{"id":3642,"date":"2011-09-02T19:48:01","date_gmt":"2011-09-02T19:48:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=136"},"modified":"2011-09-02T19:48:01","modified_gmt":"2011-09-02T19:48:01","slug":"brasil-e-nigeria-contrastes-espaciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/brasil-e-nigeria-contrastes-espaciais\/","title":{"rendered":"Brasil e Nig\u00e9ria: contrastes espaciais"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">No \u00faltimo dia 17 de agosto, a Nig\u00e9ria anunciou o lan\u00e7amento de dois sat\u00e9lites de observa\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia, que ser\u00e3o utilizados em tarefas civis, militares e de seguran\u00e7a. Os sat\u00e9lites, batizados NigeriaSat-2 e NigeriaSat-X, foram lan\u00e7ados da base de Yasny, R\u00fassia, por um lan\u00e7ador da empresa russa Dnepr (que, no mesmo lan\u00e7amento, colocou em \u00f3rbita outros cinco sat\u00e9lites, para os EUA, Ucr\u00e2nia, Turquia e It\u00e1lia).<\/p>\n<p>O NigeriaSat-2, considerado um dos mais avan\u00e7ados sat\u00e9lites de observa\u00e7\u00e3o terrestre existentes, com uma resolu\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de 2,5 m (capaz de identificar objetos com tais dimens\u00f5es), foi projetado e constru\u00eddo no Reino Unido pela empresa Surrey Space Technology Limited (SSTL). Embora tenha utilizado as instala\u00e7\u00f5es da SSTL, o NigeriaSat-X, com resolu\u00e7\u00e3o de 22 m, foi projetado e constru\u00eddo por cientistas e engenheiros da Ag\u00eancia Nacional de Pesquisas Espaciais e Desenvolvimento (NASRDA) nigeriana (<em>The Guardian<\/em>, 17\/08\/2011 e Angop, 23\/08\/2011).<\/p>\n<p>Os dois sat\u00e9lites dever\u00e3o ser utilizados para a gest\u00e3o florestal, cartografia, vigil\u00e2ncia de cat\u00e1strofes naturais e fun\u00e7\u00f5es militares e de seguran\u00e7a, entre outras. Em particular, o NigeriaSat-2, estacionado a 668 km de altitude e com um per\u00edodo orbital de cerca de 98 minutos, oferece a possibilidade de cobrir 70% da superf\u00edcie terrestre em um \u00fanico dia. Com a sua elevada resolu\u00e7\u00e3o de imagens, o sat\u00e9lite pode ser utilizado para uma gama de fun\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 seguran\u00e7a nacional e atividades militares.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na outra margem do Atl\u00e2ntico Sul, o presidente da Ag\u00eancia Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, alertava para os potenciais preju\u00edzos causados pelo atraso de cinco anos no lan\u00e7amento do pr\u00f3ximo sat\u00e9lite conjunto com a China, o CBERS-3, acarretado pela incapacidade brasileira de cumprir os prazos de entrega dos equipamentos a seu encargo (Ag\u00eancia Estado, 23\/08\/2011). Segundo ele, um novo atraso poder\u00e1 \u00abimplodir\u00bb o bem sucedido acordo de coopera\u00e7\u00e3o aeroespacial com o pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Retornando de Pequim, onde participou de uma reuni\u00e3o do grupo bilateral de coordena\u00e7\u00e3o do acordo, Raupp foi categ\u00f3rico: \u00abTemos de cumprir nosso cronograma porque estamos cinco anos atrasados.\u00bb<\/p>\n<p>O programa foi iniciado em 1998 e j\u00e1 foi respons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento de tr\u00eas sat\u00e9lites, os CBERS (sigla em ingl\u00eas para Sat\u00e9lite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) 1, 2 e 2-B. O CBERS-3 deveria ter sido lan\u00e7ado em 2007, mas at\u00e9 agora o Brasil n\u00e3o entregou os equipamentos previstos no acordo. O novo prazo \u00e9 novembro de 2012. O sat\u00e9lite seguinte, CBERS-4, dever\u00e1 ser lan\u00e7ado no ano seguinte, se n\u00e3o houver novos atrasos.