{"id":3665,"date":"2014-01-11T00:08:36","date_gmt":"2014-01-11T00:08:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=954"},"modified":"2014-01-11T00:08:36","modified_gmt":"2014-01-11T00:08:36","slug":"e-hora-de-acabar-com-o-indigenismo-antes-que-incendeie-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/e-hora-de-acabar-com-o-indigenismo-antes-que-incendeie-o-brasil\/","title":{"rendered":"\u00c9 hora de acabar com o indigenismo &#8211; antes que incendeie o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Os epis\u00f3dios conflituosos envolvendo ind\u00edgenas em v\u00e1rios estados, neste in\u00edcio de 2014, n\u00e3o deixam margem a d\u00favidas: ou a sociedade brasileira se decide a interromper o avan\u00e7o do \u00abindigenismo\u00bb como ideologia motivadora das pol\u00edticas do Estado para os povos ind\u00edgenas, ou o Pa\u00eds corre o risco de ver multiplicarem-se de forma explosiva os conflitos entre estes \u00faltimos e os n\u00e3o-ind\u00edgenas, com s\u00e9rias amea\u00e7as para a ordem social e, no extremo, at\u00e9 mesmo para a sua integridade territorial.<\/p>\n<p>O fato mais grave ocorreu em Humait\u00e1 (AM), onde a popula\u00e7\u00e3o local est\u00e1 rebelada contra os \u00edndios tenharins, devido ao ped\u00e1gio cobrado por eles na rodovia Transamaz\u00f4nica, que corta as suas terras, e pelo desaparecimento de tr\u00eas homens, em circunst\u00e2ncias que sugerem uma repres\u00e1lia dos ind\u00edgenas pela morte de um de seus caciques. Ap\u00f3s o desaparecimento, ocorrido em 16 de dezembro, diante da ina\u00e7\u00e3o das autoridades, centenas de moradores da cidade se revoltaram contra a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), incendiando im\u00f3veis e ve\u00edculos da ag\u00eancia, destru\u00edram os postos de ped\u00e1gio e invadiram a Terra Ind\u00edgena Tenharim. At\u00e9 o momento, o caso ainda n\u00e3o foi esclarecido, embora a Pol\u00edcia Federal (PF) tenha encontrado um ve\u00edculo semelhante ao dos desaparecidos, incendiado, dentro da reserva ind\u00edgena.<\/p>\n<p>O caso \u00e9 emblem\u00e1tico em todos os sentidos e demonstra de forma insofism\u00e1vel que a \u00abprote\u00e7\u00e3o\u00bb os ind\u00edgenas n\u00e3o passa de um pretexto para a implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o em Humait\u00e1 \u00e9 o resultado de tens\u00f5es latentes desde que os tenharins come\u00e7aram a cobrar o ped\u00e1gio na rodovia, em 2006, sem que qualquer medida legal tenha sido tomada contra eles. Al\u00e9m dos postos pr\u00f3ximos a Humait\u00e1, moradores de Santo Ant\u00f4nio do Matupi, a 180 km de dist\u00e2ncia, tamb\u00e9m destru\u00edram outros dez postos de cobran\u00e7a que ficavam mais pr\u00f3ximos do vilarejo. Os \u00edndios alegam que a \u00abcobran\u00e7a de compensa\u00e7\u00e3o\u00bb, como a chamam (com valores vari\u00e1veis entre R$ 15,00 e R$ 120,00), representa uma das poucas fontes de renda para a comunidade, estimada em cerca de 900 pessoas divididas em oito aldeias. Em um surpreendente di\u00e1logo com o general Eduardo Villas B\u00f4as, comandante militar da Amaz\u00f4nia, que viajou \u00e0 regi\u00e3o para participar das negocia\u00e7\u00f5es com os \u00edndios, o cacique Aur\u00e9lio Tenharim afirmou:<\/p>\n<blockquote><p>A cobran\u00e7a de compensa\u00e7\u00e3o ajudou crescer Santo Antonio de Matupi, pois compr\u00e1vamos roupas. O \u00edndio pega o \u00f4nibus, paga a passagem, s\u00e3o 25 reais. Tem a Luz para Todos, a gente achava que ia pagar s\u00f3 uma taxa, mas \u00e9 conforme o uso. Tem fam\u00edlia que paga 150. A sa\u00fade, o governo oferece aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, mas exame de m\u00e9dia e alta complexidade o governo n\u00e3o oferece e o \u00edndio paga. A cobran\u00e7a de compensa\u00e7\u00e3o vai l\u00e1 e cobre. (&#8230;)<\/p>\n<p>Realmente, o