{"id":276,"date":"2011-12-02T17:17:42","date_gmt":"2011-12-02T17:17:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.alerta.inf.br\/?p=276"},"modified":"2011-12-02T17:17:42","modified_gmt":"2011-12-02T17:17:42","slug":"a-gota-dagua-para-uma-discussao-seria-sobre-belo-monte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/msiainforma.org\/es\/a-gota-dagua-para-uma-discussao-seria-sobre-belo-monte\/","title":{"rendered":"A \u00abgota d&#8217;\u00e1gua\u00bb para uma discuss\u00e3o s\u00e9ria sobre Belo Monte"},"content":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 16 de novembro, foi postado no s\u00edtio Youtube.com um v\u00eddeo em que atores da Rede Globo de Televis\u00e3o proclamam palavras de ordem contra a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em Altamira (PA). Com argumentos rasos, quando n\u00e3o inexistentes (tais como: \u00abVoc\u00ea j\u00e1 foi \u00e0 Amaz\u00f4nia?\u00bb &#8211; pergunta do ator Marcos Palmeira), o v\u00eddeo teve o m\u00e9rito de deflagrar um intenso debate sobre o projeto. A produ\u00e7\u00e3o foi do chamado Movimento Gota D&#8217;\u00c1gua, em sociedade com o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, uma aglomera\u00e7\u00e3o de ONGs ambientalistas, como o Instituto Socioambiental (ISA), Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI) e outras 250 ONGs nacionais e estrangeiras.<\/p>\n<p>Ao longo de cinco minutos, os artistas globais se superam em fazer afirmativas falaciosas, tais como: Belo Monte s\u00f3 produzir\u00e1 um ter\u00e7o de sua capacidade; \u00abcustar\u00e1 30 bilh\u00f5es de reais\u00bb; \u00abinundar\u00e1 640 km\u00b2 de mata virgem\u00bb; \u00abenergia hidrel\u00e9trica n\u00e3o \u00e9 energia limpa\u00bb; entre outras sandices.<\/p>\n<p>Os artistas chegam ao extremo de sugerir, inclusive, que a constru\u00e7\u00e3o da usina serviria apenas para fins f\u00fateis, como assistir novelas (das quais s\u00e3o protagonistas) ou permitir aos cidad\u00e3os do Norte do Pa\u00eds o consumo de artigos tecnol\u00f3gicos de luxo &#8211; desconsiderando totalmente o direito de todos os cidad\u00e3os a ter acesso aos bens proporcionados pela modernidade. Al\u00e9m disso, o v\u00eddeo registra \u00abp\u00e9rolas\u00bb, como o trecho em que a atriz Let\u00edcia Sabatella afirma que energia gerada em uma floresta n\u00e3o seria \u00ablimpa\u00bb, somente se fosse gerada em um deserto.<\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o admira que os preocupados e engajados funcion\u00e1rios das Organiza\u00e7\u00f5es Globo tenham manifestado tal iniciativa. Afinal, seus patr\u00f5es s\u00e3o not\u00f3rios engajados na agenda ambientalista internacional, como \u00e9 o caso do vice-presidente Jos\u00e9 Roberto Marinho, que j\u00e1 foi presidente do WWF-Brasil e atualmente integra o conselho consultivo da ONG, ao lado da igualmente global atriz Camila Pitanga.<\/p>\n<p>Entretanto, o v\u00eddeo teve o m\u00e9rito de dar destaque para o debate sobre Belo Monte. Um reflexo disto \u00e9 o v\u00eddeo de resposta feito por estudantes de economia e engenharia civil da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob a coordena\u00e7\u00e3o do Prof. Dr. Sebasti\u00e3o de Amorim, que resultou no movimento \u00abTempestade em Copo D&#8217;\u00c1gua\u00bb, que procura rebater as mentiras dos globais, al\u00e9m de esclarecer os pontos pol\u00eamicos do projeto. Para tanto, disponibilizaram um oportuno texto <a href=\"www.tempestadeemcopodagua.com\">em seu s\u00edtio<\/a>, onde demolem cada um dos \u00abargumentos\u00bb do \u00abGota D&#8217;\u00c1gua\u00bb &#8211; inclusive, lembrando que nenhum artista global protestou quando o Banco Central perdoou R$ 18,6 bilh\u00f5es em d\u00edvidas de bancos falidos de forma question\u00e1vel, no \u00e2mbito do Proer, valor aproximado ao do custo estimado de Belo Monte.