{"id":3728,"date":"2012-12-14T13:43:20","date_gmt":"2012-12-14T13:43:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=440"},"modified":"2012-12-14T13:43:20","modified_gmt":"2012-12-14T13:43:20","slug":"siria-de-volta-as-armas-de-destruicao-em-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/siria-de-volta-as-armas-de-destruicao-em-massa\/","title":{"rendered":"S\u00edria: de volta \u00e0s &quot;armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Encerrada a \u00abdistra\u00e7\u00e3o\u00bb causada pelo ataque israelense contra Gaza, as aten\u00e7\u00f5es se voltam novamente para a S\u00edria, onde a insurg\u00eancia contra o governo de Damasco se encaminha para completar o segundo ano, sem que o presidente Bashar al-Assad d\u00ea sinais de estar prestes a abandonar o poder. Com a R\u00fassia e a China bloqueando, resolutamente, qualquer tentativa de repeti\u00e7\u00e3o de um \u00abcen\u00e1rio l\u00edbio\u00bb, envolvendo uma interven\u00e7\u00e3o ostensiva da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), como acaba de reiterar o chanceler russo Sergei Lavrov, o apoio externo aos insurgentes s\u00edrios n\u00e3o est\u00e1 demonstrando ser suficiente para retirar Assad de cena. O cen\u00e1rio mais recente envolve a anunciada possibilidade de uso de armas qu\u00edmicas por Assad, que as pot\u00eancias ocidentais j\u00e1 antecipam como uma \u00ablinha vermelha\u00bb que justificaria uma interven\u00e7\u00e3o. O problema \u00e9 que esta pode acabar se tornando uma cl\u00e1ssica \u00abprofecia\u00bb autocumprida, com o recurso a uma opera\u00e7\u00e3o clandestina de intelig\u00eancia, ou <em>false flag<\/em> (literalmente, bandeira falsa\u00bb, no jarg\u00e3o).<\/p>\n<p>Vale recordar que a suposta posse de \u00abarmas de destrui\u00e7\u00e3o em massa\u00bb nos arsenais do regime de Saddam Hussein foi o pretexto manipulado pelos EUA e o Reino Unido, para justificar a invas\u00e3o do Iraque, em 2003.<\/p>\n<p>N\u00e3o por coincid\u00eancia, nos \u00faltimos dias, lideran\u00e7as pol\u00edticas dos EUA, Fran\u00e7a, Reino Unido, Turquia e outros pa\u00edses, al\u00e9m do secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, ocuparam microfones para veicular a possibilidade de que um \u00abdesesperado\u00bb Assad pudesse recorrer \u00e0s armas qu\u00edmicas, em uma \u00faltima tentativa de se aferrar ao poder. Embora alguns analistas tenham sugerido que as declara\u00e7\u00f5es poderiam sinalizar uma advert\u00eancia a Assad, para que n\u00e3o cruze a \u00ablinha vermelha\u00bb, outros afirmam que poderiam significar um pretexto antecipado para justificar uma interven\u00e7\u00e3o internacional ostensiva, que Moscou e Pequim considerassem dif\u00edcil de obstaculizar, caso ocorresse algum incidente &#8211; real ou provocado &#8211; envolvendo tais armamentos.<\/p>\n<p>Em um refor\u00e7o a essa \u00faltima possibilidade, o jornal turco <em>Yurt<\/em> afirmou, na sexta-feira 7 de dezembro, que membros da rede Al-Qaida est\u00e3o fabricando g\u00e1s venenoso em um laborat\u00f3rio pr\u00f3ximo \u00e0 cidade turca de Gaziantep, no sudeste do pa\u00eds, junto \u00e0 fronteira com a S\u00edria. A reportagem cita v\u00eddeos que mostrariam o processo de fabrica\u00e7\u00e3o do g\u00e1s, a partir de produtos qu\u00edmicos comprados na pr\u00f3pria Turquia, al\u00e9m de integrantes da rede terrorista celebrando o sucesso na fabrica\u00e7\u00e3o e amea\u00e7ando lan\u00e7ar o g\u00e1s contra s\u00edrios apoiadores de Assad.<\/p>\n<p>Evidentemente, se a not\u00edcia for verdadeira, n\u00e3o passa pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m que a Al-Qaida poderia atuar t\u00e3o livremente na Turquia, sem a cumplicidade das for\u00e7as de seguran\u00e7a e do governo do pa\u00eds, que colocou o seu territ\u00f3rio \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da OTAN e dos pa\u00edses do Golfo que est\u00e3o mobilizadas contra Assad.