usu\u00e1rio da Transamaz\u00f4nica \u00e9 inocente, a gente est\u00e1 ciente disso, mas infelizmente, temos que chamar a aten\u00e7\u00e3o do governo. N\u00f3s somos pac\u00edficos, queremos di\u00e1logo com o governo. General, essas crian\u00e7as que est\u00e3o a\u00ed, como \u00e9 que vamos garantir a vida delas? O governo n\u00e3o oferece nenhum projeto. O indigenismo est\u00e1 defasado, combatido pelo ruralista. Espero que Deus mande a cada um de voc\u00eas intelig\u00eancia e sabedoria para dialogar com a gente. Somos um povo ind\u00edgena que ningu\u00e9m olha por n\u00f3s. A sociedade est\u00e1 olhando para n\u00f3s como bandidos e assassinos. (&#8230;) (<em>O Estado de S. Paulo<\/em>, 7\/01\/2014).<\/p><\/blockquote>\n<p>Outro cacique, Zelito Tenharim, fez coro com ele: \u00abO \u00edndio n\u00e3o pode plantar, n\u00e3o pode vender, n\u00e3o pode produzir artesanato. Todo projeto sustent\u00e1vel que tentamos implantar na aldeia \u00e9 barrado. Em contrapartida, o governo tamb\u00e9m n\u00e3o oferece projetos vi\u00e1veis. O corpo indigenista est\u00e1 ultrapassado. Fica dif\u00edcil (G1, 7\/01\/2014).\u00bb<\/p>\n<p>Mesmo sem dar detalhes, o l\u00edder ind\u00edgena deixou impl\u00edcito que tais limita\u00e7\u00f5es decorrem dos impedimentos impostos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e pela pr\u00f3pria Funai.<\/p>\n<p>Curiosamente, os tenharins parecem j\u00e1 bastante afastados dos modos de vida tradicionais de seus antepassados. Como observou o jornalista Fabiano Maisonnave, da\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>, a maioria da comunidade &#8211; que n\u00e3o tem paj\u00e9s &#8211; \u00e9 evang\u00e9lica, torce pelo Corinthians e pelo Flamengo e mora em casas de madeira com eletricidade. Al\u00e9m disto, quase todas as fam\u00edlias s\u00e3o bil\u00edngues, t\u00eam aparelhos de televis\u00e3o e motocicletas e duas de suas oito aldeias est\u00e3o conectadas \u00e0 internet (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 5\/01\/2014).<\/p>\n<p>Em tais condi\u00e7\u00f5es, \u00e9 simplesmente absurdo que sejam tratados como ind\u00edgenas atrasados e incapazes de um processo ordenado de integra\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o (que deveria ser o objetivo \u00faltimo de uma pol\u00edtica indigenista s\u00e9ria), e abandonados \u00e0s mazelas de uma pol\u00edtica segregacionista que, al\u00e9m de n\u00e3o atender \u00e0s suas necessidades, os coloca em confronta\u00e7\u00e3o com os seus vizinhos n\u00e3o ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A inclina\u00e7\u00e3o de certos integrantes do aparato indigenista pela incita\u00e7\u00e3o a tal oposi\u00e7\u00e3o ficou evidenciada no epis\u00f3dio que originou a explos\u00e3o de Humait\u00e1, a morte do cacique Ivan Tenharim, no in\u00edcio de dezembro, em decorr\u00eancia do que a sua pr\u00f3pria fam\u00edlia considerou como um acidente de moto. \u00abEm nenhum momento a gente falou que o meu pai foi assassinado. A gente n\u00e3o protestou nem chegou a acusar ningu\u00e9m\u00bb, disse \u00e0\u00a0<em>Folha<\/em>\u00a0o filho do cacique, Gilvan, que tamb\u00e9m explicou que a fam\u00edlia n\u00e3o autorizou uma aut\u00f3psia completa por raz\u00f5es culturais. A hip\u00f3tese de crime foi levantada por ningu\u00e9m menos que o coordenador regional da Funai, Iv\u00e3 Bocchini, em um coment\u00e1rio postado, dias depois, no blog oficial do \u00f3rg\u00e3o, posteriormente retirado, mas preservado em outros s\u00edtios:<\/p>\n<blockquote><p>Ivan era como um chefe de Estado. As autoridades competentes devem ser capazes, agora, de dar uma resposta a altura da import\u00e2ncia que o cacique tinha para os Tenharim. A Funai ir\u00e1 cobrar a pol\u00edcia para que haja investiga\u00e7\u00e3o e seja apontada a verdadeira causa