{"id":376,"date":"2012-10-10T22:03:17","date_gmt":"2012-10-10T22:03:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=376"},"modified":"2012-10-10T22:03:17","modified_gmt":"2012-10-10T22:03:17","slug":"a-comissao-da-verdade-e-o-conselho-mundial-de-igrejas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-comissao-da-verdade-e-o-conselho-mundial-de-igrejas\/","title":{"rendered":"A Comiss\u00e3o da Verdade e o Conselho Mundial de Igrejas"},"content":{"rendered":"<p>A chamada Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o tem qualquer inten\u00e7\u00e3o de estabelecer a realidade dos fatos hist\u00f3ricos, com vistas a proporcionar um benef\u00edcio maior para a sociedade, mas se move, t\u00e3o somente, como instrumento de um impulso revanchista de demonstrar a culpabilidade institucional das For\u00e7as Armadas e condenar o Estado brasileiro pela repress\u00e3o \u00e0s insurg\u00eancias armadas contra o regime militar de 1964-1985.<\/p>\n<p>Tal objetivo ficou evidenciado com a anunciada decis\u00e3o de limitar unilateralmente o seu escopo de a\u00e7\u00e3o a \u00abinvestigar os crimes praticados por agentes p\u00fablicos na ditadura\u00bb, sem qualquer concess\u00e3o a um entendimento objetivo daquele per\u00edodo hist\u00f3rico e, menos ainda, ao necess\u00e1rio estabelecimento de uma harmonia institucional t\u00e3o necess\u00e1ria nestes tempos de crise global. Crise que, inevitavelmente, tende a se aprofundar, com efeitos agravados, dos quais o Brasil n\u00e3o poder\u00e1 se esquivar e ter\u00e1 que estar preparado para enfrentar.<\/p>\n<p>Com semelhante agenda, as turbul\u00eancias geradas pelo trabalho da comiss\u00e3o poder\u00e3o superar por larga margem quaisquer aspectos positivos decorrentes dessa interpreta\u00e7\u00e3o peculiar dos direitos humanos, interpretados sob uma \u00f3tica ideol\u00f3gica estreita e desvinculados dos interesses maiores da harmonia nacional.\u00a0Para buscar, realmente, uma verdade hist\u00f3rica vinculada ao bem comum da na\u00e7\u00e3o, uma Comiss\u00e3o da Verdade \u00e0 altura das responsabilidades impostas pelo momento hist\u00f3rico deveria ter como prop\u00f3sito final o estabelecimento de um principio de concilia\u00e7\u00e3o, que foi a motiva\u00e7\u00e3o da Lei da Anistia, que permitiu o retorno \u00e0 normalidade democr\u00e1tica do Pa\u00eds, ainda antes do t\u00e9rmino do regime militar. N\u00e3o se trata de um princ\u00edpio ut\u00f3pico, pois foi a motiva\u00e7\u00e3o das chamadas \u00abcl\u00e1usulas de perd\u00e3o\u00bb dos acordos de Westf\u00e1lia de 1648, que encerraram a Guerra dos Trinta Anos, que devastou a Europa Ocidental na primeira metade do s\u00e9culo XVII, em uma escala incomparavelmente mais sangrenta do que os conflitos do per\u00edodo abordado pela comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Para uma investiga\u00e7\u00e3o objetiva daquele per\u00edodo hist\u00f3rico, seria preciso come\u00e7ar com uma avalia\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio com o qual o Pa\u00eds se defrontava na \u00e9poca e as causas da exacerba\u00e7\u00e3o das paix\u00f5es pol\u00edticas na d\u00e9cada de 1960. Pode-se indagar como as elites brasileiras (entendendo-se a express\u00e3o no seu sentido mais amplo) aceitaram a din\u00e2mica da Guerra Fria, de uma forma que dividiu as for\u00e7as pol\u00edticas nacionais e debilitou a ideia de um projeto nacional, que vinha se desenvolvendo desde a Revolu\u00e7\u00e3o Tenentista da d\u00e9cada de 1920 e foi uma das for\u00e7as motrizes da industrializa\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Tanto o primeiro per\u00edodo de Get\u00falio Vargas (1930-1945) &#8211; que tamb\u00e9m \u00e9 permanentemente