{"id":3645,"date":"2012-03-02T20:16:14","date_gmt":"2012-03-02T20:16:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=374"},"modified":"2012-03-02T20:16:14","modified_gmt":"2012-03-02T20:16:14","slug":"lista-malthusiana-de-desafios-ambientais-do-pnuma-ignora-reais-emergencias-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/lista-malthusiana-de-desafios-ambientais-do-pnuma-ignora-reais-emergencias-ambientais\/","title":{"rendered":"Lista malthusiana de desafios ambientais do PNUMA ignora reais emerg\u00eancias ambientais"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Na campanha obstinada por converter a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20) em um novo marco pol\u00edtico de alcance global para a sustenta\u00e7\u00e3o de uma agenda cada vez mais questionada, o aparato ambientalista internacional divulgou mais um manifesto. O documento, intitulado <a href=\"http:\/\/www.unep.org\/publications\/ebooks\/foresightreport\/\">Foresight Report<\/a> (Relat\u00f3rio de progn\u00f3sticos), foi apresentado em 24 de fevereiro e integra uma iniciativa do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entidade que o aparato ambientalista pretende converter em uma ag\u00eancia ambiental mundial.<\/p>\n<p align=\"left\">O relat\u00f3rio, elaborado ap\u00f3s uma consulta eletr\u00f4nica respondida por 438 cientistas de todo o mundo, aponta os que seriam os 21 maiores desafios ambientais do s\u00e9culo XXI. A lista demonstra, mais uma vez, os question\u00e1veis crit\u00e9rios que t\u00eam orientado a percep\u00e7\u00e3o e as discuss\u00f5es referentes aos grandes problemas enfrentados pela Humanidade, colocando os temas ambientais no topo da escala e refor\u00e7ando a descabida percep\u00e7\u00e3o geral da imin\u00eancia de uma crise ambiental de propor\u00e7\u00f5es apocal\u00edpticas. Com itens que incluem os riscos da escassez de minerais estrat\u00e9gicos (14\u00ba.), a desativa\u00e7\u00e3o de reatores nucleares (17\u00ba.), a retra\u00e7\u00e3o de glaciares (21\u00ba.) e outros, salta aos olhos, por exemplo, a aus\u00eancia de qualquer men\u00e7\u00e3o expl\u00edcita ao maior problema ambiental do planeta: as consequ\u00eancias da insufici\u00eancia de infraestrutura de fornecimento de \u00e1gua e saneamento b\u00e1sico, que afeta mais de metade da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p align=\"left\">O item #15, referente \u00e0 \u00abdegrada\u00e7\u00e3o de \u00e1guas interiores em pa\u00edses em desenvolvimento\u00bb, apenas comenta, genericamente:<\/p>\n<blockquote><p>A degrada\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua, as modifica\u00e7\u00f5es dos canais [de leitos de rios] e a pesca excessiva s\u00e3o alguns dos fatores que representam uma amea\u00e7a crescente aos ecossistemas de \u00e1gua doce e aos estoques pesqueiros dos pa\u00edses em desenvolvimento. Mas, na medida em que os pa\u00edses em desenvolvimento se encontram \u00e0 beira de uma degrada\u00e7\u00e3o em larga escala das suas \u00e1guas interiores, eles t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de reduzir esta degrada\u00e7\u00e3o, fazendo uso de tecnologias e t\u00e9cnicas de gerenciamento h\u00eddrico que n\u00e3o estavam dispon\u00edveis aos pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica do Norte, na \u00e9poca em que come\u00e7aram a contaminar as suas vias aqu\u00e1ticas.<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">Ora, as \u00abtecnologias e t\u00e9cnicas de gerenciamento h\u00eddrico\u00bb empregadas pelos pa\u00edses avan\u00e7ados, desde o s\u00e9culo XIX, foram e t\u00eam sido, principalmente, o saneamento b\u00e1sico, o controle progressivo dos efluentes industriais, a melhor disposi\u00e7\u00e3o do lixo urbano e o planejamento integrado da utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos &#8211; neste caso, seguindo o modelo da Autarquia do Vale do Tennessee (TVA) estadunidense. Ou seja, \u00abinova\u00e7\u00f5es\u00bb que, em grande medida, ainda passam ao largo das agendas pol\u00edticas dos pa\u00edses em desenvolvimento, como as prioridades que deveriam ser.