{"id":3693,"date":"2012-02-17T18:10:43","date_gmt":"2012-02-17T18:10:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=70"},"modified":"2012-02-17T18:10:43","modified_gmt":"2012-02-17T18:10:43","slug":"dentistas-e-doutores-polemizam-sobre-mudancas-climaticas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/dentistas-e-doutores-polemizam-sobre-mudancas-climaticas-2\/","title":{"rendered":"&quot;Dentistas&quot; e &quot;doutores&quot; polemizam sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>Em qualquer discuss\u00e3o ou debate, quando um dos participantes recorre ao argumento da autoridade, seja hier\u00e1rquica ou de qualifica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, para tentar se impor aos opositores, a prov\u00e1vel motiva\u00e7\u00e3o de tal atitude \u00e9 a falta de argumentos convincentes. Esta constata\u00e7\u00e3o, que todos j\u00e1 presenciaram em v\u00e1rias oportunidades, n\u00e3o tem estado ausente nos debates sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. De fato, \u00e9 frequente entre os defensores da hip\u00f3tese \u00abantropog\u00eanica\u00bb do aquecimento global, que costumam recorrer ao argumento da autoridade em face da absoluta inexist\u00eancia de evid\u00eancias f\u00edsicas que comprovem a sua hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>Recentemente, o <em>Wall Street Journal<\/em> foi o palco para mais uma dessas manifesta\u00e7\u00f5es de cientistas \u00abaquecimentistas\u00bb, irritados com o espa\u00e7o conferido pelo jornal a um artigo de cientistas cr\u00edticos do alarmismo clim\u00e1tico. Publicado em 27 de janeiro, com o t\u00edtulo \u00abN\u00e3o h\u00e1 necessidade de p\u00e2nico sobre o aquecimento global\u00bb, o artigo foi assinado por 16 cientistas e engenheiros de renome internacional, entre eles, Richard Lindzen (MIT), Nir Shaviv (Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m), Antonio Zichichi (presidente da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Cientistas de Genebra), Henk Tennekes (ex-diretor do Servi\u00e7o Meteorol\u00f3gico Real Holand\u00eas) e Claude Allegre (ex-diretor do Instituto de Estudos da Terra da Universidade de Paris).<\/p>\n<p>J\u00e1 no subt\u00edtulo do texto, os signat\u00e1rios sintetizam o \u00abrecado\u00bb do mesmo: \u00abn\u00e3o existem argumentos cient\u00edficos convincentes para a\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas para &#8216;descarbonizar&#8217; a economia mundial.\u00bb A mensagem prossegue, contundente:<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) A afirmativa, frequentemente repetida, de que quase todos os cientistas exigem que alguma coisa dram\u00e1tica seja feita para deter o aquecimento global n\u00e3o \u00e9 verdadeira. De fato, um n\u00famero grande e crescente de destacados cientistas e engenheiros n\u00e3o concorda com que sejam necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas sobre o aquecimento global. (&#8230;)<\/p>\n<p>A falta de aquecimento durante mais de uma d\u00e9cada&#8230; sugere que os modelos de computadores t\u00eam exagerado largamente o montante de aquecimento acicional que pode ser causado pelo CO2. Confrontados com este embara\u00e7o, aqueles que promovem o alarmismo t\u00eam reorientado as suas batidas de tambor, do aquecimento para os extremos clim\u00e1ticos, para estabelecer que qualquer coisa incomum que ocorra em nosso clima ca\u00f3tico seja atribu\u00edda ao CO2.<\/p><\/blockquote>\n<p>O artigo, escrito em um tom pouco comum entre cientistas, n\u00e3o deixa margem a d\u00favidas sobre a natureza do catastrofismo clim\u00e1tico e os seus benefici\u00e1rios:<\/p>\n<blockquote><p>Essa n\u00e3o \u00e9 a maneira em que se espera que a ci\u00eancia funcione, mas j\u00e1 vimos isto antes &#8211; por exemplo, no assustador per\u00edodo em que Trofim Lysenko sequestrou a Biologia na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Os bi\u00f3logos sovi\u00e9ticos que revelavam a sua cren\u00e7a nos genes, que Lysenko afirmava ser uma fic\u00e7\u00e3o burguesa, foram demitidos dos seus postos. Muitos foram enviados ao gulag e alguns foram condenados \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O alarmismo sobre o clima produz grandes benef\u00edcios para muitos, proporcionando financiamento governamental para pesquisas acad\u00eamicas e uma raz\u00e3o para o crescimento de burocracias governamentais. O alarmismo tamb\u00e9m oferece uma desculpa para que os governos aumentem os impostos, os subs\u00eddios financiados pelos contribuintes para os neg\u00f3cios que entendem como funciona o sistema pol\u00edtico e um incentivo para grandes doa\u00e7\u00f5es a entidades sem fins lucrativos que prometem salvar o planeta. Lysenko e sua equipe viviam muito bem e defendiam ferozmente o seu dogma e os privil\u00e9gios que ele lhes proporcionava.