atacado como um regime de exce\u00e7\u00e3o -, como o projeto de desenvolvimento que se seguiu at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, integraram esse projeto nacional. Por ironia, o fim do regime militar tamb\u00e9m implicou no fim desse projeto nacional, substitu\u00eddo por uma mescla pouco coerente de interesses e direitos individuais ou setoriais, em grande medida conflitantes entre si e divorciados dos interesses maiores da sociedade em conjunto &#8211; modelo que, em \u00faltima an\u00e1lise, est\u00e1 na raiz da crise global, por ter superado todos os limites da sua disfuncionalidade intr\u00ednseca.<\/p>\n<p>A pergunta que cabe \u00e9: a quem interessa esse estado de coisas? A quem beneficia fomentar os ressentimentos internos e a desarmonia da sociedade brasileira, cujos anseios passam longe das inten\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o da Verdade, imposta por minorias ideol\u00f3gicas com forte apoio internacional? A quem beneficia que o Brasil n\u00e3o possa estar unido, civis e militares, em um novo projeto nacional voltado para o desenvolvimento pleno do Pa\u00eds e uma meta de garantia da dignidade de todos os cidad\u00e3os e fam\u00edlias brasileiros?<\/p>\n<p>Como veremos a seguir, tais campanhas revanchistas contra as institui\u00e7\u00f5es dos Estados nacionais n\u00e3o s\u00e3o promovidas por interesses nacionais leg\u00edtimos, mas por interesses olig\u00e1rquicos internacionais, integrantes de uma estrutura de poder sediada no eixo anglo-americano e empenhada no estabelecimento de institui\u00e7\u00f5es de \u00abgoverno mundial\u00bb.<\/p>\n<p>O maior apoiador da Comiss\u00e3o da Verdade \u00e9 o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), entidade que, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, no final da d\u00e9cada de 1940, integra o projeto de estabelecimento de um \u00abgoverno mundial\u00bb situado acima da \u00abinflu\u00eancia demon\u00edaca da soberania nacional\u00bb, como escreveu um de seus mentores. E, para se debilitar uma sociedade por dentro, n\u00e3o h\u00e1 instrumento melhor do que explorar sentimentos humanit\u00e1rios, supostamente religiosos ou ecum\u00eanicos. Desde antes da instaura\u00e7\u00e3o do regime militar, o CMI j\u00e1 estava em campo para os seus des\u00edgnios no Brasil. Ele foi a for\u00e7a motriz externa da chamada Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o, que estava no ide\u00e1rio dos principais grupos armados que operaram no Pa\u00eds, e sua atua\u00e7\u00e3o se deu em estreita coordena\u00e7\u00e3o com certos setores do aparato de intelig\u00eancia anglo-americano.<\/p>\n<p>Em junho de 2011, o CMI repassou ao Procurador-Geral da Rep\u00fablica, Roberto Gurgel, cerca de 4 mil p\u00e1ginas de documentos relacionados ao projeto Brasil: Nunca Mais!, que se encontravam em sua sede em Genebra, Su\u00ed\u00e7a. Mais tarde, em novembro, o moderador do Comit\u00ea Central do CMI, o ex-pastor Walter Altmann, encontrou-se em Bras\u00edlia com a ministra dos Direitos Humanos Maria do Ros\u00e1rio, para manifestar o apoio do CMI \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade. Na ocasi\u00e3o, Altmann entregou \u00e0 ministra uma c\u00f3pia em espanhol do livro\u00a0<em>O Acompanhamento<\/em>, de Chuck Harper, que relata o apoio do CMI \u00e0s iniciativas de defesa dos direitos humanos na Am\u00e9rica Latina, entre as d\u00e9cadas de 1970 e 1990. O titulo completo do livro, publicado em 2006, \u00e9\u00a0<em>O Acompanhamento: Ecumenical Action for Human Rights in Latin America 1970-1990<\/em>, apresentado por Harper como uma \u00abhist\u00f3ria da resist\u00eancia crist\u00e3 no Brasil\u00bb (sic).