{"id":337,"date":"2012-08-24T21:44:36","date_gmt":"2012-08-24T21:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.msia.org.br\/?p=337"},"modified":"2012-08-24T21:44:36","modified_gmt":"2012-08-24T21:44:36","slug":"bancos-resgatados-pelo-estado-continuam-viciados-em-riscos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/bancos-resgatados-pelo-estado-continuam-viciados-em-riscos-2\/","title":{"rendered":"Bancos resgatados pelo Estado continuam viciados em riscos"},"content":{"rendered":"<p>Um artigo recentemente publicado pelo Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS) de Basileia, intitulado \u00abRecapitaliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica e riscos banc\u00e1rios\u00bb, mostram que, no per\u00edodo 2000-2010, os bancos internacionais que foram resgatados por interven\u00e7\u00f5es governamentais assumiram riscos muito maiores que os que n\u00e3o precisaram de resgate. Este j\u00e1 seria um fato grave se tivesse acontecido antes da crise, mas \u00e9, definitivamente, conden\u00e1vel que tenha prosseguido, mesmo ap\u00f3s a sua deflagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em outras palavras, o comportamento irrespons\u00e1vel dos bancos com respeito aos investidores, ao mercado e aqueles que os procuraram em busca de investimentos mais qualificados, n\u00e3o mudou. Como diz o ditado, o lobo muda o pelo, mas n\u00e3o os seus h\u00e1bitos. Por que n\u00e3o tentar de novo, depois de serem resgatados, por serem \u00abgrandes demais para quebrar\u00bb?<\/p>\n<p>O estudo foi feito com 87 bancos, dos quais 40 foram salvos da fal\u00eancia, principalmente, estadunidenses e brit\u00e2nicos. Antes mesmo da quebra do Lehman Brothers (setembro de 2008), os empr\u00e9stimos \u00abalavancados\u00bb, que s\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es mais arriscadas, principalmente, para quem j\u00e1 est\u00e1 fortemente endividado, haviam aumentado em 53% para os bancos resgatados e 43%, nos demais. A crise resultou em uma redu\u00e7\u00e3o global de tais empr\u00e9stimos de risco &#8211; mas, de 37%, nos bancos n\u00e3o resgatados e apenas 25%, nos \u00abmais espertos do peda\u00e7o\u00bb. Os resultados do artigo do BIS representam uma cr\u00edtica contundente aos assim chamados mercados, aos quais, atualmente, todos, economias e governos, se submetem passivamente. Observa-se que, nos anos anteriores \u00e0 crise, instrumentos como os swaps de inadimpl\u00eancia de cr\u00e9dito (CDS) e derivativos, que deveriam assegurar os t\u00edtulos contra poss\u00edveis inadimpl\u00eancias, falharam miseravelmente. Isto deveria ter funcionado como um alarme de que algo estava errado, mas n\u00e3o foi assim que aconteceu.<\/p>\n<p>Na verdade, em vez de refletir nos seus custos os n\u00edveis de risco dos portf\u00f3lios, os CDS acabaram custando mais para os bancos saud\u00e1veis que para aqueles mais envolvidos em jogos especulativos! Evidentemente, at\u00e9 os CDs t\u00eam contado com os resgates p\u00fablicos para aqueles mais expostos ao risco! Se ainda se precisasse de alguma, esta \u00e9 mais uma prova da perversidade sist\u00eamica de um sistema financeiro ensandecido.<\/p>\n<p>O sistema banc\u00e1rio e financeiro internacional ainda n\u00e3o enfrentou os seus problemas de fundo. Ao contr\u00e1rio, apesar dos resgates, a sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave do que antes. Por sua vez, os bancos centrais n\u00e3o resolveram as causas profundas da crise, mas t\u00eam se limitado a socorrer os bancos e as entidades financeiras inadimplentes, fazendo remendos no casco de um \u00abTitanic\u00bb que faz \u00e1gua por todos os lados.<\/p>\n<p>A recente decis\u00e3o da Reserva Federal dos EUA, de manter as taxas de juros em 0,25% at\u00e9 o final de 2014 (!) representa o remendo mais recente. Em lugar de favorecer a economia real e os investimentos, ela favorece claramente os bancos em dificuldades. E, h\u00e1 tempos, o \u00abFed\u00bb tem insistido que o Banco Central Europeu (BCE) fa\u00e7a o mesmo. Infelizmente, o governo de Barack Obama continua pressionar pela medida e se mostra bastante ressentida com o fato de que Frankfurt ainda n\u00e3o tenha decidido a seguir o banco central estadunidense. Com efeito, a taxa de juros europeia permanece em 0,75%.<\/p>\n<p>Vale reiterar que, embora muitos se empenhem em explicar que toda essa liquidez, a uma taxa zero, serve para manter \u00e0 tona o sistema banc\u00e1rio, um dos efeitos mais nefastos de tais pol\u00edticas \u00e9 o pr\u00f3prio aniquilamento pelos mercados de parte dessa liquidez, que se torna fermento para atividades especulativas.<\/p>\n<p>Mais que nunca, est\u00e1 claro que n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel deixar os mercados e a economia sob o dom\u00ednio das finan\u00e7as. \u00c9 cada vez mais urgente que o s\u00edndico de massas falidas entre em campo &#8211; e n\u00e3o se trata de um super-homem com poderes m\u00e1gicos, mas de uma pol\u00edtica de reformas compartilhados do sistema. A primeira medida urgente pode ser a reintrodu\u00e7\u00e3o, nos EUA e na Europa, do princ\u00edpio da antiga Lei Glass-Steagall, que, antes de ser abolida, separava as atividades banc\u00e1rias comerciais e especulativas. Isto poderia ser o ato inicial de um conjunto de regras mais rigorosas para as finan\u00e7as e os servi\u00e7os banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, essa perspectiva tem recebido apoios importantes e inesperados, inclusive, de figuras do mundo banc\u00e1rio anglo-americano, que, anteriormente, estiveram na primeira fila para a sua elimina\u00e7\u00e3o. Nos EUA, j\u00e1 se manifesta um acalorado debate no Congresso e a proposta ganhou o apoio de Sandford Weill, ex-presidente do gigante banc\u00e1rio Citigroup. Na Europa, ela tamb\u00e9m vem recebendo um n\u00famero crescente de endossos.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, o premier italiano Mario Monti pode desempenhar um papel de grande import\u00e2ncia. Ele \u00e9 o \u00fanico chefe de governo entre seus colegas europeus e de outros continentes, que, liberado da l\u00f3gica eleitoral, pode ter uma maior chance de sucesso no apoio \u00e0 reforma do sistema financeiro global, que se faz necess\u00e1ria desde h\u00e1 muito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo recentemente publicado pelo Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS) de Basileia, intitulado \u00abRecapitaliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica e riscos banc\u00e1rios\u00bb, mostram que, no per\u00edodo 2000-2010, os bancos internacionais que foram resgatados por interven\u00e7\u00f5es governamentais assumiram riscos muito maiores que os que n\u00e3o precisaram de resgate. 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