{"id":3763,"date":"2013-10-25T15:44:36","date_gmt":"2013-10-25T15:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=743"},"modified":"2013-10-25T15:44:36","modified_gmt":"2013-10-25T15:44:36","slug":"perspectivas-da-cooperacao-tecnologica-russia-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/perspectivas-da-cooperacao-tecnologica-russia-brasil\/","title":{"rendered":"Perspectivas da coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica R\u00fassia-Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da importante e mais que oportuna aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos para as For\u00e7as Armadas brasileiras, a visita a Bras\u00edlia de uma delega\u00e7\u00e3o russa encabe\u00e7ada pelo ministro da Defesa Sergei Choigou, na semana passada, deixa como possibilidade concreta o estabelecimento de uma coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica russo-brasileira em \u00e1reas ligadas \u00e0 defesa. Neste contexto, al\u00e9m do encaminhamento da compra de sistemas antia\u00e9reos Pantsir S1 e Igla 9K38 para o Ex\u00e9rcito Brasileiro, no \u00e2mbito dos pacotes de armamentos adquiridos em fun\u00e7\u00e3o das grandes competi\u00e7\u00f5es internacionais que o Pa\u00eds sediar\u00e1 em 2014 e 2016, destacou-se a oferta russa para a coprodu\u00e7\u00e3o de ca\u00e7as Sukhoi SU-35 e a participa\u00e7\u00e3o brasileira no desenvolvimento do ca\u00e7a de quinta gera\u00e7\u00e3o Sukhoi T-50, um dos mais avan\u00e7ados do mundo.<\/p>\n<p>A visita do ministro russo \u00e9 mais um evento demonstrativo de uma promissora aproxima\u00e7\u00e3o dos dois pa\u00edses no campo da tecnologia militar, ocorrida no contexto da forma\u00e7\u00e3o do grupo BRICS, na \u00faltima d\u00e9cada. Em dezembro de 2012, a presidente Dilma Rousseff visitou Moscou, sendo seguida pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das For\u00e7as Armadas, general Jos\u00e9 Carlos de Nardi, em fevereiro deste ano, pela visita do primeiro-ministro Dmitri Medvedev ao Brasil, no mesmo m\u00eas, e pela presen\u00e7a de uma grande delega\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios russos do setor na LAAD 2013, a maior feira internacional de seguran\u00e7a e defesa da Am\u00e9rica Latina, realizada no Rio de Janeiro, em abril.<\/p>\n<p>No final de 2012, a empresa Odebrecht Defesa e Tecnologia e a estatal russa Russian Technologies State Corporation assinaram um memorando de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, que prev\u00ea o estabelecimento de uma <em>joint-venture<\/em> para o desenvolvimento e a produ\u00e7\u00e3o de equipamentos militares e helic\u00f3pteros no Brasil, estes \u00faltimos, do consagrado modelo multiuso Mi-171, do qual j\u00e1 existem algumas unidades civis operando no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Anteriormente, a For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB) j\u00e1 havia adquirido 12 helic\u00f3pteros de ataque Mi-35, dos quais nove j\u00e1 foram entregues e operam no Esquadr\u00e3o Poti, na Base A\u00e9rea de Porto Velho (RO).<\/p>\n<p>A despeito da import\u00e2ncia do contrato das armas antia\u00e9reas, avaliado em mais de 1 bilh\u00e3o de d\u00f3lares, os russos tinham na al\u00e7a de mira a possibilidade de reintroduzir as suas aeronaves no processo decis\u00f3rio da aquisi\u00e7\u00e3o dos novos ca\u00e7as da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB), novela que se arrasta sem solu\u00e7\u00e3o desde o final do governo de Fernando Henrique Cardoso. Na fase mais recente, denominada FX-2 e outra vez adiada\u00a0sine die\u00a0pela presidente Dilma Rousseff, os tr\u00eas concorrentes finais ficaram sendo o Boeing F\/A-18E\/F (EUA), o Dassault Rafale F3 (Fran\u00e7a) e o Saab Gripen JAS-39 NG (Su\u00e9cia-Reino Unido). Com mais um retardo, o governo russo reapresentar uma proposta melhorada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior, que se referia apenas ao SU-35.