<\/p>\n<p>Chuck Harper nasceu no Brasil em 1933, filho de mission\u00e1rios presbiterianos estadunidenses que emigraram em 1926. Durante toda a sua vida adulta, tem sido um ativista internacional da Igreja Presbiteriana dos EUA e do CMI, atuando em campanhas de direitos humanos, especialmente no Brasil e nas na\u00e7\u00f5es africanas de l\u00edngua portuguesa. Uma de suas fun\u00e7\u00f5es foi monitorar o governo militar brasileiro, produzindo relat\u00f3rios que, agora, foram entregues \u00e0 Comiss\u00e3o da Verdade. Em\u00a0<a>entrevista<\/a>\u00a0publicada em 15 de julho de 2011, pelo Servi\u00e7o de Informa\u00e7\u00e3o da Igreja Presbiteriana dos EUA, ele explicou:\u00a0\u00abOs arquivos em quest\u00e3o foram relatos extensivos e altamente detalhados sobre cada pessoa sequestrada, torturada, interrogada e morta pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a. Os oficiais do Ex\u00e9rcito brasileiro eram obsessivos em guardar arquivos.\u00bb<\/p>\n<p>Prosseguindo, diz a nota:<\/p>\n<blockquote><p>Em 14 de junho, o secret\u00e1rio-geral do Conselho Mundial de Igrejas, reverendo Olav Fykse Tveit, o l\u00edder luterano brasileiro reverendo Walter Altmann, o moderador do Comit\u00ea Central do CMI e outros l\u00edderes crist\u00e3os entregaram aos promotores p\u00fablicos brasileiros tr\u00eas caixas de registros de arquivos.<\/p>\n<p>A transfer\u00eancia formal ocorreu no Gabinete do Procurador-Geral em S\u00e3o Paulo, diante de funcion\u00e1rios governamentais e l\u00edderes da Igreja, inclusive dois representantes de organiza\u00e7\u00f5es ecum\u00eanicas que foram torturados pelos militares.<\/p>\n<p>\u00abAgora, os brasileiros podem saber o que aconteceu enquanto viviam sob o regime militar. Esta \u00e9 uma parte importante do processo da verdade\u00bb, disse Harper \u00e0 PNS. \u00abO conjunto total dos documentos chega a mais de um milh\u00e3o de p\u00e1ginas.\u00bb<\/p>\n<p>Alguns dos documentos estavam guardados em institui\u00e7\u00f5es nos EUA e outros nos arquivos do CMI em Genebra.<\/p>\n<p>Harper atuou de 1973 a 1992 como coordenador do Programa de Direitos Humanos na Am\u00e9rica Latina do CMI, desempenhando um papel chave na reuni\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o brasileira. Ele tamb\u00e9m trabalhou em projetos de justi\u00e7a para os povos das col\u00f4nias portuguesas na \u00c1frica, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>Os documentos dos arquivos de Genebra est\u00e3o sendo examinados pela equipe do Procurador-Geral e, em seguida, ser\u00e3o confiados ao ministro da Justi\u00e7a do Brasil.<\/p>\n<p>\u00abEsses [documentos] estavam contidos em um dos arquivos de processos legais realizados nos tribunais militares brasileiros, durante o per\u00edodo de 1964 a 1979. Milhares desses registros foram obtidos dos arquivos do Ex\u00e9rcito, com base nas provis\u00f5es da [Lei da] anistia\u00bb, disse Harper.<\/p>\n<p>Eles foram copiados clandestinamente e catalogados, tornando-se um registro paralelo ao dos pr\u00f3prios arquivos de torturas das autoridades militares. Em 1986, a Arquidiocese de S\u00e3o Paulo, dirigida pelo arcebispo cardeal Paulo Evaristo Arns e apoiada pelo Conselho Mundial de Igreja, publicou um relat\u00f3rio chamado\u00a0<em>Brasil: Nunca Mais<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Harper foi amigo \u00edntimo e atuou em estreita coordena\u00e7\u00e3o com o pastor Jaime Wright (1927-1999), que foi um dos principais l\u00edderes presbiterianos do Brasil e, juntamente com Evaristo Arns e o rabino estadunidense Henry Sobel, um dos l\u00edderes da comunidade judaica em S\u00e3o Paulo, os respons\u00e1veis pela publica\u00e7\u00e3o do livro\u00a0<em>Brasil: Nunca Mais<\/em>.