimentos necess\u00e1rios e descreve algumas orienta\u00e7\u00f5es, como a \u00eanfase nos transportes, essencial para o desenvolvimento do com\u00e9rcio. Pelas estradas da regi\u00e3o, passa por pelo menos a metade do com\u00e9rcio e, de um total de mais de 2,6 milh\u00f5es de quil\u00f4metros de malha vi\u00e1ria, menos de 10% \u00e9 pavimentada.<\/p>\n<p>Em seguida, os portos e a rede de navega\u00e7\u00e3o potencialmente importante, atrav\u00e9s das grandes bacias hidrogr\u00e1ficas. A \u00e1gua, ali\u00e1s, \u00e9 uma das grandes riquezas estrat\u00e9gicas da Am\u00e9rica do Sul, que det\u00e9m 26% da \u00e1gua doce do planeta .<\/p>\n<p>Outro cap\u00edtulo detalha a integra\u00e7\u00e3o da rede de energia , analisando a situa\u00e7\u00e3o e os planos de grandes gasodutos e linhas de transmiss\u00e3o necess\u00e1rios para a integra\u00e7\u00e3o e interconex\u00e3o de todo o subcontinente, n\u00e3o esquecendo o vital setor de telecomunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aqui detalhar o escopo do estudo, mas n\u00e3o podemos deixar de ressaltar a rigorosa metodologia dos autores &#8211; ali\u00e1s, replicada em um estudo semelhante sobre a \u00c1frica -, bem como a filosofia subjacente, de que a integra\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1reas \u00e9 a\u00a0<em>conditio sine qua non<\/em>\u00a0do desenvolvimento econ\u00f4mico e social, e que a chave para a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 a infraestrutura continental. E que apenas um retorno aos investimentos em grandes projetos e na economia real pode proporcionar uma sa\u00edda da crise criada pela especula\u00e7\u00e3o financeira global, sem freios e sem regras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N. dos E. &#8211; O presente artigo foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de outubro-dezembro da revista financeira italiana\u00a0La Finanza. \u00abPara n\u00f3s, latino-americanos, a maior trag\u00e9dia da nossa hist\u00f3ria seria o fracasso da unidade continental e a ruptura do Mercosul.\u00bb Com estas palavras, o senador brasileiro Roberto Requi\u00e3o, ex-governador do estado do Paran\u00e1, de passagem por Roma &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-3766","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-iberoamerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3766","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3766"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3766\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3766"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3766"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}