da morte (<a href=\"http:\/\/racismoambiental.net.br\/\" target=\"_blank\">RacismoAmbiental.net.br<\/a>, 26\/12\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p>Em uma demonstra\u00e7\u00e3o de que as suspeitas de Bocchini n\u00e3o eram isoladas, a ag\u00eancia as repetiu quase um m\u00eas depois, na nota oficial divulgada ap\u00f3s a explos\u00e3o de f\u00faria dos moradores de Humait\u00e1:<\/p>\n<blockquote><p>Na <em>busca\u00a0por solucionar os casos envolvendo a morte do cacique Ivan Tenharim<\/em>\u00a0e o desaparecimento dos n\u00e3o ind\u00edgenas, a Funai contatou os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica, colocando-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para informa\u00e7\u00f5es, inclusive no que se refere ao ingresso das for\u00e7as policiais na Terra Ind\u00edgena, al\u00e9m de solicitar abertura de inqu\u00e9rito sobre os casos (grifos nossos) (Funai, 30\/12\/2013).<\/p><\/blockquote>\n<p>Para Gilvan Tenharim, houve uma \u00abprecipita\u00e7\u00e3o\u00bb da Funai. \u00abA gente viu que ele caiu da moto\u00bb, disse ele.<\/p>\n<p>Em Humait\u00e1, muitos atribuem o sequestro dos desaparecidos a uma repres\u00e1lia pela morte do cacique, instigada pelas declara\u00e7\u00f5es levianas de Bocchini e seus colegas.<\/p>\n<p>Para somar o insulto ao agravo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) e a Justi\u00e7a Federal do Amazonas &#8211; que n\u00e3o fizeram qualquer manifesta\u00e7\u00e3o de solidariedade \u00e0s fam\u00edlias dos desaparecidos -, se apressaram na defesa dos ind\u00edgenas. O primeiro, intimando a Funai e a Uni\u00e3o a assegurar a prote\u00e7\u00e3o dos tenharins, sob pena de multa di\u00e1ria, e a segunda, aprestando-se a enviar o processo \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (CIDH) (Ag\u00eancia Brasil, 7\/01\/2014). A CIDH \u00e9 o mesmo \u00f3rg\u00e3o que condenou o governo brasileiro por supostas viola\u00e7\u00f5es de direitos ind\u00edgenas no projeto da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, no rio Xingu.<\/p>\n<p>A mesma indiferen\u00e7a pelo drama dos desaparecidos foi manifestada pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e a Secretaria de Direigos Humanos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em contraste com as sempre prontas rea\u00e7\u00f5es destes \u00f3rg\u00e3os em casos de viol\u00eancia contra ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Salta aos olhos que os povos ind\u00edgenas brasileiros n\u00e3o necessitam desse tipo de \u00abprote\u00e7\u00e3o\u00bb segregacionista e antinacional. A prop\u00f3sito, fazemos nossas as palavras do soci\u00f3logo Dem\u00e9trio Magnoli, em sua coluna publicada no jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0de 2 de janeiro (\u00abA guerra do gentio\u00bb):<\/p>\n<blockquote><p>O modelo de terras ind\u00edgenas exclusivas, hermeticamente lacradas, tem sentido para os casos de grupos isolados que conservam modos de vida tradicionais. Mas a sua aplica\u00e7\u00e3o generalizada reflete apenas a utopia multiculturalista da restaura\u00e7\u00e3o de \u00abpovos originais\u00bb e, na pr\u00e1tica, serve unicamente aos interesses das ONGs e das entidades religiosas que conseguiram capturar a pol\u00edtica ind\u00edgena oficial.