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A agenda secreta do CMI<\/strong><\/p>\n<p>Uma contundente den\u00fancia sobre o insidioso papel desestabilizador do CMI partiu do cardeal Joseph Ratzinger, ent\u00e3o prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 do Vaticano [hoje papa Bento XVI]. Em uma entrevista \u00e0\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>\u00a0de 10 de junho de 1997, ele afirmou: \u00abGrande parte dos bispos cat\u00f3licos da Am\u00e9rica Latina se lamentam comigo do fato de que o Conselho Ecum\u00eanico de Igrejas [como o CMI tamb\u00e9m \u00e9 conhecido] tem dado grande ajuda a movimentos de subvers\u00e3o, ajuda que talvez tivesse boas inten\u00e7\u00f5es, mas que acabou sendo bastante danosa para o Evangelho.\u00bb<\/p>\n<p>No Brasil, essa campanha de subvers\u00e3o permanente transcende a frente dos direitos humanos. De fato, o CMI tem financiado e promovido diversas iniciativas contra o desenvolvimento e a soberania do Pa\u00eds, com \u00eanfase nas quest\u00f5es agr\u00e1rias, ambientais e indigenistas, al\u00e9m de ser um dos principais promotores das campanhas de desarmamento civil. Entre as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) que recebem o seu apoio direto, destacam-se o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI) e Instituto Socioambiental (ISA). Praticamente cada grande projeto de infraestrutura e log\u00edstica implementado no Pa\u00eds, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, tem se defrontado direta ou indiretamente com uma a\u00e7\u00e3o do CMI.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, pode-se afirmar que o CMI est\u00e1 engajado em uma aut\u00eantica \u00abguerra de quarta gera\u00e7\u00e3o\u00bb contra o Estado nacional brasileiro, manipulando setores de sua pr\u00f3pria sociedade contra os seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do CMI pode dar a impress\u00e3o de que a sua origem se situa no campo da ideologia marxista, mas a realidade \u00e9 que esta configura\u00e7\u00e3o foi apenas a mais conveniente para os des\u00edgnios de subvers\u00e3o dos Estados nacionais soberanos, pretendidos pelos seus criadores. Os recursos para a funda\u00e7\u00e3o da entidade, em 1948, provieram da Funda\u00e7\u00e3o John D. Rockefeller, ele pr\u00f3prio um entusiasta das \u00abcausas ecum\u00eanicas\u00bb para combater as ra\u00edzes cat\u00f3licas do subcontinente ibero-americano, sendo o principal promotor da agenda de penetra\u00e7\u00e3o das igrejas pentecostais na Am\u00e9rica Latina, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da defesa dos direitos humanos, como um instrumento de debilita\u00e7\u00e3o dos Estados nacionais e o favorecimento das estruturas de \u00abgoverno mundial\u00bb, foi meticulosamente planejada como uma estrat\u00e9gia de longo prazo. Durante a Confer\u00eancia de Paris, em 1919, ap\u00f3s o t\u00e9rmino da I Guerra Mundial, grupos da elite anglo-americana emergente, herdeiros do ideal imperial brit\u00e2nico, se uniram com o prop\u00f3sito deliberado de transformar a rec\u00e9m-criada Liga das Na\u00e7\u00f5es em uma estrutura de governan\u00e7a mundial. Ali se idealizou a cria\u00e7\u00e3o do que mais tarde seria o CMI, que seria uma \u00abigreja do governo mundial\u00bb, um novo Pantheon romano, supostamente, ecum\u00eanico e crist\u00e3o. Foi esta a raiz da difus\u00e3o de um ecumenismo internacionalista sui generis, associado a uma teologia pol\u00edtica, um \u00abevangelho social\u00bb, de onde se alimentou mais tarde a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o (da\u00ed vem o parentesco carnal do CMI com esta \u00faltima).