{"id":29,"date":"2011-08-26T12:04:06","date_gmt":"2011-08-26T12:04:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=29"},"modified":"2011-08-26T12:04:06","modified_gmt":"2011-08-26T12:04:06","slug":"o-que-e-uma-potencia-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/o-que-e-uma-potencia-ambiental\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 uma \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb?"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\">Nos \u00faltimos tempos, a express\u00e3o \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb tem sido empregada de forma recorrente, por personalidades diversas, para qualificar a estatura do Brasil no cen\u00e1rio internacional. Embora sem uma defini\u00e7\u00e3o clara, tem sido geralmente associada ao grande peso dos recursos renov\u00e1veis na matriz energ\u00e9tica brasileira, \u00e0 riqueza da biodiversidade e \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de destaque do Pa\u00eds em termos de aplica\u00e7\u00e3o de requisitos ambientais \u00e0s atividades econ\u00f4micas. Seu criador parece ter sido o climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), atual coordenador de Pol\u00edticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia e um dos principais promotores da agenda catastrofista de \u00abdescarboniza\u00e7\u00e3o\u00bb da economia ao Sul do equador.<\/p>\n<p>Outro usu\u00e1rio frequente \u00e9 o presidente da Empresa de Pesquisas Energ\u00e9ticas (EPE) do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, Maur\u00edcio Tolmasquim, que a repetiu no semin\u00e1rio Energy Summit 2011, realizado no Rio de Janeiro (RJ), no in\u00edcio de agosto. Segundo ele, as fontes de gera\u00e7\u00e3o de \u00abenergia limpa\u00bb e seus potenciais dever\u00e3o transformar o Brasil em uma pot\u00eancia energ\u00e9tica e ambiental nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. \u00abMinha tese pode parecer ufanista, mas tem bases reais. O Brasil tem uma situa\u00e7\u00e3o diferenciada em rela\u00e7\u00e3o a dois aspectos fundamentais: a quest\u00e3o da seguran\u00e7a energ\u00e9tica e a quest\u00e3o ambiental. O setor el\u00e9trico tem potencial em todas as fontes de gera\u00e7\u00e3o e encontrou um modelo que permite que essa expans\u00e3o ocorra\u00bb, disse ele (O Estado de S. Paulo, 5\/08\/2011).<\/p>\n<p>Como exemplo do potencial brasileiro de conciliar a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental, Tolmasquim citou as chamadas \u00abusinas-plataforma\u00bb, projetos hidrel\u00e9tricos elaborados para a Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica em s\u00edtios praticamente isolados, cujo acesso ser\u00e1 feito por helic\u00f3pteros, para reduzir ao m\u00ednimo os impactos ambientais (o nome prov\u00e9m da inspira\u00e7\u00e3o nas plataformas oce\u00e2nicas de explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo).<\/p>\n<p>As \u00abusinas-plataforma\u00bb representam a mais recente concess\u00e3o nacional ao ativismo ambientalista para a imposi\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es aos projetos das usinas hidrel\u00e9tricas, somando-se \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios &#8211; que tem transformado as usinas em virtuais aproveitamentos \u00aba fio d&#8217;\u00e1gua\u00bb &#8211; e \u00e0 n\u00e3o inclus\u00e3o de eclusas, que tem obstaculizado a navega\u00e7\u00e3o em importantes eixos fluviais em todo o Pa\u00eds (neste particular, com uma preciosa ajuda de representantes do setor el\u00e9trico e autoridades federais, que teimam em n\u00e3o se entender para viabiliz\u00e1-las).