{"id":3759,"date":"2013-09-30T18:01:26","date_gmt":"2013-09-30T18:01:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=706"},"modified":"2013-09-30T18:01:26","modified_gmt":"2013-09-30T18:01:26","slug":"forum-sindical-brasil-mexico-2013-sem-trabalho-nao-ha-dignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/forum-sindical-brasil-mexico-2013-sem-trabalho-nao-ha-dignidade\/","title":{"rendered":"F\u00f3rum Sindical Brasil-M\u00e9xico 2013: sem trabalho, n\u00e3o h\u00e1 dignidade"},"content":{"rendered":"<p>Entre os dias 16 e 18 de setembro, realizou-se no Rio de Janeiro (RJ) o F\u00f3rum Sindical Brasil-M\u00e9xico 2013, promovido pela Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), com a colabora\u00e7\u00e3o do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e a Central Revolucion\u00e1ria de Trabalhadores e Camponeses (CROC-Jalisco) mexicana. O objetivo central do encontro foi promover uma discuss\u00e3o dos problemas que afetam o mundo do trabalho no \u00e2mbito da globaliza\u00e7\u00e3o financeira, como foi levantado no F\u00f3rum de Guadalajara, em outubro de 2012.<\/p>\n<p>Na sess\u00e3o de abertura dos trabalhos, o jornalista Lorenzo Carrasco, presidente do MSIa e coordenador-geral do F\u00f3rum de Guadalajara, se referiu \u00e0 import\u00e2ncia da reuni\u00e3o de 2012: \u00abNaquela ocasi\u00e3o, ressaltamos que a crise global vai al\u00e9m dos seus aspectos econ\u00f4micos e financeiros. Ela supera a materialidade e implica em que n\u00e3o existem direitos inalien\u00e1veis, como a liberdade, o progresso e a busca da felicidade, sem o direito inalien\u00e1vel ao trabalho.\u00bb<\/p>\n<p>Referindo-se \u00e0s recentes declara\u00e7\u00f5es do papa Francisco a respeito, Carrasco destacou \u00aba decad\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio se mede pela maneira como se descartam os velhos, desprezando a experi\u00eancia e a hist\u00f3ria que representam, e como se descartam os jovens, que hoje enfrentam taxas de desemprego de 60%, em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo. Com isto, se arrebata o principio da dignidade humana. Igualmente, entendemos que, ao defender o direito ao trabalho, se defende o projeto de na\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p>De forma significativa, o evento foi realizado no audit\u00f3rio do Memorial Get\u00falio Vargas, o grande nacionalista que marcou de forma singular a hist\u00f3ria do Brasil, com um ideal de \u00abP\u00e1tria Grande\u00bb que se aproximava do nacionalismo mexicano. Por isso, o s\u00edmbolo do F\u00f3rum Brasil-M\u00e9xico foi uma fus\u00e3o das duas bandeiras, unindo-as pelas partes verdes comuns.<\/p>\n<p>Sob o tema geral \u00abUnidade Latino-Americana pelo Desenvolvimento e a Justi\u00e7a Social\u00bb, os participantes do evento tiveram a oportunidade de ouvir e dialogar com v\u00e1rias personalidades pol\u00edticas brasileiras, conhecidas por sua decidida postura nacionalista, como o senador Roberto Requi\u00e3o (PMDB-PR), o ministro do Esporte Aldo Rebelo e o economista Carlos Lessa, ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Em sua palestra, Requi\u00e3o assinalou que \u00abas primeiras v\u00edtimas da globaliza\u00e7\u00e3o foram os trabalhadores, que, al\u00e9m de demitidos, tiveram cortados direitos adquiridos em d\u00e9cadas de conquistas. A estes atropelos, hoje se denomina flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u00bb. Segundo ele, \u00ab\u00e9 a forma natural de ser do capitalismo; \u00e9 a sua l\u00f3gica, que cria um Estado m\u00ednimo e terceirizado, que avan\u00e7a como um c\u00e2ncer. O Estado m\u00ednimo \u00e9 o ideal do neoliberalismo. No Brasil, por exemplo, esta pol\u00edtica fez como que se perdesse mais da metade do PIB industrial; a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no PIB caiu de 36% a apenas 16% do PIB nacional. O processo brasileiro \u00e9 t\u00e3o tr\u00e1gico como o mexicano.