{"id":304,"date":"2011-12-16T16:08:24","date_gmt":"2011-12-16T16:08:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=304"},"modified":"2011-12-16T16:08:24","modified_gmt":"2011-12-16T16:08:24","slug":"e-hora-de-mudar-a-agenda-ambiental-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/e-hora-de-mudar-a-agenda-ambiental-global\/","title":{"rendered":"\u00c9 hora de mudar a agenda ambiental global"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">O desfecho da Confer\u00eancia de Durban, a COP-17, refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o que se tem diante dos demais aspectos da crise global, referente ao abismo que separa as agendas pol\u00edticas prevalecentes na maior parte do planeta dos fatos do mundo real, que influenciam o cotidiano e as aspira\u00e7\u00f5es e necessidades da grande maioria das sociedades. De fato, ao se observar o enorme empenho colocado na preserva\u00e7\u00e3o da irracional agenda de \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia mundial, com uma sobrevida comercial ao Protocolo de Kyoto e o estabelecimento de uma \u00abdeclara\u00e7\u00e3o de boas inten\u00e7\u00f5es\u00bb, que prev\u00ea a ado\u00e7\u00e3o global de cotas de emiss\u00f5es de carbono para 2020, s\u00f3 se pode lamentar a profunda perda de contato com a realidade por parte de setores que deveriam liderar as sociedades na busca de uma supera\u00e7\u00e3o da crise global.<\/p>\n<p>Descontando-se as declara\u00e7\u00f5es triunfalistas provenientes dos c\u00edrculos oficiais, fica a impress\u00e3o de que a grande fa\u00e7anha da confer\u00eancia foi mesmo a preserva\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina \u00abaquecimentista\u00bb, o que conceder\u00e1 uma sobrevida ao multibilion\u00e1rio mercado de cr\u00e9ditos de carbono e a toda a vasta rede de servi\u00e7os e negocia\u00e7\u00f5es relacionados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono, inclusive, nos campos pol\u00edtico e diplom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Para o Brasil, a COP-17 representava um campo de provas para a confer\u00eancia Rio+20 sobre o desenvolvimento sustentado, em junho de 2012 e, por isso, a preocupa\u00e7\u00e3o em fazer boa figura e mostrar \u00ablideran\u00e7a\u00bb nas discuss\u00f5es da agenda foi predominante na participa\u00e7\u00e3o nacional. O problema maior \u00e9 que a agenda ambiental \u00e9 profundamente equivocada e precisa ser urgentemente reorientada.<\/p>\n<p>Em Durban, assim como na grande maioria dos conclaves internacionais convocados para discutir temas ambientais, estiveram ausentes as discuss\u00f5es sobre as verdadeiras emerg\u00eancias globais, entre as quais as defici\u00eancias das infraestruturas de saneamento e energia, as mais afetadas pela distor\u00e7\u00e3o das prioridades ocasionada pelo alarmismo clim\u00e1tico. Em pleno s\u00e9culo XXI, menos da metade da Humanidade tem acesso a sistemas de saneamento e quase dois bilh\u00f5es de pessoas ainda n\u00e3o dispoem de eletricidade, uma comodidade em uso comercial h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. Em grande parte da \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina, Caribe e \u00c1sia, as necessidades b\u00e1sicas ainda s\u00e3o providas pelo uso de esterco e lenha, os combust\u00edveis mais primitivos conhecidos pelo <em>Homo sapiens<\/em>.<\/p>\n<p>Como os combust\u00edveis f\u00f3sseis respondem por mais de 80% da energia prim\u00e1ria e cerca de dois ter\u00e7os da eletricidade gerada no planeta, n\u00e3o h\u00e1 como se ampliar a oferta de energia a todos esses povos sem uma consider\u00e1vel amplia\u00e7\u00e3o do seu uso, pelo menos, enquanto tecnologias mais avan\u00e7adas n\u00e3o estiverem dispon\u00edveis em grande escala.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s fontes \u00abalternativas\u00bb (em especial, solar e e\u00f3lica), favoritas do aparato ambientalista e de pol\u00edticos sintonizados com as teses \u00abpoliticamente corretas\u00bb prevalecentes, a experi\u00eancia da Europa e dos EUA tem demonstrado que a sua viabilidade econ\u00f4mica \u00e9 question\u00e1vel at\u00e9 mesmo com fortes subs\u00eddios &#8211; fato de que os brasileiros deveriam tomar nota, diante das expectativas exageradas com que elas t\u00eam sido aqui acolhidas (a prop\u00f3sito, os consumidores de eletricidade dom\u00e9sticos ser\u00e3o proximamente penalizados com um aumento de 0,4% em suas contas, em favor da expans\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica).<\/p>\n<p>Tudo isso mostra que \u00e9 mais que hora de se reorientar a agenda ambiental para os problemas reais e os desafios da extens\u00e3o dos n\u00edveis de desenvolvimento proporcionados pela ci\u00eancia e a tecnologia atuais a todos os povos do planeta. Para tanto, efetivamente, a confer\u00eancia Rio+20 poder\u00e1 ser decisiva, se seus planejadores incorporarem tais requisitos \u00e0 pauta, em lugar de limit\u00e1-la \u00e0s discuss\u00f5es est\u00e9reis sobre impactos ambientais inexistentes ou exagerados das a\u00e7\u00f5es humanas e \u00e0 consequente agenda de restri\u00e7\u00f5es ao desenvolvimento e ao progresso.<\/p>\n<p>O Brasil tem todas as credenciais para encabe\u00e7ar essa reorienta\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pela percep\u00e7\u00e3o correta que a diplomacia nacional tinha da agenda ambientalista internacional, quando ela come\u00e7ou a ser implementada, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970. Na \u00e9poca, diplomatas como Ara\u00fajo Castro e outros denunciavam publicamente o ambientalismo como um instrumento de pot\u00eancias hegem\u00f4nicas interessadas no que qualificavam como o \u00abcongelamento do poder mundial\u00bb. Naquele momento, as insidiosas sugest\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o e \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o das economias em desenvolvimento, em nome da prote\u00e7\u00e3o ambiental, eram recha\u00e7adas com a m\u00e1xima de que a pior polui\u00e7\u00e3o \u00e9 a da mis\u00e9ria &#8211; cuja validade n\u00e3o se alterou desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, com o advento da \u00abNova Ordem Mundial\u00bb e o predom\u00ednio da \u00abglobaliza\u00e7\u00e3o\u00bb, a orienta\u00e7\u00e3o do Itamaraty mudou, para se acomodar \u00e0s press\u00f5es internacionais que apontavam o Pa\u00eds como o \u00abvil\u00e3o ambiental n\u00famero um\u00bb, em um empenho que levou \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia Rio-92 e \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de uma draconiana legisla\u00e7\u00e3o ambiental, que tem sido um enorme entrave para toda sorte de atividades produtivas.<\/p>\n<p>Felizmente, vem ganhando for\u00e7a uma rea\u00e7\u00e3o contra essa inger\u00eancia abusiva do aparato ambientalista nos processos decis\u00f3rios internos, como se observa na discuss\u00e3o da reforma do C\u00f3digo Florestal e no crescente questionamento aos abusos na demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas. Por\u00e9m, essa tend\u00eancia ainda n\u00e3o se fez acompanhar no plano diplom\u00e1tico, no qual ainda prevalece a cren\u00e7a de que um \u00abbom comportamento\u00bb na \u00e1rea ambiental \u00e9 positivo para o prest\u00edgio internacional do Pa\u00eds. De fato, nada mais equivocado, pois tal atitude tem permitido que press\u00f5es externas se imponham aos leg\u00edtimos e maiores interesses da sociedade nacional.<\/p>\n<p>Por outro lado, o aprofundamento da crise econ\u00f4mico-financeira mundial e a necessidade de retomada de um projeto nacional de desenvolvimento, com \u00eanfase na expans\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura f\u00edsica do Pa\u00eds e no aprofundamento do processo de integra\u00e7\u00e3o f\u00edsica com os pa\u00edses vizinhos, tornam urgente uma mudan\u00e7a nessa conduta.<\/p>\n<p>Assim, em lugar da suicida agenda da \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia e suas variantes &#8211; mais baseadas em dogmas e ideologias que no entendimento do mundo real -, o Brasil deve aproveitar a confer\u00eancia do Rio de Janeiro para ressaltar a necessidade da reorienta\u00e7\u00e3o da b\u00fassola ambiental global, para apont\u00e1-la para as necessidades reais do pleno desenvolvimento de toda a Humanidade. O <em>Homo sapiens<\/em> ainda n\u00e3o pode influenciar o clima em escala global, mas tem condi\u00e7\u00f5es &#8211; e a obriga\u00e7\u00e3o moral &#8211; de proporcionar alimenta\u00e7\u00e3o, infraestrutura e as demais oportunidades para que todos os habitantes do planeta possam desenvolver os seus potenciais inatos. Este \u00e9 o desafio que deve ser discutido no Rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desfecho da Confer\u00eancia de Durban, a COP-17, refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o que se tem diante dos demais aspectos da crise global, referente ao abismo que separa as agendas pol\u00edticas prevalecentes na maior parte do planeta dos fatos do mundo real, que influenciam o cotidiano e as aspira\u00e7\u00f5es e necessidades da grande maioria das sociedades. 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