{"id":3651,"date":"2013-02-23T20:07:35","date_gmt":"2013-02-23T20:07:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=691"},"modified":"2013-02-23T20:07:35","modified_gmt":"2013-02-23T20:07:35","slug":"para-quem-se-importa-com-emergencias-globais-verdadeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/para-quem-se-importa-com-emergencias-globais-verdadeiras\/","title":{"rendered":"Para quem se importa com emerg\u00eancias globais &#8211; verdadeiras"},"content":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2012, publicamos neste espa\u00e7o um artigo com t\u00edtulo quase id\u00eantico a este. As motiva\u00e7\u00f5es foram os an\u00fancios de dois fen\u00f4menos c\u00f3smicos com potencial para acarretar enormes problemas para a humanidade, mas que n\u00e3o costumam receber mais que uma \u00ednfima fra\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o e dos recursos humanos e financeiros desperdi\u00e7ados com pseudoproblemas, como a imagin\u00e1ria amea\u00e7a do aquecimento global antropog\u00eanico.<\/p>\n<p>No final de fevereiro, a Administra\u00e7\u00e3o Nacional de Aeron\u00e1utica e Espa\u00e7o (NASA) dos EUA havia anunciado a passagem do aster\u00f3ide 2012 DA14 pela Terra, prevista para 15 de fevereiro de 2013, \u00e0 astronomicamente insignificante dist\u00e2ncia de 27 mil quil\u00f4metros. Na mesma ocasi\u00e3o, uma forte tempestade solar atingiu o planeta, obrigando que fossem tomadas medidas de cautela, como o desvio de voos que fazem rotas polares.<\/p>\n<p>O aster\u00f3ide, com 45 metros de di\u00e2metro e 130 mil toneladas, compareceu ao encontro como previsto, passando a 27.860 quil\u00f4metros da Terra, \u00e0s 17h24 (hora de Bras\u00edlia) da sexta-feira dia 15, cerca de 8.500 quil\u00f4metros abaixo das \u00f3rbitas dos 400 sat\u00e9lites geoestacion\u00e1rios que circulam o planeta. Por\u00e9m, o que ningu\u00e9m esperava foi o meteoro que caiu, \u00e0s 9h20 (hora local, 0h20 hora de Bras\u00edlia), nos arredores da cidade russa de Chelyabinsk, a leste dos Montes Urais, gerando uma onda de choque que deixou mais de 1.200 pessoas feridas, algumas com gravidade, a maioria por estilha\u00e7os de vidra\u00e7as quebradas, embora o dano mais s\u00e9rio tenha sido o desabamento parcial do teto de uma f\u00e1brica de zinco.<\/p>\n<p>O meteoro, que n\u00e3o tinha qualquer rela\u00e7\u00e3o com o aster\u00f3ide, tinha dimens\u00f5es estimadas em 17 metros e 10 mil toneladas e explodiu a uma altitude entre 25 e 30 quil\u00f4metros, mas, se tivesse ca\u00eddo diretamente sobre a cidade, o impacto \u2013 estimado como equivalente ao de uma bomba at\u00f4mica de 300 quilotons \u2013 teria causado danos grav\u00edssimos e, certamente, milhares de v\u00edtimas, entre mortos e feridos. Se tivesse chegado em hor\u00e1rios diferentes, poderia ter atingido outras grandes cidades na mesma latitude de Chelyabinsk, como Moscou, Belfast e Dublin.<\/p>\n<p>A perplexidade causada pelo incidente, amplificada pelas d\u00fazias de v\u00eddeos gravados pelos habitantes da cidade (em grande medida, gra\u00e7as ao curioso h\u00e1bito dos motoristas russos de gravar as suas viagens, para evitar golpes de atropelamentos deliberados), foi sintetizada pelo vice-secret\u00e1rio-executivo da Sociedade Astron\u00f4mica Real (RAS) brit\u00e2nica, Robert Massey: \u201cEu estou co\u00e7ando a cabe\u00e7a para pensar em alguma coisa na hist\u00f3ria registrada, em que esse n\u00famero de pessoas tenha sido ferido indiretamente por um objeto como esse&#8230; \u00e9 muito, muito raro que se tenham v\u00edtimas humanas (AFP, 15\/02\/2013).