{"id":3649,"date":"2012-12-14T13:26:29","date_gmt":"2012-12-14T13:26:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=648"},"modified":"2012-12-14T13:26:29","modified_gmt":"2012-12-14T13:26:29","slug":"atlas-faz-alertas-sobre-a-amazonia-ou-cuidado-com-quem-financias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/atlas-faz-alertas-sobre-a-amazonia-ou-cuidado-com-quem-financias\/","title":{"rendered":"Atlas faz \u00abalertas\u00bb sobre a Amaz\u00f4nia (ou cuidado com quem financias&#8230;)"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Com grande alarde, um cons\u00f3rcio de onze organiza\u00e7\u00f5es de oito pa\u00edses amaz\u00f4nicos, inclusive o Brasil, acaba de lan\u00e7ar um conjunto de progn\u00f3sticos alarmistas sobre o futuro da Amaz\u00f4nia e uma s\u00e9rie de acusa\u00e7\u00f5es contra os planos de desenvolvimento econ\u00f4mico e social dos pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">O documento, intitulado Atlas Amaz\u00f4nia sob press\u00e3o, foi elaborado pela Rede Amaz\u00f4nica de Informa\u00e7\u00e3o Socioambiental Georreferenciada (RAISG). Segundo o antrop\u00f3logo Beto Ricardo, coordenador geral da Rede e um dos respons\u00e1veis pelo trabalho, \u00aba Amaz\u00f4nia est\u00e1 vivendo uma fase de supress\u00e3o&#8230; [e] est\u00e1 desaparecendo (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 4\/12\/2012)\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">Como \u00e9 de praxe em publica\u00e7\u00f5es ambientalistas, o Atlas pinta um quadro extremamente alarmista sobre a situa\u00e7\u00e3o atual da Amaz\u00f4nia, dando \u00eanfase no desmatamento de cerca de 240 mil quil\u00f4metros quadrados de florestas, entre 2000 e 2010, e considerando que os principais respons\u00e1veis seriam o Brasil, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e Equador. Com o desflorestamento, diz o texto, o mundo perde \u00abdiversidade ambiental, rios florestas, culturas e tradi\u00e7\u00f5es\u00bb e, se continuar assim, metade da Amaz\u00f4nia poder\u00e1 desaparecer. Os respons\u00e1veis &#8211; obviamente &#8211; seriam os planos de desenvolvimento dos pa\u00edses amaz\u00f4nicos.<\/p>\n<p align=\"left\">O documento cita que, atualmente, existem na regi\u00e3o 171 usinas hidrel\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o ou em constru\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, al\u00e9m de outras 246 planejadas ou em fase de estudo &#8211; o que considera uma amea\u00e7a de mais desmatamento. Para dar um tom ainda mais grave aos seus progn\u00f3sticos, os autores utilizam termos como \u00abarco do desmatamento\u00bb. Segundo Beto Ricardo, a este fator \u00abest\u00e1 se somando um arco de hidrel\u00e9tricas, de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e de minera\u00e7\u00e3o&#8230; Essa press\u00e3o configura um futuro onde a paisagem da Amaz\u00f4nia ser\u00e1 substitu\u00edda por outro tipo de cen\u00e1rio\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">Com isso, outras iniciativas econ\u00f4micas na regi\u00e3o, al\u00e9m das hidrel\u00e9tricas, foram colocadas no banco dos r\u00e9us: os planos de interliga\u00e7\u00e3o do Atl\u00e2ntico com o Pac\u00edfico, por rodovias; a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s; a opera\u00e7\u00e3o da Alunorte (a maior refinaria de alum\u00ednio do mundo, situada no estado do Par\u00e1); e o desenvolvimento de atividades mineradoras. O relat\u00f3rio acusa, ainda, os projetos de constru\u00e7\u00e3o de rodovias e a gera\u00e7\u00e3o de empregos industriais na regi\u00e3o, como alguns dos culpados pelo crescimento da popula\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, gerando \u00abpress\u00f5es\u00bb contra a floresta.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a minera\u00e7\u00e3o desponta, no Atlas, como uma das maiores \u00abvil\u00e3s\u00bb da floresta, na medida em que 21% do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico t\u00eam \u00e1reas em que o setor de minera\u00e7\u00e3o tem interesses e que, de todas as \u00e1reas de pesquisa mineral solicitadas situadas em reservas ind\u00edgenas amaz\u00f4nicas, 79% est\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p align=\"left\">A mensagem geral do Atlas \u00e9 a de que o desenvolvimento econ\u00f4mico, resultante de grandes projetos de infraestrutura, do crescimento da atividade industrial, agropecu\u00e1ria e mineradora, \u00e9 o grande inimigo da Floresta Amaz\u00f4nica. Como sintetiza Beto Ricardo: \u00abSe todos os interesses econ\u00f4micos que se sobrep\u00f5em se concretizarem nos pr\u00f3ximos anos, a Amaz\u00f4nia vai se tornar uma savana com ilhas de floresta.