{"id":3724,"date":"2012-11-16T16:06:41","date_gmt":"2012-11-16T16:06:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=416"},"modified":"2012-11-16T16:06:41","modified_gmt":"2012-11-16T16:06:41","slug":"brasil-sinodependencia-perigosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/brasil-sinodependencia-perigosa\/","title":{"rendered":"Brasil: &quot;sinodepend\u00eancia&quot; perigosa"},"content":{"rendered":"<p>As exporta\u00e7\u00f5es para a China ocupam uma propor\u00e7\u00e3o rapidamente crescente no volume do com\u00e9rcio exterior brasileiro. Em apenas uma d\u00e9cada, as exporta\u00e7\u00f5es destinadas ao pa\u00eds oriental passaram de 4% do total, em 2001, para os 21% registrados em setembro \u00faltimo, propor\u00e7\u00e3o quase igual aos 24% destinados \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE) &#8211; que, h\u00e1 dez anos, recebia 39% das exporta\u00e7\u00f5es nacionais. Na propor\u00e7\u00e3o por pa\u00eds, a China j\u00e1 \u00e9 a maior parceira comercial do Brasil, deixando para tr\u00e1s os EUA, com 15%. De janeiro a setembro de 2012, o com\u00e9rcio bilateral superou os 57 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, com um saldo de 7,2 bilh\u00f5es favor\u00e1vel ao Brasil (<em>O Globo<\/em>, 14\/10\/2012).<\/p>\n<p>Em circunst\u00e2ncias normais, qualquer aumento dos volumes de com\u00e9rcio entre dois pa\u00edses deveriam ser motivo de celebra\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, no caso em pauta, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante preocupante para os brasileiros, devido: 1) \u00e0 depend\u00eancia ascendente de um mercado principal para assegurar saldos comerciais; 2) aos progn\u00f3sticos de forte redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de crescimento da China, no futuro imediato; e 3) \u00e0 grande concentra\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es em uma reduzida pauta de produtos prim\u00e1rios.<\/p>\n<p>Embora o Brasil tenha se beneficiado bastante com os saldos das exporta\u00e7\u00f5es para o mercado chin\u00eas, a situa\u00e7\u00e3o numericamente favor\u00e1vel ao Pa\u00eds poder\u00e1 n\u00e3o se sustentar a m\u00e9dio e longo prazos, devido a um previs\u00edvel desaquecimento da economia asi\u00e1tica. Uma importante advert\u00eancia neste sentido veio do economista Michael Pettis, professor da Universidade de Pequim, que prognostica n\u00e3o apenas uma forte desacelera\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, como tamb\u00e9m uma dr\u00e1stica queda nos pre\u00e7os das\u00a0commodities, cuja expans\u00e3o na \u00faltima d\u00e9cada se deveu, em grande medida, ao crescimento chin\u00eas.<\/p>\n<p>Em entrevista ao jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0de 12 de outubro, Pettis afirma que a m\u00e9dia de crescimento do PIB chin\u00eas n\u00e3o dever\u00e1 exceder 3-4% na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Al\u00e9m disto, ele questiona at\u00e9 mesmo os \u00edndices oficiais recentes:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o creio que existam muitos economistas que n\u00e3o desconfiem que o crescimento real da China em 2012 \u00e9 bem menor do que o informado oficialmente. \u00c9 muito dif\u00edcil conciliar crescimento de 7% a 8% (estat\u00edstica oficial) com uma alta bem menor no consumo de energia e no fluxo de carga e, ainda, com relatos de problemas de liquidez no mercado de cr\u00e9dito.<\/p><\/blockquote>\n<p>Perguntado sobre os desafios que o \u00abGrande Reequil\u00edbrio\u00bb chin\u00eas coloca para os grandes produtores de\u00a0commodities, como o Brasil, Pettis respondeu:<\/p>\n<blockquote><p>Eu tenho me surpreendido sobre o qu\u00e3o pouco e com tanto atraso os maiores produtores de\u00a0commodities\u00a0est\u00e3o se dando conta dos problemas da China. Desde o ano passado, o assunto tem sido mais discutido, por\u00e9m, eu me preocupo com o fato de que muitos ser\u00e3o surpreendidos.<\/p><\/blockquote>\n<p>Pettis faz uma ressalva nesse quadro, afirmando que, se o processo chin\u00eas for administrado corretamente, \u00abmesmo uma forte queda no crescimento m\u00e9dio do PIB n\u00e3o vai resultar num forte freio no consumo das fam\u00edlias. Neste caso, seria bom para os pre\u00e7os dos alimentos\u00bb. (Aos interessados, Pettis mant\u00e9m um blog especializado, o\u00a0<a>China Financial Markets<\/a>.)<\/p>\n<p>De fato, a desacelera\u00e7\u00e3o oriental j\u00e1 se reflete nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de min\u00e9rio de ferro e petr\u00f3leo, que apresentam quedas nos acumulados deste ano, tanto em volume (respectivamente, menos 1,7% e 15,4%) como em valores (menos 26,7% e 6%). O vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil (AEB), Jos\u00e9 Augusto de Castro, lembra que, de janeiro a setembro, os chineses compraram a metade do min\u00e9rio de ferro e um quinto do petr\u00f3leo exportados pelo Brasil (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 15\/10\/2012).