{"id":3662,"date":"2013-10-18T16:02:23","date_gmt":"2013-10-18T16:02:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=897"},"modified":"2013-10-18T16:02:23","modified_gmt":"2013-10-18T16:02:23","slug":"governo-preocupado-com-impacto-das-mudancas-climaticas-na-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/governo-preocupado-com-impacto-das-mudancas-climaticas-na-saude\/","title":{"rendered":"Governo preocupado com impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p align=\"LEFT\">Ap\u00f3s anos dando uma crescente import\u00e2ncia \u00e0 suposta emerg\u00eancia do aquecimento global antropog\u00eanico, o governo brasileiro decidiu abrir uma consulta p\u00fablica na internet, para auxiliar a elabora\u00e7\u00e3o do novo Plano Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. A consulta p\u00fablica, iniciada em 1\u00ba. de outubro, foi lan\u00e7ada poucos meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do Plano Setorial de Sa\u00fade para Mitiga\u00e7\u00e3o e Adapta\u00e7\u00e3o para a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, em junho deste ano, e se insere em um projeto mais amplo de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica por parte do governo.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">A iniciativa foi justificada com a afirmativa de que as mudan\u00e7as nas temperaturas globais ter\u00e3o impactos diretos, como a ocorr\u00eancia de desastres naturais, e indiretos (mudan\u00e7as na qualidade da \u00e1gua, do ar e dos alimentos) e perturba\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O grau de alarmismo nos corredores de Bras\u00edlia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se elevou ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o dos resultados do \u00faltimo relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), no final de setembro (<em>Alerta Cient\u00edfico e Ambiental<\/em>, 3\/10\/2013). Um exemplo desta eleva\u00e7\u00e3o foi a declara\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas e Qualidade Ambiental do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Carlos Klink: \u00abA quest\u00e3o \u00e9 como preparar o sistema de sa\u00fade para esses eventos. Dentro do sistema que j\u00e1 existe, temos que come\u00e7ar a prepar\u00e1-lo para isso. Pelo que os relat\u00f3rios apontam, haver\u00e1 chuvas muito fortes e secas muito fortes no pa\u00eds (Ag\u00eancia Brasil, 6\/10\/2013).\u00bb<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em agosto de 2012, Klink foi o signat\u00e1rio da carta-resposta do MMA \u00e0 carta aberta enviada \u00e0 presidente Dilma Rousseff por 18 cientistas brasileiros, em maio daquele ano, alertando-a sobre a desorienta\u00e7\u00e3o e a falta de bom senso da pol\u00edtica brasileira referente \u00e0s quest\u00f5es clim\u00e1ticas. Na longa missiva, o secret\u00e1rio produziu um verdadeiro monumento ao pensamento burocr\u00e1tico, com argumentos redundantes e circulares e um texto abstruso, que n\u00e3o apenas n\u00e3o ofereceu qualquer contesta\u00e7\u00e3o s\u00e9ria \u00e0 argumenta\u00e7\u00e3o dos cientistas, como se limitou a repetir chav\u00f5es e lugares comuns retirados de textos padr\u00f5es da literatura ambientalista.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Um par\u00e1grafo emblem\u00e1tico afirmava: \u00abDeve-se ter em conta que a base cient\u00edfica sobre mudan\u00e7a do clima est\u00e1 relacionada ao entendimento mais abrangente e profundo da variabilidade clim\u00e1tica natural.\u00a0<em>Nesse sentido, a variabilidade clim\u00e1tica natural deve ser entendida no contexto das varia\u00e7\u00f5es naturais relacionadas a causas naturais<\/em> [grifos nossos] (<em>Alerta Cient\u00edfico e Ambiental<\/em>, 28\/08\/2012).\u00bb (Ganha um livro da Capax Dei Editora, \u00e0 escolha &#8211; www.capaxdeieditora.com.br &#8211; quem conseguir explicar satisfatoriamente o significado da frase grifada.)