\u00bb<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>O que \u00e9 a RAISG<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Por tr\u00e1s da edi\u00e7\u00e3o do Atlas &#8211; definido como uma \u00abcontribui\u00e7\u00e3o da sociedade civil ao debate democr\u00e1tico sobre as press\u00f5es na Amaz\u00f4nia\u00bb -, est\u00e1 a RAISG, entidade que re\u00fane dez ONGs e a Dire\u00e7\u00e3o Regional de Meio Ambiente da Guiana Francesa, institui\u00e7\u00e3o ligada ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente da Fran\u00e7a (ou seja, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00absociedade civil\u00bb assim, j\u00e1 que inclui um \u00f3rg\u00e3o de um governo europeu). E, por detr\u00e1s dela, est\u00e1 o indefect\u00edvel Instituto Socioambiental (ISA), uma das ONGs que encabe\u00e7a o aparato ambientalista-indigenista no Brasil, que coordenou a cria\u00e7\u00e3o da rede, em 1996. Uma visita <a href=\"www.socioambiental.org\">ao s\u00edtio do ISA<\/a> permite observar a sua rede internacional de patrocinadores, que inclui, entre outros, a Embaixada da Noruega, a Funda\u00e7\u00e3o Ford e a Ag\u00eancia de Desenvolvimento Internacional dos EUA (USAID). Entre os patrocinadores brasileiros, destaca-se a Funda\u00e7\u00e3o Vale, ligada \u00e0 gigante mineradora e costumeira direcionadora de doa\u00e7\u00f5es \u00abpoliticamente corretas\u00bb para ONGs ambientalistas.<\/p>\n<p align=\"left\">Outra integrante da RAISG \u00e9 o Instituto Centro de Vida (<a href=\"www.icv.org.br\">ICV<\/a>), sediado em Cuiab\u00e1 (MT) e criado em 1991, para promover a agenda ambiental em Mato Grosso. Os seus patrocinadores s\u00e3o os habituais: Funda\u00e7\u00e3o Ford, USAID, WWF-Brasil, Uni\u00e3o Europeia e outros. Em seu relat\u00f3rio anual mais recente, referente a 2008-2009, o ICV informa ter recebido R$ 2.128.471,00, em doa\u00e7\u00f5es internacionais, em 2008, e R$ 2.804.952,00, em 2009.<\/p>\n<p align=\"left\">O terceiro integrante brasileiro da RIASG \u00e9 o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (<a href=\"www.imazon.org.br\">Imazon<\/a>), de Bel\u00e9m (PA). No seu relat\u00f3rio institucional mais recente, de 2011, a organiza\u00e7\u00e3o informa que, no seu or\u00e7amento de 2012, incluem-se, entre outras, as seguintes doa\u00e7\u00f5es: R$ 368.818,00, da Embaixada Brit\u00e2nica no Brasil; R$ 797.000,00, da Funda\u00e7\u00e3o Ford; R$ 404.750,00, do Departamento de Agricultura (USDA) e do Servi\u00e7o Florestal dos EUA; R$ 2.266.749,00, da Gordon and Betty Moore Foundation. Uma doa\u00e7\u00e3o particularmente interessante \u00e9 a do USDA, j\u00e1 que o Imazon, como a maioria das ONGs ambientalistas que atuam na Amaz\u00f4nia, tem as atividades agr\u00edcolas como um dos seus alvos principais; que motiva\u00e7\u00f5es ter\u00e1 o \u00f3rg\u00e3o agr\u00edcola estadunidense para financiar uma entidade contr\u00e1ria \u00e0 agricultura?<\/p>\n<p align=\"left\">Entretanto, ainda mais curioso \u00e9 o fato de que os maiores doadores\/contratantes do Imazon em 2012 s\u00e3o o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e a Funda\u00e7\u00e3o Vale, respectivamente, com R$ 6.160.017,00 e R$ 5.699.329,00. A participa\u00e7\u00e3o do BNDES \u00e9 particularmente intrigante, j\u00e1 que o Imazon \u00e9 um importante integrante da rede ambientalista contr\u00e1ria aos projetos de infraestrutura amaz\u00f4nicos que s\u00e3o financiados pelo banco, como a usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte e outros. O mesmo argumento se aplica \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Vale, recentemente eleita a \u00abpior empresa do mundo\u00bb por um cons\u00f3rcio de ambientalistas. Tais fatos demonstram a desorienta\u00e7\u00e3o dos tomadores de decis\u00f5es nacionais, que, com esse tipo de doa\u00e7\u00f5es, creem poder \u00abapaziguar\u00bb os ambientalistas ou apresentar uma faceta \u00abpoliticamente correta\u00bb para as suas atividades. Com frequ\u00eancia &#8211; e sem surpresa -, essas iniciativas acabam sendo um tiro no p\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com grande alarde, um cons\u00f3rcio de onze organiza\u00e7\u00f5es de oito pa\u00edses amaz\u00f4nicos, inclusive o Brasil, acaba de lan\u00e7ar um conjunto de progn\u00f3sticos alarmistas sobre o futuro da Amaz\u00f4nia e uma s\u00e9rie de acusa\u00e7\u00f5es contra os planos de desenvolvimento econ\u00f4mico e social dos pa\u00edses da regi\u00e3o. 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