<\/p>\n<p align=\"left\">Em vez disso, o primeiro t\u00f3pico da lista \u00e9 \u00abalinhar a governan\u00e7a aos desafios da sustentabilidade global\u00bb. Outra vez, o texto explicita a inten\u00e7\u00e3o de concretiza\u00e7\u00e3o da velha aspira\u00e7\u00e3o do aparato ambientalista, a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o ambiental mundial dotado de atribui\u00e7\u00f5es e poderes vinculantes para todos os pa\u00edses. O resumo executivo do relat\u00f3rio afirma:<\/p>\n<blockquote><p>O atual sistema de governan\u00e7a ambiental internacional, com o seu labirinto de acordos multilaterais interconectados, evoluiu durante o s\u00e9culo XX e muitos acreditam que ele \u00e9 inadequado para o s\u00e9culo XXI. Alguns comentaristas acreditam que este sistema carece das necess\u00e1rias representatividade, atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades e efetividade, para a transi\u00e7\u00e3o para a sustentabilidade, e que um n\u00edvel de participa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia muito mais elevado se faz necess\u00e1rio. Novos modelos de governan\u00e7a est\u00e3o sendo testados, abarcando desde parcerias p\u00fablico-privadas-comunit\u00e1rias a alian\u00e7as entre ambientalistas e outros grupos da sociedade civil. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p align=\"left\">O segundo lugar da lista \u00e9 descrito como a \u00abtransforma\u00e7\u00e3o das capacidades humanas para o s\u00e9culo XXI\u00bb. Entre elas, destaca-se a falta de profissionais capacitados para as atividades referentes ao desenvolvimento sustent\u00e1vel. Um exemplo citado pelo coordenador do relat\u00f3rio, o cientista-chefe do PNUMA, Joseph Alcamo, \u00e9 a escassez de engenheiros capacitados a projetar geradores solares nos EUA, al\u00e9m da inexist\u00eancia de t\u00e9cnicos especialistas no manejo do \u00ablixo at\u00f4mico\u00bb resultante da desativa\u00e7\u00e3o de usinas nucleares (<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, 24\/02\/2012).<\/p>\n<p align=\"left\">Outra aus\u00eancia not\u00e1vel na listagem dos \u00abdesafios\u00bb \u00e9 qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 disfuncionalidade do sistema financeiro internacional em sua presente forma, cujas distor\u00e7\u00f5es delet\u00e9rias para a economia f\u00edsica das sociedades de todo o planeta constituem, de longe, o maior fator de \u00abinsustentabilidade\u00bb para a Humanidade em conjunto, com todas as suas implica\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas, pol\u00edticas e civilizat\u00f3rias. Como um n\u00famero crescente de comentaristas tem observado, simplesmente, n\u00e3o h\u00e1 como se separar a resolu\u00e7\u00e3o dos problemas ambientais de \u00e2mbito local e regional, que afetam cada pa\u00eds e regi\u00e3o, de uma reconfigura\u00e7\u00e3o global do sistema financeiro, recolocando-o ao servi\u00e7o da economia real e abrindo caminho para a eleva\u00e7\u00e3o geral dos n\u00edveis de vida da popula\u00e7\u00e3o mundial, perspectiva da qual as quest\u00f5es ambientais n\u00e3o podem ser desvinculadas. Mas seria ilus\u00f3rio esperar que os ecotecnocratas do PNUMA e cientistas impregnados do discurso catastrofista do ambientalismo tivessem tal percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Quem \u00e9 o Dr. Joseph Alcamo<\/strong><\/p>\n<p>Para quem tem acompanhado as a\u00e7\u00f5es do aparato ambientalista internacional, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o relat\u00f3rio do PNUMA n\u00e3o constitui qualquer surpresa. De fato, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1973, o \u00f3rg\u00e3o tem atuado como ponta de lan\u00e7a institucional da agenda alarmista e antidesenvolvimentista do ambientalismo internacional. N\u00e3o por acaso, seu cientista-chefe, o Dr. Joseph Alcamo, \u00e9 um protegido do fundador e primeiro diretor-executivo do \u00f3rg\u00e3o, o magnata canadense Maurice Strong, que foi secret\u00e1rio-geral das duas primeiras grandes confer\u00eancias ambientais das Na\u00e7\u00f5es Unidas, as de Estocolmo (1972) e do Rio de Janeiro (1992), das quais a Rio+20 representa uma continuidade. Desde 2006, Strong encontra-se \u00abautoexilado\u00bb em Pequim, onde foi residir, para se esquivar dos desdobramentos de um esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o em torno do esquema de trocas de petr\u00f3leo por alimentos para o Iraque, supervisionado pela ONU, na qual era assessor especial do ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral Kofi Annan.