\u201d<\/p>\n<p>De fato, embora se estime que cerca de 80 toneladas de meteoritos caiam diariamente sobre a Terra, a quase totalidade deles \u00e9 de dimens\u00f5es reduzidas e acaba se desintegrando com a fric\u00e7\u00e3o causada pela entrada na atmosfera. E, at\u00e9 agora, contavam-se nos dedos de uma m\u00e3o as v\u00edtimas conhecidas de quedas de meteoritos. N\u00e3o obstante, a impressionante coincid\u00eancia de dois corpos celestes de dimens\u00f5es consider\u00e1veis terem chegado ao planeta no mesmo dia, associada ao fato de o meteoro n\u00e3o ter sido detectado com anteced\u00eancia, demonstram de forma insofism\u00e1vel a vulnerabilidade da humanidade diante de tais fen\u00f4menos, que ter\u00e3o que entrar, definitiva e seriamente, na lista de preocupa\u00e7\u00f5es das autoridades de todo o mundo.<\/p>\n<p>Evidentemente, a mentalidade \u201cmercantilista\u201d que tem orientado o enfrentamento das pseudoemerg\u00eancias mundiais, respons\u00e1vel, por exemplo, pelo disp\u00eandio de centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares na busca de \u201csolu\u00e7\u00f5es\u201d para o aquecimento global, \u00e9 incompat\u00edvel com o estabelecimento de um sistema de vigil\u00e2ncia c\u00f3smica que permita ampliar consideravelmente os esfor\u00e7os atuais para o mapeamento dos chamados Objetos Pr\u00f3ximos \u00e0 Terra (Near Earth Objects-NEO). O or\u00e7amento de 2012 do programa NEO da NASA n\u00e3o passou de 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares, equivalente a 0,5% do or\u00e7amento total da ag\u00eancia, quantia irris\u00f3ria para os requisitos de uma iniciativa do g\u00eanero. Para compara\u00e7\u00e3o, o telesc\u00f3pio de infravermelho em \u00f3rbita solar para a detec\u00e7\u00e3o e medi\u00e7\u00e3o dos NEO com uma precis\u00e3o de at\u00e9 20%, proposto pela NASA em 2007, custaria 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares &#8211; valor de dois ca\u00e7as F-35 Lightning II, que ainda n\u00e3o entraram em servi\u00e7o efetivo e cujo desenvolvimento tem enfrentado sucessivos atrasos e aumentos de custos.<\/p>\n<p>Ademais, considerando-se que os EUA t\u00eam demonstrado uma crescente inclina\u00e7\u00e3o a privatizar o seu programa espacial, projetos sem retorno econ\u00f4mico vis\u00edvel tendem a enfrentar obst\u00e1culos cada vez maiores para deixar a plataforma de lan\u00e7amentos, mesmo engajados em um esfor\u00e7o de coopera\u00e7\u00e3o internacional, imprescind\u00edvel para a implementa\u00e7\u00e3o de uma iniciativa do g\u00eanero.<\/p>\n<p>Igualmente, em 2007, o Painel Consultivo da Miss\u00e3o para Objetos Pr\u00f3ximos da Terra da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA) sugeriu uma miss\u00e3o espacial com o objetivo de lan\u00e7ar um proj\u00e9til de 400 kg contra um aster\u00f3ide, para a observa\u00e7\u00e3o dos resultados. O projeto, que custaria 400 milh\u00f5es de d\u00f3lares (pouco mais que o custo de quatro ca\u00e7as Eurofighter Typhoon), foi devidamente engavetado &#8211; claro, por falta de recursos.<\/p>\n<p>Em 2011, o governo da Federa\u00e7\u00e3o Russa prop\u00f4s aos EUA um programa de coopera\u00e7\u00e3o com tal finalidade, a Defesa Estrat\u00e9gica da Terra, mas foi ignorado. Em 16 de fevereiro, comentando a queda do meteoro, o vice-primeiro-ministro Dmitri Rogozin, autor da proposta, reiterou: \u201cEu tenho falado sobre a necessidade de algum tipo de iniciativa internacional relacionada ao estabelecimento de um sistema de alerta e preven\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00f5es perigosas para a Terra, de objetos de origem extraterrestre. Nem a R\u00fassia nem os EUA t\u00eam hoje a capacidade de desviar esses objetos (Interfax, 16\/02\/2013).