{"id":321,"date":"2012-01-13T14:17:59","date_gmt":"2012-01-13T14:17:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=321"},"modified":"2012-01-13T14:17:59","modified_gmt":"2012-01-13T14:17:59","slug":"a-floresta-da-mae-joana-urge-uma-contraofensiva-diplomatico-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-floresta-da-mae-joana-urge-uma-contraofensiva-diplomatico-ambiental\/","title":{"rendered":"\u00abA floresta da m\u00e3e joana\u00bb: urge uma contraofensiva diplom\u00e1tico-ambiental"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Por encomenda da revista <em>Veja<\/em>, uma pesquisa internacional sobre a imagem do Brasil no exterior revelou a efici\u00eancia da campanha de mais de duas d\u00e9cadas do movimento ambientalista-indigenista, para colocar o Pa\u00eds como um dos alvos principais da sua agenda antidesenvolvimentista, em particular, quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia no estado mais \u00abnatural\u00bb poss\u00edvel. Em um contexto em que o Pa\u00eds obteve resultados gerais positivos, mais da metade dos entrevistados considerou que a import\u00e2ncia ambiental global da Floresta Amaz\u00f4nica justifica restri\u00e7\u00f5es \u00e0 soberania brasileira sobre a regi\u00e3o. A pesquisa foi efetuada pela CNT\/Sensus em 18 pa\u00edses (Argentina, Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, EUA, Portugal, Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Inglaterra, Alemanha, R\u00fassia, China, Jap\u00e3o, \u00cdndia, L\u00edbano e \u00c1frica do Sul), tendo sido entrevistadas 7.200 pessoas (<em>Veja<\/em>, 4\/01\/2012).<\/p>\n<p>No item referente \u00e0 Amaz\u00f4nia, a reportagem utiliza a express\u00e3o \u00aba floresta da m\u00e3e joana\u00bb para tabelar os resultados de alguns pa\u00edses individuais &#8211; no caso, EUA, Fran\u00e7a, Alemanha, R\u00fassia, Jap\u00e3o e \u00c1frica do Sul. De forma sintom\u00e1tica, a combina\u00e7\u00e3o das respostas \u00abO Brasil deve preservar a floresta de acordo com regras internacionais\u00bb e \u00abA floresta deve ser internacionalizada\u00bb superou a combina\u00e7\u00e3o \u00abQuem cuida da floresta \u00e9 o Brasil\u00bb e \u00abO Brasil deve preservar a floresta de acordo com as regras do pa\u00eds\u00bb, na Fran\u00e7a (77% x 23%), Alemanha (74% x 22%) e Jap\u00e3o (77% x 19%); nos EUA, deu empate t\u00e9cnico (44% x 43%). Nos dois parceiros no grupo BRICS, a combina\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 soberania nacional se imp\u00f4s: na R\u00fassia, por 46% a 39%; e, na \u00c1frica do Sul, por 42% a 34% &#8211; ainda assim, o fato de que grandes parcelas dos entrevistados admitam tais teses esdr\u00faxulas denota a efici\u00eancia do discurso ambientalista.<\/p>\n<p>Por outro lado, embora o texto considere a ideia da \u00abinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u00bb da Amaz\u00f4nia como \u00abum equ\u00edvoco tamanho gigante\u00bb e um \u00abdel\u00edrio\u00bb, a realidade \u00e9 outra. De fato, a enorme capacidade de interfer\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas governamentais para a regi\u00e3o, demonstrada nas \u00faltimas d\u00e9cadas pelos movimentos ambientalista e indigenista internacionais, j\u00e1 configura uma consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de soberania, para a qual muitos brasileiros ainda n\u00e3o despertaram. E, como temos enfatizado, tal sucesso foi obtido com a cumplicidade passiva dos sucessivos governos brasileiros desde a presid\u00eancia de Jos\u00e9 Sarney, em especial, do Itamaraty, que tem tido grande influ\u00eancia na acomoda\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds \u00e0s press\u00f5es internacionais nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Por conseguinte, a \u00abinternacionaliza\u00e7\u00e3o\u00bb da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 uma perspectiva futura, envolvendo uma eventual decreta\u00e7\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Undas sobre a regi\u00e3o ou uma invas\u00e3o militar cl\u00e1ssica, como temem muitos; ela \u00e9 um fato real e presente, na aceita\u00e7\u00e3o das demandas e a submiss\u00e3o \u00e0s press\u00f5es ambientalistas e indigenistas, tanto por formuladores de pol\u00edticas, como por formadores de opini\u00e3o e outros setores da sociedade brasileira. Assim, em vez de \u00abcapacetes verdes\u00bb da ONU, temos operando no Pa\u00eds, praticamente sem qualquer restri\u00e7\u00e3o, as eficientes ONGs que integram as \u00abtropas de choque\u00bb do aparato ambientalista-indigenista internacional.<\/p>\n<p>Essa influ\u00eancia se mostra, entre outros exemplos, na c\u00e9lebre justificativa do ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva ao governador de Roraima, Ottomar Pinto, e \u00e0 bancada federal do estado, para determinar a demarca\u00e7\u00e3o em \u00e1rea cont\u00ednua da reserva ind\u00edgena Raposa Serra do Sol, em 2005. Segundo o pr\u00f3prio governador, \u00abo presidente Lula disse na minha frente e da bancada que toda vez que ia ao exterior recebia press\u00f5es e reclama\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o da reserva. Disse que ele tinha pressa em atender a essas demandas (<em>Folha de S. Paulo<\/em>, 24\/04\/2005)\u00bb.