<\/p><\/blockquote>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas agressivas dos \u00abaquecimentistas\u00bb com os m\u00e9todos fascistas de Lysenko \u00e9 mais que oportuna, principalmente, porque, em vez de um atraso de meio s\u00e9culo nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas em um pa\u00eds, se a agenda da \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia for mantida e aprofundada, o resultado poder\u00e1 ser um virtual congelamento do progresso socioecon\u00f4mico da maior parte da Humanidade, dado o peso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na matriz energ\u00e9tica global e a inexist\u00eancia de alternativas em grande escala a eles.<\/p>\n<p>O artigo conclui, afirmando que medidas racionais para proteger e melhorar o nosso ambiente devem ser apoiadas, \u00abmas n\u00e3o faz qualquer sentido apoiar dispendiosos programas que desviam recursos das necessidades reais e se baseiam em afirmativas alarmistas, mas insustent\u00e1veis, sobre evid\u00eancias &#8216;incontest\u00e1veis'\u00bb.<\/p>\n<p>A r\u00e9plica \u00abaquecimentista\u00bb n\u00e3o tardou. Em 1\u00ba. de fevereiro, o <em>Journal<\/em> publicou outro artigo, desta feita, assinado por 33 cientistas engajados na promo\u00e7\u00e3o do alarmismo clim\u00e1tico, alguns deles bem conhecidos dos que acompanham o assunto, como Kevin Trenberth, Michael Oppenheimer, Ken Caldeira, o not\u00f3rio Michael Mann (autor do fraudulento gr\u00e1fico do \u00abtaco de h\u00f3quei\u00bb) e outros. O pretensioso t\u00edtulo \u00abConsulte cientistas clim\u00e1ticos para opini\u00f5es sobre o clima\u00bb e os inacreditavelmente arrogantes e c\u00ednicos dois primeiros par\u00e1grafos d\u00e3o uma ideia do que o leitor poderia esperar do texto:<\/p>\n<blockquote><p>Voc\u00eas consultam o seu dentista a respeito da sua condi\u00e7\u00e3o card\u00edaca? Na ci\u00eancia, como em qualquer \u00e1rea, as reputa\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas no conhecimento e na experi\u00eancia em um campo e no trabalho publicado e revisado por pares. Se voc\u00eas precisam de uma cirurgia, voc\u00ea ir\u00e1 querer um especialista altamente experiente no campo, que tenha feito um grande n\u00famero das opera\u00e7\u00f5es propostas.<\/p>\n<p>Voc\u00eas publicaram \u00abN\u00e3o h\u00e1 necessidade de p\u00e2nico sobre o aquecimento global\u00bb, sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, [escrito] pelo equivalente, na ci\u00eancia clim\u00e1tica, a dentistas praticando cardiologia. Embora destaques em seus pr\u00f3prios campos, a maioria desses autores n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia na ci\u00eancia clim\u00e1tica. Os poucos autores que t\u00eam tal experi\u00eancia s\u00e3o conhecidos por ter vis\u00f5es extremadas que est\u00e3o fora de tom com quase todos os outros especialistas clim\u00e1ticos. Isto ocorre em quase todos os outros campos cient\u00edficos. Por exemplo, h\u00e1 um especialista em retrov\u00edrus que n\u00e3o aceita que o HIV cause a AIDS. E \u00e9 instrutivo recordar que alguns poucos cientistas continuam a afirmar que fumar n\u00e3o causa c\u00e2ncer, muito depois que isto se tornou ci\u00eancia consolidada.<\/p><\/blockquote>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 uma impressionante mescla de fal\u00e1cias com soberba, que demonstra o n\u00edvel assustador de oportunismo e desonestidade em que mergulhou uma parte consider\u00e1vel da comunidade cient\u00edfica na \u00e1rea clim\u00e1tica:<\/p>\n<blockquote><p>As pesquisas mostram que mais de 97% dos cientistas que est\u00e3o publicando ativamente na \u00e1rea concordam em que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o reais e causadas pelo homem. Seria um ato de inconsequ\u00eancia para qualquer l\u00edder pol\u00edtico, desconsiderar o peso das evid\u00eancias e ignorar os enormes riscos acarretados claramente pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ademais, existem evid\u00eancias bastante claras de que investir na transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono n\u00e3o apenas permitir\u00e1 que o mundo evite os riscos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, mas possa, tamb\u00e9m, impulsionar d\u00e9cadas de crescimento econ\u00f4mico. Exatamente o que o doutor ordenou.<\/p><\/blockquote>\n<p>Tais palavras falam por si mesmas. De qualquer maneira, a \u00fanica coisa que faltou na diatribe dos \u00abdoutores\u00bb foi o principal: as evid\u00eancias de que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ocorridas desde a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial do s\u00e9culo XVIII sejam an\u00f4malas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ocorridas anteriormente. O motivo da aus\u00eancia \u00e9 elementar: elas n\u00e3o existem. E o fato de que isto n\u00e3o tenha sido comentado pelos \u00abdoutores\u00bb n\u00e3o se deve \u00e0 ignor\u00e2ncia &#8211; mas \u00e0 desonestidade. Neste caso, os \u00abdentistas\u00bb est\u00e3o cobertos de raz\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em qualquer discuss\u00e3o ou debate, quando um dos participantes recorre ao argumento da autoridade, seja hier\u00e1rquica ou de qualifica\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas, para tentar se impor aos opositores, a prov\u00e1vel motiva\u00e7\u00e3o de tal atitude \u00e9 a falta de argumentos convincentes. 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