\u00bb Por isso, afirmou, \u00abnunca, como hoje, se requer a unidade dos trabalhadores do mundo, como sugere o tema desta reuni\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p>Durante os tr\u00eas dias dos trabalhos, os l\u00edderes sindicais presentes denunciaram a tenaz e sistem\u00e1tica agress\u00e3o contra os sindicatos e seus dirigentes, por parte do poder pol\u00edtico-financeiro e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o ao seu servi\u00e7o. O ataque aos sindicatos \u00e9 concomitante com a devasta\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas de amplas massas de trabalhadores afetados pela globaliza\u00e7\u00e3o, que produz desemprego, redu\u00e7\u00e3o do poder aquisitivo dos sal\u00e1rios, empobrecimento das fam\u00edlias dos trabalhadores e desmantelamento dos seus direitos sociais.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o generalizada foi a de que a classe trabalhadora se encontra na fila de um moderno matadouro. Uma radiografia dos problemas enfrentados por ela foi feita com grande riqueza de elementos, na mesa-redonda final do evento, coordenada pelo presidente da CSB, Luiz Sergio da Rosa Lopes. Na ocasi\u00e3o, o diretor da CROC-Jalisco, Antonio \u00c1lvarez Esparza, afirmou que \u00abh\u00e1 uma infinidade de ataques ao trabalho. O Estado se encontra em plena retirada. No M\u00e9xico, agora, com a nova reforma trabalhista, se est\u00e1 dando status ao emprego &#8216;terceirizado&#8217; ou &#8216;<em>outsourcing<\/em>&#8216;, embora isto seja proibido pela Constitui\u00e7\u00e3o mexicana\u00bb.<\/p>\n<p>\u00abCom essa nova lei, procura-se livrar o empres\u00e1rio dos encargos de passivos trabalhistas contra os direitos do trabalhador, que a Constitui\u00e7\u00e3o protege com uma pens\u00e3o. De um golpe, se apaga o que se consegue no contrato coletivo do trabalho, apagando os seus direitos de pens\u00e3o. Se faz uma reforma na contram\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, em que o Estado se v\u00ea reduzido a amparar o patr\u00e3o em detrimento do trabalhador. A moda dos &#8216;direitos humanos&#8217; se individualiza ao trabalhador, desconhecendo os direitos contidos nos contratos coletivos de trabalho. Nossa central, a CROC-Jalisco, se deu ao trabalho de investigar a possibilidade de que os trabalhadores sejam amparados contra esta nova lei. Mas, diante de uma hermen\u00eautica jur\u00eddica pervertida, agora, temos que recorrer \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da OEA [Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos]. N\u00e3o se deve esquecer que o artigo 123 da Constitui\u00e7\u00e3o mexicana foi criado para estabelecer o direito do trabalhador e o Estado como garante destes direitos trabalhistas\u00bb, concluiu.<\/p>\n<p>Em sua exposi\u00e7\u00e3o, o ministro Aldo Rebelo secundou o senador Requi\u00e3o, ao assinalar \u00abos efeitos desastrosos da globaliza\u00e7\u00e3o atual, em que se reduziram todos os direitos sociais, n\u00e3o s\u00f3 os sindicais\u00bb. Ao longo da Hist\u00f3ria, disse, \u00abhouve v\u00e1rias globaliza\u00e7\u00f5es, em momentos e com efeitos diferentes. Desde a globaliza\u00e7\u00e3o positiva, que significou a migra\u00e7\u00e3o do Homo sapiens ao longo dos v\u00e1rios continentes, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, passando pelo imp\u00e9rio de Alexandre e os gregos. A atual \u00e9 uma globaliza\u00e7\u00e3o financeira, que imp\u00f5e uma agenda de mercado e n\u00e3o permite uma agenda nacional. Diante dela, \u00e9 bom que o Brasil e o M\u00e9xico se unam, pois s\u00e3o duas grandes civiliza\u00e7\u00f5es. Existem raz\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es para uma coopera\u00e7\u00e3o e necessitamos estar juntos, sob a perspectiva de que somente uma na\u00e7\u00e3o soberana e independente pode oferecer direitos trabalhistas e sociais aos seus trabalhadores e \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o\u00bb, ressaltou o ministro.