<\/p>\n<p>Ou na ultrajante declara\u00e7\u00e3o do ministro da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Fernando Bezerra, em junho de 2010, durante visita a Boa Vista (RR), por conta das enchentes que atingiram o estado. Diante de queixas sobre a inviabiliza\u00e7\u00e3o do estado para um modelo de desenvolvimento baseado na agroind\u00fastria, devido \u00e0 colossal extens\u00e3o das \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o ambiental e ind\u00edgenas, o ministro admitiu que \u00aba popula\u00e7\u00e3o de Roraima est\u00e1 pagando o pre\u00e7o em fun\u00e7\u00e3o da necessidade nacional de respeitar o conceito de desenvolvimento sustent\u00e1vel\u00bb. Segundo ele, \u00abtem que ser considerado que o bioma da Amaz\u00f4nia \u00e9 um dos mais importantes do planeta e esse seria um pre\u00e7o a se pagar (<em>Folha de Boa Vista<\/em>, 10\/06\/2010)\u00bb. Para tais considera\u00e7\u00f5es, s\u00e3o irrelevantes as aspira\u00e7\u00f5es e necessidades da popula\u00e7\u00e3o e at\u00e9 mesmo o detalhe de que o tipo de cobertura vegetal prevalecente em Roraima \u00e9 o dos campos cerrados, e n\u00e3o a floresta equatorial t\u00edpica.<\/p>\n<p>Neste momento, o Itamaraty e o Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e3o empenhados na prepara\u00e7\u00e3o de uma nova confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o chamado desenvolvimento sustent\u00e1vel, a Rio+20, na qual esperam que o Pa\u00eds consolide a imagem de uma \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb. Por\u00e9m, aproxima-se o momento em que uma decis\u00e3o ter\u00e1 que ser tomada quanto \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o passiva de uma agenda ambientalista-indigenista contr\u00e1ria aos interesses nacionais ou, pelo menos, das suas principais diretrizes, e uma mudan\u00e7a de rumo que enquadre os temas ambientais e ind\u00edgenas no marco das necessidades de um projeto nacional de desenvolvimento pleno.<\/p>\n<p>Para tanto, ser\u00e1 preciso tratar tais quest\u00f5es com o rigor cient\u00edfico e \u00e9tico que at\u00e9 agora tem faltado, para que se possam concentrar as aten\u00e7\u00f5es no atendimento de emerg\u00eancias reais. Entre elas, destacam-se a expans\u00e3o das infraestruturas de saneamento, energia e transportes, a cria\u00e7\u00e3o de uma rede de defesa civil eficiente, capaz de antecipar e minimizar os efeitos de fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos recorrentes, e outras, que t\u00eam sido relegadas, em grande medida, pelo alarmismo inconsequente e cientificamente infundado que fundamenta as campanhas \u00abverdes\u00bb.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a diplomacia brasileira ter\u00e1 que repensar a sua linha de a\u00e7\u00e3o, deixando de lado a ilus\u00e3o de que um \u00abbom comportamento\u00bb diante da percep\u00e7\u00e3o \u00abpoliticamente correta\u00bb dos temas ambientais \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para o Pa\u00eds. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 crescente a necessidade de uma contraofensiva, como, ali\u00e1s, vem sendo ensaiado no caso da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte.<\/p>\n<p>Duas recentes iniciativas legais favorecem essa abordagem assertiva. Uma \u00e9 a Portaria Interministerial 419\/2011, editada em outubro, que regulamenta a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os e entidades do governo federal envolvidos no licenciamento ambiental, estabelecendo uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios objetivos para agilizar os processos de licenciamento e acabar com os atrasos e procrastina\u00e7\u00f5es que t\u00eam encarecido e inviabilizado numerosos empreendimentos. A outra \u00e9 a Portaria 2498\/2011 do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, emitida em de novembro, a qual estabelece que os estados e munic\u00edpios sejam inseridos nos estudos de demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, em todas as suas etapas, acabando com o monop\u00f3lio at\u00e9 ent\u00e3o exercido pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai).<\/p>\n<p>Com elas, somadas \u00e0 imprescind\u00edvel vontade pol\u00edtica e \u00e0 crescente conscientiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores da sociedade sobre as reais quest\u00f5es ambientais, o Estado brasileiro tem todas as condi\u00e7\u00f5es para retomar a soberania plena sobre a forma de ocupa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do territ\u00f3rio nacional, em benef\u00edcio n\u00e3o apenas de sua popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m do mundo com o qual compartilha uma agenda de emerg\u00eancias reais desatendidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por encomenda da revista Veja, uma pesquisa internacional sobre a imagem do Brasil no exterior revelou a efici\u00eancia da campanha de mais de duas d\u00e9cadas do movimento ambientalista-indigenista, para colocar o Pa\u00eds como um dos alvos principais da sua agenda antidesenvolvimentista, em particular, quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia no estado mais \u00abnatural\u00bb poss\u00edvel. 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