<\/p>\n<p>De nacionalidade estadunidense, Alcamo \u00e9 o t\u00edpico tecnocrata supranacional \u00abglobalizado\u00bb, tendo residido em sete pa\u00edses e ocupado postos de destaque em v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es chave do aparato ambientalista. Detentor de um doutorado em Engenharia Civil e Ambiental pela Universidade da Calif\u00f3rnia (Davis), \u00e9 especialista no desenvolvimento e aplica\u00e7\u00e3o de modelos ambientais e clim\u00e1ticos globais, capacidade desenvolvida em uma d\u00e9cada de trabalho no Instituto Internacional de An\u00e1lise de Sistemas Aplicada (IIASA), de Laxemberg, \u00c1ustria, entidade cuja import\u00e2ncia para a implementa\u00e7\u00e3o do ambientalismo \u00e9 inversamente proporcional ao seu conhecimento pelo p\u00fablico em geral.<\/p>\n<p>Entre as principais contribui\u00e7\u00f5es de Alcamo, destacam-se uma ativa participa\u00e7\u00e3o no processo que levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), no final da d\u00e9cada de 1980, al\u00e9m do estabelecimento do Protocolo de Kyoto, em 1997. Nos dois \u00faltimos relat\u00f3rios do IPCC, atuou como um dos autores principais.<\/p>\n<p>O grau de comprometimento do Dr. Alcamo com a agenda alarmista sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas pode ser constatado por um revelador e-mail enviado a alguns de seus colegas no IPCC, no per\u00edodo imediatamente anterior \u00e0 rodada final de negocia\u00e7\u00f5es do Protocolo de Kyoto, o qual veio \u00e0 tona junto por ocasi\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o dos arquivos da Unidade de Pesquisas Clim\u00e1ticas da Universidade de East Anglia, no final de 2009, no que ficou conhecido como o \u00abesc\u00e2ndalo Climagate\u00bb. Na mensagem, datada de 9 de outubro de 1997, referente \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de um manifesto de cientistas apoiadores do tratado, o Dr. Alcamo explicita os seus valores \u00e9ticos e as articula\u00e7\u00f5es internas do aparato ambientalista:<\/p>\n<blockquote><p>Parece que voc\u00eas t\u00eam andado ocupados fazendo boas coisas pela causa. Eu gostaria de colocar duas quest\u00f5es importantes:<\/p>\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o para endossos<\/p>\n<p>Eu sou enfaticamente a favor de uma distribui\u00e7\u00e3o t\u00e3o ampla e r\u00e1pida quanto poss\u00edvel para os endossos. Eu acho que a \u00fanica coisa que conta s\u00e3o os n\u00fameros. A m\u00eddia vai dizer \u00ab1000 cientistas assinaram\u00bb ou \u00ab1500 assinaram\u00bb. Ningu\u00e9m vai checar se s\u00e3o 600 com PhDs contra 2000 sem. Eles mencionar\u00e3o os proeminentes, mas isto \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: Esque\u00e7am a triagem, esque\u00e7am perguntar-lhes sobre as suas \u00faltimas publica\u00e7\u00f5es (a maioria ir\u00e1 ignor\u00e1-los). Consigam esses nomes!<\/p>\n<p>Timing<\/p>\n<p>(&#8230;) 2. Se o Manifesto sair apenas alguns dias antes de Kyoto, eu receio que os delegados que queremos influenciar n\u00e3o ter\u00e3o tempo de prestar aten\u00e7\u00e3o a ele. N\u00f3s dever\u00edamos dar a eles algumas semanas para ouvir a respeito dele.<\/p>\n<p>3. Se o Greenpeace tiver um evento uma semana antes, n\u00f3s dever\u00edamos fazer o nosso uma semana antes deles, de modo que eles e outras ONGs possam espalhar ainda mais a palavra sobre o Manifesto. Por outro lado, n\u00e3o seria t\u00e3o ruim divulgar o Manifesto na mesma semana, mas num dia diferente. A m\u00eddia poder\u00e1 apreciar ouvir a mensagem de duas dire\u00e7\u00f5es bem diferentes.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar de curto, o e-mail do Dr. Alcamo representa uma das mais expl\u00edcitas evid\u00eancias das inten\u00e7\u00f5es e m\u00e9todos distorcidos dos altos c\u00edrculos do aparato ambientalista global. O fato de que indiv\u00edduos como ele e iniciativas como a que representa sejam levados a s\u00e9rio, tanto por tomadores de decis\u00f5es como pela opini\u00e3o p\u00fablica em geral, denota a urg\u00eancia de se redobrarem os esfor\u00e7os, tanto para se desqualificar o alarmismo engajado, como para se reorientarem as discuss\u00f5es ambientais para o contexto das necessidades reais de desenvolvimento de toda a popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na campanha obstinada por converter a Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Rio+20) em um novo marco pol\u00edtico de alcance global para a sustenta\u00e7\u00e3o de uma agenda cada vez mais questionada, o aparato ambientalista internacional divulgou mais um manifesto. 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