<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Voltando \u00e0 agenda de preocupa\u00e7\u00f5es com os efeitos do \u00abaquecimento global\u00bb, o governo inclui preocupa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o leg\u00edtimas mesmo sem tal \u00aburg\u00eancia clim\u00e1tica\u00bb, como o combate \u00e0s doen\u00e7as transmitidas por vetores &#8211; como a dengue, mal\u00e1ria, febre amarela e leishmaniose -, ou pela \u00e1gua e alimentos contaminados &#8211; como diarreias agudas, leptospirose e toxoplasmose. Neste sentido, o governo pretende ampliar a cobertura de vacina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a sondagem de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, a redu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as provocadas por vetores, e a an\u00e1lise constante da qualidade da \u00e1gua. Importante destacar que tais medidas devem ser efetivamente tomadas, ainda que sem a exist\u00eancia de uma hipot\u00e9tica cat\u00e1strofe clim\u00e1tica global para justific\u00e1-las.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">O governo teme ainda um cen\u00e1rio dantesco, onde haja escassez de \u00e1gua e alimentos, al\u00e9m de transtornos psicol\u00f3gicos resultantes de eventos clim\u00e1ticos extremos, levando ao aumento do estresse, por exemplo. Todavia, o Executivo devia voltar a sua aten\u00e7\u00e3o para problemas ambientais mais concretos e efetivamente urgentes, como a quest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos, a falta de saneamento b\u00e1sico e de investimentos na preven\u00e7\u00e3o de cat\u00e1strofes ocasionadas pelas fortes chuvas em diversas regi\u00f5es brasileiras, dentre outros. Apesar de n\u00e3o estarem na moda, tais quest\u00f5es t\u00eam castigado a popula\u00e7\u00e3o brasileira e demandam solu\u00e7\u00f5es efetivamente urgentes, em lugar da morosidade at\u00e1vica com que t\u00eam sido tratadas pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Brasil precisa de R$ 6,7 bilh\u00f5es para solucionar res\u00edduos s\u00f3lidos<\/strong><\/p>\n<p align=\"LEFT\">Em contraste com as preocupa\u00e7\u00f5es \u00abclim\u00e1ticas\u00bb, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais (Abrelpe), os investimentos das diversas esferas de governo para solucionar a quest\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos continuam \u00e0 m\u00edngua. O mais grave \u00e9 que, segundo a entidade, com apenas R$ 6,7 bilh\u00f5es (cerca de 0,15% do PIB) seria poss\u00edvel garantir, de forma adequada, a coleta de todos os res\u00edduos s\u00f3lidos e dar fim a tal material em aterros sanit\u00e1rios. Todavia, o desinteresse generalizado da classe pol\u00edtica pelo assunto tem postergado as solu\u00e7\u00f5es para o problema.<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Segundo a Abrelpe, caso o Pa\u00eds mantenha o mesmo ritmo de investimentos na solu\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos que o observado na \u00faltima d\u00e9cada, a universaliza\u00e7\u00e3o da adequada coleta e destina\u00e7\u00e3o final desses rejeitos s\u00f3 dever\u00e1 ser alcan\u00e7ada em 2060. Conforme o diretor-executivo da entidade, Carlos Silva Filho, \u00abno atual ritmo, chegaremos a agosto de 2014 com apenas 60% dos res\u00edduos coletados com destino ambientalmente correto\u00bb (Ag\u00eancia Brasil, 4\/10\/2013).<\/p>\n<p align=\"LEFT\">Tal afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante quando consideramos que agosto de 2014 \u00e9 a data limite estabelecida pela Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS) para abolir a destina\u00e7\u00e3o inadequada dos rejeitos. Ainda segundo a Abrelpe, cerca de 30 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos que continuam sendo despejados em locais inadequados em todo o pa\u00eds. \u00abSe n\u00e3o contarmos com esfor\u00e7os conjuntos e recursos dispon\u00edveis para custear o processo de adequa\u00e7\u00e3o, corremos o risco de ver o principal ponto da PNRS n\u00e3o sair do papel\u00bb, observa Silva Filho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s anos dando uma crescente import\u00e2ncia \u00e0 suposta emerg\u00eancia do aquecimento global antropog\u00eanico, o governo brasileiro decidiu abrir uma consulta p\u00fablica na internet, para auxiliar a elabora\u00e7\u00e3o do novo Plano Nacional de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas. A consulta p\u00fablica, iniciada em 1\u00ba. de outubro, foi lan\u00e7ada poucos meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do Plano Setorial de Sa\u00fade para &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-3662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambientalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}