<\/p>\n<p>Entre os mentores da agenda, destacam-se:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<em>Philip Henry Kerr, marqu\u00eas de Lothian<\/em>\u00a0(1882-1940), membro destacado do Kindergarten de lorde Alfred Milner, um dos principais grupos de articula\u00e7\u00e3o do\u00a0Establishment\u00a0brit\u00e2nico da \u00e9poca;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<em>Leonel Curtis<\/em>\u00a0(1872-1955), fundador do Royal Institute for International Affairs (RIIA) de Londres (1920) e do Council on Foreign Relations (CFR) de Nova York (1921), institui\u00e7\u00f5es que, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, t\u00eam servido como centros de articula\u00e7\u00e3o do poder anglo-americano que herdou a teia de interesses coloniais brit\u00e2nicos;<\/p>\n<p>&#8211;<em>\u00a0Sir Alfred Eckhard Zimmern<\/em>\u00a0(1879-1957), historiador brit\u00e2nico, membro do Departamento de Intelig\u00eancia Pol\u00edtica, criado pelo Foreign Office em 1918, para preparar a ordem mundial do p\u00f3s-guerra;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0<em>John Foster Dulles<\/em>\u00a0(1888 -1959), cofundador do CFR, funcion\u00e1rio de John D. Rockefeller e secret\u00e1rio de Estado no governo Eisenhower (1953-1961). Seu irm\u00e3o Allen Dulles foi diretor da CIA durante o mesmo per\u00edodo. Os irm\u00e3os Dulles eram filhos de um proeminente pastor presbiteriano e John F. Dulles foi, ele pr\u00f3prio, o mais alto representante da Igreja Presbiteriana dos EUA e presidente do Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos. Tais v\u00ednculos n\u00e3o deixam d\u00favidas que a Igreja Presbiteriana dos EUA e, por meio dela, o CMI, foram e, provavelmente, continuam sendo parte fundamental dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia da oligarquia anglo-americana.<\/p>\n<p>Os quatro personagens acima citados tinham liga\u00e7\u00f5es com o mission\u00e1rio escoc\u00eas <em>J.H. Oldham<\/em> (1874-1969), que foi uma pe\u00e7a fundamental no desenvolvimento da rede do ecumenismo mission\u00e1rio que resultou na cria\u00e7\u00e3o do CMI, em 1948.<\/p>\n<p>A Guerra Fria, em grande medida fomentada por ele pr\u00f3prio, proporcionou a esse aparato de poder olig\u00e1rquico a oportunidade para perpetuar o sistema colonial, que deveria ter desaparecido com o colapso do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico e seus similares europeus, tal como imaginava o presidente Franklin D. Roosevelt (1933-1945) em seus planos para o p\u00f3s-guerra. Com o conflito Leste-Oeste, os reformadores do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico e os interesses liderados pela fam\u00edlia Rockefeller nos EUA se encargaram de desconstruir o legado de Roosevelt, promovendo uma ordem mundial baseada na for\u00e7a, sob o pretexto do combate ao inimigo comunista, cujo poderio e inten\u00e7\u00f5es foram dramaticamente exagerados.<\/p>\n<p>Contra esse cen\u00e1rio, os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina foram for\u00e7ados a se engajar no conflito ideol\u00f3gico, mergulhando em um processo antinacional do qual ainda n\u00e3o se livrou. Um marco deste processo foi a promo\u00e7\u00e3o do golpe de Estado contra o presidente da Guatemala, Jacobo Arbenz, em 1954, diretamente dirigido pelos irm\u00e3os Dulles, com a interven\u00e7\u00e3o direta da CIA, que abriu caminho para uma pletora de outras interven\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, embora tais a\u00e7\u00f5es sejam bem documentadas, menos conhecido \u00e9 o outro bra\u00e7o com o qual essa estrutura de \u00abgoverno mundial\u00bb olig\u00e1rquico operava e fomentava as oposi\u00e7\u00f5es radicais de esquerda &#8211; o que era feito por meio do CMI e, em