{"id":3668,"date":"2014-02-28T16:39:12","date_gmt":"2014-02-28T16:39:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=996"},"modified":"2014-02-28T16:39:12","modified_gmt":"2014-02-28T16:39:12","slug":"energia-risco-de-racionamento-nao-e-tao-baixissimo-assim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/energia-risco-de-racionamento-nao-e-tao-baixissimo-assim\/","title":{"rendered":"Energia: risco de racionamento n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00abbaix\u00edssimo\u00bb assim"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">O governo federal est\u00e1 empenhado em reduzir os temores sobre a necessidade de um eventual racionamento de eletricidade, que poderia ter impactos imprevis\u00edveis sobre o cen\u00e1rio eleitoral que se avizinha. Entretanto, a situa\u00e7\u00e3o do setor est\u00e1 longe de ser confort\u00e1vel e a mera ret\u00f3rica n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para se contrapor \u00e0 realidade dos fatos.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">At\u00e9 h\u00e1 poucas semanas, as autoridades setoriais esbanjavam otimismo, afirmando que o risco de desabastecimento era inexistente. A tranquilidade oficial foi duramente abalada pelo apag\u00e3o que afetou 14 estados, no \u00faltimo dia 4 de fevereiro, cujas causas ainda n\u00e3o foram reveladas. Em meados de fevereiro, uma nota do Comit\u00ea de Monitoramento do Setor El\u00e9trico (CMSE), formado por representantes do governo na \u00e1rea de energia, afirmava que o abastecimento do Pa\u00eds este ano est\u00e1 assegurado, salvo se houver uma piora nos n\u00edveis dos reservat\u00f3rios das usinas hidrel\u00e9tricas nos pr\u00f3ximos meses, probabilidade considerada \u00abbaix\u00edssima\u00bb. Na sexta-feira 14, o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, M\u00e1rcio Zimmerman, refor\u00e7ou o novo discurso. \u00abN\u00e3o existe zero quando voc\u00ea trata de probabilidade e nem nunca se projetou um sistema para ser zero\u00bb, disse ele (G1, 14\/02\/2014).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Depois, foi a vez do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS), Hermes Chipp, dar o seu recado. Segundo ele, o risco de desabastecimento estar\u00e1 afastado se o n\u00edvel dos reservat\u00f3rios no Sudeste e Centro-Oeste se mantiver entre 43% e 45% em abril, quando se encerra o per\u00edodo chuvoso. \u00abEsse \u00e9 o n\u00edvel adequado para chegarmos ao per\u00edodo seco\u00bb, afirmou (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 19\/02\/2014).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O diretor aproveitou para criticar as discuss\u00f5es p\u00fablicas sobre os problemas do setor el\u00e9trico, com informa\u00e7\u00f5es pouco claras e de dif\u00edcil entendimento para os n\u00e3o especialistas: \u00abEstou preocupado, porque essa coisa de energia est\u00e1 banalizada, hoje todo mundo &#8216;entende&#8217;. J\u00e1 repararam? Hoje, qualquer um fala de energia.\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Para quem procura an\u00e1lises tecnicamente fundamentadas, que n\u00e3o tratam a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica como um mero problema de mercado, o\u00a0<a>Ilumina-Instituto de Desenvolvimento Estrat\u00e9gico do Setor El\u00e9trico<\/a>\u00a0\u00e9 sempre uma boa refer\u00eancia. Vejamos, pois, o que dizem os seus renomados especialistas. Uma r\u00e1pida avalia\u00e7\u00e3o, publicada em 19 de fevereiro, vai direto ao ponto:<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00abUma conta r\u00e1pida:<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00ab1. Atualmente, os reservat\u00f3rios do Sudeste e Centro-Oeste est\u00e3o com 35%. Pela declara\u00e7\u00e3o do ONS, \u00e9 preciso que essa propor\u00e7\u00e3o suba para 45% em abril. Um aumento de 10% em pouco mais que 30 dias.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00ab2. As usinas t\u00e9rmicas n\u00e3o conseguem atender mais que 20% do consumo.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00ab3. Vamos supor uma carga de 30 TWh (terawatts.hora) no Sudeste, at\u00e9 abril. Portanto, as t\u00e9rmicas &#8216;cuidam&#8217; de 6 TWh e sobram 24 TWh para as hidr\u00e1ulicas.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00ab4. O armazenamento m\u00e1ximo na regi\u00e3o \u00e9 de 145 TWh e, portanto, precisamos de 10% deste valor, mais os 24 TWh da carga que sobra para as hidr\u00e1ulicas. Necessidade total de energia natural at\u00e9 abril: 24 + 14,5 = 38,5 TWh.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00abDando uma olhada no hist\u00f3rico recente, dispon\u00edvel no site do ONS, a m\u00e9dia da energia natural para o m\u00eas de mar\u00e7o \u00e9 de 35 TWh, sendo que os anos de 2001, 2002, 2003, 2009, 2012 e 2013, estiveram abaixo da m\u00e9dia. Em compensa\u00e7\u00e3o, 2011 nos deu 60 TWh.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">\u00abPortanto, essa meta n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, mas fica claro que seria preciso receber energia dos rios acima da m\u00e9dia ou receber grande parcela de energia das outras regi\u00f5es.\u00a0<em>Resumindo: risco de racionamento significativo\u00a0<\/em>(grifos nossos).\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\"><a href=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/racionamento.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-997\" alt=\"racionamento\" src=\"http:\/\/www.alerta.inf.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/racionamento.gif\" width=\"257\" height=\"250\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal est\u00e1 empenhado em reduzir os temores sobre a necessidade de um eventual racionamento de eletricidade, que poderia ter impactos imprevis\u00edveis sobre o cen\u00e1rio eleitoral que se avizinha. 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