{"id":3646,"date":"2012-07-13T17:19:14","date_gmt":"2012-07-13T17:19:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=488"},"modified":"2012-07-13T17:19:14","modified_gmt":"2012-07-13T17:19:14","slug":"e-se-o-codigo-florestal-fosse-aplicado-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/e-se-o-codigo-florestal-fosse-aplicado-na-europa\/","title":{"rendered":"E se o C\u00f3digo Florestal fosse aplicado na Europa?"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">N\u00e3o s\u00e3o poucos os brasileiros que t\u00eam feito essa pergunta, diante das exig\u00eancias, press\u00f5es e interfer\u00eancias de ambientalistas e pol\u00edticos europeus na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica ambiental do Pa\u00eds. Agora, a Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e da Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA) decidiu questionar a agenda ambientalista internacional em seus pr\u00f3prios termos, elaborando um estudo sobre os impactos hipot\u00e9ticos que sofreria a agricultura europeia, se a Uni\u00e3o Europeia (UE) aplicasse no bloco uma legisla\u00e7\u00e3o ambiental com os n\u00edveis de rigor da brasileira. Com a iniciativa, a entidade pretende dar n\u00fameros ao fato amplamente conhecido de que os ambientalistas n\u00e3o estendem aos pa\u00edses centrais as suas \u00abpreocupa\u00e7\u00f5es\u00bb com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento.<\/p>\n<p align=\"left\">Segundo a presidente da CNA, senadora K\u00e1tia Abreu (PSD-TO), o foco da aten\u00e7\u00e3o do estudo estar\u00e1 na quest\u00e3o das matas ciliares &#8211; a cobertura vegetal das margens dos cursos d&#8217;\u00e1gua. Em at\u00e9 dois meses, t\u00e9cnicos contratados pela entidade far\u00e3o um mapeamento para identificar as propriedades que beiram os cinco maiores rios da Europa &#8211; Douro, Dan\u00fabio, Reno, Sena e T\u00e2misa. Com base em imagens de sat\u00e9lite, eles simular\u00e3o os preju\u00edzos dos produtores europeus, em valores brutos de produ\u00e7\u00e3o, caso tivessem de abrir m\u00e3o de \u00e1reas de suas propriedades para a recomposi\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p align=\"left\">\u00abOs ambientalistas europeus, que s\u00e3o os que mais nos cobram, viram as costas para os seus pr\u00f3prios problemas\u00bb, disse a senadora. Autora da ideia, ela n\u00e3o pretende incluir a quest\u00e3o das Reservas Legais no relat\u00f3rio comparativo, apesar de este se destinar a subsidiar o debate pol\u00edtico sobre o C\u00f3digo Florestal, ao destacar o comprometimento da competitividade agr\u00edcola brasileira frente a outros pa\u00edses, em raz\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental. \u00abNesse estudo, n\u00e3o estamos levando em conta nem as Reservas Legais [florestas que devem ser mantidas intactas dentro das propriedades privadas], porque n\u00f3s n\u00e3o concordamos com elas. Estamos olhando apenas para as matas ciliares, porque todo agricultor sabe da import\u00e2ncia que elas t\u00eam\u00bb (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 9\/07\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">No in\u00edcio do ano, a CNA, em associa\u00e7\u00e3o com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), lan\u00e7ou uma campanha de contraataque aos ambientalistas, e defendeu a recomposi\u00e7\u00e3o global das matas ciliares, durante a realiza\u00e7\u00e3o do F\u00f3rum Mundial da \u00c1gua, em Marselha, Fran\u00e7a (<em>Jornal do Brasil<\/em>, 12\/03\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">Al\u00e9m disso, durante a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20), a CNA apresentou novamente a proposta. Na ocasi\u00e3o, disse a presidente da entidade: \u00abSe esse conceito existe no Brasil, e n\u00f3s acreditamos nele, tem que ser bom para todos os rios do mundo. Por que s\u00f3 n\u00f3s vamos cumprir regras? Queremos simetria entre os pa\u00edses. Afinal, \u00e9 um objetivo justo. \u00c1gua n\u00e3o \u00e9 bom para o planeta?\u00bb (Portal DBO, 19\/06\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">O an\u00fancio da elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio da CNA ocorreu no momento em que a Comiss\u00e3o Europeia debate as bases de sua nova Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum (PAC), que \u00e9 reformulada a cada sete anos. Dentre as propostas para a elabora\u00e7\u00e3o de um conjunto de condicionantes para a libera\u00e7\u00e3o de 75 bilh\u00f5es de euros, voltados aos subs\u00eddios da agricultura do bloco, destaca-se a de atrelar at\u00e9 30% dos aportes a contrapartidas ambientais &#8211; incluindo a devolu\u00e7\u00e3o de terras f\u00e9rteis para fins ecol\u00f3gicos. O projeto tem recebido fortes cr\u00edticas por parte de associa\u00e7\u00f5es de produtores agropecu\u00e1rios europeus: um exemplo \u00e9 o Comit\u00ea do Reino Unido para o Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais, que deixou claro que \u00abesverdear o PAC feriria os produtores, os consumidores europeus e tamb\u00e9m reduziria a seguran\u00e7a alimentar\u00bb.<\/p>\n<p align=\"left\">A iniciativa da CNA \u00e9 das mais oportunas, pois, ao contraatacar as campanhas ambientalistas com as suas pr\u00f3prias armas, deixa mais que evidente as fal\u00e1cias e a argumenta\u00e7\u00e3o d\u00fabia que as caracterizam. Para ser ainda mais coerente com tais princ\u00edpios, seria de todo relevante que a entidade revisse a sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o frente \u00e0 agenda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas supostamente causadas pelo homem, \u00e0 qual os setores empresariais brasileiros t\u00eam insistido em fazer concess\u00f5es desnecess\u00e1rias e contraproducentes para o conjunto da economia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o s\u00e3o poucos os brasileiros que t\u00eam feito essa pergunta, diante das exig\u00eancias, press\u00f5es e interfer\u00eancias de ambientalistas e pol\u00edticos europeus na formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica ambiental do Pa\u00eds. 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