<\/p>\n<p>Um fator complicador \u00e9 que cerca de 70% das exporta\u00e7\u00f5es nacionais se concentram em soja, min\u00e9rio de ferro, petr\u00f3leo, pasta de celulose, a\u00e7\u00facar, carnes de aves, ferroni\u00f3bio e algod\u00e3o. Em contrapartida, a quase totalidade das exporta\u00e7\u00f5es chinesas abrange produtos manufaturados ou componentes para aparelhos eletr\u00f4nicos (vide o quadro abaixo).<\/p>\n<table width=\"85%\" border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"37%\">\n<p align=\"center\">Principais produtos exportados para a China<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">jan-set 2012 (US$ bilh\u00f5es)<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">\n<p align=\"center\">Principais produtos importados da China<\/p>\n<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">jan-set 2012 (US$ bilh\u00f5es)<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Soja<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">11,145<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Aparelhos de TV<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">1,084<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Min\u00e9rios de ferro<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">9,4<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Partes para aparelhos de telefonia<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,458<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Petr\u00f3leo<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">2,858<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Telas para microcomputadores<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,294<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Pasta qu\u00edmica de madeira<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">0,794<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Telefones celulares<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,220<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">A\u00e7\u00facar<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">0,645<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Componentes eletr\u00f4nicos<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,215<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Carnes de aves<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">0,325<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Litorinas (automotoras)<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,205<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Ferroni\u00f3bio<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">0,287<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">Partes e pe\u00e7as para computadores<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,196<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"37%\">Algod\u00e3o<\/td>\n<td width=\"13%\">\n<div align=\"center\">0,283<\/div>\n<\/td>\n<td width=\"38%\">L\u00e2mpadas fluorescentes<\/td>\n<td width=\"12%\">\n<div align=\"center\">0,182<\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div align=\"left\">Fonte: Minist\u00e9rio da Agricultura e Siscomex (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 14\/10\/2012).<\/div>\n<p>A \u00absinodepend\u00eancia\u00bb nacional para o ac\u00famulo de saldos comerciais \u00e9 bastante perigosa e n\u00e3o deve, de modo algum, ser admitida como tend\u00eancia semipermanente. Ademais, \u00e9 de grande relev\u00e2ncia que n\u00e3o se permita a continua\u00e7\u00e3o dos estragos que as importa\u00e7\u00f5es de produtos manufaturados chineses v\u00eam fazendo na ind\u00fastria nacional. Em s\u00edntese: o alerta amarelo est\u00e1 aceso para o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As exporta\u00e7\u00f5es para a China ocupam uma propor\u00e7\u00e3o rapidamente crescente no volume do com\u00e9rcio exterior brasileiro. Em apenas uma d\u00e9cada, as exporta\u00e7\u00f5es destinadas ao pa\u00eds oriental passaram de 4% do total, em 2001, para os 21% registrados em setembro \u00faltimo, propor\u00e7\u00e3o quase igual aos 24% destinados \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE) &#8211; que, h\u00e1 dez anos, &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[39],"tags":[],"class_list":["post-3724","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-iberoamerica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3724\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}