especial, as redes da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos em pa\u00edses em desenvolvimento (principalmente, na Am\u00e9rica do Sul), que atuavam na regi\u00e3o desde as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A trag\u00e9dia da \u00abCl\u00e1usula de Culpabilidade\u00bb de Versalhes<\/strong><\/p>\n<p>Seria uma boa sugest\u00e3o que a Comiss\u00e3o da Verdade revisasse as consequ\u00eancias hist\u00f3ricas da chamada \u00abCl\u00e1usula de Culpabilidade da Guerra\u00bb, como \u00e9 conhecido o artigo 231, se\u00e7\u00e3o VII, que trata das repara\u00e7\u00f5es de guerra do Tratado de Versalhes, que encerrou a I Guerra Mundial. Aqui, n\u00e3o nos referimos ao fato de que o Estado brasileiro j\u00e1 vem pagando uma esp\u00e9cie de \u00abrepara\u00e7\u00e3o de guerra\u00bb \u00e0s v\u00edtimas reais e supostas do per\u00edodo da repress\u00e3o pol\u00edtica. O relevante s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es de como a imputa\u00e7\u00e3o \u00e0 Alemanha de toda a culpabilidade pelo conflito, com o consequente estabelecimento das impag\u00e1veis repara\u00e7\u00f5es de guerra, provocaram um enorme ressentimento na sociedade alem\u00e3, o qual foi a causa direta da emerg\u00eancia do regime nazista, que soube explorar o sentido de injusti\u00e7a das negocia\u00e7\u00f5es de Versalhes, impulso que desembocou, inevitavelmente, nas trag\u00e9dias da II Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Vale destacar que John Foster Dulles foi um dos mentores da \u00abCl\u00e1usula de Culpabilidade\u00bb, na condi\u00e7\u00e3o de assessor do presidente Woodrow Wilson (1913-1921) nas confer\u00eancias de Paris. Com tais motiva\u00e7\u00f5es, a \u00eanfase do Tratado de Versalhes n\u00e3o era a paz mundial, mas a inten\u00e7\u00e3o de dobrar a na\u00e7\u00e3o alem\u00e3 aos des\u00edgnios da emergente hegemonia anglo-americana, em sua pretens\u00e3o de estabelecer uma estrutura de \u00abgoverno mundial\u00bb.<\/p>\n<p>Em Versalhes, como durante a Guerra Fria, pouco se mostraram os sentimentos ecum\u00eanicos crist\u00e3os do ex-pastor presbiteriano John Foster Dulles. Por isso, seria de bom alvitre que a Comiss\u00e3o da Verdade se instru\u00edsse melhor sobre as consequ\u00eancias potencialmente ruinosas de tais agendas sect\u00e1rias para a harmonia das na\u00e7\u00f5es. Do tortuoso caminho da tradi\u00e7\u00e3o legal da \u00abCl\u00e1usula de Culpabilidade\u00bb de Versalhes, que esta no \u00abDNA\u00bb do CMI, pode existir um atalho de sa\u00edda para a \u00abCl\u00e1usula do Perd\u00e3o\u00bb que regeu os hist\u00f3ricos acordos de Westf\u00e1lia. Os dois caminhos apontam para destinos divergentes &#8211; mas apenas um leva aos reais interesses das na\u00e7\u00f5es e seus povos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chamada Comiss\u00e3o da Verdade n\u00e3o tem qualquer inten\u00e7\u00e3o de estabelecer a realidade dos fatos hist\u00f3ricos, com vistas a proporcionar um benef\u00edcio maior para a sociedade, mas se move, t\u00e3o somente, como instrumento de um impulso revanchista de demonstrar a culpabilidade institucional das For\u00e7as Armadas e condenar o Estado brasileiro pela repress\u00e3o \u00e0s insurg\u00eancias armadas &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-376","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-iberoamerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=376"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/376\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=376"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=376"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=376"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}