<\/p>\n<p>De acordo com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto C\u00e2mara, uma das raz\u00f5es para o atraso \u00e9 a dificuldade da ind\u00fastria nacional em desenvolver e produzir os equipamentos a cargo do Pa\u00eds. Nos tr\u00eas primeiros sat\u00e9lites, a China era respons\u00e1vel por 70% dos componentes, mas, nos seguintes, a propor\u00e7\u00e3o foi dividida ao meio. \u00abAumentou a complexidade e a parcela que cabe ao Brasil\u00bb, disse ele.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do quadro t\u00e9cnico ligado ao projeto. A montagem do sat\u00e9lite, que come\u00e7ar\u00e1 em novembro, exigir\u00e1 a contrata\u00e7\u00e3o de 60 funcion\u00e1rios para trabalharem na China pelo per\u00edodo de um ano, em esquema de rod\u00edzio.<\/p>\n<p>C\u00e2mara, que deixar\u00e1 em dezembro, dois anos antes do t\u00e9rmino de seu mandato, se declarou \u00abfrustrado, porque o INPE n\u00e3o recebeu do Minist\u00e9rio [de Ci\u00eancia e Tecnologia] os recursos humanos necess\u00e1rios para renovar sua equipe&#8217;. Um eventual novo atraso no cronograma colocar\u00e1 em xeque n\u00e3o s\u00f3 o programa, mas a capacidade do Pa\u00eds de cumprir acordos internacionais.<\/p>\n<p>Por sua vez, Raupp afirmou que \u00e9 \u00abincompar\u00e1vel\u00bb a velocidade de desenvolvimento dos programas espaciais dos dois pa\u00edses: \u00abA China lan\u00e7ar\u00e1 19 sat\u00e9lites at\u00e9 2015 e o Brasil, tr\u00eas.\u00bb<\/p>\n<p>De fato, h\u00e1 d\u00e9cadas, a China lan\u00e7a sat\u00e9lites em seus pr\u00f3prios foguetes, j\u00e1 colocou astronautas em \u00f3rbita (ou \u00abtaikonautas\u00bb, como s\u00e3o l\u00e1 chamados) e pensa em uma miss\u00e3o lunar e uma esta\u00e7\u00e3o orbital pr\u00f3pria, na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Portanto, se a compara\u00e7\u00e3o pode parecer indevida, dadas as colossais diferen\u00e7as de vis\u00e3o estrat\u00e9gica entre as elites dirigentes dos dois pa\u00edses, o exemplo nigeriano seria suficiente para envergonhar os brasileiros que levam a s\u00e9rio a prepara\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds para o futuro. Com territ\u00f3rio, litoral, PIB, IDH e capacidades cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicas e industriais muito maiores que o pa\u00eds africano, o Brasil n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o disp\u00f5e de nada sequer parecido com o NigeriaSat-2, mas, pior, n\u00e3o tem planos anunciados para tanto. Por exemplo, a disponibilidade de pelo menos dois sat\u00e9lites de alta resolu\u00e7\u00e3o (preferencialmente, com radares de abertura sint\u00e9tica) ser\u00e1 crucial para a vigil\u00e2ncia do litoral brasileiro, principalmente, com a perspectiva de explora\u00e7\u00e3o das jazidas de petr\u00f3leo e g\u00e1s da camada pr\u00e9-sal e dos demais recursos da chamada Amaz\u00f4nia Azul.<\/p>\n<p>O descaso com o programa aeroespacial torna o Brasil o \u00fanico integrante da forma\u00e7\u00e3o original do grupo BRIC que n\u00e3o disp\u00f5e de capacidades avan\u00e7adas no setor, nem mesmo de um foguete lan\u00e7ador de sat\u00e9lites, ap\u00f3s os sucessivos fracassos do VLS. Embora apontado como um dos pilares tecnol\u00f3gicos da Estrat\u00e9gia Nacional de Defesa, juntamente com as \u00e1reas nuclear e cibern\u00e9tica, o setor aeroespacial tem sido historicamente negligenciado, o que torna a revers\u00e3o deste quadro um imperativo para o futuro imediato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 17 de agosto, a Nig\u00e9ria anunciou o lan\u00e7amento de dois sat\u00e9lites de observa\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia, que ser\u00e3o utilizados em tarefas civis, militares e de seguran\u00e7a. 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