<\/p>\n<p>O cacique motoqueiro dos Tenharim, as aldeias ind\u00edgenas que vivem de rendas de ped\u00e1gios clandestinos, os \u00edndios terena e guarani que cultivam melancias em \u00abterras sagradas\u00bb para vend\u00ea-las no mercado n\u00e3o s\u00e3o \u00abpovos da floresta\u00bb, mas brasileiros pobres de origem ind\u00edgena. Eles certamente precisam de terras &#8211; mas, sobretudo, necessitam de postos de sa\u00fade e escolas p\u00fablicas. A pol\u00edtica da segrega\u00e7\u00e3o \u00e9tnica \u00e9, de fato, uma forma cruel de nega\u00e7\u00e3o de direitos sociais b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>O [governo Lula] n\u00e3o inventou a terceiriza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica ind\u00edgena para as ONGs multiculturalistas e os mission\u00e1rios p\u00f3s-modernos, mas a conduziu at\u00e9 suas consequ\u00eancias extremas. Hoje, no Brasil profundo, colhem-se os frutos dessa modalidade sui generis de privatiza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p><\/blockquote>\n<p>O \u00abindigenismo\u00bb \u00e9 uma insidiosa variante do \u00abmulticulturalismo\u00bb, que promove a identifica\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e das sociedades pelas suas ra\u00edzes \u00e9tnicas e culturais, de modo a estabelecer modos de vida exclusivos e relativamente segregados dos demais grupos sociais, devidamente protegidos por pol\u00edticas p\u00fablicas exclusivistas. Para os seus adeptos e propagandistas, a \u00fanica forma de coexist\u00eancia poss\u00edvel entre \u00edndios e n\u00e3o-\u00edndios \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o semipermanente e, quando os interesses de uns e outros se entrechocarem, dever\u00e3o sempre prevalecer os dos ind\u00edgenas. Estes \u00faltimos, definidos de maneiras cada vez mais question\u00e1veis, por um aparato integrado por funcion\u00e1rios governamentais e antrop\u00f3logos profissionais ideologicamente motivados e apoiados por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais (ONGs) brasileiras e estrangeiras, engajados em uma agenda que em nada favorece os interesses maiores da na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Como temos denunciado e demonstrado, sistematicamente, essa agenda antinacional n\u00e3o \u00e9 de origem dom\u00e9stica. Ela tem suas ra\u00edzes na estrat\u00e9gia de importantes c\u00edrculos olig\u00e1rquicos das na\u00e7\u00f5es industrializadas do Hemisf\u00e9rio Norte &#8211; em especial, EUA, Canad\u00e1, Reino Unido, Alemanha, Holanda, B\u00e9lgica e Noruega -, que promovem e manipulam politicamente causas populares, como a prote\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas e do meio ambiente, para obstaculizar o pleno desenvolvimento de pa\u00edses como o Brasil, no contexto da sua vis\u00e3o caolha de economias de \u00absoma zero\u00bb e recursos naturais supostamente insuficientes para assegurar a extens\u00e3o do progresso a todo o planeta.<\/p>\n<p>Uma institui\u00e7\u00e3o-chave desse esfor\u00e7o \u00e9 o Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que utiliza uma falsa promo\u00e7\u00e3o do ecumenismo religioso para promover a pauta do \u00abmulticulturalismo\u00bb, como demonstram os jornalistas Lorenzo Carrasco e Silvia Palacios, no livro\u00a0<em>Quem manipula os povos ind\u00edgenas contra o desenvolvimento do Brasil: um olhar nos por\u00f5es do Conselho Mundial de Igrejas<\/em>\u00a0(Capax Dei, 2013).<\/p>\n<p>Desafortunadamente, tal agenda conta com numerosos adeptos no Pa\u00eds, que a adotaram por conveni\u00eancia ou a defendem por desconhecimento da sua mera exist\u00eancia e abrang\u00eancia. Todavia, \u00e9 mais que passada a hora de se colocar um fim nela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os epis\u00f3dios conflituosos envolvendo ind\u00edgenas em v\u00e1rios estados, neste in\u00edcio de 2014, n\u00e3o deixam margem a d\u00favidas: ou a sociedade brasileira se decide a interromper o avan\u00e7o do \u00abindigenismo\u00bb como ideologia motivadora das pol\u00edticas do Estado para os povos ind\u00edgenas, ou o Pa\u00eds corre o risco de ver multiplicarem-se de forma explosiva os conflitos entre &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[],"class_list":["post-3665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-indigenismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}