\u201d<\/p>\n<p>Rogozin recordou as rea\u00e7\u00f5es negativas \u00e0 proposta original, feita quando ainda era o representante russo na Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN): \u201cA resposta foi o ceticismo: \u2018Isso n\u00e3o pode acontecer, porque pode nunca acontecer.\u2019 Houve um certo ceticismo e muita gente deu gargalhadas.\u201d<\/p>\n<p>Outras amea\u00e7as reais ao planeta s\u00e3o as megatempestades solares, como a ocorrida em 1859, a mais intensa j\u00e1 registrada, que provocou o surgimento de auroras em latitudes t\u00e3o baixas como o Caribe e, durante um dia inteiro, afetou seriamente o funcionamento das redes telegr\u00e1ficas \u2013 \u00e0 \u00e9poca, a \u00fanica utiliza\u00e7\u00e3o da eletricidade em grande escala. Se um evento semelhante ocorresse hoje, poderia acarretar grav\u00edssimos problemas para as grandes redes de transmiss\u00e3o interligadas, queimando transformadores prim\u00e1rios e deixando vastas regi\u00f5es sem eletricidade, durante dias, semanas ou at\u00e9 meses.<\/p>\n<p>Em 1989, uma tempestade bem mais fraca provocou um blecaute de 16 horas na prov\u00edncia canadense de Quebec.<\/p>\n<p>Tais fen\u00f4menos podem ser detectados antecipadamente por sat\u00e9lites especializados, inseridos em um sistema de alerta que transmitisse as informa\u00e7\u00f5es captadas pelos sat\u00e9lites e as avalia\u00e7\u00f5es imediatas dos operadores do sistema \u00e0s autoridades de pa\u00edses, regi\u00f5es e at\u00e9 continentes inteiros, permitindo-lhes tomar as precau\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u2013 essencialmente, desligar os transformadores prim\u00e1rios dos sistemas de transmiss\u00e3o de eletricidade, evitando que sejam danificados pelas sobrecargas geradas pelos intensos fluxos de el\u00e9trons provenientes do Sol.<\/p>\n<p>Embora existam alguns sat\u00e9lites capazes de detectar as explos\u00f5es solares, n\u00e3o h\u00e1 um sistema de alerta internacional capaz de neutralizar ou mitigar os eventuais efeitos das de maior intensidade. Outra vez, falta um n\u00edvel de comprometimento e coopera\u00e7\u00e3o internacional que n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 vista &#8211; ao contr\u00e1rio do que ocorre com o enfrentamento das pseudoemerg\u00eancias clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Na quarta-feira 20, o Observat\u00f3rio da Din\u00e2mica Solar da NASA observou o surgimento de uma enorme mancha solar, capaz de provocar as chamadas erup\u00e7\u00f5es de massa coronal, que arremessam no espa\u00e7o colossais quantidades de part\u00edculas carregadas e, com frequ\u00eancia, atingem a Terra. Em um relat\u00f3rio divulgado na semana anterior, a Real Academia de Engenharia brit\u00e2nica afirmou que o mundo teria uma margem de anteced\u00eancia de n\u00e3o mais que 30 minutos para se proteger, caso ocorra uma nova megatempestade como a de 1859 (<em>O Globo<\/em>, 22\/02\/2013). Dada a virtual inexist\u00eancia de um sistema de alerta integrado, aparentemente, s\u00f3 nos resta torcer com as estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>Em 15 de fevereiro, a humanidade esteve bem perto de uma cat\u00e1strofe de grandes propor\u00e7\u00f5es. Resta ver at\u00e9 quando continuaremos inertes, contando com as probabilidades, para evitar o enfrentamento efetivo dessas possibilidades reais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mar\u00e7o de 2012, publicamos neste espa\u00e7o um artigo com t\u00edtulo quase id\u00eantico a este. 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