<\/p>\n<p>Outro fato digno de nota, pelo ineditismo, foi a coluna Eco Verde, do jornal <em>O Globo<\/em> de 1\u00ba. de dezembro, na qual o colunista Agostinho Vieira, um not\u00f3rio simpatizante das causas ambientalistas, deu espa\u00e7o a alguns especialistas para discutir as afirmativas do \u00abGota D&#8217;\u00c1gua\u00bb. Considerando que alguns dos convidados s\u00e3o, tamb\u00e9m, conhecidos engajados na agenda \u00abverde\u00bb, as respostas surpreenderam.<\/p>\n<p>O especialista em planejamento energ\u00e9tico da COPPE-UFRJ, Roberto Schaeffer, integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC), desmentiu a afirma\u00e7\u00e3o de que a usina s\u00f3 produziria um ter\u00e7o de sua capacidade, ressaltando que \u00abnenhuma hidrel\u00e9trica do mundo usa 100% da sua capacidade. Belo Monte tem 41% de sua capacidade, menor que a m\u00e9dia brasileira, que gira em torno de 52%, mas \u00e9 maior que as americanas e as europeias\u00bb. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sugest\u00e3o de que o pa\u00eds poderia viver de fontes renov\u00e1veis, Schaeffer foi categ\u00f3rico: \u00abNo caso da energia solar \u00e9 imposs\u00edvel, por que \u00e9 car\u00edssima\u00bb.<\/p>\n<p>O presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), Maur\u00edcio Tolmasquim, falou sobre a \u00e1rea de inunda\u00e7\u00e3o da usina: \u00abA \u00e1rea inundada ser\u00e1 de exatos 503 km\u00b2. Mas, 228 km\u00b2 s\u00e3o do pr\u00f3prio leito do rio. A maior parte do que sobra j\u00e1 foi destru\u00edda por madeireiros e pela pecu\u00e1ria. Al\u00e9m disso, no entorno do rio ser\u00e3o replantados 280 km\u00b2 de \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente. No Brasil, a m\u00e9dia de capacidade instalada por \u00e1rea inundada \u00e9 de 0,49 km\u00b2 por MW. Em Belo Monte, teremos 0,04 km\u00b2 por MW. Sem d\u00favida, o saldo \u00e9 muito positivo.\u00bb<\/p>\n<p>J\u00e1 o doutor em T\u00e9cnicas Econ\u00f4micas e professor da COPPE-UFRJ, Em\u00edlio La Rovere, rebateu a afirmativa de que Belo Monte vai custar \u00ab30 bilh\u00f5es de reais\u00bb, alegando que \u00abqualquer obra de infraestrutura no mundo \u00e9 feita como dinheiro p\u00fablico ou com financiamento p\u00fablico. O que importa \u00e9 o custo da energia que, neste caso, \u00e9 muito barata, apenas R$ 78,00 o MWh. E os investidores, p\u00fablicos e privados, v\u00e3o ter retorno\u00bb.<\/p>\n<p>Sobre se a energia hidrel\u00e9trica \u00e9 mesmo limpa, o pesquisador afirmou: \u00abToda a energia tem os seus impactos, mas os da hidrel\u00e9trica s\u00e3o muito menores que os de uma termoel\u00e9trica, por exemplo. Na Europa, j\u00e1 tem ambientalistas protestando contra os efeitos das usinas e\u00f3licas\u00bb. E em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 suposta \u00abremo\u00e7\u00e3o de \u00edndios e ribeirinhos\u00bb, alegada no v\u00eddeo dos atores globais, La Rovere foi direto: \u00abNenhum \u00edndio ser\u00e1 removido e a vaz\u00e3o m\u00ednima do rio vai ser mantida. Altamira n\u00e3o \u00e9 exatamente um para\u00edso na Terra. \u00c9 uma regi\u00e3o pobre. Pela primeira vez, em 35 anos, vejo o governo aproveitar uma grande obra para fazer pol\u00edtica social. \u00c9 uma chance \u00fanica de desenvolvimento da regi\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 16 de novembro, foi postado no s\u00edtio Youtube.com um v\u00eddeo em que atores da Rede Globo de Televis\u00e3o proclamam palavras de ordem contra a constru\u00e7\u00e3o da usina hidrel\u00e9trica de Belo Monte, em Altamira (PA). 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