<\/p>\n<p>Para o Brasil, a entrada no projeto do T-50 significaria dotar a ind\u00fastria aeron\u00e1utica nacional do mesmo n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o na tecnologia de aeronaves militares que j\u00e1 disp\u00f5e nas aeronaves civis, elevando-a ao estado da arte no setor. Como a R\u00fassia j\u00e1 conta com a coopera\u00e7\u00e3o da \u00cdndia no projeto, evidentemente, o gerenciamento dos interesses dos tr\u00eas pa\u00edses implicaria em grandes desafios, mas os resultados potenciais s\u00e3o suficientemente positivos para que a proposta seja devidamente considerada. A For\u00e7a A\u00e9rea Russa j\u00e1 tem cinco prot\u00f3tipos em experi\u00eancias, mas a produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie n\u00e3o \u00e9 esperada para antes de 2016-2018, o que colocaria a aeronave em condi\u00e7\u00f5es de substituir os atuais jatos de combate da FAB a partir do in\u00edcio da pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Evidentemente, a participa\u00e7\u00e3o no projeto n\u00e3o resolveria o problema imediato da substitui\u00e7\u00e3o dos 12 ca\u00e7as Dassault Mirage 2000C\/B do 1\u00ba. Grupo de Defesa A\u00e9rea, que opera na Base A\u00e9rea de An\u00e1polis (GO) e dever\u00e3o ser definitivamente aposentados ao final deste ano, al\u00e9m do desgaste natural dos Northrop F-5EBR, que apesar de modernizados na Embraer, s\u00e3o aeronaves adquiridas na d\u00e9cada de 1970. Para tanto, uma negocia\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia poderia incluir a compra ou at\u00e9 mesmo o arrendamento de um certo n\u00famero de ca\u00e7as SU-35, para cobrir as necessidades da FAB at\u00e9 que os T-50 estivessem dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Considerando todos os fatores, para o Brasil, as vantagens potenciais da associa\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia seriam superiores a qualquer das propostas da FX-2, justificando at\u00e9 mesmo o eventual \u00abdesgaste diplom\u00e1tico e de credibilidade\u00bb para o Pa\u00eds com o cancelamento definitivo da licita\u00e7\u00e3o, argumento observado por um diplomata do Itamaraty ao correspondente do jornal\u00a0<em>O Estado de S. Paulo<\/em>\u00a0em Paris, Andrei Netto (<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, 15\/10\/2013).<\/p>\n<p>Convenhamos que, no atual ambiente internacional, em que o Pa\u00eds se defronta com a realidade da agenda intrusiva das grandes pot\u00eancias ocidentais, inclusive com o esc\u00e2ndalo da espionagem eletr\u00f4nica capitaneada pelos EUA, tal custo seria bastante baixo em rela\u00e7\u00e3o aos grandes benef\u00edcios potenciais.<\/p>\n<p>Em uma fase posterior de uma eventual parceria tecnol\u00f3gica aprofundada, o Brasil poderia ampliar as \u00e1reas de coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de armamentos e equipamentos baseados em novos princ\u00edpios f\u00edsicos, \u00e1rea em que a R\u00fassia j\u00e1 tem importantes programas em andamento. Em mar\u00e7o de 2012, o ent\u00e3o ministro da Defesa Anatoly Serdyukov anunciou a inten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em promover um grande impulso de moderniza\u00e7\u00e3o de tecnologias militares baseadas em \u00e1reas de fronteira do conhecimento, como armas de energia direta e energia de ondas, gen\u00e9ticas e psicotr\u00f4nicas (<em>Resenha Estrat\u00e9gica<\/em>, 5\/09\/2012 e 15\/08\/2013).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da importante e mais que oportuna aquisi\u00e7\u00e3o de equipamentos para as For\u00e7as Armadas brasileiras, a visita a Bras\u00edlia de uma delega\u00e7\u00e3o russa encabe\u00e7ada pelo ministro da Defesa Sergei Choigou, na semana passada, deixa como possibilidade concreta o estabelecimento de uma coopera\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica russo-brasileira em \u00e1reas ligadas \u00e0 defesa. 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