<\/p>\n<p>Por sua vez, Carlos Lessa proporcionou uma verdadeira aula de economia, assinalando o papel perverso que a globaliza\u00e7\u00e3o destina aos trabalhadores da periferia explorados contra as condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores das principais economias, usando os baixos sal\u00e1rios de uns contra os altos sal\u00e1rios de outros. Ele proporcionou uma minuciosa an\u00e1lise da expans\u00e3o da economia da China, onde n\u00e3o h\u00e1 qualquer for\u00e7a sindical: \u00abOs trabalhadores chineses n\u00e3o se sentam \u00e0 mesa para negociar, pois n\u00e3o h\u00e1 negocia\u00e7\u00f5es capital-trabalho.\u00bb Portanto, \u00abpodem oferecer produtos a pre\u00e7os muito baixos, que, atualmente, dominam os mercados dos EUA e de outros pa\u00edses. Em troca disto, empregam o super\u00e1vit comercial com os EUA para comprar t\u00edtulos do Tesouro estadunidense, esquema com o qual se sustenta o valor do d\u00f3lar e seu papel de moeda de reserva internacional. Isto n\u00e3o vai durar para sempre, mas, hoje, \u00e9 um grande problema.\u00bb<\/p>\n<p>Lessa afirmou que \u00abisso n\u00e3o \u00e9 um ataque \u00e0 China, mas uma forma de enfatizar que nem o Brasil nem o M\u00e9xico merecem ter perdido a sua soberania em alimentos e outros processos industriais. Comer milho estadunidense, por exemplo, \u00e9 escandaloso para o M\u00e9xico. A\u00ed se acabou com o excelente modelo de procurar a autossufici\u00eancia aliment\u00edcia\u00bb.<\/p>\n<p>Para ele, est\u00e1 claro que \u00abou nos integramos ou nos entregamos. Me aflige que a integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja tratada com a seriedade que merece. Quando os EUA eram apenas as 13 col\u00f4nias europeias, Sim\u00f3n Bol\u00edvar foi premonit\u00f3rio ao observar que a Am\u00e9rica Latina precisaria se unir ou seria dominada pelo colosso do Norte. E assim aconteceu\u00bb. Lessa concluiu com uma efusiva sauda\u00e7\u00e3o \u00e0 iniciativa de realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum, ao qual vaticina uma r\u00e1pida expans\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>O NAFTA como pioneiro do \u00ablivrecambismo\u00bb<\/strong><\/p>\n<p>No painel \u00abO neoliberalismo no Brasil e no M\u00e9xico: efeitos e estado atual\u00bb, o coordenador do Foro de Guadalajara no M\u00e9xico, \u00c1ngel Palacios Zea, juntamente com a autora Marivilia Carrasco, descreveram o papel pioneiro do Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA), ao devastar a ind\u00fastria, a agricultura e as empresas estrat\u00e9gicas do Estado mexicano. As rea\u00e7\u00f5es da plateia foram de assombro e indigna\u00e7\u00e3o, diante dos n\u00fameros que comprovam a deteriora\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica do M\u00e9xico, depois de tr\u00eas d\u00e9cadas de pol\u00edticas neoliberais &#8211; que, em v\u00e1rios aspectos, n\u00e3o \u00e9 muito distinta da do Brasil.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, entre outros dados, o PIB se encontra estagnado; o emprego informal representa 60% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa; os sal\u00e1rios perderam 72% do poder aquisitivo; e h\u00e1 um incessante crescimento da d\u00edvida p\u00fablica, tanto interna como externa, acompanhada de uma crise fiscal, entre outros processos que demonstram a desindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e o aumento do empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre os dias 16 e 18 de setembro, realizou-se no Rio de Janeiro (RJ) o F\u00f3rum Sindical Brasil-M\u00e9xico 2013, promovido pela Central de Sindicatos Brasileiros (CSB), com a colabora\u00e7\u00e3o do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e a Central Revolucion\u00e1ria de Trabalhadores e Camponeses (CROC-Jalisco) mexicana. 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