<\/p>\n<p>A popularidade da express\u00e3o entre lideran\u00e7as brasileiras de todos os setores denota uma miopia &#8211; ou relut\u00e2ncia &#8211; em n\u00e3o aceitar o fato, cada vez mais evidente, de que o movimento ambientalista internacional \u00e9, predominantemente, um instrumento pol\u00edtico a servi\u00e7o de uma agenda de restri\u00e7\u00f5es ao desenvolvimento socioecon\u00f4mico. Como demonstram v\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es independentes, o movimento foi criado adredemente por uma fac\u00e7\u00e3o do Establishment olig\u00e1rquico anglo-americano, a partir do final da d\u00e9cada de 1950 e in\u00edcio da de 1960, com prop\u00f3sitos espec\u00edficos: 1) reduzir o impulso pr\u00f3-industrializa\u00e7\u00e3o prevalecente na \u00e9poca; 2) manter o controle sobre regi\u00f5es ricas em recursos naturais; 3) limitar o crescimento demogr\u00e1fico; e 4) reduzir o \u00abotimismo tecnol\u00f3gico\u00bb gerado pela conquista do espa\u00e7o e outras fa\u00e7anhas que eletrizavam a popula\u00e7\u00e3o, em especial a juventude.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, o eixo anglo-americano tamb\u00e9m adotou alegremente a express\u00e3o. Em sua visita ao Brasil, em junho, o vice-premier brit\u00e2nico Nick Clegg tamb\u00e9m se referiu ao Pa\u00eds como \u00abuma pot\u00eancia ambiental, sem a qual n\u00e3o pode haver um acordo clim\u00e1tico significativo\u00bb. Mas, tamb\u00e9m, deixou clara a inten\u00e7\u00e3o subrept\u00edcia de tais afagos, ao afirmar que gostaria de ver os la\u00e7os entre os dois pa\u00edses \u00abvoltarem ao s\u00e9culo XIX, para recuperar as bases de uma rela\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida (Not\u00edcias Terra, 22\/06\/2011)\u00bb.<\/p>\n<p>Como qualquer pessoa que tenha estudado superficialmente a Hist\u00f3ria brasileira conhece a natureza de subordina\u00e7\u00e3o colonial que o Brasil mantinha com a Gr\u00e3-Bretanha, no s\u00e9culo XIX, as declara\u00e7\u00f5es de Nick Clegg assumem uma conota\u00e7\u00e3o bastante sugestiva.<\/p>\n<p>Na mesma linha, o Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (CFR) de Nova York, o mais influente think-tank do Establishment estadunidense, publicou recentemente o estudo <a href=\"http:\/\/www.cfr.org\/brazil\/global-brazil-us-brazil-relations\/p25407?co=C007303\">\u00abBrasil Global e as Rela\u00e7\u00f5es EUA-Brasil\u00bb<\/a>, que afirma: \u00abOs perfis energ\u00e9tico e ambiental do Brasil estabeleceram o pa\u00eds como um importante ator internacional em dois dos desafios globais mais centrais e estreitamente interligados: a seguran\u00e7a energ\u00e9tica e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u00bb<\/p>\n<p>Parece evidente que \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb implica um enquadramento no molde de um grande exportador de mat\u00e9rias-primas e uma disposi\u00e7\u00e3o de subordinar \u00e0 agenda ambientalista a utiliza\u00e7\u00e3o plena dos recursos naturais para o desenvolvimento interno soberano do Pa\u00eds e da Am\u00e9rica do Sul, pelo processo de integra\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>Desafortunadamente, muitos brasileiros se iludem com tais cantos de sereia ou se intimidam diante de press\u00f5es pol\u00edticas e midi\u00e1ticas motivadas por argumentos ambientalistas. O recente imbr\u00f3glio envolvendo a vota\u00e7\u00e3o do projeto de reforma do C\u00f3digo Florestal na C\u00e2mara dos Deputados proporcionou um exemplo did\u00e1tico de tal processo &#8211; e uma rara vit\u00f3ria dos interesses nacionais sobre a \u00abM\u00e1fia Verde\u00bb. No futuro imediato, ser\u00e1 crucial que esse aparato intervencionista seja neutralizado, para que o Pa\u00eds possa se consolidar como uma verdadeira pot\u00eancia &#8211; mas digna do nome, promovendo um desenvolvimento socioecon\u00f4mico harmonioso e duradouro e capaz de exercer uma influ\u00eancia positiva no cen\u00e1rio global.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos tempos, a express\u00e3o \u00abpot\u00eancia ambiental\u00bb tem sido empregada de forma recorrente, por personalidades diversas, para qualificar a estatura do Brasil no cen\u00e1rio internacional. 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