<\/p>\n<p>Nos EUA, a rede Fox News afirmou ter sido informada, por um alto funcion\u00e1rio do governo estadunidense, de que os militares s\u00edrios j\u00e1 haviam come\u00e7ado a misturar os componentes de armas qu\u00edmicas em bombas a\u00e9reas, em prepara\u00e7\u00e3o para um poss\u00edvel uso. Como, depois de misturados os componentes, as armas t\u00eam um prazo de 60 dias para serem usadas, isto indicaria uma utiliza\u00e7\u00e3o iminente (Fox News, 9\/12\/2012).<\/p>\n<p>Em contrapartida, o governo s\u00edrio enviou cartas a Ban Ki-moon e ao Conselho de Seguran\u00e7a, manifestando a preocupa\u00e7\u00e3o de que os EUA poderiam estar planejando algum pretexto para acusar o pa\u00eds de usar armas qu\u00edmicas. \u00abO governo dos EUA tem trabalhado, consistentemente, ao longo do \u00faltimo ano, para lan\u00e7ar uma campanha de alega\u00e7\u00f5es sobre a possibilidade de que a S\u00edria poderia usar armas qu\u00edmicas durante a presente crise. O que preocupa sobre essas not\u00edcias circuladas pela m\u00eddia \u00e9 o nosso s\u00e9rio receio de que alguns dos pa\u00edses que ap\u00f3iam o terrorismo e os terroristas possam proporcionar armas qu\u00edmicas aos grupos terroristas armados e afirmar que foi o governo s\u00edrio que usou as armas\u00bb, diz o texto das cartas enviadas pela chancelaria s\u00edria (CNN, 10\/12\/2012).<\/p>\n<p>Como as opera\u00e7\u00f5es<em> false flag<\/em> constituem especialidades de algumas das principais ag\u00eancias de intelig\u00eancia da OTAN (para n\u00e3o mencionar o Mossad israelense), a medida preventiva s\u00edria \u00e9 plenamente justificada.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3prios EUA, especialistas se mostram c\u00e9ticos quanto ao uso de tais armas por Assad. Entrevistado pela rede McClatchy (cuja orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante mais profissional e objetiva que a Fox News ou, mesmo, a CNN), Greg Thielmann, pesquisador s\u00eanior da Associa\u00e7\u00e3o de Controle de Armas (ACA) de Washington, foi direto e apontou casos anteriores em que tais pretextos foram invocados: \u00abEu sou c\u00e9tico sobre o [g\u00e1s] sarin estar sendo preparado ou que granadas de artilharia estejam sendo carregadas. No passado, eu j\u00e1 vi muita coisa, com fotografias de sat\u00e9lite sendo usadas para se fazer suposi\u00e7\u00f5es sobre armas qu\u00edmicas, de forma mais infame, no Iraque (McClatchy Newspapers, 9\/12\/2012).\u00bb<\/p>\n<p>Em 2003, por ocasi\u00e3o da invas\u00e3o do Iraque, Thielmann era diretor interino do gabinete do Departamento de Estado respons\u00e1vel pela an\u00e1lise da amea\u00e7a das supostas armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa do Iraque, que se revelaram inexistentes.<\/p>\n<p>Gregory D. Koblentz, especialista em terrorismo qu\u00edmico do Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (CFR), vai mais longe e afirma que armas qu\u00edmicas seriam in\u00fateis para Assad, em um cen\u00e1rio de guerra civil, em que as linhas de combate s\u00e3o fluidas e ocupam quase o mesmo espa\u00e7o. Em tais casos, afirma, haveria um risco alt\u00edssimo de que os impactos das armas reca\u00edssem sobre as pr\u00f3prias for\u00e7as s\u00edrias, caso houvesse uma simples mudan\u00e7a dos ventos.<\/p>\n<p>\u00abElas t\u00eam uma utilidade limitada. E podem arruinar as suas pr\u00f3prias opera\u00e7\u00f5es\u00bb, diz ele.<\/p>\n<p>Entretanto, como se viu em 2003, argumentos l\u00f3gicos n\u00e3o costumam constituir obst\u00e1culos para lideran\u00e7as pol\u00edticas decididas a agredir um oponente, por qualquer pretexto. Assim, a situa\u00e7\u00e3o s\u00edria ganha um n\u00edvel adicional de tens\u00f5es e periculosidade, que o resto do mundo ter\u00e1 que acompanhar com a devida cautela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encerrada a \u00abdistra\u00e7\u00e3o\u00bb causada pelo ataque israelense contra Gaza, as aten\u00e7\u00f5es se voltam novamente para a S\u00edria, onde a insurg\u00eancia contra o governo de Damasco se encaminha para completar o segundo ano, sem que o presidente Bashar al-Assad d\u00ea sinais de estar prestes a abandonar o poder. 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