{"id":3664,"date":"2013-12-13T17:33:01","date_gmt":"2013-12-13T17:33:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=943"},"modified":"2013-12-13T17:33:01","modified_gmt":"2013-12-13T17:33:01","slug":"fuvest-promove-indigenismo-desinformando-e-deseducando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/fuvest-promove-indigenismo-desinformando-e-deseducando\/","title":{"rendered":"Fuvest promove indigenismo &#8211; desinformando e deseducando"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Uma evid\u00eancia da for\u00e7a do indigenismo como ideologia \u00abpoliticamente correta\u00bb pode ser vista na prova da primeira fase do vestibular da Fuvest 2014, de acesso \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). A quest\u00e3o 50 apresenta um quadro baseado em dados da ONG indigenista Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), sobre \u00abAssassinatos de ind\u00edgenas no Brasil e no Mato Grosso do Sul\u00bb, entre 2003 e 2012, com as percentagens referentes aos casos ocorridos no estado em rela\u00e7\u00e3o aos totais nacionais &#8211; que variam entre 31%, em 2003, e 70%, em 2008. Diz o texto, literalmente:<\/p>\n<blockquote><p>Com base na tabela e em seus conhecimentos, est\u00e1 correto o que se afirma em:<\/p>\n<p>a) Mato Grosso do Sul \u00e9 o estado que concentra o maior n\u00famero de ind\u00edgenas no Pa\u00eds, segundo o Censo Demogr\u00e1fico 2010, o que explica o percentual elevado de sua participa\u00e7\u00e3o no n\u00famero total de ind\u00edgenas assassinados.<br \/>\nb) A quantidade de ind\u00edgenas assassinados no Pa\u00eds diminuiu, principalmente, no Mato Grosso do Sul, em fun\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero de homologa\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas, efetivadas por press\u00e3o da bancada ruralista no Congresso Nacional.<br \/>\nc) No Mato Grosso do Sul, a maior parte dos conflitos que envolvem ind\u00edgenas est\u00e1 relacionada com projetos de constru\u00e7\u00e3o de grandes usinas hidrel\u00e9tricas.<br \/>\nd) O grande n\u00famero de ind\u00edgenas assassinados no Mato Grosso do Sul explica-se pelo avan\u00e7o da atividade de extra\u00e7\u00e3o de ouro em terras ind\u00edgenas.<br \/>\ne) No per\u00edodo abrangido pela tabela, a participa\u00e7\u00e3o do Mato Grosso do Sul no total de ind\u00edgenas assassinados \u00e9 muito alta, em consequ\u00eancia, principalmente, de disputas envolvendo a posse de terras.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Para a banca avaliadora da Fuvest, a op\u00e7\u00e3o correta seria a letra \u00abe\u00bb, que atribui a maioria dos assassinatos de ind\u00edgenas \u00e0s disputas de terras &#8211; deixando impl\u00edcita a sugest\u00e3o de que os autores dos homic\u00eddios seriam propriet\u00e1rios de terras.<\/p>\n<p align=\"left\">Todavia, tal interpreta\u00e7\u00e3o contradiz frontalmente o relat\u00f3rio publicado pela Secretaria de Estado de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica de Mato Grosso do Sul (Sejusp\/MS) em junho deste ano, o qual afirma que <em>nada menos que 92% dos casos de assassinatos de \u00edndios ocorridos no estado desde 2006<\/em> &#8211; 181 casos, de um total de 196 homic\u00eddios &#8211; foram atribu\u00eddos a outros ind\u00edgenas (<em>Alerta Cient\u00edfico e Ambiental<\/em>, 27\/06\/2013).<\/p>\n<p>Os boletins de ocorr\u00eancia que registraram os assassinatos tamb\u00e9m revelam que os instrumentos utilizados na maioria dos casos foram armas brancas, como facas e instrumentos de madeira. Em 2011, <em>\u00edndios foram os autores de todos os 27 homic\u00eddios de ind\u00edgenas ocorridos no estado<\/em>, sendo que, em 20 ocorr\u00eancias, os respons\u00e1veis foram identificados ainda na cena do crime (os dados do CIMI reproduzidos pela Fuvest indicam 32 assassinatos naquele ano).<\/p>\n<p align=\"left\">O relat\u00f3rio, assinado pelo secret\u00e1rio Wantuir Francisco Brasil Jacini, foi elaborado a pedido da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Mato Grosso do Sul (Famasul), e contesta um relat\u00f3rio divulgado anteriormente pelo CIMI, que atribu\u00eda o aumento da viol\u00eancia contra os \u00edndios \u00e0 falta de novas demarca\u00e7\u00f5es de reservas ind\u00edgenas.<\/p>\n<p align=\"left\">Na ocasi\u00e3o, o presidente da Famasul, Eduardo Riedel, afirmou que as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelo governo estadual demonstravam que o consumo de \u00e1lcool \u00e9 o principal fator por tr\u00e1s de tais crimes nas aldeias: \u00abO maior problema das comunidades ind\u00edgenas \u00e9 a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas, que garantam sustentabilidade e preservem as culturas, fortalecendo a identidade desses povos. Remeter os homic\u00eddios ao conflito fundi\u00e1rio \u00e9 manipular a informa\u00e7\u00e3o e camuflar o problema social.\u00bb<\/p>\n<p align=\"left\">Diante dos fatos, \u00e9 deplor\u00e1vel que os organizadores de um dos vestibulares mais concorridos do Pa\u00eds se disponham a trocar os princ\u00edpios fundamentais que devem acompanhar as atividades acad\u00eamicas por semelhante manifesta\u00e7\u00e3o de ativismo pol\u00edtico infundado. Por estes e outros motivos, n\u00e3o admira que o Pa\u00eds n\u00e3o tenha conseguido emplacar mais que quatro universidades entre as 100 consideradas melhores, nos pa\u00edses de economias emergentes, lista na qual a pr\u00f3pria USP ocupa a d\u00e9cima-primeira posi\u00e7\u00e3o (mas quando todos os pa\u00edses s\u00e3o inclu\u00eddos, a veneranda universidade paulista n\u00e3o se classifica sequer entre as cem primeiras).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma evid\u00eancia da for\u00e7a do indigenismo como ideologia \u00abpoliticamente correta\u00bb pode ser vista na prova da primeira fase do vestibular da Fuvest 2014, de acesso \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). 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